quinta-feira, 29 de maio de 2008

Amor só é bom se doer

É lindo d+ o amor que os Corinthianos tem. Na segunda-feira seguinte ao rebaixamento no Brasileirão, o Lance estampava a linda capa toda em negro, com a frase ao final da página - "Eu nunca vou te abandonar Porque eu te amo". Vi a primeira página na banca e comentei com dois colegas "Achei lindo isso" e repeti a frase estampada. Eles, que não são corinthianos, riram e disseram "Você queria ter ouvido isso né?". É, queria sim. Quem não quer?
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Uma vez vi um casal de amigos brigando. Ele cantarolava "Corinthians minha vida/Corinthians minha história / Corinthians meu amooooor". A namorada Palmeirense ficou magoada. "Você diz que ama o Corinthians, mas nunca disse que me ama".

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Admiro o amor vira-lata de Corinthiano. São vira-latas com orgulho, gostando de ser vira-lata. E gritam "Corinthiano, maloqueiro e sofredor. Graças a Deus".
Mais do que orgulho de serem maloqueiros, eles tem orgulho de sofrer. O “sofrimento” os deixa mais animados para sair do buraco, e não mais cabisbaixos. "Eu canto pra te empurrrar(...)Vamo meu Timão/Não pára de lutar" ou "Não pára/Não pára(...)Pra cima Timão".

Eles estão certos. Afinal, quem ama sofre, não sofre?

Uma noite inesquecível

Virei Corinthiana ontem. Fui ao Morumbi pela primeira vez assistir Corinthias x Botafogo pela Copa Brasil. Apesar da muvuca na entrada e do medo constante de esbarrar em alguém e apanhar até a morte, eu achei a coisa mais linda que eu já vi na vida. O Morumbi é lindo! Ver a ola se formando é tão incrivel que minha mente não cansa de repetir a cena a todo minuto.

Eu estava na arquibancada e a vibração fortíssima. Eram 62 mil apaixonados juntos. Uma só paixão. E ganhamos (notou a primeira pessoa do plural?). Melhor ainda, nos penaltis, o que torna tudo muito mais emocionante, passional e por que não, lírico.

Quando o Mano Menezes foi expulso lembrei até do Boleros 2 e achei que tudo fosse dar errado(e eu torcia pro Corinthians mais por medo da ira da torcida do que pelo amor à camisa). Pra quem estava assistindo não mudou nada. Pelo contrário, o segundo tempo foi raçudo. Mas fiquei observando bem os reporteres correndo pro campo. Era muita noticia pra 100 minutos. Nada era morno.

E o grito de gol então. O rosto do Judson gritando vai ser memorável e não tem como explicar, só se eu tirasse uma foto. Era um grito com tanta paixão, mas uma paixão estranha com raiva e ao mesmo tempo apaziguadora. Imagine que tivesse a briga ali. Saiu um gol e todo mundo é Corinthians. Todo mundo explode, se abraça e vira irmão. Timão é lírico.

És do Brasil...

O time mais brasileiro uma pinoia, né. Por mais que Corinthias seja o time do povo, ter o Acosta e Herrera compromete.

Religião e futebol

Sei que existem táticas e outras coisas que não entendo no futebol. Mas não se pode gostar de futebol e ser ateu. Imagine um corinthiano ateu. Não tem graça, né. Imagine a cena. O jogador vai bater o penalti. O torcedor reza fervorosamente para que o goleiro espalme a bola. Já o torcedor ateu pensa o que adianta se o jogador também está rezando pra fazer gol.
Ateu não entende nada - futebol não é lógica e Deus, DEUS É FIEL !!!

Deus é Fiel

Deus só pode ser Fiel mesmo! Felipe tava abençoado como na foto abaixo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Foto fantástica

Campinho de beira de estrada no Nordeste - Antônio Gaudério

domingo, 18 de maio de 2008

Já não vale o que valia

A família que recebe o Bolsa Família tem notado que o tamanho da sacola do mercado diminuiu, mesmo sem alteração do valor recebido. É que aumentou significativamente o preço do arroz, do feijão, da carne, do leite e do trigo, alimentos essenciais.
Uma alternativa a escassez que pode pairar na mesa dessas famílias é a troca do cartão por uma cesta básica doada pelo governo. Dessa forma, é possível determinar os alimentos que serão consumidos, trocando o trigo pelo milho, por exemplo. Não tendo prejuízo nutricional e tendo saldo positivo nas contas.
É fato que a liberdade de escolha seria menor e talvez também cause muito mais dificuldade logística. Mas é uma alternativa a se pensar para que o Programa Fome Zero continue a cumprir sua função.

