terça-feira, 25 de setembro de 2007

Vaidade

Um acréscimo de estima por si mesma. Não é linda a minha tatoo?

Preguiça

Ando com tanta preguiça. Preguiça de fazer ginástica, de voltar a estudar, de fazer contas, de ir até o banco, de fazer relatórios, de fazer networking, de dar satisfação para alguém, de conquistar alguém, de ir a festas e baladas depois de um dia cansativo de trabalho, de arrumar o quarto, de encarar os defeitos de alguém, de saber que mesmo que se esforce algo vai dar errado, de pedir cafuné, de fazer cafuné, de saber procurar alguém que mereça cafuné, e principalmente, de responder um sms carinhoso que tem erros de português. Arg! Perdeu!



Ai, que preguiça!

Eu queria tanto encontrar uma pessoa como eu!

Ontem, eu liguei a TV e estava o Mano Brown no Roda Viva. Isso é muito bom e raro. Ele é alguém que parece ter tanto a dizer, que todos querem ouvir, mas que nunca dá entrevistas ou aparece em frente a uma câmera. Tem seus motivos, afinal a mídia pode deturpar tudo o que bem entender, mas acho um pouco esnobe também da parte dele, como se dissesse Sou Mano e não me misturo com a playboyzada.

Enfim, naquele momento banal da vida me dei conta que estou me sentindo sozinha. Senti vontade de dividir com alguém minha alegria boba de ver o Mano Brown na TV. Não tinha ninguém ali e depois de algum tempo comecei a sentir essa saudade estranha de alguém indefinido.

Obs:Essa sensação deve ser decorrencia do show que assisti esse fim de semana. O novo CD do Pato Fu está mais do que pra baixo e sou altamente influenciavel. O show anterior da minha banda emo favorita era tão mais divertido. (o que não significa que o Album Daqui pro Futuro seja pior, muito pelo contrário, está lindo!!!)

Inércia

Minha mãe está falando que ando meio tristinha e que está preocupada. Deve ser uma tristeza inerte, porque nem mais percebo a presença dela ao meu lado. Mãe, não se preocupe, estou só esperando o Carnaval chegar e rezando pra São Salvador!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Voto aberto já!

- Porque eu vivo em uma democracia.
- Porque ainda há de haver descencia.
- Porque é preciso assumir suas opiniões.
- Porque quero cobrar os senadores que votei.
- Porque quem não deve, não teme.
- Porque o legislativo não pode morrer, ou viveremos em uma ditadura.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A gente se acostuma, mas não devia

Na segunda-feira, assisti o Roda Viva com a Isabel Allende, deputada chilena e filha do presidente Salvador Allende. Meu professor de espanhol tem razão, temos muito o que aprender com eles.


Ele se orgulha de dizer que Michelle Bacheret teve de mudar sua agenda após intensas manifestações estudantis no ano passado para melhorar a qualidade do ensino. Manifestações de estudantes secundaristas. Onde estão os estudantes secundaristas do Brasil? Aliás, aqui, boa parte dos estudantes de Direito da USP apoiaram o ato da
reitoria de expulsar com Tropa de Choque grupos que se manifestaram pacificamente pela educação.


Desde 1990, quando a Concertacion chegou ao poder, a pobreza diminuiu de 40 para 16, segundo Allende. A alternancia de poder é permitida com a democracia, mas a direita e a esquerda radical tem pouca representatividade no país. Por que? Medo da ditadura. No Chile, dificilmente surgiria um Chavez por exemplo. E por que aqui parece que ninguém tem medo do nosso passado. Pelo contrário, parecem ter saudade. ACM (pai, filho e neto), Maluf, e outros tantos coroneis que já formaram a Arena, partido ligados aos militares durante a ditadura, continuam a se revezar no poder. (mesmo com alguma perda de sua força política nas últimas eleições).


Existem algumas diferenças históricas entre o militarismo chileno e brasileiro que justificam esse nosso destemor. Tivemos alternancia de presidentes, o que de certa forma pode ter dado uma idéia de democracia. Idéia essa que o Chile não teve. Goulart foi deposto, já Allende "foi suicidado", o que choca bem mais a população.


Mas o que acho é que o brasileiro tem a capacidade única de se acostumar com seus problemas. Daí, fica tudo bem se livram a cara de Calheiros e mensaleiros. E no final da história, a amante do corrupto se enche de dinheiro posando nua. Como dizia a poeta: A gente se acostuma, mas não devia...


Hoje estou com nojo de ser viver no Brasil. NO-JO!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Valendo

Vamos fazer uma aposta? O último a confessar que está com saudade, prepara o café-da-manhã.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Ou isto ou aquilo

Você diz ou dá ou desce

Ele desce



Você diz agora ou nunca

Ele nunca



Você diz tudo ou nada

Ele nada



Carla Rodrigues

Essa falta de coragem

Eu sempre morei na mesma cidade, bairro e casa. Eu raramente dispensei namorado, sempre tive amizades duradouras e uma certa estabilidade no trabalho. Tudo isso porque eu detesto a dúvida, e principalmente odeio abrir mão de algo. Detesto pensar e se eu trocar de namorado, como será? Será que ele vai me amar? Será que a outra empresa vai ser melhor, terá um bom clima ou um chefe grosseiro? Será que vou me sentir tão bem em outra casa? Acho que até o meu jeito levemente "pão duro" tem a ver com esse excesso de prudência - é melhor ter o dinheiro para depois decidir como gastar do que se arrepender quando for tarde.


