quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cars, Sex and the City

Sou fã do seriado Sex and the City. Impossível não se identificar com a crônica sobre as mulheres atuais, as reflexões sobre relacionamentos, amor e sexo, e não rir de nossas próprias angústias. Não fosse tudo isso há outro motivo para eu adorar o seriado Sex and the City: a ausência de carros.

As personagens centrais – Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte - são inteligentes, independentes, bem sucedidas, pegadoras e .... nenhuma delas tem carro. A maioria dos casinhos das heroínas também não saem de carro. Costumeiramente, eles a levam para jantar e depois seguem até o apartamento das heroínas a pé ou de táxi.

Em São Paulo, vivemos em um apocalipse motorizado irracional. Há um excesso de carros por toda parte, todas as horas e muitas vezes, porque o paulistano sofre de uma dependência burra pelo automóvel que só gera mais e mais transito.

Sei que é difícil viver sem carro em São Paulo. Em Nova Iorque - cenário do seriado- andar de táxi é barato, mas já ouvi renomados economistas brasileiros afirmarem que financeiramente é mais vantajoso gastar R$40 por dia em táxi, a arcar com as despesas como estacionamento, gasolina, IPVA, seguro e manutenção do carro.

Mas carro dá status e principalmente os rapazes tem fixação pelo objeto, como se fosse um item essencial para “pegar” mulher. Que bom que o seriado mostra homens na faixa dos 30/40, bem sucedidos, inteligentes, pegadores, e que não precisam de carro para dormir com mulheres interessantes.

Ps: para quem adora a série como eu, faça aqui o teste para descobrir com qual personagem você se parece.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Não criemos pânico

Na semana passada, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão. (Já comentei aqui, aqui, aqui e aqui).
O que acabou foi obrigatoriedade do diploma, isto é, a reserva de mercado, não acabou a necessidade de formação do jornalista. Os cursos de graduação e pós-graduação continuam a existir nos Estados Unidos, Alemanha e outros países que não exigem diploma. O mesmo deve ocorrer no Brasil.

Nenhum curso será fechado ou perderá sua validade, porque o que sempre valeu foi o conhecimento que a academia oferece, tal qual numa faculdade de administração. Qualquer um pode ser empresário sem a exigência de diploma, mas é claro que a faculdade ajuda muito a conhecer técnicas e caminhos para ser um melhor administrador.

Quem estudar mais, praticar mais, se aprofundar mais se sairá melhor sempre. E aposto que as empresas jornalistícas irão preferir os mais bem preparados - só que agora com a vantagem de poder encontrá-los em diversos cursos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Não à homofobia

A Parada Gay de São Paulo bate recorde de público, e traz visibilidade a projetos de lei a favor dos direitos homossexuais que continuam emperrados no Congresso. O PLC 122/06 que torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero ainda aguarda aprovação do Senado. Para que esse projeto não leve mais longos anos de tramitação (já foram 3 desde sua criação), convido a todos de bom senso participarem do abaixo-assinado para aprovação dessa medida. https://www.naohomofobia.com.br/home/index.php


Atualmente, a Lei 7716 já pune com reclusão e multa a discriminação de raça, cor, etnia, religião, nacionalidade, sexo e gênero, mas nada diz sobre a orientação sexual. Nada mais justo e lógico que criminalizar a homofobia também. Se aprovado, o projeto prevê punições para agressões fisicas e verbais à homossexuais, discriminação no atendimento à estabelecimentos públicos, escolas, e no local de trabalho. Também será crime proibir a expressão de afetividade de cidadãos homossexuais e punirá religiosos que fizerem pregações homofobicas em programas de rádio e TV - assim como não pode ser feito ataques públicos contra religiões, ou etnias.

Entender, gostar, considerar bom e certo, é uma opção. Mas, respeito é um direito e um dever de qualquer cidadão. E vale a pena lutar por ele.
Foto: durante a caminha lésbica em São Paulo, no último sábado.
Créditos: Fernando Dantas / Diário de São Paulo

domingo, 14 de junho de 2009

das Bancas

Sou fã do blog dasBancas - em que Leandro, Greg e Thiago Muniz fazem críticas às revistas e sempre nos adiantam algumas capas. Eles escrevem de um jeito leve e engraçado, e com uma visão crítica sobre fotografia, design, editoriais, e todo editor que se preze devia ler.

Recomendo demais à leitura. Ainda mais ag0ra, que tem um post meu lá sobre a revista Serafina, que circula no primeiro domingo do mês na Folha de São Paulo.

sábado, 13 de junho de 2009

Pequenos amores

Alaor é o escultor da cidade de Paraíso (não é a novela, ta). Ele faz as mais perfeitas esculturas e toda boa casa da cidade tem uma de suas mulheres no jardim (sua especialidades são as imitações de Vênus de Milo).

Supreendentemente, Alaor é casado com Gioconda, uma senhora de corpo desforme e rosto feíssimo. Seu nariz é enorme, seus olhos estrábicos, a boca torta, as orelhas de abano e o queixo quase inexistente.

Muitos perguntam como Alaor que faz esculturas tão belas, conhece tão bem as leis da harmonia e das formas, pode amar Gioconda.

Alaor não entende o porquê dessas dúvidas e a todos responde que Gioconda tem as formas mais inéditas e originais que já viu.

Do livro “Pequenos Amores” de José Roberto Torrero.

Silencioso desespero

Só agora assisti a Revolutionary Road (Foi Apenas um Sonho), de Sam Mendes, com o brilhante, afinado e agora maduro casal Leo Di Caprio e Kate Winslet. O filme tem uma produção impecável e um roteiro de diálogos riquíssimos que conta uma história universal sobre a fragilidade humana e o delta entre o que somos e o que queremos ser.

April e Frank formam um casal dos anos 50, apaixonado, moderno, bonito e talentoso – ela quer ser atriz, ele escritor, mas na realidade, não têm tanto talento assim. Frustram-se com isso e justificam “desperdiçarem seus talentos” devido ao alto preço da construção de um lar após a gravidez de April.

Eles mudam-se do centro de Nova York para uma bela casa no subúrbio, aquela em que os vizinhos se dão por contentes e ele arruma um emprego mediano na Knox Business Machine. Após sete anos de casamento, estão entediados, frustrados, e não aceitam serem iguais aos vizinhos.

Ela, a heroína trágica do filme, traz o turn point, ao propor mudarem para Paris. Mais do que entediada, April está desesperada e tem coragem de abrir mão de sua vida medíocre e confortável e tentar de alguma forma (que não sabe ao certo qual) ser aquilo que esperava ser. Ele fica seduzido com a proposta de April, mas está dividido entre a aventura considerada imatura por todos, e a segurança que tem. April e Frank são quase um só – aquela metade da gente inquieta e corajosa, que quer fugir (april), e a parte que prefere não arriscar (frank).

A grande felicidade do casal não está no conforto do subúrbio, tampouco na aventura em Paris, mas no verão em que planejam a viagem com esperança de terem uma nova chance de ser aquilo que desejavam ser. Minha frase favorita é de John – o vizinho louco que fala as verdades – ao falar que Frank não tem coragem de tocar adiante um projeto porque tem medo de descobrir que não serve para nada. Confesso esse medo.

Adoro quando Di Caprio propõe à esposa procurar um terapeuta para curar sua insatisfação. Talvez ele esteja certo, a felicidade está em nós e não em um lugar. Mas talvez ela esteja certa e o melhor é seguir mesmo que às escuras seu sonho, e não pagar um psicólogo para se conformar com a vida que leva.