"Pra que mentir, fingir que perdoou"

Eu pensei em chegar no salto agulha, queixo erguido, me fazendo de bonita. Olhando de cima, sem culpa, e com toda a pose que uma vítima pode ter. Vítima, não. Olharia como acusadora.
Pois é, mas resolvi não olhar mais. Resolvi mudar de calçada. De uma calçada que gosto até. Não é por sua causa. É por minha. É pra manter a lealdade comigo. Eu não tenho que estar sempre no salto. Não estou, oras. E só meus pés sabem os calos que lhe custam andar somente com a ponta do pé. Eu não tenho que ser sempre madura ebem resolvida. Eu também não sou perfeita, perdoe-me. Então, se o teatro nada resolve na minha vida (e não resolve na de ninguém), eu vou dar um tempo. Não um tempo pra você. Um tempo pra mim. Para que eu possa descansar os meus pés.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Quem ama, deixa-o

Acaba de pedir demissão, uma das últimas pessoas respeitadas que compõem o governo federal. Marina Silva é a política que tenho orgulho de ter como representante. Corajosa, convicta, articulada, respeitada internacionalmente e por intelectuais, com uma trajetória heróica, e tem o ambientalismo correndo na veia e conhecimento prático sobre o tema. Acho que o governo nem se deu conta do que perdeu, na verdade, eles perderam um impecilho ao PAC. Mas quem perdeu na verdade é o país e a Amazônia.

Mulher de fibra que é, Marina criticou ainda essa semana os investimentos em biocombustíveis com lucidez admirável. "O Brasil não quer ser a Opep dos biocombustiveis. Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental"(...)"Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruíria sua galinha dos ovos de ouro?"

Marina nasceu no Seringal Bagaço, no Acre. Trabalhou como empregada doméstica, alfabetizou-se em supletivo, formou-se em História pela Universidade Federal do Acre (diferentemente do Lula, ela tem orgulho da origem simples, mas nem por isso deixou de estudar). Em 85, filiou-se ao PT e participou do movimento dos seringueiros. Fundou a CUT no Acre junto com Chico Mendes (pra mim, o herói brasileiro que merecia feriado e ser ensinado na escola). Já foi vereadora, deputada estadual, senadora, sempre como a mais votada. A ministra agora volta ao Senado.

A expressão maior do amor

Minha mãe nasceu pra ser mãe. Acho que já era mãe muito antes de me gerar. Ela é feita pra amar. Ama e doa-se de forma maternal a qualquer pessoa que lhe apresente alguma ferida, ou dor, ou cansaço. Até o mendigo da minha rua sabe o nome dela quando sente fome. Todos os que se doem chamam por ela e o telefone em casa no domingo não parava de tocar. Meus irmaozinhos "adotivos" disputavam o tempo dela comigo. A noite, fomos ver a peça "Parem de falar mal da rotina" da Elisa Lucinda. E descobrimos essa poesia da autora que muito descreve a função Mãe. Aliás, convido a conhecerem outros textos da show woman - poetisa, cantora e atriz.

Chupetas Punhetas Guitarras
Choram meus filhos pela casa
fraldas colos fanfarras
Meus filhos choram querendo talvez meu peito
ou talvez o mesmo único leito que reservei pra mim
Assim aprendi a doar
com o pranto deles
Na marra aprendi a dar mundo a quem do mundo é
A quem ao mundo pertence e de quem sou mera babá
Um dia serei irremediavelmente defasada, demodê
Meus filhos berram meu nome função
querendo pão, ternura, verdade e ainda possibilidade de ilusão
Meus filhos cometem travessuras sábias
no tapa bumerangue da malcriação
Eu que por eles explodi buceta afora afeto adentro
ingiro sozinha o ouro excremento desta generosidade
Aprendo que não valho nada em mim
Que criar pessoa é criar futuro
não há portanto recompensa, indenização
mesquinhas voltas, efêmeros trocos.
Choram pela casa e eu ouço sem ouvidos
porque meus sentidos vivem agora sob a égide da alma

Chupetas punhetas guitarras
meus filhos babam conhecimentos da nova era
no chão de minha casa.
Essa deve ser minha felicidade.
Aprendo a dar meu eu, aquilo que não tem cópia
tampouco similar
E o tempo, esse cuidadoso alfaiate, não me conta nada
Assíduo guardador dos nossos melhores segredos
sabe o enredo da estória
Vai soprando tudo aos poucos e muito aos pouquinhos
Faz eu lembrar que meu pai também já foi pequenininho
Que só por ele ter podido ser meu ontem
Só por ele ter fodido com desesperado desejo minha mãe
um dia eu existi.

Choram meus filhos pela Nasa onde passeamos planetas e reveses
Eu escuto seus computadores, eu limpo suas fezes
faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles
assino um documento onde aceito de bom grado
lhes ter sido a mala o malote a estrela guia
Um dia eles amarão com a mesma grandeza que eu
uma pessoa que não pode ser eu
Serão seus filhos suas mulheres seus homens
Eu serei aquela que receberá sua escassa visita
Não serei a preferida.
Serei a quem se agradece displicente
pelo adianto, pela carona
de poderem ter sido humanidade.

Choram meus filhos pela casa
Eu sou a recessiva bússola
a cegonha a garça
com um único presente na mão:
Saber que o amor só é amor quando é troca
E a troca só tem graça quando é de graça.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Paternalismo

Há um mês fui a quadra da escola de samba Império da Casa Verde, em São Paulo. O local parece um templo de devoção ao bicheiro. Ao lado do palco um parede inteira era pintada com fotos e dedicatória a Chico Ronda, bicheiro e fundador da escola, assassinado em 2003. A escola é a mais rica de São Paulo, já sendo bicampeã em apenas 14 anos de história.

