terça-feira, 13 de dezembro de 2011

E foi então que eu descobri


Uma colega bateu o carro. Coisa à toa, sem danos a ela, e apenas uns arranhões de leve na lataria. Mas é sempre aquela situação desagradável. Essa situação simples e cotidiana simbolizou o fim de seu casamento. Justo naquela hora, quando se tem vontade de ligar para alguém, que te oriente, que te socorra, ou ao menos que te escute e deixe você despejar sua irritação, pois justo naquela hora ela não ligou para o marido. Ligou para o amante. Pimba. Deu-se conta que o amante já era muito mais que seu parceiro de cama, era seu amparo, o primeiro grito que lhe vem à boca, tal qual uma criança pediria a mãe de imediato quando tropeça.

Dias atrás fui assaltada na porta de casa. Mal se configura um assalto já que os pivetes não estavam armados e eu não tinha dinheiro. Nada grave, além do susto. E pimba, liguei para ele. Contei para ele o acontecido e ao desligar, lembrei da história dessa colega e conclui que bem, ele já era muito para mim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não percamos o romantismo

“Não percamos o romantismo” foi o comentário da Bel no último post em que eu falava sobre o casamento muito feliz da minha irmã. De fato, isso é animador. A Drica me escreveu contando que estava feliz porque o marido está contente por ter visitado um estádio de futebol em Milão na lua de mel. A paixão é dele, mas ela fica feliz ao vê-lo alegre e isso é amor puro. E se o amor existe, um dia há de chegar. Vale repetir como mantra para não amargar.

Mas sabe, Bel, está difícil não amargar. Eu supero, não sem tristeza, o fim de um amor, paixão, namoro, ou algo do gênero. Consigo manter a sensatez e principalmente a esperança no futuro. De fato, eu acredito que os bons momentos chegam a compensar os maus. E que viver um amor é algo tão sublime que vale o risco e até mesmos as dores causadas por isso. A gente chora, pode até perder a crença no amor eterno, mas ainda assim acredita que há amor, ao menos, que houve. Acredito que as tristezas têm fim e que depois de um tempo, a dor perde força e passamos a nos lembrar daquele momento sem pesar.

Mas o que me amarga não é o fim de um amor, mas a falta do amor. São os anos passando, indo a bares charmosos ou restaurantes gostosos com um par interessante e interessado, que te envaidece em elogios. Eu ali olhando para ele e pensando em silencio “seja sincero e goste de mim, por favor” e sem mesmo estar apaixonada, mas apontando mentalmente “eu seria capaz de amar esse homem” – ao enumerar qualidades do moço que eu teimo em buscar.

E assim sigo em situações repetitivas, sentando a mesa com esperança, ouvindo conversa mole, já sabendo como a história tende a terminar, com um último beijo frio após poucas semanas, ele nem parecendo notar meu bom papo, a sensação de que ele não vai mais aparecer, e sem ao menos saber se de fato quero que ele apareça trazendo consigo aquela incomoda secura, a falta das palavras que quero ouvir, e gestos pensados para agradar, mas só por pouco tempo. O que me amarga não são os fins dos amores. Esses fazem tocar na mente músicas romanticas, esboçar poesias depressivas, me fazem sentir uma leva de emoções. Mas as promessas que não acontecem, os rapazes frios que não parecem querer que aconteçam, e que por eles mesmos, nem merecem acontecer, esses parecem que aos poucos me secam e me deixam melancolica. Esses não amores é que me matam. 

retomando...

Não postava há muito tempo. Por falta de tempo, de assunto, de vontade mesmo por achar narcisista demais ter um blog pessoal. Daí, postei mais para deixar um registro para que eu pudesse ler mais tarde, e o Fabio e a Bel logo comentam e me animarem a voltar a postar qualquer bobagem. Nem que seja para organizar as ideias, continuo a postar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Minha princesa


Talvez a coisa mais invejável que eu tenha nessa vida seja a cumplicidade com minha irmã. Um elo forte, um amor enorme que me deixaram com vários nós na garganta nesse fim de semana.

Ela era a boneca mais bonita que eu já tinha visto quando a vi chegando no colo da minha mãe e ontem, novamente, ela parecia uma boneca de porcelana. Tão branquinha, linda, apaixonada, segura e radiante. Fiquei tentando lembrar quando ela deixou de ser a menininha que ficava escondida de todos atrás de mim, me puxando pela barra da camiseta, falando em tom inaudível para que somente eu pudesse ser sua voz, para se tornar a mulher que anda sempre à frente, puxando-me pela mão, pisando firme no chão e que invejavelmente, sabe tudo o que quer e o que não quer.

