quarta-feira, 21 de março de 2007

Diz tudo!

Incrível o poder de síntese dessa música. Incrível como muitas pessoas podem se sentir como você. Incrível como a Elis interpreta isso brilhantemente.
Sem mais.

Vinte Anos Blues

hoje de manhã quando acordei
olhei pra vida e me espantei
eu tenho mais de vinte anos
eu tenho mais de mil perguntas
sem respostas

estou ligada num futuro blue
os meus pais nas minhas costas
as raízes na marquise
eu tenho mais de vinte muros

o sangue jorra pelos furos
pelas veias de um jornal
eu não te quero, eu te quero mal

essa calma que inventei, bem sei
custou as contas que contei
eu tenho mais de vinte anos
eu quero as cores e os colírios

meus delírios
estou ligada num futuro blue

quinta-feira, 15 de março de 2007

Mais sobre a Priscila

“Eu sou igual a vocês. Só que vocês andam e eu sou cadeirante, só isso”.

(Priscila da Silva, 13, ferida na troca de tiros que se seguiu a um assalto a banco, falando sob sua nova condição, que ela espera ser passageira (e eu também). Sorrindo, animada e vibrante como... uma menina de 13 anos, cheia de vida).

“E qual o momento mais difícil que você já passou nessa cadeira?”, perguntou a repórter da Record.
“Na hora de tomar banho. As pessoas vêm me pegar e mudar para outra cadeira, eu fico meio com medo, falo “cuidado, me pega direito”, elas dizem “calma”... Mas é só o começo, eu estou aprendendo, daqui a pouco eu consigo mudar de cadeira”.
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Já falei sobre o Isaías, pai da Priscila, por quem tive muita admiração ao dizer que nem sabia o que aconteceu com os assaltantes. Agora, é a menina que me encanta. Como eles podem ser tão incriveis? Como ela pode ter tanta sabedoria, otimismo, vontade de viver, e serenidade sendo tão nova? Dá vontade de ir na casa deles e consultá-los como monges e sábios. Dá vontande de acreditar que a felicidade é obra nossa mesmo, independente do acaso, dos obstaculos e tudo mais. Essa família me comove, me arrepia quando ouvi eles falarem.

Será que eu estou tomando injeções de Polyanna na veia? Será que isso é danoso? Será que eu não deveria fazer post de revolta? Será que a felicidade me deixa cega? (Ahhh, problema meu. Ninguém mandou ler Polyanna e Polynna Moça na infância)

quinta-feira, 8 de março de 2007

"Minha mãe é Maria ninguém"

Hoje é dia de falar como as mulheres são delicadas e ao mesmo tempo fortes, e bla, bla, bla. Normalmente, são os homens que fazem essas homenagens como uma forma de respeito, amor e contemplação. Mas definir uma mulher, o que ela quer e pensa, deve ser feito por uma mulher também. E aí tiro meu chapéu para a Rita Lee. Goste ou não, ela é uma das poucas compositoras do Brasil. As cantoras cantam o que homens compõem. Tente lembrar o nome de 5 compositoras de cara. Difícil, né? A Sra Lee não só compõe, como faz isso de uma forma muito ousada e feminina. Como: "Me deixa de quatro no ato, me enche de amor",
ou "Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)",
ou "A gente faz amor por telepatia",
"Vou casar com ele/Vou trepar na escada".

E a que melhor sintetiza pra mim a mulher - Pagu - nem Amelia, nem Rosa, nem Barbie:

Mexo e remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira, nem sou puta

Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra louca...tudo bem
Minha mãe é Maria ninguém
Não sou atriz
Modelo ou dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

segunda-feira, 5 de março de 2007

Isaias da Silva

Isais da Silva: -Foi uma benção que ninguém tenha morrido;
Ana Maria: - É verdade. Parece que dos 8, só um dos assaltantes está internado, né?
Isaias: - Eu não sei.
Isaias da Silva é sapateiro desempregado e pai de Priscila Aprígio da Silva, 13 anos, baleada semana passada em um ponto de ônibus em SP, devido a tiroteio em um assalto a banco. A bala, que atingiu a coluna da menina, deixou-a paraplégica. A família não tem condições para receber uma cadeira de roda na casa apertada e sem estrutura em que vivem.

