segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Barriga no fogão

Felizmente, está cada vez mais comum rapazes da minha geração que não apenas se viram bem na cozinha, como também capricham em um peixe ou massa como forma de conquista. Já ouvi até a expressão "gastrossexual", mas achei pouco convidativa e acho que não colou.

Não sei se foi a intenção dele, mas tempos atrás, meu coração bateu mais forte ao ver um pretendente com a barriga no fogão e provar o excelente resultado depois. Me ganhou pelo estomâgo.

O mais legal é que esses homens ao preparar um prato para a namorada/esposa/peguete/ pretendente estão mostrando que:

1) não são machistas e assumem que cozinha também pode ser lugar para homem;
2) não estão preocupados com uma magreza obsessiva das mulheres;
3) e acima de tudo, têm dedicação e boa vontade em querer agradá-la e proporcionar prazer.

Ok, que o convite para provar o suculento prato pode significar que ele pretende é tê-la como sobremesa, mas ele poderia convidar para uma pipoca e filminho na TV se não quisesse ser tão direto. O que não é mal, mas não é especial como o esmero do moço em preparar o jantar.

Ele gastou tempo para impressioná-la (poderia ter pedido uma pizza) e cuidadosamente preparou uma boa receita. Seria um moço que não adere à comida fast-food (ao menos, não sempre) e quem sabe então, ele também prefira relacionamentos que não sejam alá "fast food".

Ps: Como eu sou bem comilona, não preciso nem dizer que meu sex symbol não é o Giannechini, mas o Alex Atala. Ai, ai, ô em minha humilde cozinha.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Tic tac

Amigos do colégio em um boteco dia desses:
Pedro - Vocês receberam o email da Re? Ela está organizando os 10 anos da nossa turma.
Eu - Eu recebi. Mas respondi a ela que me nego a ir. Ela errou nas contas. Não é possível que já se passaram 10 anos.
Carla - Claro que não é possível. Eu ia ser alguém muito melhor, mais bem resolvida, mais bem sucedida, 10 anos depois do colégio.

A Carla sempre foi genial !
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Confissões de mulheres de 30 - texto de Domingos de Oliveira

- Eu vivo o Agora. O Agora ou Nunca. Eu tenho que comprar uma casa - agora ou nunca. Eu tenho que fazer sucesso - agora ou nunca. Eu tenho que ter um filho - agora ou nunca. Eu não acredito em principe encantado, nem na instituição do matrimonio, mas eu espero todos os dias que surja um amor que devolva as minhas crenças e esse amor tem que chegar Agora ou Nunca.

Meu comentário - Dá vontade de nem dormir mais antes de chegar o game over. Tem tanta coisa no meu checklist de vida ainda. PQP - Será que a vida é mesmo tão curta ? Não é, né?
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Gamei
Há uns dois anos, um caboclo tomava um chopp comigo, quando disse que era aos 25 era aquilo que ele imaginava ser aos 15. Tanto faz o que ele era aos 25 (e pelo que eu me lembro ele era tão ou mais duro do que eu), mas ele devia ser muito mais feliz. Nunca mais esqueci dele.
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Checklist

Estou riscando umas coisas a fazer da minha lista: conhecer a Europa (parte dela ao menos), viver fora, aprender ao menos um idioma descentemente.

Agora, só penso que na volta terá ainda uma lista enorme e não sei por onde começar...eu preciso comprar uma casa, morar sozinha, voltar a estudar espanhol, voltar a academia (afinal, o tempo tá passando), virar uma barbie depois de duas plásticas e sessões intensas de drenagem linfática, cuidar da minha pele custe o que custar, fazer uma pós, conseguir uma promoção, comprar um carro, aprender a tocar cavaquinho (comprar um), fazer um curso de fotografia e ter uma máquina bem legal, mochilar pela América Latina, morrer de paixão e encontrar um amor. Será que vai dar tempo? E dinheiro? E quantos carnavais restam ainda?
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Conforto

O que me conforta é uma vizinha que se casou pela segunda vez aos 70 anos e disse que nunca havia sido tão feliz, uma colega de trabalho com gravidez saudável aos 43, Sebastião Salgado ter começado a fotografar depois dos 40, grupos de naturistas cinquentões, e saber que toda escola de samba tem a sua velha guarda.

Então, enquanto houver pernas, haverá Carnaval.
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Porque rei é rei

Foto: Thais Polimeni

“Eu tenho tanto pra lhe falar...” – o Ginásio do Ibirapuera lotado cantava antes do esperado Rei entrar. Era de arrepiar. No show do dia 3 de setembro, um dos 9 em São Paulo em comemoração aos 50 anos de carreira de Roberto Carlos, a plateia era o que mais emocionava. Gritavam ao menor gesto dele – uma virada de pescoço, uma piscadela, ou quando ele escorregava a mão pelo microfone. Roberto pisa no palco e todos se levantam e aplaudem. Cheguei então a tardia conclusão que RC faz jus ao título de Rei.

Sempre o achei supervalorizado e considerava Chico, Tom Jobim e Caetano os ícones da música brasileira. Só que ícone é uma coisa, e leva em conta a criação artstica, mas ser Rei transcede a obra, tem a ver com a figura, solidez, carisma, e com uma relação quase maquiavélica com seus súditos.