Ontem, ela estava assim, plena. Solta na pista de dança como nunca tinha visto. E eu ficava ali ao redor dela, quieta da forma que nunca sou. Queria vê-la brilhar. Queria que ela soubesse que eu estava ao lado dela. Queria capturar aquele momento dela. E queria  que meu olhar pudesse abençoar a felicidade dela para sempre.

Hoje, acordei com o telefone tocando e cama ao lado da minha vazia. Torcia para que fosse ela, para fofocar sobre a festa de casamento, mas não era. Não via a hora de ligar para ela em sua nova casa, mas sabia que seria inconveniente. Até que ela finalmente ligou e meu mundo ficou completo.

É muito especial ver um casal como a Drica e o Thiaguinho. Eles me fazem ter fé no amor. Ao longo dos anos de namoro, ele já fez dela alguém visivelmente melhor, mais tolerante, mais doce, mais feliz. Um casal de lealdade e afinidade ímpar, que depois de seis anos se casaram simplesmente por amor e com olhos apaixonadíssimos. Eles mostram pra mim todos os dias, que o cotidiano cinza também tem toques de contos de fadas e me emociona ver que é a minha pequena princesinha quem protagoniza a história.

sábado, 18 de junho de 2011

Amor em tempos de cólera

E no meio da fumaça, pancadaria e toda a confusão gerada por vandalos apaixonados por hoquei no gelo, havia um casal não menos apaixonado se beijando. "O momento" tornou-se celébre pela velocidade como tudo se espalha na internet e graças ao acaso e astucia do fotógrafo Rich Lam, que cobria o motim em Vancouver.

Vi a foto no site do Globo Esporte junto a matéria sobre a confusão, que resultou em 150 feridos e 100 presos, após a derrota de Boston Bruins na final da liga NHL. A principio, a foto sobre o assunto sério me causou gargalhadas. Pensei que fosse uma encenação ou montagem que desatentamente teria ido para os jornais. Depois, imaginei a cena do jovem casal com desejo tão voraz a ponto de ir ao chão aos beijos,  esquecer a confusão e nem notarem que foram fotografados. Mas não foi nada disso. O casal já foi identificado. Os namorados Scott Jones e Alexandra Thomas assistiam ao jogo e durante o motim, a garota foi ferida e caiu ao chão. O namorado aproximou-se para conforta-la e a beijou. Agora a foto não só faz sentido como ficou ainda mais bonita.


O fotografo diz não ter notado o casal, mas duas pessoas caidas ao chão. E sem querer registrou o momento singular e inesperado e suas fotos de incidente que estampariam apenas as primeiras páginas de jornais locais, tornaram-se frisson mundial.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Amor em tempos de dieta

Ele – posso te chamar para tomar um drink?
Ela – hmm, não bebo. (um copo de cerveja equivale a um pãozinho francês – pensou consigo)
Ele – Então, posso te chamar para jantar? Jantar você janta, né?
Ela – Tampouco. A noite é só um shake.

domingo, 12 de junho de 2011

Eu, ele e um elefante

Estávamos eu, ele e um elefante sentados a mesa de um bar. Todos calados. Nenhum dos três sob efeito de alucinógenos, nem mesmo álcool. Mas nós podiamos notar claramente que havia um elefante sentado à mesa conosco.
Podiamos falar sobre tudo – aliás, ele fala sobre tudo o que eu gosto, tudo o que eu entendo. Só não poderíamos falar sobre uma coisa: o elefante sentado conosco a mesa – regra velada. E passamos uma hora ali – eu, ele, a mesa quadrada entre nós sob uma jarra de suco de laranja azedo e a desconfortável e gigantesca companhia do elefante calado.
Fomos embora cada um para seu lado. Não vi para onde o elefante foi, mas acho que ele estará sempre conosco.

sábado, 14 de maio de 2011

A melhor lição de amor

Meu pai veio para se sentar a mesa conosco no domingo. Não é mais a primeira vez, mas é sempre especial. Nem tanto por estar perto, já que poderia estar comigo qualquer outro dia, mas por ver minha mãe, minha generosa guerreira, dando a maior lição de amor que poderia, de forma silenciosa.

A dona Bete é falante, expressa seu carinho com gestos largos, comidas caprichadas e palavras açucaradas em bom tom. Tem pitacos, lições e conselhos para tudo. Mas não se dá conta que a maior lição que me deu foi o perdão ao meu pai, foi aceitá-lo em nossa mesa, toda vez que prepara bolo de carne ou feijoada, os favoritos dele (alias, ele só come feijoada se ela fizer).

