sábado, 25 de agosto de 2007

Quem desdenha não quer vender

Piauí


Área: 251.529,186 km² (pouco maior que o Reino Unido)

População: 3.036.290 hab.

PIB: R$7.325.106.000 – 23º dentre os 27 estados brasileiros



Várias lojas de departamento engrossaram o boicote aos produtos Philips no Piauí. Depois que o Grupo Claudino, dos Armazéns Paraíba, suspenderam as compras e retiraram os produtos da marca da prateleira, lojas de departamento como a Insinuante e Gabryella também suspenderam a venda da marca Philips. O boicote é uma reação às declarações do presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo, que disse que "se o Piauí deixasse de existir, ninguém ficaria chateado por isso".

Fonte Estadão


O Grupo Claudino é o quinto maior comprador de produtos Phillips no Brasil e a Insinuante é um dos maiores varejistas da Bahia, que já tem presença no Sudeste também.


Se o Piauí deixasse de existir, boa parte do gordo salário do Sr. Zotollo (sim, ele é assaliariado e não dono da Phillips para usar assim o nome da empresa) estará comprometido. Não se desdenha quando se quer vender.
A Phillips tentou se retratar da declaração de seu presidente e mostrou que é uma empresa importante para a região por gerar empregos e investir mais de R$ 2 milhões no social.


Não tenho dúvidas que a geração de emprego e investimentos sociais da iniciativa privada são importantes, mas nenhuma empresa investe em terra seca. O Piauí fertiliza bons lucros para a Phillips – e ela não há de querer deixar esse farto mercado, mesmo que seja em um dos estados mais pobres do país.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Ao contrário

Eu não consigo manter

A correspondência em dia

Os nervos no lugar

As contas pagas

Os hormônios estáveis

O saldo bancário positivo

Os fantasmas no armário

Os pesadelos longe de mim



Navego em mar revolto

Não sou feliz assim

E nem seria feliz

Se fosse o contrário de mim



*Poesia de Carla Rodrigues


Pra ser feita pra mim só faltou falar que perdeu as chaves de casa, esqueceu de dar recados, não fez planos para o futuro e não tem encontrado juízo.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A personalidade do século


Felicidade é entrar na sessão de estréia do filme mais aguardado da década sem fila. E o melhor: legendado.


Segue a entrevista publicada no USA Today com a personalidade do século: Homer Simpson


Pergunta: Você ainda parece manter um ótimo relacionamento com Marge após 20 anos. Qual o segredo de um casamento saudável?


Homer: Tentar encontrar interesses comuns. Minha mulher e eu descobrimos que temos filhos da mesma idade, então isso nos dá algo sobre o que conversar durante os comerciais na TV.



Pergunta: Você conseguiu manter seu visual ao longo dos anos. Como faz?


Homer: É um procedimento raro: lipo-injeção. Ei, eles têm que fazer alguma coisa com toda aquela gordura que tiram das pessoas.


Pergunta: Há alguma coisa que você não comeria?



Homer: Minha cabeça. Preciso dela para comer.


Pergunta: Sua ficha na usina nuclear de Springfield é totalmente manchada. Como você nunca foi demitido?
Homer: Ainda trabalho na usina porque o chimpanzé que treinaram para fazer meu trabalho foi promovido. Eu agora me reporto a ele. E todo ano tenho que ir à estúpida festa de natal dele.


Pergunta: Quais são suas posições políticas?


Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Hoje estou em festa

"Vai ter uma festa em que vou dançar até o sapato pedir para parar. Aí eu tiro o sapato e danço o resto da vida."

Chacal

Dia dos Pais



No último domingo, um grupo de pais divorciados, os "Pais por Justiça", organizaram protesto com 365 bonecos de plástico com os olhos e bocas vendados colocados na areia da praia de Copacabana. Eles reivindicam mais tempo com os filhos quando há separação conjugal - instituindo a chamada guarda compartilhada (quando o tempo de convivência e a responsabilidade com as crianças são divididos de forma equilibrada entre pai e mãe). As vendas e mordaças representaram a manipulação que as crianças sofrem no processo de definição da guarda.


