terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Carnaval

Se você piscar, eu talvez sorria...

As vezes são necessários confetes e pequenas mentiras.



Roubado desse blog

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Não é uma equação



Filme com boa montagem, trilha, e elenco. E claro, a história em si é muito boa e te causa conflito moral.


A mim, causou ao menos a parte final - o julgamento de João. A juíza se pergunta se o Direito é uma equação: flagrante + confissão - atenuantes = pena. Ela chega a conclusão que não, e é bastante branda. Fiquei um tanto revoltada de ver que o rapaz pegou pena de apenas dois anos de reclusão.


Apesar do filme mostrar o tempo todo que ele é só um menino grande, amoral, não um bandido sanguinário (taí a frase - Meu nome não é Johnny, é João!), poxa, é bandido, é traficante, sim. O advogado de defesa dele pareceu sagaz e mostrou que o réu festeiro não adquiriu bens, não tinha armas, enfim, não fazia parte do crime organizado. Tudo verdade. Mas qual a diferença se ele comprasse uma Ferrari ou se ele gastasse tudo em festa? O crime é como ele conseguiu o dinheiro e não como gastou.


Até que tomo um tapa na cara com a frase final do filme - na legenda - assinada pela juíza do caso. "João Guilherme Estrela é a prova real de que é possível recuperar alguém".


Poxa, então o que eu quero? Uma pena matemática? Por que trafica é trafica e merece mais pena, seja na cadeia ou sanatório? (tô parecendo o capitão nascimento, cruz credo). Ou eu queria que ele se recuperasse da amoralidade dele e de seus vícios? Acho que ele é um caso isolado. Talvez outro não se recuperasse ao encontrar o inferno. Mas por isso mesmo a juíza tem razão: o Direito não é ciência exata.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Frase genial

"Todas as famílias felizes se parecem; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira."

Leon Tolstoi

Chão, chão, chão

Quando confesso a alguém que gosto de funk, a pessoa se benze três vezes, dizendo Cruz Credo - Q horror!Concordo, não são os melhores letristas ou interpretes, mas o ritmo tem seus méritos.


Primeiro, há de concordar, a batida da música não é apenas sensual, como também sedutora. Não há muitas regras para dançar, o corpo lançasse naturalmente. Tente não reparar nas letras, apenas no som, que seu corpo se joga fácil.


Uma prova do poder e qualidade da batida carioca é a rapper pop MIA. Nascida no Sri Lanka, mas morando há tempos em Londres, ela mescla o funk carioca com outros ritmos como pop e hip hop e faz músicas com letras bem mais interessantes (fala até de gripe aviária), sem perder a sedução do funk carioca. Ah, dá pra misturar funk com samba também e o Monobloco saí arrebentando.


Quanto as letras, não sejamos hipocritas. O que você gosta de ouvir, Bossa Nova? Pois é, um ritmo gostoso, bem comportado, com letras quase parnasianas e bem cariocas. Mas "A coisa mais linda e cheia de graça" e "Rio você foi feito pra mim" é no minimo ingênuo, com letras feitas por quem se sentavam no Leblon, admirava o mar e nem notara que tinha um Vidigal ao lado. Pois é, já era hora de alguém olhar para o Vidigal.


As letras são exageradamente vulgares, eu concordo. Chega a dar vergonha de ouvir perto de crianças, pais ou avós. Mas mesmo com a mulherada se requebrando sem calcinha nos bailes, não dá pra dizer que o funk carioca coloca as mulheres em posição de objetos. Muito pelo contrário. Enquanto no axé, mas propriamente no espero extinto bunda music, as mulheres eram as dançarinas para músicas do tipo "Desce, desce, danada", "Olha o kibe", "Venha nega, vá", no funk elas tem voz ativa. Aliás, nem Rita Lee conseguiu fazer música que represente a mulher tão dona de si, quanto Tati Quebra Barraco e Deise Tigrona. Afinal é audaciosa e cheia de opinião uma mulher que vem a público cantar "A porra da buceta é minha" uma total quebra de tabu, uma mulher cantar "Daku é bom".

Pode faltar requinte em suas letras, objetivas demais, mas que são originais, são.

Quero um amor bem cachorro

"No mesmo horário, todo dia, um labrador caramelo vem até o portão. E pára diante da cerca, quieto, o olhar fixo em mim, abanando o rabo. Ele já esteve aqui. Pela sua intimidade em aparecer. Não vem farejando, tateando. Não tropeça ou cheira os lixos, árvores e a grama. Não caminha por enganos e pistas. Chega direto e senta. Aguarda uma resposta. Não falo, não o chamo para perto, não ofereço comida e ele volta. Sua pausa é obcecada. Não esmola, não é um vira-lata perdido. Percebo que tampouco é faminto: atento e curioso com a minha reação. Uma chuva seca. Ele chove sua lã diante de mim.