Eles se separaram há mais de 10 anos com feridas enormes nela. Achei que nunca cicatrizariam. Mas o tempo foi passando e a raiva diluiu. O que sobrou foi o que sempre existiu: o amor entre eles. Com uma separação em casa, eu deixei de sonhar com amores eternos de filmes e contos de fadas. Só que ao lado deles, passei a acreditar num outro tipo de amor para toda vida, de pessoas que não sabem viver sem o outro, mas não precisam dividir a mesma cama.

Perdoar é a maior prova de amor que alguém pode dar, pelo menos, é a mais dificil. E o perdão dela foi generoso com ele, com ela, e comigo. Eu não lembro ao certo quando foi isso, porque foi aos poucos, mas nos tornamos uma família feliz e harmoniosa. Talvez a mais feliz e harmoniosa que possa existir.

As portas foram se abrindo, e hoje, meu pai voltou a abrir a geladeira de casa sem cerimônia. Sua presença já virou tão rotineira que ele traz até o jornal aos domingos pra ler comigo, enquanto minha mãe cozinha. Anda pela casa reclamando da bagunça, roubando uma fruta, mexendo no controle da TV. Não é mais preciso palavras pra dizer que ele é bem-vindo. O silêncio, os resmungos, a bagunça confessa nossa intimidade. E nossa intimidade evidência que ali vive uma família feliz, sem mágoas, com todas as feridas já expostas e cicatrizadas.

Meu pai e minha mãe vivem hoje (cada um em uma casa) como vivem os casais que passaram dos 60 - como dois amigos resmungões, mas que não vivem longe um do outro. Ele leva ela para fazer um exame, ela marca médico para ele, se preocupam um com outro. Acho mesmo que se amam. Salvaram o que funcionava - a amizade, o carinho, o cuidado.

Parece coisa de religioso, mas acho que a salvação está no perdão. Não no de Deus - que eu não quero esperar pelo dele - mas no nosso - no coração limpo, que não tem lugar para amarguras.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Rápido como miojo


Peguei daqui.

Não se combate loucura, se combate armas

Não há como não se horrorizar com a tragédia de Realengo. E não há palavras que expressem o luto. As discussões excessivas e acaloradas sobre o que motivava o assassino são inconclusivas e tardias. Sobre a segurança de escolas, sem sentido. Não fosse lá, teria sido no meio da rua, no cinema, ou na festinha infantil.

Discuti-se o porquê o assassino ter matado mais meninas. Pode ser crime de ódio? Pode. Pode ter sido a esmo? Pode. Não há como saber agora e não teria sido menos trágico se o numero de rapazes fosse maior, a não ser para incluirmos em estatísticas que mudam pouco a realidade. Teria Wellington sofrido bullying? Provável, mas também pouco justifica.

Mas o que me fez respirar aliviada foi saber que o assassino tinha se matado ao final. Porque não fora isso, estivesse ele foragido (o que seria assustador), ou preso em segurança máxima, estaríamos agora mobilizados em discussões acaloradas sobre pena de morte. Porque assassinato em massa, de crianças inocentes, é tão imperdoável, que até militantes de direitos humanos por um momento poderiam ter esse desejo. E essa não é a discussão que eu queria ouvir e me enojaria tanto quanto me enoja o assassino de crianças.

Antes estamos revendo o documentário “Tiros em Columbine” de Michael Moore para entender o que houve e rediscutindo o desarmamento, colocando pulga e muitos outros bichos inquietantes atrás das orelhas daqueles que achavam e decidiram que carregar arma é um direito do cidadão e votaram “Não” ao desarmamento.

As armas que Wellington carragava podem ser adquiridas legalmente por qualquer pessoa maior de 25 anos, devidamente cadastrada com curso para manuseio (uma licença para matar, porque essa é a unica utilidade que uma arma de fogo tem). Ok, o assassino não tinha porte legal, nem nota fiscal para tanta munição. E para o trafico não há defensores. Mas de onde vem as armas dos tráfico? De roubos a colecionadores, lojas legalizadas, e indústrias como Taurus que alegava na época que empregos deveriam ser protegidos (qual valor é maior?).

E para quem acha que o desarmamento só desarmaria os cidadãos de bens, vale lembrar, que até então, Wellington poderia ser considerado um cidadão de bem, com uma ficha limpa. Loucos sempre existiram e sempre existirão, em países miseraveis ou riquissimos - a diferença é que se existirem armas, mais cedo ou mais tarde elas podem cair nas mãos dos loucos patologicos, dos que perdem a cabeça, e dos perversos.

E quantos loucos mais terão por aí? Loucos existem em qualquer canto, mas sem armas de fogo eles são bem menos perigosos.

