sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Samba no pé

Na balada em Santiago fiquei impressionada com a desenvoltura das meninas com os quadris. Na verdade bem mais que desenvoltura eu diria, elas estavam bem animadas, e os rapazes mais ainda. Tudo embalado pelo Reggaeton - uma espécie de funk caribenho.

Conversei com o DJ e disse que sou brasileira. Ele disse que então iria colocar uma música brasileira. Pensei, vou arrasar, então. Não sou nem de longe do tipo que arrasa em balada, mas perto de gringo eu até que tenho samba no pé. (pra quem não sabe o que é samba naturalmente).

Então, começa a tocar "A dança do Vampiro" do Asa Aguia, axé típico de meus 15 anos. Fiquei toda contente de ter uma música (se é que se pode chamar de música) do meu país. Pensei em subir no palquinho até. Mas para minha surpresa todos sabiam cantar a música (mesmo em português), conheciam a correografia, e a mulherada chilena sambava bem mais do que eu. Fiquei no cantinho da pista.

Nas lojas de souvenirs



Não paro de admirar o Chile. Na Argentina, quando entrava numa loja de souvenir de viagens as estampas eram sempre 3: Carlos Gardel, Evita Peron e Maradona.

No Chile, as estampas eram 3 também: Salvador Allende, Pablo Neruda e Gabriela Mistral.

Triste não ter estampas no Brasil. Triste não ser Chilena.

Bienvenidos compañeros



Eu fui pro Chile, e o Lula foi pro Chile. Eu vou pra Argentina e ele vai pra Argentina. Brincava que fazia parte da comitiva do presidente. Não esbarrei com o presidente, mas o vi em todos os telejornais, nas primeiras páginas do El Mercurio, La Tercera, La Nacion e Clarín. É incrivel, mas o homé tem muita moral na América Latina. Não só pelo maior PIB e território da região, mas parece que ele é um mestre na diplomacia. Alguns podem dizer "em cima do muro", mas olha, eu acho que é vantajoso para todos que ele seja bem recebido e dialogue bem de direita a esquerda, de Bush e a Castro.


E quando eu dizia que era brasileira, alguns pergutavam o que eu achava do Lula. Eu torcia o nariz, até pq não sei muitos nomes feios em espanhol. E as pessoas me olhavam surpresa. Es verdad? Como? Por quê?


E quando eu perguntava sobre suas respectivas presidentas, as respostas não eram das melhores também. Embora a sra. Michele me pareceu admirada, sua popularidade estava um pouco balançada. As manchetes falavam da queda do Ministro da Educação devido a corrupção. Já a sra Cristina, mesmo tendo acabado de ser eleita, as pessoas reclamavam meio murchas, como numa espécie de "es o que tenemos".


Ps: Claro, que isso não foi nenhuma pesquisa de opinião com estaticas confiaveis. A opinião é de um motorista de taxi, um carregador de malas, um guia de viagem, um recepcionista de hotel, um vendedor de malhas.

Onde erramos tanto?




Santiago é uma cidade encantadora. Linda! Limpíssima, com calçadas largas, árvores (daquelas estilo canadense) de fora a fora, banquinhos para se namorar por toda a rua, a cada esquina um monumento histórico reluzente junto a uma praça florida. Sem falar da Cordilheira circundando a cidade, o trânsito organizadíssimo (os carros param para o pedestre atravessar), e a gentileza e simpatia impressionante dos chilenos.


Depois fui para Buenos Aires e fiquei preocupada com o retorno a São Paulo. Se eu passei a torcer o nariz para a cidade por não ser tão limpa e organizada, imagina quando chegasse em minha terra natal. Mesmo Buenos Aires (que achei que falta uma Lei da Cidade Limpa) dá um show em São Paulo. Para ter uma idéia nas duas cidades não há nem cobrador, nem catraca no ônibus. Tem apenas uma máquina que aceita moedas ou tickets. Ninguém confere se o passageiro pagou ou não. É possível tranqüilamente viajar sem pagar, mas inacreditavelmente todos pagam. Já imaginou se isso aconteceria em São Paulo?


Aí me pergunto onde foi que erramos tanto? Comparações com a Europa, EUA, Japão, Canadá ou Austrália são covardes. Poxa, eles tem muito mais história ou tiveram uma colonização completamente diferente, uma geografia e cultura incomparaveis. Mas poxa, a Argentina e o Chile estão aí do lado, as diferenças deveriam ser mínimas. Ao que me consta os espanhois não foram bonzinhos com nossos vizinhos. Zuaram legal também. Poxa, por que então, nós, o país sem terremotos (os chilenos tem isso todo ano), com vastidão de terra, riquezas naturais sem igual, beleza exuberante e o maior PIB da região não demos certos como nossos hermanos?

Te echo de menos

Acabo de voltar de férias. Eita palavra deliciosa que adoro repetir. Dessa vez o diário de viagem será sobre Santiago e Buenos Aires.

Ai que saudade de ouvir espanhol diariamente com aquele sotaque gostoso, de descobrir o mundo novo de palavras e expressões e notar como tudo é muito mais cheio de paixão.

Pena que em espanhol eles não tem saudade. Ao menos então diria: Te echo de menos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Todo carnaval tem seu fim

Se é verdade que depois da tempestade sempre vem a calmaria, depois do Carnaval sempre vem uma ressaquinha. Só me resta dançar um tango argentino.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Deu no New York Times

O Carnaval de São Luiz do Paraitinga é um sucesso! E eu fui!


São Luiz do Paraitinga


This small town in São Paulo state’s interior is about 115 miles from the capital and only 30 miles down the road from the popular beach resort of Ubatuba. Carnaval went on a 60-year hiatus here starting in the 1920s, when an Italian priest did away with it on moral grounds. But things started up again in 1981, and now the town is known for having one of the best old-fashioned street carnivals around.


An official decree actually prohibits more modern rhythms like samba and axé; the official music genre of the blocos here is the traditional marchinha, or carnival march, which dates back to the 1920s and was a staple of Carnaval through the mid-20th century. Over 1,500 local marchinhas have been composed locally since Carnaval started again, and you’ll hear many of them.


The costumes worn by the blocos are similar to carnivals across the country, with bloco-specific themes, which this year include everything from babies to bus drivers.


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