Ai, essa falta de coragem - que não sei se é sintoma de equilíbrio e sensatez, ou de pura covardia e preguiça mesmo. Pode parecer estranho mas chego a ser um tipo de pessoa que curte a rotina (apesar de detestar horários e regras). Curto acordar e saber pra onde ir, que no domingo a macarronada continuará deliciosa, que quando me sentir desprotegida vou saber exatamente a quem pedir socorro, e ouvir (mesmo que com desconfiança) que aquele sentimento bom vai durar pra sempre.


Essa semana foi curta, mas intensa e tensa. Tive de escolher e abrir mão de algumas coisas. Na decisão profissional fui pelo lado mais fácil, o de quem não arrisca. Numa insegurança tremenda - noites em claro, idéias que mudavam drasticamente a cada meia hora, e pedidos de conselho até para o taxista, o prazo final chegou e tive de abrir mão da proposta nova. Me pareceu um "não" mais fácil do que dizer "adeus" ao bom emprego atual. Tenho certeza que vou me arrepender da decisão, afinal tive de abrir mão de uma das escolhas. E tenho certeza que me arrependeria se escolhesse o outro caminho.



Desde ontem a noite, estou tentando tomar a segunda decisão da semana. Mas preciso desistir de algo, e taí justamente o que não sei fazer. Não sei sair de lugar algum sem olhar pra trás. Mas estou prometendo pra mim mesma que já está na hora de aprender. Não desistir de algo pode ser covardia pura.

domingo, 2 de setembro de 2007

No Brasil não tem negros?

Há duas semanas, conheci Bryan, diretor de Relações Públicas para as Americas da multinacional americana que trabalho. Bryan é negro e gay. Ao olhar os corredores de baias e conhecer os executivos brasileiros, ele pergunta "Por que vocês não tem negros trabalhando aqui?" - "No Brasil, não tem negros como nos Estados Unidos?"


Desconcertante responder a ele que temos menos de 1% de funcionários negros na sede do Brasil, um país em que quase metade da população é negra.


Depois não adianta dizer que é o país do Bryan que é racista e que exclui negros. Por serem declaradamente excluídos, os negros norte-americanos conseguem se agrupar, se fortalecer, e criar políticas para ascender socialmente.


Aqui a gente aplaude os negros no Carnaval e finge que é normal que os descendentes de escravos mantenham o mesmo delta de desigualdade em relação aos brancos durante vinte anos. É incrível, mas os Estados Unidos poderão ter um presidente negro antes de nós.

Cidade colorida

Eu disse para a jovem polonesa que estava curiosa para conhecer o Brasil e São Paulo que eu não gostava da cidade, porque aqui tudo é cinza. Me arrependi. Fomos ao Parque do Ibirapuera e ela se encantou com o coco verde gelado. Realmente, a natureza me pareceu ainda mais perfeita por já colocar água doce no potinho pra gente se refrescar.

Depois, o dia estava lindamente ensolarado e deixava mais vivo o verde das árvores tão diferentes das que ela costuma ver na Polônia. E ainda enfeitavam o parque muitas crianças, cachorros e pessoas atléticas que corriam de roupas coloridas, ou andavam em bicicletas românticas de dois lugares. Tudo muito vivo e com museus ao redor.

Mas o melhor foi almoçar no Mercado Municipal, um dos lugares que mais gosto na minha cidade. E não dá pra dizer que aquilo é cinza, com seus lindos vitrais e a exuberância de cada barraca de frutas, doces, queijos, peixes gigantes, sacos de cereais de encher os olhos. Além da variedade, suculência e da frescura dos produtos, ainda a gente tem um atendimento único, mais pessoal, dando uma provadinha nas frutas e com aquela gritaria pra chamar cliente. Ai, como gosto desse lugar pulsante. Modeletes sem carne e sal nem sabem como é bom beliscar os queijos e goiabadas do Mercadão. Além é claro, do tão famoso e gox-to-so (como a Polonesa aprendeu a falar) sanduíche de mortadela com um choppinho gelado. A combinação de cores e sabores perfeita.

Na última semana, também “ciceronei” um rapaz de Nova Odessa, cidade da região de Campinas, que nunca tinha vindo a São Paulo. Thiago tem 20 anos e ficou boquiaberto, até chacoalhava o amigo ao ver a cidade a noite: o metrô, a Av. Paulista, a Av. 23 de Maio, o Parque Ibirapuera, o Masp. Ele só tinha visto essas coisas da TV. E pedia pra ir até a janela do alto do prédio espiar mais um pouquinho. “Maié linda demais essa cidade! É outro mundo que tô conhecendo hoje”.

Eu posso até discordar, mas o fato é que a grandiosidade dessas avenidas impressionam mesmo. Eu que me acostumo e esqueço de ser estrangeira na minha cidade de vez em quando.

Eles não usam black-tie

"No gravíssimo acidente de trens da Baixada Fluminense já há mais de cem feridos e uma dezena de mortos. Não haverá passeatas? Editoriais enfurecidos dos jornais? A Folha não criticará a empresa privatizada responsável pelo acidente? A Globo não botará repórteres nas estações de trens que servem ao subúrbio do Rio, porque os passageiros não usam black-tie? Nenhum hotel de luxo e nem mesmo uma pensão barata será paga aos parentes que quiserem visitar seus mortos e feridos. E a vida segue. A falsidade e o fascismo também".

Alvaro Tadeu Silva - leitor da Folha de São Paulo