domingo, 31 de agosto de 2008

É doce morrer no mar

A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza prá mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi prá mim
(É doce morrer no mar – Dorival Caymmi)

Romeu e Julieta não agüentaram a viuvez e se mataram ao ver que viveriam sem seu amor. Mas ninguém soube (nem eles) se eles agüentariam o casamento e todos os seus pequenos e grandes problemas.

Mais comovente do que o jovem casal de Shakespeare foi o casal Caymmi. Depois de 68 anos juntos, tiveram a cumplicidade até na hora de morrer. Ao ver Stella em estado grave, Dorival não agüentou e morreu. Ela acompanhou o amor 11 dias depois.

Deve ser mesmo uma tortura viver sem alguém que está na sua casa, na sua pele, nos seus hábitos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo



"Isso [a prata] não apaga nada do que nós fizemos nos último oito anos, fomos uma equipe vitoriosa. Saio com a cabeça erguida, jogamos com muita honra", falou o levantador Marcelinho.

"Nem tudo é como a gente quer, mas com certeza a gente está feliz com essa conquista da medalha de prata. Temos mais vitórias do que derrotas, eu sinto orgulho dessa medalha", disse André Nascimento.

Não é irônico, que a medalha de bronze seja sempre mais comemorada que a de prata? A Prata é um lugar acima do Bronze, mas todos a lamentam, enquanto o terceiro colocado chora de emoção com seu metal menos brilhoso no peito. É que criar expectativas torna a derrota bem pior do que ela é. Até transforma a vitória em derrota.


O volei masculino, o volei de praia, o iatismo e o futebol feminino foram ótimos, lutaram bravamente, ganharam mais do que perderam, mas tinha uma equipe melhor a sua frente.

Em agosto, durante as Olímpiadas de Pequim, eu também estava em uma disputa e na noite de sábado, soube que não deu ... havia outros melhores. Mas foi o melhor resultado que eu já consegui. Eu podia até me orgulhar, mas fiquei em frente a TV de madrugada, chorando junto com o Marcelinho a prata. Não deu.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Abaixo às mocinhas (ou + sobre novelas)

Muitos dizem que não gostam de novela porque tem sempre a mocinha, virgenzinha, chatinha. Verdade, detesto novelas assim. Mas isso não é motivo para não considerar nenhuma. Dias Gomes, por exemplo, escrevia apenas protagonistas masculinos, como Roque Santeiro, o Bem Amado, As Noivas de Copacabana, Decadencia, Irmãos Coragem.

Benedito Rui Barbosa perdeu a mão, mas também era eximio em criar bons personagens masculinos - como o Zé Inocencio de Renascer, e o João Leoncio, do Pantanal (por sinal, vale a pena ver de novo essa).

Não sou muito fã da Gloria Perez, mas ela tem no currículo Hilda Furacão. A história era muito boa - da noiva de família tradional mineira que vai pra zona de BH e depois se apaixona por um padre. Cheia de boas atuações, a Hilda foge bem da mocinha clichê.

E não sei se notaram, mas a mocinha já não é assim mais tão mocinha. Claudia Raia, Patricia Pilar, Carolina Ferraz, Christiane Torloni, Claudia Abreu, Gloria Pires, Malu Mader, Ana Paula Arosio, Giovana Antoneli, atrizes que se revezam nos papéis de protagonistas, ou passaram, ou estão perto de chegar aos 40. Para elas, não dá mais pra escrever papel de mocinhas ingenuas e sonhadoras, né? Sorte a nossa.

Em defesa das novelas

Gosto de novelas pelo mesmo motivo que gosto de blogs pessoais - adoro ouvir uma história, desde que era criança. Contar bem uma história é difícil e por isso, encaro novela como coisa séria.

Ser escritor de novela está entre as profissões que mais admiro, porque o cara tem que ser melhor que a Sherazade para contar a mesma história meses a fio sem perder o ouvinte.