Embora a legislação preveja a participação dos pais na criação dos filhos, na prática ela delega poderes quase totais à mãe para decidir sobre a convivência paterna. Hoje, como a guarda compartilhada não é lei, a mãe deve concordar, detendo um poder desigual ao do pai.


Comovente ver um grupo de pais engajados em sua paternidade e loucos para participarem mais e mais do crescimento de seus filhos - de forma igual a da mãe.




Esse protesto me lembrou um dos filmes mais bonitos que assisti no ano
passado "A Lula e a Baleia", um filme delicado que conta com quatro personagens riquíssimos.


Na pelicula, Jeff Daniels compartilha a guarda de seus filhos de 12 e 17 anos (cerca disso) com a ex-esposa vivida por Laura Linney. É de arrepiar a interpretação de Daniels perdendo o chão e tendo que se adaptar a nova vida de pai divorciado. Ele é tão triste, quanto atrapalhado; e tão frágil, quanto perverso no trato com os meninos e com a ex.


Os filhos vão ficando cada vez mais confusos entre a casa do pai e da mãe, passam a sentir falta do cachorro, dos discos, de algo que seja deles, de uma unidade. Se deparam com o ciúmes, rancores, mitos perdidos frente as fraquezas de seus pais, e a confusão de como medir valores de certo e errado. Os adolescentes vão tendo que juntar tudo isso, se reconstruir e adaptar em meio ao conflito dos adultos e da sua própria descoberta da sexualidade.


O filme não tem nada de piegas, mas a boba aqui chorou de soluçar. Vale muito assistir!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Agosto

"Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados. Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto”.
Caio Fernando Abreu

*Ando inventando coisas para agosto passar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Descanse em paz



Todo mundo tem o direito de estar farto de poucos investimentos, injustiças, seja lá da classe social que for, até mesmo os jovens empresários da Fiesp e os advogados de São Paulo. Aliás, é muito justo alguém estar cansado de ser desrespeitado em aeroporto, de não ter segurança na hora do vôo, assim como de caos antigos nas rodovias, no transporte público, na saúde pública, etc.


O problema é que o "Cansei", embora emcabeçado pelo João Doria Jr., empresário, apresentador de TV e arrencadador de fundos para tucanos, me parece mais forjado pelo PT para aumentar sua popularidade. Sim, porque só aparece dondoca pra falar por vocês, fazendo o "contra Cansei" ganhar mais notoriedade que o próprio protesto inicial.


Graças ao "Cansei" o PT pode voltar a gritar:

"A elite quer nos derrubar! É o golpe!"

"As dondocas são contra o governo (do povo)"

"Quem bate cartão, não entra em movimento de patrão"


Ahã. E a Marta Suplicy é operária? O Mercadante camponês? E o Marco Aurélio sem teto? Sei, sei.


Revoltados do "Cansei", aconselho vocês a descansarem e sairem da praça, antes que levantem ainda mais a (falsa) imagem do Lula, como pai dos pobres e averso a burguesia.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Eu, você, nós dois, já temos um passado pra lembrar

"Eu, você, nós dois

Já temos um passado, meu amor

Um violão guardado, aquela flor

E outras mumunhas mais

Eu, você, João

Girando na vitrola sem parar

E o mundo dissonante que nós dois

Tentamos inventar"


Naquele dia, na rodoviária, era para eu ter largado sua mão, batido a porta do carro e não ter olhado pra trás. Era isso que uma pessoa normal deveria fazer, mas eu não sou normal. Nem você. E ninguém deve entender a gente. Um jeito estranho que não gosta de sofrer de vez, prefere sofrer aos pouquinhos, uma dor nova a cada dia. Somos bem covardes. Temos um medo danado do repentino, do futuro e de caminhar sozinho. Eu não consegui largar tua mão, deixar de ouvir sua voz, e não me preocupar com você, deixar você virar passado. Eu nunca consegui fazer isso. A gente prefere largar as mãos aos pouquinhos, afastando dedinho por dedinho. O problema é que um dia vai ter que largar de vez, a última pontinha do dedo vai soltar. Ai, e como isso dói. Como está dificil saber que você comprou passagem para o meu passado (mesmo que tardiamente). Vou ter de me despedir. Sabe, tem uma coisa que eu cochicho para mim "Será eterno" - com todos os nossos fracassos, mas será. Nada passa e a gente vai guardar o melhor e o pior de nós. Ainda bem que não passa. Senão não valeria a pena.



