segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

2010 pelo retrovisor

Eu andei reclamona nos últimos tempos, mas olhando pra trás, 2010 pareceu o ano inesquecível. Em 2/3 dele, vivi o sonho de morar em Londres. O 1/3 restante, que parece ter voado, veio com muita sorte (mais no jogo, que no amor). Consegui mais do que eu desejei a meia-noite do dia 31 de dezembro de 2009. E o que não consegui, tem aí mais 12 meses novinhos para batalhar.

Tem um meme rolando entre vários blogueiros e decidi entrar na ciranda do jeito gracioso de fazer retrospectivas. Aí vai o meu: 

Meu lugar favorito de 2010 – Em 2010, conheci os lugares que sempre sonhei. As lindas e surpreendentes cidades: Paris, Barcelona, Edinburgh, Highlands, Lisboa, Amsterdam, Veneza, Florença, Praga...Mas de todos os lugares, o meu favorito foi a cozinha da minha casa em Londres. Eu chegava em casa e ia direto para lá, ter conversas intermináveis com o Marcílio, porres com o Leo, risadas com o Marc, jantares gostosos com a Bella, abraços e cafés com o David, queijos e vinhos com a Thais e muita bagunça com todos, sempre.

Se ali não me bastasse, ia a Southbank, caminhava a beira do rio, pensava na vida e voltava para casa mais leve. Saudade daquele rio.

O melhor dia de 2010 – foi o dia que minha mãe e minha irmã chegaram ao aeroporto de Healthrow para me visitar em Londres. Eu tava com uma saudade louca delas, super ansiosa, e chorei um tanto abraçada a minha mãe. Naquela noite, dormimos como quando eramos crianças, eu, minha irmã e minha mãe na mesma cama. Só pra não se separar nem um pouquinho.

A minha música favorita de 2010 - Não é de 2010, mas a todo lugar que eu ia, começava a tocar “I had the time of my life..” - a trilha sonora do Dirty Dancing. Eu me segurava para não achar que estava em um musical e sempre pensava que aquela música fazia sentido naquele momento. E eu sempre escutava no iPod - Coração Vagabundo - "Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim"

Em 2010 eu, pela primeira vez... - assisti a seleção brasileira jogar ao vivo; mochilei pela Europa; e mais umas coisinhas divertidas que não cabe contar aqui. 

Em 2010 eu pensei em fugir para … Barcelona.

Meu pior dia de 2010 – não lembro. Memória é seletiva.

Em 2010, eu tentei e não consegui – arrumar um emprego permanente e fazer bolo de cenoura;

Meu melhor presente de 2010 – o bolo de rolo que a Paola me levou em Londres; a cafeteira italiana que o David deu pra mim (como vivi sem ela?), e o jantar de boas-vindas do Paulinho.

A melhor compra de 2010 – o ticket do Interrail - viajei de trem pela Europa de um jeito super barato e com liberdade para pegar o trem para onde quisesse a hora que quisesse. Valia até se perder (como me perdi, acordando numa cidade de nome complicado na Eslovenia em vez de Florença).

Meu filme preferido em 2010 – Hmm, acho que vi tão poucos filmes...então, Tropa de Elite 2.

Meu blog preferido em 2010100 mililitros - eu já gostava muito dele em 2009, mas agora, eu leio para matar saudades também. Também descobri em 2010, os blogs da Deborah Klabin e da Natalia Klein (Fran e Bel eu quero mais atualizações para recomendar o de vocês, que tem excelentes velhos posts).

Além dos blogs que adorei ler, me diverti muito escrevendo o meu blog/diario de viagem Lena in London, ele foi parceiro e ouviu todos meus encantos e reclamações.

Meu vídeo do YouTube em 2010 – pulo. A Cerimônia tá no YouTube, Fran? Se tiver é o meu favorito de 2010.

Meu livro favorito – vergonha confessar, mas os dois diários de Bridget Jones. Era muito legal ler as descrições dos supermercados onde eu também fazia compras, as lojas, as comidas inglesas, e os pubs londrinos. 

Meu parceiro/a de 2010 – Marcilio - o melhor flatmate que alguém pode ter e o amigo que quero para sempre. 

Meu show preferido de 2010 – Já que lamentavelmente perdi o show do Paul, (por pobreza) e da Norah Jones (por motivo bom e inadiável) me contentei com Black Eye Peas, em que fui na faixa, vendendo cervejas. A produção é incrivel e qualquer um sabe cantar todas as músicas - goste delas ou não. Mas eu gritei mesmo foi no show da Maria Rita na Koko em Londres.

Em 2010 eu consegui...passar no teste do Cambridge, viajar sozinha, curtir dois verões um na Europa outro no Brasil, renovar minha licença no trabalho, cuidar da minha pele, não ganhar peso(o que não significa perder, mas empate fora de casa já é vitória ). 

Em 2010 tive inveja de... da Marmota que morava em Barcelona. Agora, eu também quero morar lá. Também ando sentindo inveja de quem mora sozinho em qualquer canto do mundo.

Em 2010 eu quase...quase me apaixonei, quase despiroquei, quase surtei, quase fui demitida,  quase fui deportada, quase fui contratada, quase fui a Grécia e a Túrquia.

Em 2010 eu descobri que...eu nunca mais estarei completa...eu sempre vou sentir saudade daqui ou de lá.

Em 2010 eu quis matar...o Felipe Melo, o Dunga, e os roomates folgados; 

E o troféu vergonha alheia de 2010 vai para...as eleições no Brasil, que tinha tudo para ser a mais interessante e bem debatida da história, para se tornar uma das mais tolas.

E o troféu me mata de orgulho de 2010 vai para...Carol Bueno, minha amiga que se formou em medicina.