Não bastasse a parede, no centro da quadra, bem no topo, há uma estrela em neon azul com a foto do mesmo ex-presidente no meio. Lembrava até uma cupula de igreja. Pois é, o bicheiro é praticamente um santo.

É impressionante como há a necessidade de criar entidades protetoras e superiores sejam lá quem forem. Vide o "Nosso Paizão Romulo Costa" como é citado a todo momento no baile funk. Esse então nem no céu está e se enche de dinheiro organizando bailes funk. Ele recebe prece por levar o circo ao morro. E salve Romulo Costa.

Vem que vem quero denovo

"Eu vou pro baile, eu vou pro baile, de sainha
Agora eu sou solteira e ninguém vai me segurar
Daquele jeito
De, de sainha
Daquele jeito"

Gaiola das popozudas

Os mais puros e de gosto mais refinados que perdoem a canção acima, mas foi o trecho mais descente que consegui coletar dentre os sons que ouvi no fim de semana. O restante da letra desse funk não é muito apropriado.

Nesse feriado, matei minha curiosidade e fui ao baile funk. Agora, eu gostei e quero de novo. Como já suspeitava, dançar funk é instintivo, não há coreografias, regras, e o mais desengonçados e sem ritmo como eu, dan;cam automaticamente de forma instintiva.

Procurei o mais tranquilo dos bailes, então fui ao funk da Salgueiro na Tijuca. Realmente o baile era bem tranquilo, bem cheio mas não vi brigas, pessoas mal encaradas, nem a mulherada muito
louca, ou casais na descompostura.

Apesar de não ser no morro, o funk era original Furacão Twister, a maior equipe de funk do Brasil, aquela do Romulo Costa. O engraçado é que o Romulo Costa não é MC (aquele que canta o funk), nem DJ, ele é o dono da aparelhagem e organizador dos bailes. Como se fosse o dono do Trio Eletrico, e por isso fica mais famoso que a própria Ivete Sangalo. A cada fim de música diziam o nome de Romulo, que nem estava presente, seguido de "Nosso Paizão".
Como assim? Paizão?

domingo, 4 de maio de 2008

Para preservação do SESC

O SESC é uma das poucas instituições sérias e admiravel por sua boa administração e qualidade de serviços prestados. É o fomento da educação, cultura e esporte acessível a todos que pode "ser sacrificado no altar de prioridades transitórias, em nome das quais se engendra um prejuízo incalculável ao país. Tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista".

Leia manifesto de preservação ao SESC do Diretor Regional do SESC-SP e participe do abaixo assinado.

Amigos, parceiros e freqüentadores do SESC

Gostaria de compartilhar com todos vocês o risco a que o SESC está exposto neste momento. Talvez já tenham tomado conhecimento pela imprensa: o governo federal lançou medidas para melhoria da formação técnica dos jovens brasileiros que, do modo como estão sendo propostas, por mais bem intencionadas que sejam, constituem ameaça de uma intervenção do Estado em uma entidade privada.

O projeto, em resumo, pretende rever a distribuição dos recursos do impropriamente chamado Sistema S. Determina que boa parte da arrecadação dessas entidades seja remanejada para um novo Fundo destinado à formação técnica. O fato, porém, é que as entidades do chamado Sistema S são em si resultado de Fundos já criados, lá nos anos 40, em parte, com a mesma finalidade.

O remanejamento dos recursos desses Fundos para outro novo Fundo, no entanto, implicará na restrição drástica da diversidade e do alcance da reconhecida ação do SESC, em prejuízo da educação permanente promovida diariamente a seus milhares de freqüentadores assíduos. Diante desse quadro, sinto que é meu dever dirigir-me uma vez mais a vocês, sobretudo porque estou seguro do valor desta instituição.

A melhor maneira de conferir o significado de sua ação é vivenciar o dia-a-dia nas unidades (atualmente são 31, somente no Estado de São Paulo); ouvir o relato dos freqüentadores sobre a importância do SESC em suas vidas e para suas famílias; estar e usar os equipamentos e instalações de primeira qualidade, abertos a todos os estratos sociais, e participar das inúmeras atividades que abrangem um amplo arco de interesses e necessidades, reunindo um público extremamente diversificado.

Acredito que todos vocês já tiveram essa oportunidade. São, portanto, testemunhas da natureza beneficamente eficaz, engajadamente eficiente e profundamente educativa do trabalho que o SESC desenvolve há mais de 61 anos. Esse patrimônio não pode ser sacrificado no altar de prioridades transitórias, em nome das quais se engendra um prejuízo incalculável ao país. Tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista.

Certo de que compreenderão a gravidade dessa perspectiva, escrevo a vocês, formadores de opinião, representantes de classes, artistas, pensadores, amigos, parceiros e freqüentadores do SESC para que se manifestem em prol da continuidade de nosso trabalho. Um projeto que, afinal, construímos juntos.

Danilo Santos de Miranda Diretor Regional do SESC SP