domingo, 27 de julho de 2008

Deixo o verão pra mais tarde

Se fosse pra ir, eu iria com os braços abertos, frio na barriga e um tanto de saudade. Mas se for pra ficar, eu desarrumo as malas, adio as expectativas da novidade, e fico na inércia e no aconchego da casa onde sempre morei. Fico feliz de ficar com as coisas que não cabiam na mala.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Viveu e morreu do coração

Ontem, assisti ao Por Toda Minha Vida - tele biografia da Globo, apresentado por Fernanda Lima. A homenageada foi Dolores Duran, por quem já tinha paixão pelo repertório e voz. Descobri que a história dela é um encanto também. Se ela vivesse hoje, já seria considerada moderna. Nos anos 50, ela era no mínimo a frente de seu tempo. Além da voz fascinante, ela ainda foi letrista de músicas doTom Jobim e João Donato (com o qual namorou). Tom até dispensou uma letra do Vinicius, depois que tocou no piano uma música e ela com o lápis de olho escreveu instantaneamente a "Por causa de você".

Dolores era mulata, suburbana, não terminou o ginásio, e sofria do coração desde a infância. Por conta da doença, viveu intensamente, pois sempre sabia que a morte chegaria cedo, como chegou. Era considerada namoradeira e dizia que sem amar, ela nem respirava. Fumava, bebia e só voltava pra casa pela manhã. Ficou grávida sem casar e só aceitou o pedido de casamento após um aborto espontaneo. Disse adeus ao marido, ao não retornar de uma turnê, decidindo conhecer a Europa sozinha (e compôs Fim de Caso pra ele se tocar). Quase no fim da vida, adotou uma criança negra, que decidiu criar sozinha. Talvez tenha sido a mais moderna e a mais romântica das mulheres, se pensarmos em suas canções e na intensidade que as cantava.

O programa mostrou recortes de jornais da época da sua morte. "Viveu e morreu do coração", dizia um deles. Taí um obituário bonito de se ter.

A noite do meu bem (umas das minhas músicas favoritas)

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
Quero a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
Quero o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Mas como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda ternura que eu quero lhe dar

terça-feira, 15 de julho de 2008

Minha cidade - ó pedaço de mim




Vivo uma relação de amor e ódio com São Paulo. E agora, que meu coração será dividido, já sinto uma saudade das coisas que amo da cidade que pela qual eu insisto em caminhar, mesmo irritando minha rinite. É impossível viver em São Paulo sem rinite. É impossível crescer onde cresci e não mudar de sentimento na mesma velocidade que muda o clima. Alguns cenários da cidade, as melhores comidinhas e personagens fazem parte das minhas lembranças. Tenho um monte de pedacinhos dessa cidade que quero levar comigo onde for.