Talvez esteja procurando a inquilino anterior da residência, mas não cansa de vir, sempre com mais tristeza em sua expressão. Tristeza altiva. Não precisa de mim, precisa daquele momento, daquela postura comovida, daquela excêntrica pontualidade.

É fiel a uma promessa. Sou sua promessa mesmo que não tenha sido eu a fazê-la. Ele me observa disposto a me entregar uma carta. Ou me levar até ela. Lambe as patas, a roer sua docilidade. Tem a melancolia de circo. A melancolia que apenas o circo conhece. A melancolia de um circo durante o dia, longe de suas apresentações e das ansiosas crianças.

O labrador demora dez minutos de oração e vigília, antes de sumir. O homem deveria ter metade de sua lealdade. E metade de seu silêncio, para ser completo.

Bater à casa quando o amor foi embora, não somente quando ele está dentro. Formar a casa diante da casa. Formar esperas".

Fabricio Carpinejar

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Manhã de domingo chuvosa

A paixão bate a porta/
Não convém deixá-la entrar/
Convém não deixá-la ir embora.


Para passar manhãs chuvosas de domingo com você, eu faria até panquecas para o café-da-manhã.
Pena que você não toma café.


Manhã de segunda-feira chuvosa

Há uma série de músicas sobre chuva. Nenhuma delas deve ter sido feita na segunda-feira chuvosa. Humpf

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Julgador

Na peça A Pane, um juiz, um promotor e um advogado, todos aposentados, encontram-se semanalmente para encenar suas antigas profissões. Deve ser um tesão tão absurdo estar nessas cadeiras, que nunca mais é possível sair delas. É como se fosse uma espécie de divindade, com o poder de decidir o futuro de outra pessoa. Um juiz, ou um promotor devem brincar de Deus, muito mais que um médico. Este na prática pouco influi sobre a vida e a morte de alguém. Apenas ameniza dores.

Quando morrermos é possível que nos encontremos com o Homi. Alguém forte, grande, poderoso, cercado por anjos e com um dedo indicador enorme sobre nós - a hora do seu julgamento. Acho que tememos tanto isso que nossa maior vontade é ser O Julgador. Mesmo que a faculdade de Direito não esteja nos seus sonhos, mesmo que você odeie advogados (o q é bem natural), confesse, você já quis ser O Julgador.

Já reparou como dá um tesão maravilhoso quando falamos mal dos outros. Ai, aquele veneninho escorrendo pelos lábios tem um sabor de poder delicioso. Posso não decidir o futuro de alguém, mas tenho um indicador implacavel muitas vezes: "Fulaninha é burra", "Sicrano é brega", "Beltrano é feio".

Adoramos nos imaginar juízes, o que explica o sucesso dos realities shows. No Big Bother, você decide quem vai vencer, atribui a vitória e a derrota. Adoramos nos imaginar sentados na cadeira do Justus ou do Trump e meter o dedão indicador - You are fired! Talvez porque tentamos tanto nos safar da cadeira de réu, que corremos todo tempo para a cadeira de juiz, nem que seja por mera ilusão do poder.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Sedução

Pensei seduzir você, mudando-me qual mutante
De alguma estrela trazer um raciocínio brilhante
Bater no peito e dizer, num brado bem retumbante
Só penso em você, por que que eu não pensei nisso antes?"
(Itamar Assumpção)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Lugares comuns

Já reparou que em São Paulo quase não há lugares comuns entre privilegiados e não privilegiados? Conheço muita gente enjaulada - não andam mais ao ar livre, estão no carro, casa, escritório, shopping, balada, academia, clube, universidade - tudo com ar condicionado. Não tem contato com quem não foi convidado a pertencer ao seu mundo, e algumas vezes até coloca segurança na porta, pra ter certeza que mais ninguém vai entrar sem convite. O próprio litoral se divide. No Litoral Sul a classe C é permitida, mas em Pitangueiras no Guarujá, por exemplo, os prédios da orla tem funcionários que acordam bem cedo e já fazem uma espécie de cercado com guarda-sol e cadeiras para os moradores. Assim mesmo que acordem tarde, eles já terão seu espaço reservado. Farofeiro que fez bate e volta, ou alguém que tenha casa distante da praia, tá fora do cercado, excluido da praia.

Já os cariocas podem até desejar, mas não conseguem se livrar de lugares comuns. A praia é comum a todos. Criam a Barra, o piscinão de Ramos, fazem festa de reveillon na Zona Norte, mas não tem jeito. A galera do Vidigal tem vista pro mar e desce até o Leblon ou São Conrado. Se algum personagem do Manoel Carlos, a Ana Maria Braga ou o Chico Buarque quiserem dar um mergulho vai ter a companhia da galera de cima. Reveillon em Copa, você pode até comprar por R$300 o jantar na área VIP e isolada dos novos quiosques enjoados da orla, mas a bala perdida disparada lá no meio pode atingir você.

Não sei se ter esses lugares comuns é bom ou ruim. Mas acho interessante que redomas sejam quebradas, os lugares compartilhados, que todos saibam "eles existem".