A atriz gravidíssima Lavinia Vlazak aparece todas as noites na TV explicando para os eleitores não venderem seus votos. Nunca conheci alguém que recebeu ou que teve ofertado R$ 100 (ou um par de sapato ou um saco de farinha) para votar em algum candidato, seja do executivo ou legislativo. É que o tal voto de cabresto não funciona exatamente assim. Há formas mais sútis, sedutoras e certeiras para comprar votos dos eleitores.
Uma delas e a mais eficiente é o chamado "trem da alegria" e funciona para a manutenção de poder. O governo em vigor contrata um bom número de funcionários sem concursos públicos ou os legisladores contratam para seus gabinetes inchados. Eles não tem a estabilidade de um estatutário, e sua função por ser criada como um "cargo de confiança" está ligada ao mandato daquele político. Pronto, está ganho os votos dos funcionários, seus amigos e familiares. Se o contratado à perigo for alguém popular em sua comunidade, por exemplo ligado a uma escola de samba ou entidade religiosa, ganha votos de forma exponencial. Já ouvi esses contratados dizerem que votariam por gratidão por quem lhe deu emprego (emprego é trabalho remunerado, logo, não é um favor). Mas é mais do que gratidão, os contratados votam por medo, quase uma ameaça, uma espécie de coronelismo.
O pior que conheço algumas pessoas (bem instruídas) que vendem seu voto dessa forma. O medo é mais forte que qualquer racional ou ideologia.
OBS: é claro que não se pode julgar quem vende seu voto por medo. Afinal, o pão de cada dia é que está em risco. É bem provavel que eu também venderia numa condição dessa.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
My Blueberry nights
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Pensamentos soltos (e clichés) sobre as eleições municipais
1) Esperava mais da Soninha. Achei que ela traria para o debate idéias mais oxigenadas e propostas mais inovadoras, mesmo que dificéis de serem aplicadas.
2) Alckmin é o personagem ridículo dessas eleições (mesmo que eu não descarte a chance dele dar uma arrancada e ganhar). Se rebelar contra parte do partido a troco de uma prefeitura, sendo que podia tentar coisa melhor em 2010 como o governo ou um ministério caso o Serra suba o Planato.
Se não chegar nem ao segundo turno vai ficar vexatório para quem já foi governador. Se chegar lá, vai ganhar a birra do DEM e prejudicar o apoio poderoso para 2010. Aliás, a perda do marketeiro no meio da campanha já mostra que ele sozinho não apita nada, precisa de partido e o partido precisa de um outro partido.
Daí fica com um discurso bobo e perdido sem saber se é oposição ou situação.
3) Bom o marketeiro do Kassab, hein? No programa, o prefeito parece simpático e até fala bem no debate, superando a língua presa. Fora que está com um discurso cheio de apelo emocional. Quando assisto o programa ou o vejo no debate até titubeio por ele. (depois a razão retorna)
4) Dificil ser marketeiro desses 3 candidatos tão “carismaticos”, né? Coitados, um pior que o outro no quesito simpatia - um picolé de chuchu, uma perua arrogante e irritadinha e um mal-humorado de lingua plesa.
5) Ah, e a sigla DEM pegou né? Ninguém mais lembra que era o PFL – aquele do ACM e coroneis.
6) Eu não ligava tanto para o Cidade Limpa até chegar as eleições. As últimas eram um nojo.
7) Alguém sabe por que as eleições não são concomitantes? Assim, ninguém precisaria perguntar se os candidatos irão largar a prefeitura para serem governadores, como aconteceu nas últimas eleições. Se é tarde para consertar isso, poderia ao menos proibir essa pulada de galho.
8) 45% de aprovação não é aprovação, né? É a desaprovação de 55% da população. Logo, o governo atual está reprovado pela maioria.
9) Aqueles doentinhos e médicos dos postos de saúde que choram agradecendo os candidatos são pagos, né? Isso não devia ser considerado compra de voto também?
10) Não conheço um candidato a vereador.
11) Odeio pensar que tenho vivido como uma “dondoca” a ponto de não conseguir escolher o candidato. Afinal, uso muito pouco os serviços públicos, nunca vi um CEU ou AMA, e faz tempo que não ando pela periferia.
12) Acho bem interessante eleições municipais porque os mais pobres tornam-se os mais engajados, conscientes e com melhores justificativas para seus votos. Eu estou inapta a votar como disse acima.
2) Alckmin é o personagem ridículo dessas eleições (mesmo que eu não descarte a chance dele dar uma arrancada e ganhar). Se rebelar contra parte do partido a troco de uma prefeitura, sendo que podia tentar coisa melhor em 2010 como o governo ou um ministério caso o Serra suba o Planato.
Se não chegar nem ao segundo turno vai ficar vexatório para quem já foi governador. Se chegar lá, vai ganhar a birra do DEM e prejudicar o apoio poderoso para 2010. Aliás, a perda do marketeiro no meio da campanha já mostra que ele sozinho não apita nada, precisa de partido e o partido precisa de um outro partido.
Daí fica com um discurso bobo e perdido sem saber se é oposição ou situação.
3) Bom o marketeiro do Kassab, hein? No programa, o prefeito parece simpático e até fala bem no debate, superando a língua presa. Fora que está com um discurso cheio de apelo emocional. Quando assisto o programa ou o vejo no debate até titubeio por ele. (depois a razão retorna)
4) Dificil ser marketeiro desses 3 candidatos tão “carismaticos”, né? Coitados, um pior que o outro no quesito simpatia - um picolé de chuchu, uma perua arrogante e irritadinha e um mal-humorado de lingua plesa.