A Mãe Preta do Paissandu; (não é linda essa estátua?)
Sanduíche de mortadela, saco de cereal, os vitrais e as barracas de frutas do Mercadão
O cortiço Itororó - a cara do meu Bixiga
Os ensaios de rua da Vaivai
Restaurantes e bancas de jornais que resistem ao português na Liberdade
O escadão da Gazeta
Os grafites dos Gemeos
O painel do metrô Sé
Os charmosos e gostosos cafés do Jardins na companhia do Ju
Um primeiro beijo no Vão Livre do Masp
Cabular colégio na Pinacoteca (não devia nem se chamar cabular)
A escapada do trabalho no Municipal
A Silent Disco no pé do Mosteiro São Bento
Brincar de outra dimensão na passarela do Memorial da América Latina
Os teatros da Praça Roosevelt
Comer sanduíche de pernil do Estadão no viaduto
Meus namoricos adolescente no vão do Sesc Vila Mariana
O pátio da Fatec
Os chopps em botecos underground da Augusta com a Francini
As fofocas no Posto6, no Prainha, na Casa do Espeto, no Rancho da Empada com as Cabeças jornalistas
Meu tio chegando com pão italiano do Bixiga debaixo do braço no domingo
Os jardins japoneses do Solo Sagrado de Guarapiranga
As melhores salas de cinema e até a "blacelandia" do Reserva e do Cinesesc
A bicicleta de dois lugares do Maizena no Ibirapuera
Fazer do MAM o ponto de encontro
Assistir show dos Mutantes e Doces Barbaros de graça
Fazer piquenique perto do lago do Ibirapuera
Caminhar com meu pai e assistir jogos de varzea no Parque da Aclimação
A varanda da Casa das Rosas
Estudar no jardim do Centro Cultural
A feira do Embu das Artes
A banca de camisetas e piratarias cool do Franco no Espaço Unibanco e na Calixto
Os forrós universitários do Canto da Ema e do Danado de Bom
BlackDog de madrugada
Os botecos Bohemias - bolinho de arroz do Assembleia,
casquinha de siri do Santa Madalena, o pastel de feijoada do Barbirô, a coxinha do Veloso
Bandeira - garçom amigo do Gato que Ri que me conhece desde criança
As festas na casa da Nath e Jana com café da manhã
Da pizza e pão de linguiça do Bixiga
O bauru do Ponto Chic
O "r" puxado do interiorrr
Comidinha e colinho de mamãe
O arroz doce do dia de São José da Dona Iracema
As conversas e bagunça no quarto com minha irmã
Jogo decisivo do Corinthians no Morumbi
Festa no bosque da Pinheiros
Festa junina da Catedral Ortodoxa com dança árabe
O vendedor de bonequinho de massinha nos bares
Azaléias e Ipês Roxos
Uma surpresa romântica nas rampas da FFLCH
A calçada com palavras escondidas do Sesc Paulista
Brincar com meus afilhados lindos e aprender a pular corda aos 23 anos
Assistir os jogos surpresa de tenis noturno na quadra da São Francisco do Ju, Vini e Thiago
Todos meus amigos queridos

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Queimando navios

Quando os espanhóis vieram colonizar a América, eles chegavam e logo em seguida queimavam seus navios. Isso era feito para que não pudesse mais voltar a Espanha e fizesse da America sua morada. Tornou-se uma expressão.

Ontem, tirei o dia para pagar dívida e promessas, tirar tudo das gavetas, trancar cursos, mudar o endereço de correspondência, cancelar assinatura do jornal, e queimar navios que poderiam me fazer querer voltar antes do tempo.

Daqui pra frente, terei novas dívidas, novas gavetas, novos cursos, novo endereço, e novos amores.

Minha nova janela

Fiquei 3 semanas pensando se aceitava uma proposta de transferência para o Rio de Janeiro. Ao ver a minha futura janela, aceitei de imediato. Persuasiva essa vista, né? Morram de inveja!!


PS: Não, não é postal. As fotos foram tiradas da minha janela mesmo.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Pensão alimentícia

Taí a moderna, atual e revolucionária música do Calcinha Preta que o Judson e a Francini citaram dois posts abaixo:

"Que foi que eu fiz pra você
Mandar os "homi" aqui vir me prender

Tudo era tão lindo um conto de fadas
Tão maravilhoso a gente se amava
Foi nessa brincadeira que aconteceu
Nasceu um lindo filho que é seu e meu

No final de semana agente ia à praia
Saia pro forró, caía na gandaia
Um amor assim eu só ví na tv
Mas ja que a gente terminou nao tem mais nada a ver

Sou cachaçeiro sou cabra raparigueiro
Mas eu nao sou vagabundo
Eu sou do mundo
Sou de responsa eu sou mais um brasileiro
Com pensão para pagar e vou pagar
Mas nao é justo que pensão alimenticia
Vire caso de policia
Isso complica
Tá atrasada mas você não precisava me denunciar

Que foi que eu fiz pra você
Mandar os "homi" aqui vir me prender (4X)"
Calcinha Preta