quarta-feira, 2 de maio de 2007

A gente é para o que nasce

Quando se lembra da minha infância, meu pai sempre me conta a mesma história. Uma noite, ele chegou em casa depois de um dia de trabalho e aulas na faculdade, e eu com menos de 4 anos fazia birraça. Ele sentou na cama e me deu umas palmadas. Era a primeira vez que eu apanhava, e também a última.

Como era de se esperar eu chorei. Mas, o que me fez nunca mais apanhar de meu pai foi que em vez de sair correndo chorando, eu corri pros braços dele. Ele sentiu-se tão culpado com a minha reação que nunca mais apanhei e ele sente um remorço até hoje quando se lembra.

Gosto dessa história. Acho que ela diz muito sobre mim e todas as minhas reações até hoje. Essa falta de raiva, esse jeito ingênuo de se defender, e essa vontade de pedir proteção a quem me machuca.
Como é difícil mudar hábitos que parecem ter nascido com a gente.

2 comentários:

Fábio disse...

Falta de raiva é ótimo e saudável. Mas pedir proteção a quem nos machuca pode ser perigoso, né?

Francini Barbosa disse...

Nossa, que lindo isso Mi... Não quero nunca bater nos meus filhos, acho que se um dia fizer isso corto os pulsos em seguida, credo, Me lembro muito bem de uns poucos cascudos que tomei... E um dia me mãe me beliscou, tenho um ódio mortal de beliscão até hoje, mesmo de brincadeira...

Quanto a pedir proteção a quem nos machuca, nem me fale...

bjos