Para por fim à indecisão


Uma das verdades da vida resumida em um simples quadrinho. Achei genial.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Insensato Coração - demorou, mas acertou

Esperei com ansiedade Insesato Coração ir ao ar, só porque era o glorioso Gilberto Braga novamente. Adorei o agitado primeiro capitulo cheio de boas promessas e elenco impecável. Depois, o dramalhão rasgado me deixou fatigada. Pesaram na mão com tantos barracos, gritarias e desgraças em cima de desgraça. O talentoso casal central não convenceu. Mudei de canal. Mas agora, parece que pouco a pouco, eles estão acertando e equilibrando melhor a trama que já prometia cheia de belos personagens.
Pra começar, Gabriel Braga Nunes, você é um cara de sorte. Fabio Assunção é internado, sai do elenco quando as cortinas estão prestes a abrir, e o ator ganha um vilão memorável. Não gosto dos assassinos sanguinários, dos crápulas psicóticos com problemas familiares, gosto daqueles que tem inveja, vaidade, ganância, e falta de qualquer escrúpulo para se dar bem na vida – os verossímeis. Depois de criar as vilãs inesquecíveis, Maria de Fátima, Gloria Pires em Vale Tudo e Laura Prado, Claudia Abreu em Celebridades; deu Olavo a Wagner Moura em Paraíso Tropical, e agora, Leo a Gabriel.
Quem não morreu de pena da pobre Norma, interpretada pela magistral Gloria Pires, iludida, roubada e ferrada na mão do moço. Que além de lhe dar o pé na bunda, a leva a cadeia e ainda diz “eu rezo uns pai-nossos, umas aves-marias e Deus me perdoa”. Vai ser cínico assim em novela do Gilberto.
Depois, recheia a trama com pequenos vilões, nem tão chapados assim. A Tia Nenê, uma pobre velhinha que extorque a todos com sua carinha de coitada; a arrogante e estérica Eunice, que quer o glamour da high-society puxando o saco de todos – o melhor, não engana ninguém; o decadente sem perder a pose José Abreu, que vive as custas da filha; a mãe deslumbrada, cínica e com uma ingenuidade conveniente, Wanda; o vaidoso cafajeste André; e a alpinista social deslumbrada Natalie.
Sem ser didático, como Gloria Peres e Manoel Carlos, Gilberto está falando de homofobia na novela de forma amarrada à trama, sem pieguices. Se o casal central não funcionou, Camila Pitanga e Lazaro Ramos prometem - no romance entre a mulher moderna e o homem que perdido na modernidade vira um Peter Pan e que a moça tem de ensinar a crescer.
Tem muito ainda a acontecer e o que gosto nas novelas de Gilberto é que as ações e turn points acontecem todos os capítulos. E ainda por cima tem uma trilha primorosa com Satisfaction do Rolling Stones para embalar o vilão Leo (perfeito!); além de Nana Caymi e Trocando em Miudos pela Betania para as dores de cotovelo.

Maria Borralheira


Saí do armário e assumo: gosto de BBB. Há 10 anos, eu fazia parte do coro que maldizia o programa e tamanha futilidade. Mas este ano, o primeiro em que o Big Brother veio acompanhado do Twitter e Facebook (a edição passada eu não assisti, porque estava fora do país), notei que o coro mudou o tom e agora torcia, comentava e ovacionava o programa. E se eu já espiava vez em quando, nessa edição, acompanhei e torci (por Maria e Daniel). A cauda longa deixou tudo mais interessante, ao me deixar espiar dentro da casa e a reação imediata dos “julgadores” dos brothers. Afinal, julgar é o grande apelo do programa, muito maior que a curiosidade de observá-los diariamente. E agora, a gente julga, vota e até influencia outros votos se quiser.

Eu achava as outras edições entediantes, odiava os barracos, e considerava os participantes irritantes, ogros, fakes e detestáveis. Até chegar essa edição em que eu gostei de vários deles: Talula, Diana, Daniel, Lucival, Wesley. Mas sobretudo, me encantei com Maria, a campeã. Ela é divertida, carismática, a ponto de não ser opção de voto de quase ninguém dentro da casa. E tão espontânea que parecia não estar jogando, ao se lixar se estava queimando seu filme frente a seus jurados de seu caráter, quando se arrastava de forma ridícula atrás de Maumau e quando ficou com o Wesley.

