quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Lugares comuns

Já reparou que em São Paulo quase não há lugares comuns entre privilegiados e não privilegiados? Conheço muita gente enjaulada - não andam mais ao ar livre, estão no carro, casa, escritório, shopping, balada, academia, clube, universidade - tudo com ar condicionado. Não tem contato com quem não foi convidado a pertencer ao seu mundo, e algumas vezes até coloca segurança na porta, pra ter certeza que mais ninguém vai entrar sem convite. O próprio litoral se divide. No Litoral Sul a classe C é permitida, mas em Pitangueiras no Guarujá, por exemplo, os prédios da orla tem funcionários que acordam bem cedo e já fazem uma espécie de cercado com guarda-sol e cadeiras para os moradores. Assim mesmo que acordem tarde, eles já terão seu espaço reservado. Farofeiro que fez bate e volta, ou alguém que tenha casa distante da praia, tá fora do cercado, excluido da praia.

Já os cariocas podem até desejar, mas não conseguem se livrar de lugares comuns. A praia é comum a todos. Criam a Barra, o piscinão de Ramos, fazem festa de reveillon na Zona Norte, mas não tem jeito. A galera do Vidigal tem vista pro mar e desce até o Leblon ou São Conrado. Se algum personagem do Manoel Carlos, a Ana Maria Braga ou o Chico Buarque quiserem dar um mergulho vai ter a companhia da galera de cima. Reveillon em Copa, você pode até comprar por R$300 o jantar na área VIP e isolada dos novos quiosques enjoados da orla, mas a bala perdida disparada lá no meio pode atingir você.

Não sei se ter esses lugares comuns é bom ou ruim. Mas acho interessante que redomas sejam quebradas, os lugares compartilhados, que todos saibam "eles existem".

8 comentários:

Fábio disse...

Não entendi o seu "não sei se isso é bom ou ruim" em relação às balas perdidas. A dúvida existe mesmo? Você acha mesmo que uma bala perdida pode ser uma coisa boa?

As redomas podem ser quebradas de outra maneira, que não à bala. Não crer nisso é assinar o atestado de conivência com a barbárie, não?

Diego disse...

Esse pensamento me lembra de uma aula de uma tal de Pietra que eu assisti na Casper.

Mesmo sem conhecer o Rio, eu estou de acordo com a maior parte do municipio de Sao Paulo. Contudo, nas periferias, a rua e' o lugar comum. As criancas brincam na rua, as pessoas saem mais, se comprimentam, etc. Mas tambem pode ser o lugar em que a droga coopta, pois o toque de recolher informal e' dado pelos traficantes, ou pela violencia.

O que notei, e' que nos EUA, a situacao fica bem pior. Ainda mais, se se levar em conta Los Angeles. Tudo e' hermeticamente selado, e planejado para que a rua seja maqueada como lugar de passagem. As pessoas ate' estranham se vc vagar so' pela rua. O mais interessante e' que a situacao muda notavelmente quando se vai para as praias daqui. De fato, mais gente se ve, apesar das muitas praias privadas e da falta de transporte publico.

Lena disse...

Fabio,
Claro q não é bom bala perdida. É péssimo. É a pior coisa q pode ocorrer. O "não sei se é bom ou ruim" é a existencia dos lugares comuns.

Fábio disse...

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh tá. Tá explicado.

Depois fiquei lendo de novo o post para perceber direito o que você quis dizer. Foi mal!

:P

JSM disse...

Lugares comuns...

- As ruas da periferia Não são lugar comum. São território de pobres. Os ricos se recusam a vir pra cá.

- O Rio é, de fato, bastante diferente de nós nesse aspecto. A Lapa é bastante sintomática. Tudo se reúne lá. Mas, claro, só "da porta pra fora" das boites.

Francini Barbosa disse...

25 de março!!!! (mais ou menos)

Lá vai quase todo mundo. Claro que não vai toda a burguesia paulistana, mas vai muita patricinha de classe média alta.

bjocas

Emilia disse...

Acho que "lugares comuns" são mais conseqüências do que causas;são conseqüencias da não-diferenciação que as pessoas fazem ou ignoram, sabiamente (na minha opinião).
Concordo que no Rio as coisas parecem mais "comuns" que aqui em São Paulo não se pelo espírito "caiçara" natural (paulistano quando vai à praia vai lá e age ainda como se estivesse em São Paulo) de comunidade ou por causas outras.
Mas acho que isso não acontece só aqui mesmo;meu exemplo de fora seria a Europa,onde eu vi até hoje menos desigualdade financeira e onde todos podem ir a parques,cinemas, etc porém vê-se descaradamente a separação entre europeus e não-europeus (de sangue), diferença sem senso algum no mundo miscigenado mas ainda bem presente por lá.
Acho que o melhor que se tem a fazer é aproveitar esses lugares comuns e ainda vivier "comum" com eles.Viva o que é eclético!

Lena disse...

Tenho medo que um dia cerquem a praia. Nesse Reveillon cercaram parte de Copacabana e vendiam cadeiras com jantar por R$300.