Para ser Rei é preciso ser popular e Roberto é. As melodias convidam todos a cantar junto. As letras são simples, a ponto de qualquer um entender, se identificar e enviar a sua amada. Mas a simplicidade das letras não diminuem a profundidade dos sentimentos. Se ser brega é ser emotivo demais, ignorar a sobriedade, Roberto se assumiu assim e ganhou autenticidade, e de quebra carinho do seu público.

Para ser Rei é preciso ter sucesso perene e o Rei só é Rei porque não parou na Jovem Guarda. Ele soube envelhecer junto com seu público e chegou aos 50 anos de carreira com fôlego para arrastar multidões, lotar Maracanã e exigir a melhor equipe, e tocar com a OSESP. Mais que isso, ao menor comando, ele consegue fazer todo mundo cantar junto em shows disputadíssimos.

A perenidade só é possível quando se tem um vasto repertório. E como esse homem compôs! e como tem sucessos! Ele já foi gravado e regravado por artistas como: Gal, Elis, Betania, Nana Caymi, Chico, Nara Leão, Chiclete Banana, Ivete, Claudia Leite, Skank, Titãs, Barão Vermelho, e mais uma montanha. Todos súditos da Vossa Majestade.

Rei tem uma imagem a zelar e zela. Roberto se blinda, é recluso, dá raras entrevistas, não aparece em festas, e até foi ditatorial ao proibir uma biografia sua. Construiu uma imagem de homem perfeito, sem vícios, que vai à missa, é viuvo resignado, bom pai, não atrela sua imagem à política, e pouco aparece em campanhas publicitárias.

Mas apesar de construir características quase sobrehumanas, o Rei procura se identificar com seus súditos. No show, foi possível ver o carisma inquestionável que RC tem. Ele corteja sua plateia o tempo todo. Faz piadas ingênuas, conta um pouco de sua história, mostra simplicidade, toca sozinho voz e violão, apresenta seus músicos com intimidade, joga charme.

Rei tem de estar perto do seu povo e ele vai lá, mima, joga rosas, manda beijos, se coloca como igual. Fala de suas dores, como se fosse a dor de cotovelo de seu vizinho, pede que o público o ajude a cantar, diz que adora estar no palco, fala sobre a cidadezinha em que nasceu, os amigos de adolescncia que estão com ele até hoje. Dá uma de gente como a gente para viver uma história eterna de amor com seu público.

É por isso que Rei é Rei.

domingo, 6 de setembro de 2009

Minha candidata


Serei orgulhosa por ter como presidente Marina Silva, uma mulher negra e grande guerreira na defesa do Amazônia e de seu povo. Herdeira do que eu considero o maior herói nacional, Chico Mendes, Marina eh exemplo de mulher forte, politica lucida, de biografia exemplar e sem máculas políticas.

Ainda tem o mérito de ter tido peito para deixar, não sem dor, o cargo de Ministra do Meio Ambiente, ao qual sempre honrou e deveria ter sido mais ouvida. Teve coragem para deixar o PT, partido que ajudou a fundar, quando este estava em um momento bastante indefensável, de braço dado com a imoralidade política, e tem um discurso progressista demais para a visão muito mais ampla de Marina.

Quando alguém é são e convicto o suficiente sobre o que defende, como Marina e, consegue virar a mesa e tornar-se uma candidata que vai saculejar as eleições presidências de 2010 (como até o NYT está anunciando). Prova de sua força mais uma vez.

Mais que trazer uma importante pauta para debate, o desenvolvimento sustentável, Marina tem tudo para remexer os números e assustar fortes candidatos. Afinal, ela é uma política com bagagem e sem discursos ufanistas.

Lhe falta tempo na TV? Mas quem decide voto por horário eleitoral? Ela tem carisma e doçura de sobra pra conquistar eleitores (coisa que falta a Serra e Dilma), e ainda pode ganhar um marketing viral da juventude e dos internautas. É evangélica, o que também é uma força para conquistar eleitores no Brasil. Fora que votar em Marina simboliza um voto de protesto para a quem busca uma política mais ética. Atualmente, há tanta gente sedenta por uma política mais ética e esperançosa que o voto de protesto pode ganhar dimensões inimagináveis.

Lhe falta apoio político? A lucidez de suas propostas podem ganhar a sociedade e consequentemente, tornar o apoio legislativo muito mais provável.

Seu ponto fraco é ter um discurso monotemático? Acredito que ela seja inteligente o suficiente para se aliar a outros políticos fortes e respeitáveis, como Cristóvão Buarque, Fernando Gabeira, mas também, a importantes economistas e empresários. Aí, o cenário muda. Quando alguém que representa a força econômica mostrar que também confia em Marina, que ela não é uma lunática, ou comunista, nem irá retroceder nos avanços econômicos que o Brasil teve nos últimos 4 mandatos, aí sim o bicho vai pegar. E eu quero muito estar aqui pra ver e fazer campanha.

Marina já é minha candidata. Mais que isso, é a candidata que eu sempre sonhei ter.