Não gosto de qualquer novela, mas se ela consegue reunir bom texto, ritmo, dialogo elaborado, boas atuações, uma produção impecável, ela tem mais é que ser admirada, assim como admiramos bons filmes, e peças teatrais. Alguns bons autores e obras merecem reconhecimento. Dê o braço a torcer e assuma:

Silvio de Abreu
Outro dia ouvi uma entrevista do Silvio de Abreu. Ele foi a única pessoa no mundo a ter Fernanda Montenegro e Paulo Autran contracenando um texto seu. Eles não aceitaram qualquer texto medíocre, não acham? Nunca o teatro, ou cinema, ofereceu esse privilégio ao seu público. E o melhor, quem teve o prazer de assistir "Guerra dos Sexos" não precisou pagar nada por isso. Era show de atuação gratuito, invadindo a sua sala.

Silvio também comentou como era excitante escrever um texto de algo vivo, que ainda está sendo produzido, diferente do teatro e cinema, porque as coisas vão fugindo do controle do autor e exigem muito mais dele. Ele citou que um dos atores que fazia um protagonista de sua novela precisou ser hospitalizado e ele teve de reescrever uns 90 capítulos já prontos.

Gilberto Braga

Gilberto Braga pra mim é um caso a parte sobre talento em telenovelas. "Anos Rebeldes" pra mim é uma obra prima. Não há no cinema nacional nenhum filme (e olha que são vários) que trate com tanta seriedade e beleza a época da ditadura brasileira. Em uma minisserie, ele conseguiu conduzir a história do Brasil considerando o antes-durante-depois sobre os anos de chumbo. E falou sobre os jovens conservadores, moderados e rebeldes. Sim, porque haviam todos os tipos de entendimento da ditadura nesse período e não apenas uma visão, como mostra em vários filmes. E ele ainda tem o mérito de ter apostado em um jovem elenco, que mandou muito bem. A produção era impecável, boa trilha e lembro até hoje da abertura com "Alegria, Alegria" do Caetano Veloso.

O mesmo autor também fez o remake de "A Malvada", filme clássico e genial. Atitude ousada e bem sucedida em uma das melhores novelas que já vi - "Celebridades". Muitas pessoas não poderiam assistir o filme, só encontrado em boas locadoras, mas a novela atingiu a todos e com muita qualidade. Aliás, na minha opinião, a Laura, intepretada por Claudia Abreu, mandou melhor que a Eve, personagem que dá nome ao filme.

Além disso, Braga tem em seu curriculo o mérito de matar a Odete Hoitman. Eu não tinha idade para acompanhar a ""Vale Tudo", mas é impressionante como ninguém esquece desse personagem. Só pode ter sido bem interpretado e escrito. Fora que 86% dos televisores ligados para ver o último capítulo da novela é um recorde impressionante. Nem Titanic dá tanta audiência.

Sua última obra, Paraíso Tropical, também foi bem conduzida, com ótimos personagens e dialogos de nível. Bebel e Olavo (Camila Pitanga e Wagner Moura) mereciam ser eternizados, bem como personagens coadjuvante deliciosos e bem desenhados.

Walcyr Carrasco
Outro ponto favorável para novelas foi a "O Cravo e a Rosa" de Walcyr Carrasco, uma adaptação de "A megera domada" de Shakespeare. Assisti a peça em cartaz com o Cacá Rosset, e achei a novela bem mais interessante. O teatro me deixou entendiada por duas horas, enquanto o texto de Walcyr me prendeu por meses. Fora que achei uma ótima sacada do autor, transferir a personagem (megera) Catarina para os anos 20, quando o feminismo estava pulsante e comporia bem para construir a protagonista.

Emanuel Carneiro
Se vocês acham que eu estou falando de passado, é porque estão perdendo a melhor novela de todos os tempos. "A Favorita" é genial. É a primeira vez que uma novela teve início sem definir quem era a mocinha e a vilã. Seguiu assim por uns dois meses, revelou o mistério (que normalmente, só aconteceria no último capítulo) e mesmo assim, não perdeu o ritmo. Pelo contrário, ditou um novo ritmo, se refez. A história central é tão excitante que nem dá espaço para num romance nhem nhem nhem.

