segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Não é uma equação



Filme com boa montagem, trilha, e elenco. E claro, a história em si é muito boa e te causa conflito moral.


A mim, causou ao menos a parte final - o julgamento de João. A juíza se pergunta se o Direito é uma equação: flagrante + confissão - atenuantes = pena. Ela chega a conclusão que não, e é bastante branda. Fiquei um tanto revoltada de ver que o rapaz pegou pena de apenas dois anos de reclusão.


Apesar do filme mostrar o tempo todo que ele é só um menino grande, amoral, não um bandido sanguinário (taí a frase - Meu nome não é Johnny, é João!), poxa, é bandido, é traficante, sim. O advogado de defesa dele pareceu sagaz e mostrou que o réu festeiro não adquiriu bens, não tinha armas, enfim, não fazia parte do crime organizado. Tudo verdade. Mas qual a diferença se ele comprasse uma Ferrari ou se ele gastasse tudo em festa? O crime é como ele conseguiu o dinheiro e não como gastou.


Até que tomo um tapa na cara com a frase final do filme - na legenda - assinada pela juíza do caso. "João Guilherme Estrela é a prova real de que é possível recuperar alguém".


Poxa, então o que eu quero? Uma pena matemática? Por que trafica é trafica e merece mais pena, seja na cadeia ou sanatório? (tô parecendo o capitão nascimento, cruz credo). Ou eu queria que ele se recuperasse da amoralidade dele e de seus vícios? Acho que ele é um caso isolado. Talvez outro não se recuperasse ao encontrar o inferno. Mas por isso mesmo a juíza tem razão: o Direito não é ciência exata.

7 comentários:

Fábio disse...

1) Não consigo ver a imagem que você colocou, humpf.

2) Que bom que João se recuperou, e ele é mesmo a prova viva de que é possível recuperar as pessoas. Mas isso poderia também ter acontecido se tivesse pego uma pena mais rigorosa - aliás, rigorosa, não; simplesmente adequada. E não me sinto nem um pouco o "Capitão Nascimento" falando isso, não... João Estrella roubou o PAÍS, traficou, lucrou com o tráfico, montou uma quadrilha com tentáculos internacionais, enfim, transformou-se em um magnata da droga. Pagou muito, mas muito barato por isso.

3) Excelente filme, excelente atuação do Selton (dã!) e da Cléo, muito-muito-muito-muito melhor que a porcaria do "Tropa de Elite". O que me incomodou muito foi a reação das pessoas gargalhando em várias partes do filme - como se estivessem diante de um episódio do Casseta e Planeta e não diante do Brasil nu e cru.

4) Talvez eu seja mesmo ingênuo, mas fiquei meio abaladinho depois. O filme me chocou um pouco.

Beijo!
=)

Fábio disse...

Ah, cheguei em casa e agora já consigo ver a imagem que você colocou. Devia ser problema do computador da "firma" mesmo, hehe.

;)

Francini Barbosa disse...

Copiando o método do Fábio:

1) se fosse negro e pobre, não estava vivo pra contar a história;

2)é um exemplo de impunidade, não de recuperação. O letreiro com a fala da juíza no final é uma das coisas mais nojentas que eu já vi no cinema. Gostando ou não, Tropa de Elite ao menos dá mais espaço para o espectador tirar suas próprias conclusões, sem colocar essa "voz de Deus" (blergh!);

3) vi uma palestra com o João verdadeiro... A cada duas perguntas ele repetia: "Para saberem mais, comprem o livro." Até que um colega de curso não aguentou e comentou em voz alta: "Uma vez vendedor, sempre vendedor". João não respondeu.

4) é um filme ou um videoclipe? Mas fico feliz que tenha sido feito e faça sucesso. O público vai ver filmes de ação sempre, que sejam filmes brasileiros de ação então. Mas o visual americanizado era dispensável, creio que a escolha deve ser uma tentativa de alavancar o filme lá fora, não sei.

5) Num dia o público aplaude o Capitão Nascimento, que diz que a classe média é responsável pelo tráfico. Noutro dia torce pelo traficante playboy. Vai entender...;

6) Cléo Pires faz sempre o mesmo papel de espivetada ninfeta Cléo né? Ai que sono...

7) Julia Lemmertz quase não aprece, é uma pena...

bjocas

Lena disse...

1) Eu não consigo entender pq a Francini Barbosa acha que um filme não pode ter ritmo.