A Grazi, uma ex-BBB a qual simpatizo, ficou entre finalistas e também porque era espontânea, linda, bem-humorada, simples, leal e simpática. Grazi Massafera é a barbi gente boa – tudo que você quer ser (eu queria ser linda e comilona como ela). Mas a Maria não é o que eu quero ser, é boa parte do que eu sou. Porque, né, quem não diz besteiras e é zombada por isso? Quem não cantarola letras erradas? Quem não bebe e dá barraco? E principalmente, quem não vai atrás do cara errado só por pirraça e faz papel ridículo? Confesso que já fiz e que atire a primeira pedra quem nunca fez.

Mas ela fez melhor, porque virou o jogo. Gritou breaca “Quer, quer, não quer, tem quem queira”, pegou o seu filet loirão, e ficou milionária. Maria é boa parte do que sou e ainda tem tudo o que eu quero ter – um milhão e meio no bolso, ser adorada por todos, e com um médico filet, carinhoso, e gentil. Ah, Maria é a Cinderela que me traz esperanças.

Lá pela metade do programa, chegou a insuportável Adriana dizendo que Maria sairia no primeiro paredão, porque o público não gosta de quem fica com dois na casa. Chupa, sonsa. A gente adora, e gosta mesmo é de quem não pensa no que os outros vão pensar, sofre, se descabela, e se diverte.

terça-feira, 15 de março de 2011

As rainhas do carnaval

Mulatas ou loiraças de corpos esculturais seminuas a frente da bateria, destaques em carros alegoricos, e passistas são sempre um famoso símbolo do carnaval. Mas há mulheres a frente não apenas da bateria, mas da escola inteira. Que me desculpem as musas, mas essas são as verdadeiras majestades do Carnaval.

Em São Paulo, duas das três principais escolas de samba são presididas por mulheres, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro. Solange Bichara e Angelina Basilio são as rainhas que fazem o carnaval acontecer debaixo de chuva, com enchetes que destroem barracões, empolgando a bateria para que toquem com garra e capricho, os foliões para que cantem com vigor o samba da escola, lutando contra o tempo para as fantasias e alegorias ficarem prontas com o esmero necessário para encantar o juri e levantar o sambodromo.

Mulheres fortes, coloridas, energicas e alegres que gritam, vibram e não param um segundo até o fim do Carnaval para fazer sua escola brilhar e acumular titulos. No Rio, é a poderosa e destemida Regina Duran que arregaça as mangas para a Salgueiro fazer bonito todos os anos. E a Vila Isabel conquistou o quarto lugar esse ano com a inspiração de uma das poucas (até hoje) mulheres carnavalescas - Rosa Magalhães.

Porque se samba é um dom, o bom é poder ser o que você quiser: a colombina, a musa sarada e popozuda, a puxadora do samba, a que não é musa mas destrói na bateria, a porta-bandeira e até a comandante do espetáculo.

Solange da Mocidade
Angelina da Rosas

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ronaldo Futebol Clube


Como corintiana não me espantava sua aposentadoria – e acho que as razões eram nítidas aos olhos de qualquer um. Para a torcida tão intensa, que o recebera como rei mesmo gordo e destronado e agora pedia sua saída aos pontapés, era até um alivio. Sem trocadilhos, mas ele era um peso ao time, com salário de estrela e futebol a desejar, sem garra, paixão e aquela marotice que sempre me fez admira-lo.

Mas como fã, sofri e me emocionei, ao vê-lo se despedir. Não dá pra se lamentar e dizer que os jogos no Pacaembu terão menos brilho. Ele já não brilhava. O que me faz sofrer é me imaginar jovem ainda – 34 anos – tendo que abrir mão não só de sua carreira, mas de sua grande paixão. Deve ser cruel para atletas, que dependem de seu corpo. A cabeça mais madura, sabe cada vez melhor como se posicionar em campo, como tocar a bola, como deve ser cada jogada, mas o corpo te limita. Ronaldo disse com lágrimas nos olhos – “perdi para o meu corpo”, envelhecido, gordo e desgastado depois de ser o mesmo corpo, joelho e pernas que lhe deram tantas glorias, mesmo depois de 8! cirurgias.

Dizem que Ronaldo não soube parar, foi parado (assim como outro ídolo meu, Guga). Poderia ter se aposentado em tempos de gloria, mais jovem e quando ainda o chamavam de Fenômeno e não de Gordo. Mas futebol era tanto sua paixão, que jogou até o fim e isso me faz gostar tanto dele. Ele foi bem pago para voltar a jogar, mas acho que quando se tem tantos e tantos milhões, uns a mais já nem fazem tanta diferença. A diferença era ainda ouvir uma torcida imensa e louca gritar por ele – isso deve dar um tesão alucinante e viciante, que deve ser doloroso jogar a toalha e desistir.

