Mas enquanto resta Carnaval, vamos aproveitar.
Recuperados, eu e o Portuga caímos na folia. Fomos pra São Luiz do Paraitinga. Aquilo que é carnaval – à moda antiga -só toca marchinhas, mas todas originais de cidade do Vale do Paraiba - animadíssimas. A gente se diverte como nunca. Bebe, pula, pula e bebe até não aguentar mais.
Como disse o Portuga, se a duas horas de São Paulo tem um dos melhores carnavais do planeta, quem precisa de passagem aérea e abadá. Acabou, mas ano que vem, eu juro que volto.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Mas todo Carnaval tem seu fim (20 minutos inesquecíveis)

Dá um aperto no coração pensar que falta um ano para o próximo Carnaval.
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Gentemm, saí na Globo!.Segundo minha mãe 3 vezes. Ela tava toda empolgada com a filha foliã e no domingo, me senti uma celebridade entre os vizinhos e parentes.
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Na concentração, foi um perrengue danado. Mas durante o desfile parecia que eu nasci dentro da Leandro de Itaquera. Nem liguei de ter perdido o tênis. Eu berrava, dançava, e batia palma com tanta empolgação até que alguém na arquibancada se animasse também. Tinha vontade de levantar os braços dos componentes da ala que não davam o melhor de si pela escola e para aquele momento único.
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E quando você vê que passou da linha amarela, que está valendo, está na avenida. Ai,dá uma emoção indescridivel. Eu olhava para o Portuga, meu parceiro de folia, dizendo com os olhos “não to acreditando, tamô aqui, olha quanta gente!”.
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E olha o Jorgeee!! Logo, no início já tinha torcida especial pra mim e pro Portuga. ________________________________________________________
E quando passa pelo recuo da bateria. Eu esqueci de tudo. Fiquei boquiaberta feito criança com o ziriguidum de pertinho assim.
E a Embaixada do Samba, que estava num camarote, dava vontade de ir até eles fazer uma reverencia e pedir benção. Me enchi de emoção com os velhinhos lindos batendo palma pra minha escola.
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A Leandro teve problema na evolução e teve de correr no final para não dever para o cronômetro. Deu certo. E isso só tornou o desfile mais emocionante. A dispersão era festa. Corremos para junto da bateria para comemorar.
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E apesar do perrengue, deu certo. Não caímos. Não ficamos entre as 5 que irão desfilar na sexta-feira, desfile das campeãs, mas conseguimos ficar no Grupo Especial, o que já é uma vitória pra quem veio do Grupo de Acesso e tem de se esforçar tanto.
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Dia seguinte: Jesus, um trator passou em mim.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Tá chegando...
A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei!
Acredito
Acredito ser o mais valente, nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!
É hoje o dia da alegria
E a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Amanhã, dia 21/02, 22h30 - Leandro de Itaquera e eu entramos na avenida pro maior show da Terra.
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei!
Acredito
Acredito ser o mais valente, nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!
É hoje o dia da alegria
E a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Amanhã, dia 21/02, 22h30 - Leandro de Itaquera e eu entramos na avenida pro maior show da Terra.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Ousadia incompreendida
O Carnaval pede criatividade, mas é calcado na tradição. E quando a tradição é forte, os donos da festa se fecham para as inovações e podem não compreender e injustiçar um artista que inova.
Paulo Barros foi responsável pelos desfiles mais criativos que já vi. Nos dois últimos anos, deu show na Viradouro com os enredos “Viradouro vira o jogo” e “É de arrepiar”. Antes disso, revolucionou outros carnavais na Unidos da Tijuca. Em 2004, foram vice-campeões e surpreenderam com o carro do DNA, em que bailarinos simulavam genes humanos.

Nunca levou título e muitos culpam seu carnaval moderno demais, ousado demais. Os enredos saem do comum; as alegorias são modernas e usam a estética grotesca, como a dos insetos e do holocausto no último ano; e as alas são bastante encenadas para ajudar a contar a história.
Qualquer ousadia tem seus riscos e polêmicas. Encanta uns, desagrada outros. Um desfile correografado, tira o ar de festa e fica teatralizado. Suas inovações criam um grande problema para os jurados que não conseguem compará-lo com as outras escolas, pois ele está recriando a estéstica carnavalesca, misturando o surreal e o expressionismo.