5) Ah, e a sigla DEM pegou né? Ninguém mais lembra que era o PFL – aquele do ACM e coroneis.
6) Eu não ligava tanto para o Cidade Limpa até chegar as eleições. As últimas eram um nojo.
7) Alguém sabe por que as eleições não são concomitantes? Assim, ninguém precisaria perguntar se os candidatos irão largar a prefeitura para serem governadores, como aconteceu nas últimas eleições. Se é tarde para consertar isso, poderia ao menos proibir essa pulada de galho.
8) 45% de aprovação não é aprovação, né? É a desaprovação de 55% da população. Logo, o governo atual está reprovado pela maioria.
9) Aqueles doentinhos e médicos dos postos de saúde que choram agradecendo os candidatos são pagos, né? Isso não devia ser considerado compra de voto também?
10) Não conheço um candidato a vereador.
11) Odeio pensar que tenho vivido como uma “dondoca” a ponto de não conseguir escolher o candidato. Afinal, uso muito pouco os serviços públicos, nunca vi um CEU ou AMA, e faz tempo que não ando pela periferia.
12) Acho bem interessante eleições municipais porque os mais pobres tornam-se os mais engajados, conscientes e com melhores justificativas para seus votos. Eu estou inapta a votar como disse acima.
domingo, 7 de setembro de 2008
A vida como ela é II

Para mim, o personagem mais interessante do filme "Linha de Passe"é Reginaldo. É esperto e engraçado, mas briguento e cheio de raiva por ser o "neguinho", caçula, e não conhecer o pai. Diferente dos outros personagens, ele não nasceu de estatísticas, mas de uma notícia de jornal.
Um garoto de 14 anos vivia procurando o pai nos coletivos, até que aprendeu a dirigir. Um dia ele entrou na garagem e saiu com o ônibus por três horas, até ser preso. Passou 24 horas na Febem, e depois que foi solto, roubou mais 30 ônibus até fazer 18 anos. Hoje ele é mecânico.
Um garoto de 14 anos vivia procurando o pai nos coletivos, até que aprendeu a dirigir. Um dia ele entrou na garagem e saiu com o ônibus por três horas, até ser preso. Passou 24 horas na Febem, e depois que foi solto, roubou mais 30 ônibus até fazer 18 anos. Hoje ele é mecânico.
Linha de Passe - A vida como ela é
Linha de Passe, novo filme do Walter Salles, fala da periferia de São Paulo (Cidade Líder-ZL). A história não trata de tragédias ou bang-bang, não tornam os pobres heróis, nem vítimas, nem bandidos. Não tem romantismo, nem acidez, não faz crítica social ou apela para emoções. Retrata o drama inerte que é o cotidiano de gente que tem poucas opções. Haja maestria para se falar do que é estático. Haja maestria para se falar do hoje e da maioria, aquela que não mata, nem morre, mas que “se salva”.É um filme de bons personagens e ótimas interpretações para gente se ver na tela. A verossimilhança fica ainda melhor por ser interpretada por atores desconhecidos. Cleuza (intepretada pela atriz premiada em Cannes – Sandra Corveloni) é empregada doméstica, corintiana, grávida e mãe de quatro filhos que cria sozinha. O mais velho, Denis, é um motoboy (como não podia deixar de ser ao falar de SP), pouco ajuizado. Dinho é evangélico e luta para a não sair da linha. Dario (lembra do Josué de Central do Brasil? É ele) acaba de completar 18 anos e parece o fim da esperança para quem sonha em ser jogador de futebol. O caçula, Reginaldo, é negro, esperto e sonha em conhecer o pai: um motorista de ônibus. Todos, apresentados com equilíbrio, lutam para se salvar a sua maneira.
Os personagens dão vida às estatísticas – mãe solteira, evangélicos, motoboys e jovens que querem ser jogadores de futebol – mas não caem em clichês. Cleusa poderia cair fácil no heroísmo, mas é uma guerreira cheia de defeitos. Apesar de carinhosa e batalhadora, dá surra no filho, é por vezes desatenta, bebe e fuma, fala coisas pesadas como “Deus vai me dar uma menina bem boazinha pra me salvar de vocês”, e é questionada pelos meninos por não ter lhes dado pai.
A vida dessa família (solidária e com pequenos confrontos) é dura e cinza como São Paulo. Feliz escolha pela cidade. As favelas do Rio já foram apresentadas ao mundo em filmes severos de bang bang – bastante preto/branco. Salles decidiu retratar a periferia que conheço com meu olhar estrangeiro: a que joga bola na rua, que toma Tubaína, que passa muitas horas no ônibus, que gasta o domingo na bodega ou igreja, que vive em um jogo coletivo.
O filme é sútil e prima pelos detalhes ao invés de apoiar-se em narrações (como Cidade de Deus e Tropa de Elite) ou excesso de diálogos. Gosto muito da cena em que Cleusa vê a nova empregada usando o rodinho de limpar vidros que ela não tinha. Pra que dizer que está revoltada, que está sendo injustiçada? Está tudo ali dito diante de nossos olhos.
Nos minutos finais, o filme vai crescendo e ganhando tensão com cenas memoráveis, que não vale contar. E não tem um desfecho, afinal, o cotidiano é contínuo. E já que é ficção mesmo, posso imaginar o golaço de Darío, ou uma defesa espetacular do goleiro.
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