O sapateiro e a esposa estão lutando na justiça e na mídia (o dialógo acima foi hoje de manhã no programa da Ana Maria Braga) para conseguir uma indenização, ou qualquer caridade que possa ajudar na adaptação da casa e na recuperação de Priscila.

Tudo isso é muito revoltante e injusto. Porém, mesmo o país passando por uma discussão sobre punições mais rigorosas a criminosos após fatos violentos que nos aterrorizam, Isaias disse hoje pela manhã que não sabe sobre o que aconteceu com os assaltantes que levaram a essa tragédia.

É de se admirar a paz com que esse homem diz isso. A vida dele deu uma reviravolta, mas não tem ódio, não deseja mal a ninguém, apenas quer ajudar sua filha e agradece por ela estar viva. Ele sabe que a vida continua e que tem muito o que lutar.

Alguns podem achar que esse sapateiro é um conformado. Acho que não. Afinal, esse homem está lutando e enfrenta muita briga pela vida. Isaias é um exemplo que arrepia por sua garra, otimismo e paz. E mais do que isso, ele exerce (não só na palavra) um dos princípios cristãos mais difíceis: o perdão.

Isaías da Silva, 40, sapateiro e um herói (pena que famoso somente até essa história ser esquecida por alguma tragédia ainda mais cruel).

sexta-feira, 2 de março de 2007

Sua segunda vida

Em algum momento da vida, principalmente na adolescência, todo mundo já deve ter se simpatizado com o anarquismo. Hoje, sou um pouco conservadora e tô com o Hobbes "O homem é o lobo do homem". Penso que seria um caos, exponencialmente pior ao que vivemos hoje.

Os simpatizantes do anarquismo são terminantemente contra o capitalismo (contra o socialismo também, mas o capitalismo é o inferno deles). E eles estão certos. O capitalismo é o "demo" e leva tudo com ele para esse mundo dark. Primeiro, são os souvenirs do Che Guevara, corrompendo os pseudo-comunas e agora o Second Life (o mundo virtual 3D, que mistura jogo, rede social e negócios).

Ele se propõe a ser o lugar onde você pode ser quem você quiser e fazer qualquer coisa que desejar. A proposta é muito similar a do Raulzito "Faça o que tu queres pois é tudo da lei". Então,se você no mundo real, não tem a cara de pau de mandar seu chefe para aquele lugar, pode fazer no mundo virtual. Se o anarquismo e a falta de hierarquia social seria caótico, os capitalistas montaram o anarquismo virtual, uma idéia genial que já tem mais de 4 milhões de moradores nessa sociedade alternativa.

Porém a proposta anarquista do Second Life pára por aí. Os mais espertos estão faturando horrores com essa brincadeira. Uma alemã já vendeu US$1 milhão em terrenos do Second Life.
Isso porque nessa pseudo-anarquia, você é livre, desde que tenha dinheiro para manter seu avatar(o similar a vc dentro do Second Life): cortar o cabelo dele, comprar roupas, ir a shows, construir uma casa, ter movimentos, etc. Se você é feio ou gordo, seu avatar pode ter as formas da Sharon Stones ou Rodrigo Santoro. Dá até pra ir a um show do seu ídolo que nunca vem ao Brasil, e encontrar pessoas do mundo inteiro. Enfim, ser e fazer tudo aquilo que você sempre sonhou, mas n coisas não lhe permitiram.

Nada disso é essencial para continuar no jogo, mas as diferenças sociais são transferidas da vida real. E você deve ser bem rico para poder esbanjar grana em sua segunda vida. Pelo menos nessa encarnação estou fora do Second Life.