quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Jantar à luz de velas

Eu mesma preparei o molho ao sugo e branco para lazanha, e caprichei camada por camada. Coloquei toalha de mesa na sala de jantar, taças de cristais, velas, e como não tinha vinho, foi suco de uva mesmo. Vesti preto, com etiqueta e tudo, afinal era emprestado.
Enquanto eu preparava tudo, a personagem da novela seguia o mesmo roteiro: velas, pretinho, jantar. E eu sentia que minha vida tinha algo de novela ou filme, com a cena que já se repetiu em milhares deles.
Quando ele chega, as luzes ainda estavam acessas. Então peço para ele esperar, afinal não teria graça ele ver tudo antes. Ele se irrita por ter de esperar e entra. Fico frustrada pela surpresa não ter dado certo. Mas volto ao clima e coloco o meu CD do Vinicius com Maria Creuza. Ele não gosta da música, acha muito dor de cotovelo, ri ao achar minhas etiquetas penduradas e pede refrigerante.
A surpresa não deu certo. Não consegui ser sexy, tampouco sofisticada. E fiquei com um bico enorme por causa disso. Só que ele (ai, ai, ele) me mostra que o motivo é de alegria. Afinal, ele sempre gostou dos meus sanduíches, do perfume e roupas de sempre e que só veio para estar comigo.
Eu quis quebrar a rotina, mas a felicidade estava nela mesma. Minha doce rotina de ser amada todo dia e de ser criança (e não sexy, ou sofisticada) ao lado do meu bebê.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

É mágico mesmo!!

Uma boneca de pano que toca flauta. Outra que faz equilibrismo em um tecido. E um palhaço que toca violão e faz mágica ao transformar sentimentos em mais belas palavras e músicas. A imagem de meus sonhos de criança estava a um palmo de mim. Meus olhos brilhavam, o queixo caído e eu aplaudia cada movimento. Estava na arena do CCSP a trumpe independente do Teatro Mágico.

"Senhoras e sem dores/
Respeitável público pagão/
Bem vindo ao teatro mágico!/
sintaxe a vontade..."

Segundo show da noite com ingressos esgostados, com uns 4 ou 5 mil do lado de fora. Um fenômeno para uma banda que não toca em rádio ou TV, não tem gravadora, e seus CDs não vendem em loja. Ficaram famosos pelo antigo e eficaz método de marketing boca a boca. (Ah, o Cd deles é vendido pelo pai do líder do grupo por R$5,antes e depois do show começar e as músicas podem ser baixadas pela internet sem custo).

Foi show para meus ouvidos e olhos. Eles conseguem dizer em suas músicas coisas alegres, delicadas, fazer as pessoas dançarem e rirem, sem ter letras tolas ou conformadas.


Não tem sol, nem solução/
não tem tempero no meu dia/
Não faz mal se a situação não traduz nossa alegria/
Não ter festa dá a impressão de que o mundo ficou sério/
não tem bala, belo, bola ou balão/
não tem bula meu remédio.
Depois do público aplaudir e bater os pés, entra a trumpe e todos repetem juntos em coro:


"Tem horas que a gente se pergunta/
Por que é que não se junta tudo numa coisa só(...)
Poeta, ouvidor, desenhista, musico, malabarista...
comediante o que for
Todo mundo procura um lugar, pra poder compartilhar...
da dor e da alegria
Sarau em Arcoverde só de sexta venho aqui reivindicar
eu quero isso todo dia
Sarau na Arcoverde só de sexta venho aqui reivindicar
eu quero isso todo dia."

Eles ainda convidaram um palhaço do cavaco e mandaram ver no samba da Mocidade Alegre desse ano. Liiindo!!! O enredo é "O Riso".


A emoção transborda da veia
Meu pavilhão o samba festeja
Vamos sorrir... Amar enfim
Vem Mocidade Alegre ser feliz.

Com um enredo lindo e mágico desse, meu coração deixa temporariamente de ser Vai-vai. Esse Carnaval é da Mocidade, pela qual já tinha alguma simpatia. Que pena que todo Carnaval tem seu fim. Mas, hoje é só o começo e amanhã é o desfile da Mocidade.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Notícia de jornal

"Tendo a Lua
Aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não por militares
Mas por bailarinos
E por você e eu" - Hebert Vianna


Sempre pensei em recortar jornais com aquelas história que renderiam filme, como o cineastra de Má Educação. Hoje, saiu uma ótima, se não rende filme, dá uma boa cena de novela.

Quem nunca quis ser astronauta quando criança? Quem nunca sonhou que no futuro sua lua-de-mel seria no espaço? Pois é, os astronautas era super-heróis nos meus pensamentos de criança. E essa notícia me fez lembrar que eles são de carne e osso, também amam e também fazem insanidades (assim como você e eu).

Olha a história: Lisa Nowak, 43, mãe de três filhos, é astronauta integrante da missão que foi para o espaço na nave Discovery em julho de 2006. Nowak tentou seqüestrar Collen Shipman, suposta amante do astronauta William Oefelein, colega(creio que intimo)de Lisa.

Armada com uma pistola e uma faca, Lisa viajou 1.600Km sem parar de Houston para Orlando com o objetivo abordar Shipman. Para não ter que fazer paradas nem mesmo para utilizar o banheiro, Nowak pôs fraldas descartáveis como as usadas pelos astronautas no espaço.

No automóvel de Nowak, a Polícia encontrou uma carta de amor de Shipman para Oefelein e vários e-mails entre ambos.

Para a polícia, Lisa contou que sua relação com o colega Oefelein era "algo mais que uma relação de trabalho, porém menos que uma relação amorosa". Coitada.

Como disse o Felipe Machado do Estado essa é uma prova de que os deuses até podiam ser astronautas, mas os astronautas definitivamente não são deuses".

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

O lugar nobre da casa

A mesa da sala de jantar de mais de 50 anos, herança da família de mamãe, definhou devido a peste dos cupins. Depois do velório do móvel, minha mãe foi bater perna atrás de outra mobilia. Comprou uma mesa de seis lugares, com mármore branco, cadeiras estofadas que combinariam com o restante da sala. Meu pai retrucou inutilmente que preferia um bar para o local.
Meu tio comprou um quadro de uma praia, bonito e com moldura grossa para compor a sala. Ficou linda. Era o lugar nobre da casa.

Tempo depois, minha mãe foi demitida após 20 anos na mesma empresa. A primeira coisa que fez com o fundo de garantia foi comprar o seu sonho, uma coleção de cristais: copos, vaso, bomboniere, fruteira. Tudo para a sala de jantar. Guardou tudo em plástico bolha e nunca usamos seu sonho. Ela diz que é para ocasiões especiais, que tem medo que os cristais quebrem.

A mesa de jantar foi usada poucas vezes, só quando vem visitas de almoços importantes. Aí os amigos chegam beliscam alguma coisa, conversam friamente e depois vão até a mesa saborear o almoço farto que minha mãe preparou com tanto capricho. A boca cheia de tantas delicias deixa todos calados. A nobreza da sala de jantar deixa todos formais e sem graça ao escolher o lugar na mesa.

Mas, quando o convidado é realmente especial, aquele amigo de longa data, que a gente adora receber, mamãe o chama depois do almoço para ir a cozinha. Aí ficam horas papeando enquanto lavam a louça e se enchem de café e do resto da sobremesa em pratos de vidro ou plástico. Na cozinha, o convidado já não é o rei, mas alguém de casa que abre a geladeira sem cerimônias. Esse sim é o convidado especial, em que está no lugar mais nobre e gostoso da minha casa, reservado para poucos.