quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Shalom!

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)


Mesmo assim, faço promessas.


- Em 2007 eu quero sentir o coração bater bem forte e depois acalmando nos braços que me acolhem.

- Quero sentir mais vezes o cheiro do feijão da minha mãe.

- Dar mais carinho ao meu pequeno pai.

- Dizer que amo muito o o meu grande tio.

- Papear mais com a minha forte irmã.

- Beijar mais o sorriso mais lindo que já vi (e que é exclusivo).

- Beber mais com as amigas, mesmo que seja suco.

- Me sentir sempre leve.

- Fazer experimentos na cozinha.

- Aprender a dirigir.

- Me reconectar com Deus (acho que ele ainda lembra de mim).

- Ir mais a praia e conhecer o Rio de Janeiro.

- Fazer uma tatoo.

- Cuidar melhor desse blog tão esquecido (quem sabe terá mais acessos).

- Hablar Español.

- Publicar pelo menos uma matéria e não deixar a minha veia jornalistica se perder.

- Controlar melhor meu $.

- Ir aos ensaios de todas as escolas de samba de SP.

- Cuidar da minha pele.

- Soltar meu cabelo.

- E provar todos os sabores que o tempo me permitir.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Presente de Natal

Ainda não caiu a ficha que o Natal taí. Não comprei presentes para quase ninguém, coisa que adoro fazer. Não escolhi a receita de doce que vou inventar na ceia, nem decidi onde passar o Ano Novo.
Natal acho sempre um pouco triste, principalmente se meu pai não vem. E ele não deve vir esse ano. Mas Ano Novo, eu adoro. Além dos fogos de artificio (que pareço criança admirada com aquela beleza), gosto de pensar que de um dia pro outro posso escrever outra história, fazer novos planos, tudo será diferente, terei uma nova chance, conhecerei novas coisas, pessoas, lugares. E essa virada de 2006/2007 promete ter mudanças mesmo. Pelo menos, será a primeira vez, desde os seis anos, que minhas férias não tem data para acabar. Era para eu comemorar, eu sei, mas não consigo.
Se Papai Noel existisse e eu ainda tivesse idade para ser atendida por ele, pediria de presente que ele não mudasse mais nada, porque tô morrendo de medo das mudanças e das despedidas. E esse fim de ano, tá cheio de despedidas e eu não queria perder nada (embora ainda quissesse ganhar presentes surpresas de vez em quando). Quando eu tinha cinco anos, ganhei uma boneca linda, grande e que dava beijos. Inesquecível, a Beijoca. Se alguém me perguntasse se eu trocaria ela por mais um milhão de briquendos eu diria que não. Eu reclamo, reclamo, reclamo de tudo, mas não mudaria nada.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Acordei jornalista

Sou jornalista formada. Passei nos exames, e acima de tudo, conclui meu TCC e sobrevivi a banca avaliadora (com nota 9). Estou vivendo uma sensação pós-orgamisca, como disse o Rod. A felicidade está me deixando sentir tão viva, mesmo passando o domingo ensolarado em casa. Parece que o coração anda acelerado, os olhos brilhantes, a fome não vem, e até me sinto mais atraente. Aconteceu: a grande reportagem está pronta e é minha. (minha e da Bárbara, graças as Deus). Estou realizada. Criei tudo do jeito que queria: o assunto, a abordagem, o tom, a musica, tudo como eu pensei. E agora, o trabalho anda com as próprias pernas e consegue agradar outras pessoas. É como se a vizinhança elogiasse os bons modos e a beleza de seu filho. E eu, como mãe, fico orgulhosa.
Cometi erros, mas consegui não levantar bandeira, respeitei minhas fontes, não fui piegas e nem preconceituosa. E ver o quanto a Tatiana gostou é sensacional, mesmo que tenha sido só ela. Quer dizer, que ela, uma profissional, faria o mesmo. O que me faz acreditar que sou uma profissional e provei para mim mesma que faço acontecer o meu sonho. Sou uma jornalista. Já posso pegar o diploma, fazer cartão de visita e mostrar a minha grande reportagem.


E final feliz não só pra mim. Na mesma semana que conclui o TCC, o Vasco e o Dorival, meus personagens favoritos, conseguiram um fato inédito. A justiça decidiu que a linda Teodora, tem dois pais e chama-se Teodora Rafaela Carvalho da Gama, Carvalho do Dorival, e Gama do Vasco. O primeiro caso no Brasil de dois homens que conseguem adotar uma criança. E eu e a Barbara já tavamos cantando a bola antes. Somos muito in, damos furo de reportagem. E torcemos mto pela felicidade dos três, que formam uma linda família alternativa. Ai, vou sentir saudade da minha série de reportagem.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Minha religião

A poesia é uma religião, seja em prosa, verso, imagem ou canto.

No inicio era o verbo... e o verbo era Deus...
e o verbo estava com Deus,
e já não eram sós , ambos conjugavam-se entre si,
discutiam quem seria a primeira e a segunda pessoa,
quem era verbo... quem era Deus,
a ação e a interpretação... quem era a parte e quem era o todo.
Deus (o pai, o filho e o espírito santo),
era também o verbo (regular e irregular)
e todos questionavam-se sobre quem seria o sujeito
e quem seria o predicado,
quem se conjugaria no pretérito e quem renunciaria
a forma "mais que perfeita"!

Deus era o verbo e o verbo era Deus,
conjugavam-se de maneira irregular... explicitando suas diferenças,
reconhecendo os fragmentos e os complementos
buscavam a medida certa
E assim... reconheceram-se uno...
Eu deus, tu deus, ele deus, nós deus, vós deus... eles deus
Somos dotados deste curioso poder,
mudamos nosso significado, nosso signo,
nosso comportamento e nossos conceitos
(que por sua vez chegam ate nós depois de se modificarem
muitas e outras vezes!)
temos uma ferramenta e tanto nas mãos, e nos pés...
Temos acorrentados nossos motivos de sobra pra relaxarmos
e acomodarmos com a vida que levamos agora...

(Fernando Anitelli)