Mesmo assim, o rei decadente teve uma semana de reverencias no mundo todo. Porque o Fenômeno não é Timão, não é Brasil, ele embasbacou o mundo com sua habilidade e velocidade com a bola – o cara que corria, driblava e finalizava, como se estivéssemos assistindo jogos de vídeo-game.

Ele se aposenta com uma historia que ninguém lhe tira - é ainda o maior artilheiro em Copas do Mundo (15 gols), jogou nos melhores times do mundo, foi a 4 copas do mundo, ganhou duas, uma no banco, outra na raça após uma grave lesão no joelho direito, e se fosse outra coisa que não brasileiro, teria voltado da França em 98 como herói que brilhou em campos, nos levou para a final e perdeu para o time que jogava em casa e com outro grande fenômeno em sua melhor fase: Zinedine Zidane.

Não me importa as polemicas, peso, convulsão, festas, travestis – com currículo mais extenso nessa área Maradona é Deus na Argentina – e eu sou Ronaldo Futebol Clube pra sempre, por sua paixão de jogar, suas jogadas geniais, sua capacidade de superação, por ter me dado tantas emoções, e ter me feito feliz ao trazer a taça de 2002, e ao poder comemorar ao vivo seus gols no Pacaembu pelo nosso Timão.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Por que amo Amy

Amy é a rainha dos escandalos. Seus porres chegam antes de seu talento e algumas vezes quando declaro minha admiração pela musa junk, anorexica, cheia de vicios, tenho que me explicar.

Claro que amo Amy porque ela tem a melhor voz de uma geração. Mesmo outras lindas vozes que recuperaram o jazz, tem um tom mais suave, mais baixo – o qual eu também amo – mas só ela tem a voz forte e poderosa, como herdada de grandes divas tão loucas e sofredoras como ela – algo como Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holliday e outras damas black.

E só pela fato dela reviver e até apresentar a minha geração e aos mais novos o melhor do genuíno black – em seu aclamado álbum Back to Black – ela já merecia minha devoção. Não é pouca coisa – há anos produtores devem ter esperado encontrar uma mulher com voz de diva e composições carregadas de emoção. 

Acima de tudo, amo Amy porque ela é forte e corajosa o suficiente para expor suas dores, mágoas e defeitos em suas musicas, em cima do palco e em primeiras páginas de tablóides. Ela é genial – sabe disso – e poderia andar firme e poderosa, arrastando todo seu talento, mas a pobre é frágil como uma menina que mal se mantém em pé.

Em shows, Amy confessa que morreu cem vezes – na linda Back to Black -, depois conta que se deprime ao cantar em sequencia músicas que compôs em momentos tão tristes; bebe e cai no palco. Cada vez que isso acontece, eu tenho vontade dar a mão a ela, ajuda-la, ampara-la, como se fosse uma amiga que me faz sentir tanta compaixão. Vamos Amy, levante, precisamos de você. Tão dúbio ter a voz tão poderosa, forte e grave, ao mesmo tempo ser alguém tão frágil, que parece não resistir a nada. Amo Amy justamente porque também sou dúbia. 

Eu amo Amy porque ela tem toda a intensidade, tristeza, descompasso, exageros e explosões. Eu amo Amy porque não vou ao fundo do poço como ela em minhas fossas, não piro, nem alucino, mas dentro de minha sensatez, sanidade e boa postura, reside uma parte que explode, grita, geme, caí, levanta, morre várias vezes, não tem lucidez alguma, mas dores, amores, magoas e loucura. Amo Amy porque sou uma medíocre que só pode guardar esse lado obscuro, porque existem gênios como o de Amy, que gritam e morrem por mim, para que eu não vá ao fundo do poço e para viver um pouco dessa intensidade basta ouvi-la.

Ah, Amy, eu também go back to black, eu também já morri mil vezes, eu também sou má. Obrigada por existir em meio a tanta mediocridade que sobem aos palcos com sons mecanizados, efeitos pirotécnicos,  roupas esquisitas e tão pouco a dizer.

Minha geração não tem mais Nina Simone, Nirvana, Rolling Stones, Cazuza, Mutantes ou Raul, mas temos você. E ainda bem. Porque é lógico que precisamos de ídolos com personalidades exemplares como Bono Vox, mas tenho medo de uma geração que só tenha a chatice do U2, tão certinho e com mensagens positivas. Também precisamos de  ídolos de carne e osso, como Amy, para podermos escoar nossas loucuras, sem ser tão louca assim.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Inabilidade

Na balada, semanas atrás:

Eu - Meus Deus do Céu! O que é aquele cara?!
Carol - Olha, ele piscou pra você!
Bruna - Vai, pisca pra ele de volta.
Eu - Mas é que eu não sei piscar de um olho só.