Em seu futuro, não vá se perder e não me perca em sua memória. Também não deixe nada te fazer infeliz, nem eu.

O nosso passado foi bom. E o futuro também será. A gente merece.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Rasgando o diploma II

Além de ter escolhido uma profissão do mal, como falo no post anterior, ser jornalista significa ser fudida e mal paga. Se é pra vender a alma ao diabo, que seja por muito, mas não é. E aí me pergunto, como jornalista consegue ser tão arrogante, mesmo vivendo na maior pindaiba? Não conheço um colega que esteja realizado em redações. (hehehe, agora conheço o Fabio Matos recém-contratado da ESPN). E os colegas que escolheram outras profissão já compraram seus carros, viajaram para o exterior, vestem-se bem, etc.


Por que somos fudidos e mal pagos:


1 -Os chefes de redação e editores podem dar medo no Diabo. Eles xingam reporteres sem cerimônia e até lançam objetos, como já aconteceu comigo. Hoje, que trabalho em uma empresa multinacional, os chefes podem não ser anjos, mas se preocupam com as leis, ao menos.


2 - Os colegas são tão mal pagos como você, mas acreditam que tem o rei na barriga e que um dia vão fazer a reportagem que vai mudar o mundo. Se possível pisam em você de cuturno e criam o ambiente mais hóstil do mundo. (Fatos reais que ouvi de uma amiga)



3 - O piso salarial como o nome diz é pouco, e nem assim é cumprido. (Fato real de amigos)



4 - Não há diferença entre estagiário e repórter praticamente. Um é substituido pelo outro sem pestanejar. O resultado você lê e ri por aí. (fato real também de amigos)


5 - Até mesmo em assessoria de imprensa, jornalista é PJ, pessoa juridica. Isso é tem que pagar imposto e ainda não tem direito a férias, assistência médica, etc. Até aí tudo bem, um médico que tem seu consultório é um profissional liberal também. O problema é que na assessoria tem uma agência lucrando em cima de você. O cliente paga x para a agência te contratar (mas ela não contrata, vc é pj) e a única coisa que ele oferece é o seu serviço que é x - a parte da agencia. Engraçado, né? (fato real de amigos meus)


6- Fim de semana, feriado, Natal, Carnaval, madrugada, família, namorado? Luxo. Você sempre soube que isso não te pertenceria antes de escolher essa profissão e se orgulhava de ter um trabalho dinâmico. Mas em algum momento você sente que a vida é mais do que uma redação e fica louco para prestar um concurso público para a Caixa Econômica Federal.


Depois de ouvir essa semana reclamação de todos os meus amigos, tenho certeza que vou rasgar o meu diploma.



Obs: Elio Gaspari falou no treinamento da Folha que a melhor fonte do repórter novo são seus colegas de geração. "É uma aplicação de longo prazo. Seus colegas de hoje serão diretores de empresa, embaixadores, dirigentes esportivos, especialistas, médicos, cientistas proeminentes nas próximas duas décadas. Mantenha contatos"


Se eu for seguir o conselho do Gaspari, no futuro, ao pegar minha agenda e ligar para os meus amigos do colégio vou chorar, porque eles viraram coisas tão importantes e eu tô lá trabalhando no fim de semana por um salário pifio, sendo chicoteada pelo editor e sem perspectiva breves de me dar bem como a minha geração.


Sabia que os jornalistas pertencem a classe com maior índices de alcolismo? Não se engane, não é porque rola muita festa, é muito sofrimento mesmo.