Momento surpreendente em 2010 - A Amy Winehouse entrar no restaurante onde eu trabalhava em Londres e quase me matar do coração. Encontrar um amigo completamente por acaso no aeroporto em Lisboa - qual a probabilidade? 

Meu momento "Eu sou Ryka" em 2010 foi...receber um dindin que eu não esperava e viajar para Paris com Pass Museum.

Meu momento "Heleninha Roitman" em 2010 foi...numa balada em Leicester Square, aretuzando no meio do salão. Eu nunca mais faço isso e se fizer só se for com flatmates do lado pra me levar pra casa.

O problema de 2010 foi...o Felipe Melo, o Dunga; a falta de garra do meu time; não saber dizer não; não dar tempo ao tempo para as coisas se resolverem; ansiedade; saudade dos amigos que estavam aqui e agora, saudade dos que estão lá. 

O bom de 2010 foi...ter coragem de encarar qualquer parada. ter mochilardo pela Europa. viver em Londres na raça e no aperto. ter conhecido lugares e pessoas incríveis. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Todas as mulheres do mundo

Ganhei de uma amiga querida o delicioso livro Bordados – quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi, autora de Persepolis. Apelidado de Sex and the City do Irã pela Time Out, o livro relata o cházinho dominical pós almoço entre a avó, tias e primas de Marjane – uma família liberal e de esquerda no Irã, mas que convive com as tradições e machismo – regado com um trico bem humorado sobre relacionamentos e sexualidade.

Ao ler o livro, sinto a deliciosa sensação de ser uma voyuer ouvindo as histórias daquelas mulheres, que vivem uma realidade tão distante da minha, em um país tão diferente, mas com os mesmos desejos. Descobri muito sobre o misterioso Irã que não estão nas notícias de jornal, nem nos discursos amedrontadores do ditador. Foi como entrar dentro da sala de estar, sentar junto a elas, e através de situações cotidianas, descobrir que todas nós temos muito em comum.

O livro é feminista, mas de forma sútil e bem humorada, longe do patrulhismo (as vezes rir é o melhor remédio). Além de ser o equivalente de tricotagem pra gente, a palavra Bordado, na gíria local, também tem o significado de “himenoplastia” - cirurgiã de reconstrução do hímen, discutido algumas vezes entre elas. Porque os desejos são os mesmos, mas as realidade e as tradições são por vezes mais cruéis do lado de lá.

Nessa conversa gostosa, elas concluem que falar da vida alheia e contar suas histórias é uma maneira de ventilar o coração. E só a gente sabe como ventila, não é – inclusive a linda amiga que me presenteou.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Psicose

É triste e cruel confessar isso, mas nada faz a gente se sentir tão bem quanto encontrar alguém pior que nós. É lógico que adoro quando meus amigos tem notícias boas, mas é delicioso também pedir umas cervejas e entre nós, compartilharmos problemas. Daí, leio HTP, Diário de Bridget Jones, e agora Adorável Psicose, para rir da desgraça dos outros, e gente pior do que eu nesse mundo, mas com muita coisa em comum.

Natalia Klein, protagonista, atriz principal e roteirista da série transmitida pelo canal Multishow, tem um blog de humor ácido, sarcástico e debochado chamado Adorável Psicose que deu origem ao seriado homônimo. Nele, ela conta situações reais e cotidianas de uma garota, insegura, paranóica, obsessiva, neurótica, desconfiada, irritada, meio maldosa (assim como eu) que lida com problemas existente e não existentes (mas eu e ela sabemos que eles existem e as pessoas só não confessam para não desmotivar a gente).

A série estreiou dia 17 de outubro e a primeira temporada conta com 5 epísodios de 15 minutos cada. Você pode assistir um trechinho aqui. No primeiro episódio, rolou uma identificação. Pensei: preciso correr para um terapeuta agora mesmo. Assisti ao segundo episódio e mandei uma mensagem para uma amiga tão psicotica quanto eu – você precisa ver isso. Assisti ao terceiro ontem, cheguei no trabalho e confessei que era muito engraçado (mas não disse de maneira nenhuma que me identificava). Daí, a menina do meu lado diz – eu adoro! Super me identifico”. Ufa! Porque se alguém vai até a TV e faz um roteiro pra contar que pe psicotica , só pode ser porque tem um monte de psicótica igual a mim e minha colega de baia para assistir, se identificar e adorar. Que alivio, não estou sozinha no mundo.

Porque toda mulher pode até ser meio Leila Diniz – assim divina – mas toda mulher – seja ela feia, bonita, gorda, magra, baixa, alta, rica, pobre, piriguete, gueixa, virgem, genial, burra, casada, engalhada – é meio neurótica. FATO!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ansiedade

“Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha”
Distração - Zelia Duncan

“Distraída”, “desligada”, “aérea” – amigos próximos sempre usaram essas palavras para me descrever. Não tenho foco suficiente para controlar meu dinheiro, dirigir, atravessar a rua, terminar de ler um livro. Diziam que iria viver muito se continuasse assim. Mas não continuei.

Dia desses acordei com o humor insistentemente intragável. Arrasada e irritada com minha falta de foco. Sempre atrasada, perdi alguns trens. E agora, acordo ansiosa. Apresso-me, mas não sei qual é a plataforma. Desespero-me ainda mais e sinto saudade da menina que andava tropeçando, porque olhava para o céu, assoviava e chutava latas.
A água sempre leva o mesmo tempo para ferver, mas sempre é mais rápido quando você não está olhando. O café não levava eras para ficar pronto, quando tudo parecia menos urgente, e eu preferia o acaso a essa espera que sufoca.