Treinei nos dias seguintes em frente ao espelho, com alguma melhora, mas sem grandes sucessos. E pra piorar, o moço piscante era tão gato, mas tão gato, que ao vê-lo facinho daquele jeito (quem pisca?), pensei logo, deve ser michê.

Feliz Caderno Novo

Comprei um caderno novo. Ter um caderno novo, limpo, com folhas em branco esperando para ser preenchidas, quiçá com muitas coisas boas, é uma sensação de renovação. Até mesmo os alunos mais desleixados, quando compram um caderno novo saem da papelaria prontos para conquistar o mundo, ir a Harvard, fundar o google ou ser o próximo Nobel da Literatura.

Eu vou só começar o ano e também um novo trabalho. As primeiras páginas ganharam apotamentos, com sublinhados e multicores sobre o novo emprego, a nova área, novos contatos. Até que é um bom começo para um caderno novo.

Feliz Caderno Novo!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

2010 pelo retrovisor

Eu andei reclamona nos últimos tempos, mas olhando pra trás, 2010 pareceu o ano inesquecível. Em 2/3 dele, vivi o sonho de morar em Londres. O 1/3 restante, que parece ter voado, veio com muita sorte (mais no jogo, que no amor). Consegui mais do que eu desejei a meia-noite do dia 31 de dezembro de 2009. E o que não consegui, tem aí mais 12 meses novinhos para batalhar.

Tem um meme rolando entre vários blogueiros e decidi entrar na ciranda do jeito gracioso de fazer retrospectivas. Aí vai o meu: 

Meu lugar favorito de 2010 – Em 2010, conheci os lugares que sempre sonhei. As lindas e surpreendentes cidades: Paris, Barcelona, Edinburgh, Highlands, Lisboa, Amsterdam, Veneza, Florença, Praga...Mas de todos os lugares, o meu favorito foi a cozinha da minha casa em Londres. Eu chegava em casa e ia direto para lá, ter conversas intermináveis com o Marcílio, porres com o Leo, risadas com o Marc, jantares gostosos com a Bella, abraços e cafés com o David, queijos e vinhos com a Thais e muita bagunça com todos, sempre.

Se ali não me bastasse, ia a Southbank, caminhava a beira do rio, pensava na vida e voltava para casa mais leve. Saudade daquele rio.

O melhor dia de 2010 – foi o dia que minha mãe e minha irmã chegaram ao aeroporto de Healthrow para me visitar em Londres. Eu tava com uma saudade louca delas, super ansiosa, e chorei um tanto abraçada a minha mãe. Naquela noite, dormimos como quando eramos crianças, eu, minha irmã e minha mãe na mesma cama. Só pra não se separar nem um pouquinho.

A minha música favorita de 2010 - Não é de 2010, mas a todo lugar que eu ia, começava a tocar “I had the time of my life..” - a trilha sonora do Dirty Dancing. Eu me segurava para não achar que estava em um musical e sempre pensava que aquela música fazia sentido naquele momento. E eu sempre escutava no iPod - Coração Vagabundo - "Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim"

Em 2010 eu, pela primeira vez... - assisti a seleção brasileira jogar ao vivo; mochilei pela Europa; e mais umas coisinhas divertidas que não cabe contar aqui. 

Em 2010 eu pensei em fugir para … Barcelona.

Meu pior dia de 2010 – não lembro. Memória é seletiva.

Em 2010, eu tentei e não consegui – arrumar um emprego permanente e fazer bolo de cenoura;

Meu melhor presente de 2010 – o bolo de rolo que a Paola me levou em Londres; a cafeteira italiana que o David deu pra mim (como vivi sem ela?), e o jantar de boas-vindas do Paulinho.

A melhor compra de 2010 – o ticket do Interrail - viajei de trem pela Europa de um jeito super barato e com liberdade para pegar o trem para onde quisesse a hora que quisesse. Valia até se perder (como me perdi, acordando numa cidade de nome complicado na Eslovenia em vez de Florença).

Meu filme preferido em 2010 – Hmm, acho que vi tão poucos filmes...então, Tropa de Elite 2.

Meu blog preferido em 2010100 mililitros - eu já gostava muito dele em 2009, mas agora, eu leio para matar saudades também. Também descobri em 2010, os blogs da Deborah Klabin e da Natalia Klein (Fran e Bel eu quero mais atualizações para recomendar o de vocês, que tem excelentes velhos posts).

Além dos blogs que adorei ler, me diverti muito escrevendo o meu blog/diario de viagem Lena in London, ele foi parceiro e ouviu todos meus encantos e reclamações.

