segunda-feira, 14 de abril de 2008

Eu não quero jogar II



A Fran, uma amiga assídua leitora desse blog, costuma dizer que não se deve confiar em alguém que joga poquer. Tem sua lógica. Para vencer o jogo é preciso saber blefar.

Um amigo ficou de me ensinar a jogar, mas até agora, nada (né Judson). Acho que é porque ele me conhece tão bem que sabe que eu não vou conseguir aprender. É que ele se diverte porque eu caio nos seus pequenos blefes e o pior, eu sempre mostro as cartas. Um amigo em comum diz que eu me comunico mais com os olhos do que com as palavras. Ele está certo. Meus olhos denunciariam as cartas que eu teria nas mãos. Perderia o jogo no ato.

Ontem, assisti o belíssimo "Um beijo roubado" (terrível tradução de My Blueberry Nights) que faz algumas anologias ao poquer. A protagonista Lizzie (Norah Jones), com a qual me identifiquei muito, conhece uma jogadora de poquer (Nathalie Portman). As diferenças entre a jogadora e Lizzie são evidentes e adorei as anologias ao jogo. Portman tem habilidades únicas de ler as intenções das pessoas, e sabe que não pode confiar em ninguém. Nem em si mesma. Erra as vezes na dose alta de desconfiança. Mas mesmo assim acredita nessas regras do jogo e tenta ensinar Lizzie a blefar na hora de comprar um carro. Lizzie rejeita suas lições e fica feliz por não ter aprendido a jogar com Portman. Ela continua a confiar.

As vezes acho que já é hora de parar de confiar nos outros. Mas não sei se quero aprender a desconfiar. Acho que o Judson está certo em não me ensinar a jogar.

Um comentário:

Fábio disse...

Sabe que nos últimos dias um monte de gente legal falou bem de "Um Beijo Roubado"?

Eu estava meio com o pé atrás, mas agora tô até ficando com vontade de ver...