sexta-feira, 18 de abril de 2008

Desculpa esfarrapada

A revista "IstoÉ" adulterou uma fotografia adquirida da Folha, apagando no photoshop "Fora Serra", expressão pichada pelo MST na placa durante ato contra a privatização da Cesp. A imagem foi publicada pela revista há duas semanas, ao lado da reportagem "O MST contra o desenvolvimento".

Em e-mail enviado à agência de notícias da Folha, o editor-executivo da agência IstoÉ, César Itiberê, confirmou a adulteração e pediu desculpas. "Houve realmente manipulação por photoshop da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética." Ele afirmou, por telefone, que "não houve nenhuma ordem superior, nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido".

Estética, nesse caso? Conta outra, né.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Eu não quero jogar II



A Fran, uma amiga assídua leitora desse blog, costuma dizer que não se deve confiar em alguém que joga poquer. Tem sua lógica. Para vencer o jogo é preciso saber blefar.

Um amigo ficou de me ensinar a jogar, mas até agora, nada (né Judson). Acho que é porque ele me conhece tão bem que sabe que eu não vou conseguir aprender. É que ele se diverte porque eu caio nos seus pequenos blefes e o pior, eu sempre mostro as cartas. Um amigo em comum diz que eu me comunico mais com os olhos do que com as palavras. Ele está certo. Meus olhos denunciariam as cartas que eu teria nas mãos. Perderia o jogo no ato.

Ontem, assisti o belíssimo "Um beijo roubado" (terrível tradução de My Blueberry Nights) que faz algumas anologias ao poquer. A protagonista Lizzie (Norah Jones), com a qual me identifiquei muito, conhece uma jogadora de poquer (Nathalie Portman). As diferenças entre a jogadora e Lizzie são evidentes e adorei as anologias ao jogo. Portman tem habilidades únicas de ler as intenções das pessoas, e sabe que não pode confiar em ninguém. Nem em si mesma. Erra as vezes na dose alta de desconfiança. Mas mesmo assim acredita nessas regras do jogo e tenta ensinar Lizzie a blefar na hora de comprar um carro. Lizzie rejeita suas lições e fica feliz por não ter aprendido a jogar com Portman. Ela continua a confiar.

As vezes acho que já é hora de parar de confiar nos outros. Mas não sei se quero aprender a desconfiar. Acho que o Judson está certo em não me ensinar a jogar.

sábado, 12 de abril de 2008

Não quero jogar

Na capa da revista Nova, tem uma chamada que varia pouco a cada edição: “Transei no primeiro encontro. E agora?" Ou "Quando é a hora de ir para a cama com ele?"

Num bar, numa mesa de amigos e amigas, uma das garotas lança a discussão sobre o assunto para participação deles. Os rapazes optaram por responder com "poréns", enquanto as garotas deviam pensar no que já tinham feito.

Mais tarde conversando com um amigo, ele me sugeriu que não é preciso se preocupar com jogos se você só estiver interessada em “dar uns beijos” descompromissadamente. Mas se tiver o objetivo de encontrar o homem da sua vida, ou um namorado, é preciso fazer jogo, não mostrar as cartas.

Eu não sei jogar e não tenho paciência para jogo, foi o que respondi. Mas a verdade é que eu não quero jogar, porque o homem da minha vida é justamente aquele que gostar de mim do jeito que sou, inclusive respeitando o fato de ter vontade própria ou mesmo de desejá-lo (não há nada de moralmente indefensável nisso).

As sete garotas da mesa compartilhavam a mesma opinião. Por que as mulheres se preocupam com isso? Por acaso alguma garota acha o cara menos interessante por ele sentir desejo por você ou querer te levar pra cama? Acredito que não. As mulheres acham natural que os homens gostem de sexo, a desejem e exponham suas vontades. Por que então uma mulher deveria não sentir desejo ou pior, reprimi-lo? Ela deixaria de ser inteligente, bonita, simpática ou que mais a torna interessante, porque ela quer o mesmo que o homem? Há alguma desigualdade aí, né, e que me incomoda muito como qualquer desigualdade.

Há inúmeros motivos para não ir pra cama com um homem, seja no primeiro ou vigésimo encontro, um deles é ele ser machista e não o que ele pensa de você. Porque só uma mulher que não respeita as próprias vontades, que é omissa e submissa pode querer um homem que não está preparado para uma relação igualitária e que não queira ter ao lado uma companheira autentica.

sábado, 5 de abril de 2008

Meu partido é um coração partido

Volto do bar com ombros caídos e pouca bebida ingerida. É sexta-feira a noite e ninguém no msn. Eu em casa, sozinha, carente, me sentindo um tanto fracassada e um tanto mesquinha por estar com pena de mim e sem nada mais nobre pra pensar.

Ontem, foi aniversário dele. Ele que era o mais bonito, desejado em todas as boates. O mais genial da turma, o mais querido. Ele que era rei, sem precisar governar. Pois logo ele é que me entende tão bem.

Ele disse desavergonhadamente que é fracassado, carente, meio puto, que amar é brega, e que nem sabe amar. Ele não cantou um amor nobre, cantou o amor meio sujinho, que esfrega a perna por debaixo da mesa pra depois ganhar cafuné. Adoro tudo isso que ele disse com voz rouca e tom sarcástico. Adoro as coisas que ele contava que só se conta pra si, não se assume em roda de bar.

“Meus amigos estão dormindo
Ninguém me telefona
Porque domingo é o
Dia mais triste de
Todos os tempos
Porque não tem sol” (domingo)


“Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada
ou beijo de namorada” (O tempo não pára)


“Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito” (ideologia)


“Mas eu tenho a impressão
Que todos nós somos fracassados
Eu, por exemplo: não amo...” (fracasso)


“Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down” (eu ando tao down)


“Estou tão só
Meus pais não me conhecem
Meus amigos são chatos
Meu cachorro não me lambe
Mas eu quero alguém
Quero alguém” (eu quero alguém)


“O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer” (O nosso amor a gente inventa)


“O amor é brega
Eu quero um” (o amor é brega)