Paulo Barros saiu da Viradouro e em 2009, assina apenas o desfile da Renascer de Jacarepaguá, grupo de acesso do Rio. Também estará na Vila Isabel, mas como um braço direito de Alex Sousa. Sem assinar o desfile, e com tantas críticas, sua coragem será podada fatalmente. Uma pena.
Paulo Barros foi responsável pelos desfiles mais criativos que já vi. Nos dois últimos anos, deu show na Viradouro com os enredos “Viradouro vira o jogo” e “É de arrepiar”. Antes disso, revolucionou outros carnavais na Unidos da Tijuca. Em 2004, foram vice-campeões e surpreenderam com o carro do DNA, em que bailarinos simulavam genes humanos.

Nunca levou título e muitos culpam seu carnaval moderno demais, ousado demais. Os enredos saem do comum; as alegorias são modernas e usam a estética grotesca, como a dos insetos e do holocausto no último ano; e as alas são bastante encenadas para ajudar a contar a história.
Qualquer ousadia tem seus riscos e polêmicas. Encanta uns, desagrada outros. Um desfile correografado, tira o ar de festa e fica teatralizado. Suas inovações criam um grande problema para os jurados que não conseguem compará-lo com as outras escolas, pois ele está recriando a estéstica carnavalesca, misturando o surreal e o expressionismo.
Paulo Barros saiu da Viradouro e em 2009, assina apenas o desfile da Renascer de Jacarepaguá, grupo de acesso do Rio. Também estará na Vila Isabel, mas como um braço direito de Alex Sousa. Sem assinar o desfile, e com tantas críticas, sua coragem será podada fatalmente. Uma pena.
O que vem de bom
Esse ano, estou ansiosa para ver o desfile de duas escolas tradicionais. A Império Serrano irá levar a Sapucaí uma re-edição de seu samba de 1976. Me surpreendi ao ver a vinheta na Globo. O samba-enredo é aquela música linda que conheço na interpretação da Marisa Monte ou da Clara Nunes – Lenda das Sereias.
“Ela mora no mar,
ela brinca na areia,
no balanço das ondas,
a paz ela semeia”.
E a Portela, que ano passado fez um desfile lindo, espero que venha esse ano para levar a taça. Uma das escolas mais românticas, que já inspirou tantas músicas, irá cantar nada menos que O amor, ai, ai. O enredo é: “E por falar em amor...onde anda você?”, parodiando a música que fala de “saudade”. Sentimentos bem irmãos, né? Tem tudo pra emocionar.
A Unidos da Tijuca tem como enredo “Uma odisséia no espaço”. Pena ter de cantar o brilho do céu quando já amanheceu (ela será a última escola do domingo). E pior ainda, não ter o Paulo Barros para construir um enredo futurístico, um carnavalesco que faz inovações carnavalescas como ninguém.
“Ela mora no mar,
ela brinca na areia,
no balanço das ondas,
a paz ela semeia”.
E a Portela, que ano passado fez um desfile lindo, espero que venha esse ano para levar a taça. Uma das escolas mais românticas, que já inspirou tantas músicas, irá cantar nada menos que O amor, ai, ai. O enredo é: “E por falar em amor...onde anda você?”, parodiando a música que fala de “saudade”. Sentimentos bem irmãos, né? Tem tudo pra emocionar.
A Unidos da Tijuca tem como enredo “Uma odisséia no espaço”. Pena ter de cantar o brilho do céu quando já amanheceu (ela será a última escola do domingo). E pior ainda, não ter o Paulo Barros para construir um enredo futurístico, um carnavalesco que faz inovações carnavalescas como ninguém.
O maior espetáculo da Terra
Ninguém é obrigado a gostar de Carnaval, mas a admiração é inevitável. Carnaval alia festa, música, e arte. O Carnavalesco é um artista que tem a missão de contar uma história de forma criativa e ampla, através da música, assim como uma ópera.
Porém, ao contrário da ópera, além da perfeição em cada detalhe, alegorias, adereços, ritmo, coreografia, faz-se necessário emocionar e empolgar a platéia. Mais do que isso, não basta que sua escola seja boa, ela tem de ser a melhor, para levar o título. Meio ponto perdido é muito para uma escola. Nota 8 que na avaliação de um crítico de ópera seria uma nota boa, mas representa quase a desclassificação de uma escola.
O espetáculo é inegavelmente rico e bonito, e a grande maioria dos artistas não recebem nada por isso. A festa é democrática, feita por pessoas simples, com artistas da periferia. Eles dedicam-se quase um ano por pura devoção a arte do samba e do Carnaval. Em qualquer quadra se vê uma devoção religiosa, mesmo em uma festa completamente pagã.
