
Não cheguei aos 30 e aquela fatídica crise do "não dei certo". Não ter "dado certo" aos 25 não é motivo de crise, já que ainda temos alguns anos para isso. Mas vivemos a crise dos 25 - que a "Eye Weekly" descreve nessa
matéria e explica minha angústia depois de finalmente decidir buscar meu diploma.
No cinema, a Scartlett Johassonn personifica o "Quarterlife Crisis", em pelo menos 3 filmes: Vicky Cristina Barcelona, Lost in Translation, e Diário de uma babá (excelentes!). Em todos, ela é graduada, vive em cidade grande (Barcelona, Tóquio e NY), e está perdida, sem saber como irá "dar certo", qual seu talento, o que irá fazer com aquele diploma que não significa certeza alguma para ela.
As protagonistas dos filmes, assim como eu, estão entediadas, solitárias, confusas e ansiosas sobre suas carreiras, relacionamentos e direção. Por outro lado, temos a beleza invejável da juventude e uma liberdade sem paralelos. E por isso mesmo somos incapazes de fazer decisões, porque não sabemos o que queremos, o que somos, e isso porque podemos ser qualquer coisa que quisermos - diferente dos nossos pais, que nessa idade estavam construindo casas e famílias.
Já me passou pela cabeça: cursar Direito, pós em Sociologia, colocar silicone e malhar loucamente, fazer curso de teatro, cinema, barista, cavaquinho, fotografia, ser voluntária na Tailândia, escrever um livro sobre Cuba, morar Londres, ou virar pescadora em Canoa Quebrada. Eu posso ser tanta coisa, que fica difícil escolher qual desses caminhos me trará a tal satisfação que busco.
Essa crise é custosa, faz a gente gastar em cursos inúteis, manter a pose no sábado a noite, e não ficar em casa jamais, afinal, estamos na contagem regressiva para os 30/40 (eu tenho a lista de coisas a fazer antes dos 30) e não seremos jovens novamente. Logo, é preciso "have fun a lot". Isso explica os sucessivos "datings" vazios, sem expectativas e compromissos. Em um momento único de igualdade sexual, os rapazes não enxergam vantagem em se prender a uma garota. Eles conseguem sexo sem muito esforço com garotas interessantes, porque elas também querem aproveitar o momento. Além disso, vivemos um momento mais individualista, em que valoriza-se a liberdade, e fomos criados assistindo a casamentos frustrados e divórcios.
A crise dos vinte e poucos anos seria uma crise antecipada. Não há fracassos nessa idade, o tempo está a nosso favor, mas já não há aquela certeza de que "daremos certo", e pior, não há mapas - mesmo que eu leia livros de auto ajuda, a Você S/A, ou a Gloss.