2) A Cleo Pires é sempre a menina carioca espifitada. Mas a Sofia era uma tipica menina carioca espifitada, então, nada melhor, do que aproveitar a atriz pronta.

3)Não entendo pq toda velhinha tem q ser a Julia Lemmertz. Ela tem quase a mesma idade do Selton e do Wagner Moura e já interpretou a mãe dos dois. Ela é ótima e linda, mas não tem ninguém com mais idade.

4)Não entendi o comentário 3 do Fabio Matos. As gargalhadas q ele se refere são a Tropa de Elite ou ao Johny. Se for a Tropa de Elite, eu concordo, era um retrato duro e sombrio. Não entendo o deboche e piadas. Agora, Johny me desculpe, trata um tema sério com humor, até pq o Johny é o trafica divertido, piadista, xavequeiro, amigo da galera.

5) Com pena pequena ou não, ele se recuperou oras. Ele é traficante ainda? Não. Ao que consta ele é compositor, cantor e produtor musical. Continua playboy e vendedor, mas pelo menos é um cara dentro da legalidade.

6) Me pergunto Será que ele teria se recuperado se a pena foi mais pesada? Ou viraria um trafica sanguinario? E pra que pena mais pesada se ele se recuperou? Então ela foi suficiente. A finalidade da justiça é recuperar ou castigar?

7)Discordo do Fabio. O Tropa é mto melhor q Johny. Tropa é mto mais amplo, deixa aberto para várias interpretações, discussões, cenários. Achei q o filme Johny tá quase pra Cazuza, viu, que retrata mais um viciado boa gente. E ele é um magnata da droga pagando de bobo. Em ambos os filmes eu tive a impressão q não sei viver, já q não cheiro nada. Mas tudo bem, não serei moralista.

8) E Fran, não acho q nenhum dos dois seja filme de ação, né. Ambos levantam alguma discussão. Ó vc e o Fabio batendo boca. Se o post fosse sobre Missão Impossível não seria assim.

Francini Barbosa disse...

Mi, não é porque um filme é de ação que ele não pode levantar discussões. É difícil falar de gêneros, mas os dois filmes tem cenas de ação (Tropa principalmente), um protagonista pelo qual o espectador é levado a torcer, e dá-lhe música e montagem fragmentada pro espectador grudar na cadeira. Se fosse Missão Impossível não estaríamos discutindo porque aqui ninguém nunca desativou uma bomba, rs... Mas o RJ fica a 4h daqui e todo mundo já cheirou ou conhece alguém.

Não tenho nada contra ritmo, mas uma coisa é ritmo (assistiu o alemão "A Vida dos Outros"?) outra coisa é MTV. Assiste o Johnny sem música que garanto que vc dorme, rs...
Cazuza ainda mostra que o cantor maltratava a mãe, era filho de executivo de gravadora... além do que ele nunca traficou nada né? Aliás, fiquei sabendo que o João da vida real tem na família um jurista famoso... isso teria influenciado? E não acho que a recuperação do traficante justifique uma pena ridícula dessas.
E se for pela facilidade de pegar a atriz pronta, tudo que se estudou sobre direção de atores foi em vão.

Fábio disse...

Ah, post bom é o que dá discussão mesmo, uai! :P

Eu me referia às risadas do público durante Meu Nome não é Johny mesmo. Achei um absurdo e fiquei mal. Tudo bem, tem algumas partes muito engraçadas, o Selton Mello tem esse lado cômico espetacular e tal, mas em muitos momentos o filme é um retrato tão "duro e sombrio" - ou até mais - do que Tropa de Elite.


Ei, e eu também não cheiro nada! Hehehehe... Aliás, definitivamente não sei viver mesmo: não cheiro, não bebo e não fumo. Humpf. Vai ser light assim lá longe, né? Humpf. :)

PS: Por falar em cinema, assistam ao "A Culpa é do Fidel!". Um dos melhores que vi nos últimos tempos. Lindo, lindo demais! Vale muito a pena.

Nádia disse...

Não sei se eu devo opinar nesse post.

Estudo Direito, estudo especialmente Direito Penal, mas sempre que eu falo algo sobre o assunto vira algo do gênero: "ela fala isso porque é a favor dos direitos humanos".

Enfim, eu sou mesmo. Hehe
Milena, vamos conversar um dia sobre isso, percebo que você realmente reflete sobre essas questões.

E ainda não vi o filme... =^(