Ah, também acho a Maria Adelaide Amaral foda. Mas isso eu já disse em outro post.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Em defesa dos blogueiros

Em uma conversa de bar, uma amiga me disse ontem que eu estava caindo no conceito dela porque sou blogueira, noveleira e gosto de fazer testes. Não, entendi o porquê da rejeição a essas 3 coisas que adoro e vou defende-las uma a uma. Pena que ela não gosta de blogs e por isso, não vai ler meus argumentos.

1) Blogs tem leitura leve e rápida - perfeita para internet, que não suporta textos longos, pesados e que exijam concentração. O texto rápido permite que eu me informe na velocidade que procuro na internet. Taí o boom do blog do Noblat na época do mensalão.

2) Blogs são democráticos - como é chato abrir um jornal naquele papelão enorme, ler um artigo de opinião interessante ou revoltante e não poder comentar, nem ver o que outros leitores pensam sobre isso.

3) Blogs são super democráticos - mais do que comentar, quem cria o conteúdo é a pessoa mais importante do mundo - eu mesma. Quem credenciou aquele articulista a dizer o que bem quer?Eu não fui. Por que ele pode e eu não podia? Agora, eu posso, você pode, nós podemos. Há blogs especializados que ajudam muito. Por exemplo, um homem adotou uma criança e é gay. Em seu blog conta sobre processos judiciais, dicas e discussão sobre criação de filhos adotivos. Isso é super útil. Ele não é dono da verdade, mas tem mais conhecimento que um pai de primeira viagem. E além disso, ele não impõe a opinião dele, ele fomenta discussões. Também tem outro colega que fez um blog sobre a reforma da casa dele. Inútil? Não para quem também está reformando a casa e pode ter dicas de bons e péssimos fornecedores.

4) Blogs são gratuitos - Exceto Paulo Coelho e mais uns seis escritores, ninguém mais ganha dinheiro escrevendo no Brasil. Pelo contrário, os autores pouco conhecidos gastam (e muito) para publicar seu livro por uma editora. Se você decide escrever seu livro em um blog, pronto, não precisar pagar uns R$ 7 mil para uma editora. E os leitores que o acompanham pode curtir a leitura de graça. Você pode não gostar da qualidade do texto dele, mas ao menos não pagou nada por isso, o que não acontece nas livrarias que não aceitam o produto de volta.

5) Blogs tem uma linguagem que nos aproxima do autor - Acho isso uma delícia, sinto-me próxima de muitos blogueiros, o que não acontece com os "jornaleiros".

6) Blogs contam boas histórias - A grande crítica da minha amiga são aos blogs diários pessoais. Eu adoro blogs pessoais, simplesmente porque gosto de ouvir, ler, assistir histórias. Se gosto delas em ficção, tanto melhor se forem reais. E melhor ainda, em tempo real. Bem mais interessante do que o confinamento entendiante do BBB, onde nada acontece. Eu, que sou um pouco doente por blogs, leio histórias de pessoas que nunca vi e fico torcendo para as reconciliações, assim como em um filme eu torço para o personagem.

7) Blogs fazem bem a saúde - A última revista Saúde! da Editora Abril traz uma matéria que trata dos benefícios que os blogs trazem a saúde, ajudando a tratar stress, obesidade e diabete por exemplo. Veja a matéria aqui

8) Blogs dispensa patrões - Tem gente ganhando dinheiro com blog. Você sempre sonhou em ser jornalista, mas não pôde entrar na faculdade, ou nenhum grande jornal descobriu o seu talento? Não se desespere, crie um blog, mostre seu talento e ganhe dinehiro com isso. Se antes anunciantes era coisa exclusiva de jornais, revistas, provedores de internet, e rádio e televisão - agora um blog pode ser tão acessado e selecionar o público especifico que se quer atingir.

9) Blogs são mais livres - O responsável pelo conteúdo do blog é o próprio blogueiro e não uma organização inteira. Assim, oferece muito mais liberdade para criar conteúdo e formatos mais inovadores. O Te dou um dado?, por exemplo, que está ficando famoso, talvez não tivesse espaço em uma publicação de banca.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vale ler

Não é porque é um querido, mas esse repórter blogueiro manda muito bem ao relatar a vida na cidade que respira Olímpiadas. Tá delicioso ler.
Leia aqui