A delicadeza e precisão dos movimentos da porta-bandeira e mestre-sala são similares a de bailarinos. Ensaiam para esse momento desde criança. Cada apresentação de uma escola de samba conta com cerca de 3 mil bailarinos e ao menos 200 músicos. A Broadway não consegue tal façanha. Tampouco, que a platéia levante, cante junto e sinta seu coração sair pela boca.
Por isso que eu acho que a música está correta quando diz que quem não gosta de samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé.
Porém, ao contrário da ópera, além da perfeição em cada detalhe, alegorias, adereços, ritmo, coreografia, faz-se necessário emocionar e empolgar a platéia. Mais do que isso, não basta que sua escola seja boa, ela tem de ser a melhor, para levar o título. Meio ponto perdido é muito para uma escola. Nota 8 que na avaliação de um crítico de ópera seria uma nota boa, mas representa quase a desclassificação de uma escola.
O espetáculo é inegavelmente rico e bonito, e a grande maioria dos artistas não recebem nada por isso. A festa é democrática, feita por pessoas simples, com artistas da periferia. Eles dedicam-se quase um ano por pura devoção a arte do samba e do Carnaval. Em qualquer quadra se vê uma devoção religiosa, mesmo em uma festa completamente pagã.
A delicadeza e precisão dos movimentos da porta-bandeira e mestre-sala são similares a de bailarinos. Ensaiam para esse momento desde criança. Cada apresentação de uma escola de samba conta com cerca de 3 mil bailarinos e ao menos 200 músicos. A Broadway não consegue tal façanha. Tampouco, que a platéia levante, cante junto e sinta seu coração sair pela boca.
Por isso que eu acho que a música está correta quando diz que quem não gosta de samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Contagem regressiva - faltam 8 dias
"Quem me vê sempre parado, distante
garante que eu não sei sambar
tou me guardando pra quando o carnaval chegar"
Chico Buarque
garante que eu não sei sambar
tou me guardando pra quando o carnaval chegar"
Chico Buarque
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Vai passar na avenida um samba popular
"SOU LEANDRO, SOU GUERREIRO DA PERÍFERIA
TENHO GARRA, VOU A LUTA... SOU LEÃO
MEU PAVILHÃO É A LUZ QUE IRRADIA
A VERMELHO E BRANCO NO MEU CORAÇÃO"
Falta muito pra chegar o Carnaval? Nem vejo a hora. Essa será a primeira vez que irei desfilar numa escola de samba, item a riscar da lista de coisas a fazer antes de morrer.
Vou desfilar na Leandro de Itaquera, a mais simpática de São Paulo. (Ih, simpática é algo como feinha, mas graciosa, né?) A Leandro é uma das poucas escolas que teve uma puxadora - a Elina de Lima (umdererê, lembra?). E também uma das poucas escolas da cidade que fica na periferia. E isso faz toda a diferença. Lá dá pra ver aquilo que se fala nas letras de samba: povo valente e sofrido, que vive pela escola. Como a escola é distante do centro, ela agrega os moradores do bairro e só - nada de turista em janeiro e fevereiro que pagam R$20 pra ver ensaio.
Aliás, enredo muito bem escolhido. A Leandro vai para a avenida cantar a periferia - como conhecedora de causa.
Chega logo carnaval!
TENHO GARRA, VOU A LUTA... SOU LEÃO
MEU PAVILHÃO É A LUZ QUE IRRADIA
A VERMELHO E BRANCO NO MEU CORAÇÃO"
Falta muito pra chegar o Carnaval? Nem vejo a hora. Essa será a primeira vez que irei desfilar numa escola de samba, item a riscar da lista de coisas a fazer antes de morrer.
Vou desfilar na Leandro de Itaquera, a mais simpática de São Paulo. (Ih, simpática é algo como feinha, mas graciosa, né?) A Leandro é uma das poucas escolas que teve uma puxadora - a Elina de Lima (umdererê, lembra?). E também uma das poucas escolas da cidade que fica na periferia. E isso faz toda a diferença. Lá dá pra ver aquilo que se fala nas letras de samba: povo valente e sofrido, que vive pela escola. Como a escola é distante do centro, ela agrega os moradores do bairro e só - nada de turista em janeiro e fevereiro que pagam R$20 pra ver ensaio.
Aliás, enredo muito bem escolhido. A Leandro vai para a avenida cantar a periferia - como conhecedora de causa.
Chega logo carnaval!
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