Meu vídeo do YouTube em 2010 – pulo. A Cerimônia tá no YouTube, Fran? Se tiver é o meu favorito de 2010.

Meu livro favorito – vergonha confessar, mas os dois diários de Bridget Jones. Era muito legal ler as descrições dos supermercados onde eu também fazia compras, as lojas, as comidas inglesas, e os pubs londrinos. 

Meu parceiro/a de 2010 – Marcilio - o melhor flatmate que alguém pode ter e o amigo que quero para sempre. 

Meu show preferido de 2010 – Já que lamentavelmente perdi o show do Paul, (por pobreza) e da Norah Jones (por motivo bom e inadiável) me contentei com Black Eye Peas, em que fui na faixa, vendendo cervejas. A produção é incrivel e qualquer um sabe cantar todas as músicas - goste delas ou não. Mas eu gritei mesmo foi no show da Maria Rita na Koko em Londres.

Em 2010 eu consegui...passar no teste do Cambridge, viajar sozinha, curtir dois verões um na Europa outro no Brasil, renovar minha licença no trabalho, cuidar da minha pele, não ganhar peso(o que não significa perder, mas empate fora de casa já é vitória ). 

Em 2010 tive inveja de... da Marmota que morava em Barcelona. Agora, eu também quero morar lá. Também ando sentindo inveja de quem mora sozinho em qualquer canto do mundo.

Em 2010 eu quase...quase me apaixonei, quase despiroquei, quase surtei, quase fui demitida,  quase fui deportada, quase fui contratada, quase fui a Grécia e a Túrquia.

Em 2010 eu descobri que...eu nunca mais estarei completa...eu sempre vou sentir saudade daqui ou de lá.

Em 2010 eu quis matar...o Felipe Melo, o Dunga, e os roomates folgados; 

E o troféu vergonha alheia de 2010 vai para...as eleições no Brasil, que tinha tudo para ser a mais interessante e bem debatida da história, para se tornar uma das mais tolas.

E o troféu me mata de orgulho de 2010 vai para...Carol Bueno, minha amiga que se formou em medicina.

Momento surpreendente em 2010 - A Amy Winehouse entrar no restaurante onde eu trabalhava em Londres e quase me matar do coração. Encontrar um amigo completamente por acaso no aeroporto em Lisboa - qual a probabilidade? 

Meu momento "Eu sou Ryka" em 2010 foi...receber um dindin que eu não esperava e viajar para Paris com Pass Museum.

Meu momento "Heleninha Roitman" em 2010 foi...numa balada em Leicester Square, aretuzando no meio do salão. Eu nunca mais faço isso e se fizer só se for com flatmates do lado pra me levar pra casa.

O problema de 2010 foi...o Felipe Melo, o Dunga; a falta de garra do meu time; não saber dizer não; não dar tempo ao tempo para as coisas se resolverem; ansiedade; saudade dos amigos que estavam aqui e agora, saudade dos que estão lá. 

O bom de 2010 foi...ter coragem de encarar qualquer parada. ter mochilardo pela Europa. viver em Londres na raça e no aperto. ter conhecido lugares e pessoas incríveis. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Todas as mulheres do mundo

Ganhei de uma amiga querida o delicioso livro Bordados – quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi, autora de Persepolis. Apelidado de Sex and the City do Irã pela Time Out, o livro relata o cházinho dominical pós almoço entre a avó, tias e primas de Marjane – uma família liberal e de esquerda no Irã, mas que convive com as tradições e machismo – regado com um trico bem humorado sobre relacionamentos e sexualidade.

Ao ler o livro, sinto a deliciosa sensação de ser uma voyuer ouvindo as histórias daquelas mulheres, que vivem uma realidade tão distante da minha, em um país tão diferente, mas com os mesmos desejos. Descobri muito sobre o misterioso Irã que não estão nas notícias de jornal, nem nos discursos amedrontadores do ditador. Foi como entrar dentro da sala de estar, sentar junto a elas, e através de situações cotidianas, descobrir que todas nós temos muito em comum.

O livro é feminista, mas de forma sútil e bem humorada, longe do patrulhismo (as vezes rir é o melhor remédio). Além de ser o equivalente de tricotagem pra gente, a palavra Bordado, na gíria local, também tem o significado de “himenoplastia” - cirurgiã de reconstrução do hímen, discutido algumas vezes entre elas. Porque os desejos são os mesmos, mas as realidade e as tradições são por vezes mais cruéis do lado de lá.

Nessa conversa gostosa, elas concluem que falar da vida alheia e contar suas histórias é uma maneira de ventilar o coração. E só a gente sabe como ventila, não é – inclusive a linda amiga que me presenteou.