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terça-feira, 15 de março de 2011

As rainhas do carnaval

Mulatas ou loiraças de corpos esculturais seminuas a frente da bateria, destaques em carros alegoricos, e passistas são sempre um famoso símbolo do carnaval. Mas há mulheres a frente não apenas da bateria, mas da escola inteira. Que me desculpem as musas, mas essas são as verdadeiras majestades do Carnaval.

Em São Paulo, duas das três principais escolas de samba são presididas por mulheres, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro. Solange Bichara e Angelina Basilio são as rainhas que fazem o carnaval acontecer debaixo de chuva, com enchetes que destroem barracões, empolgando a bateria para que toquem com garra e capricho, os foliões para que cantem com vigor o samba da escola, lutando contra o tempo para as fantasias e alegorias ficarem prontas com o esmero necessário para encantar o juri e levantar o sambodromo.

Mulheres fortes, coloridas, energicas e alegres que gritam, vibram e não param um segundo até o fim do Carnaval para fazer sua escola brilhar e acumular titulos. No Rio, é a poderosa e destemida Regina Duran que arregaça as mangas para a Salgueiro fazer bonito todos os anos. E a Vila Isabel conquistou o quarto lugar esse ano com a inspiração de uma das poucas (até hoje) mulheres carnavalescas - Rosa Magalhães.

Porque se samba é um dom, o bom é poder ser o que você quiser: a colombina, a musa sarada e popozuda, a puxadora do samba, a que não é musa mas destrói na bateria, a porta-bandeira e até a comandante do espetáculo.

Solange da Mocidade
Angelina da Rosas

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Amanhã tudo volta ao normal

Mas enquanto resta Carnaval, vamos aproveitar.

Recuperados, eu e o Portuga caímos na folia. Fomos pra São Luiz do Paraitinga. Aquilo que é carnaval – à moda antiga -só toca marchinhas, mas todas originais de cidade do Vale do Paraiba - animadíssimas. A gente se diverte como nunca. Bebe, pula, pula e bebe até não aguentar mais.

Como disse o Portuga, se a duas horas de São Paulo tem um dos melhores carnavais do planeta, quem precisa de passagem aérea e abadá. Acabou, mas ano que vem, eu juro que volto.

Mas todo Carnaval tem seu fim (20 minutos inesquecíveis)





Dá um aperto no coração pensar que falta um ano para o próximo Carnaval.
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Gentemm, saí na Globo!.Segundo minha mãe 3 vezes. Ela tava toda empolgada com a filha foliã e no domingo, me senti uma celebridade entre os vizinhos e parentes.
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Na concentração, foi um perrengue danado. Mas durante o desfile parecia que eu nasci dentro da Leandro de Itaquera. Nem liguei de ter perdido o tênis. Eu berrava, dançava, e batia palma com tanta empolgação até que alguém na arquibancada se animasse também. Tinha vontade de levantar os braços dos componentes da ala que não davam o melhor de si pela escola e para aquele momento único.
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E quando você vê que passou da linha amarela, que está valendo, está na avenida. Ai,dá uma emoção indescridivel. Eu olhava para o Portuga, meu parceiro de folia, dizendo com os olhos “não to acreditando, tamô aqui, olha quanta gente!”.
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E olha o Jorgeee!! Logo, no início já tinha torcida especial pra mim e pro Portuga. ________________________________________________________
E quando passa pelo recuo da bateria. Eu esqueci de tudo. Fiquei boquiaberta feito criança com o ziriguidum de pertinho assim.
E a Embaixada do Samba, que estava num camarote, dava vontade de ir até eles fazer uma reverencia e pedir benção. Me enchi de emoção com os velhinhos lindos batendo palma pra minha escola.
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A Leandro teve problema na evolução e teve de correr no final para não dever para o cronômetro. Deu certo. E isso só tornou o desfile mais emocionante. A dispersão era festa. Corremos para junto da bateria para comemorar.
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E apesar do perrengue, deu certo. Não caímos. Não ficamos entre as 5 que irão desfilar na sexta-feira, desfile das campeãs, mas conseguimos ficar no Grupo Especial, o que já é uma vitória pra quem veio do Grupo de Acesso e tem de se esforçar tanto.
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Dia seguinte: Jesus, um trator passou em mim.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Tá chegando...

A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar

Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei!
Acredito
Acredito ser o mais valente, nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!

É hoje o dia da alegria
E a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu


Amanhã, dia 21/02, 22h30 - Leandro de Itaquera e eu entramos na avenida pro maior show da Terra.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ousadia incompreendida

O Carnaval pede criatividade, mas é calcado na tradição. E quando a tradição é forte, os donos da festa se fecham para as inovações e podem não compreender e injustiçar um artista que inova.

Paulo Barros foi responsável pelos desfiles mais criativos que já vi. Nos dois últimos anos, deu show na Viradouro com os enredos “Viradouro vira o jogo” e “É de arrepiar”. Antes disso, revolucionou outros carnavais na Unidos da Tijuca. Em 2004, foram vice-campeões e surpreenderam com o carro do DNA, em que bailarinos simulavam genes humanos.


Nunca levou título e muitos culpam seu carnaval moderno demais, ousado demais. Os enredos saem do comum; as alegorias são modernas e usam a estética grotesca, como a dos insetos e do holocausto no último ano; e as alas são bastante encenadas para ajudar a contar a história.

Qualquer ousadia tem seus riscos e polêmicas. Encanta uns, desagrada outros. Um desfile correografado, tira o ar de festa e fica teatralizado. Suas inovações criam um grande problema para os jurados que não conseguem compará-lo com as outras escolas, pois ele está recriando a estéstica carnavalesca, misturando o surreal e o expressionismo.

Paulo Barros saiu da Viradouro e em 2009, assina apenas o desfile da Renascer de Jacarepaguá, grupo de acesso do Rio. Também estará na Vila Isabel, mas como um braço direito de Alex Sousa. Sem assinar o desfile, e com tantas críticas, sua coragem será podada fatalmente. Uma pena.

O que vem de bom

Esse ano, estou ansiosa para ver o desfile de duas escolas tradicionais. A Império Serrano irá levar a Sapucaí uma re-edição de seu samba de 1976. Me surpreendi ao ver a vinheta na Globo. O samba-enredo é aquela música linda que conheço na interpretação da Marisa Monte ou da Clara Nunes – Lenda das Sereias.

“Ela mora no mar,
ela brinca na areia,
no balanço das ondas,
a paz ela semeia”.


E a Portela, que ano passado fez um desfile lindo, espero que venha esse ano para levar a taça. Uma das escolas mais românticas, que já inspirou tantas músicas, irá cantar nada menos que O amor, ai, ai. O enredo é: “E por falar em amor...onde anda você?”, parodiando a música que fala de “saudade”. Sentimentos bem irmãos, né? Tem tudo pra emocionar.

A Unidos da Tijuca tem como enredo “Uma odisséia no espaço”. Pena ter de cantar o brilho do céu quando já amanheceu (ela será a última escola do domingo). E pior ainda, não ter o Paulo Barros para construir um enredo futurístico, um carnavalesco que faz inovações carnavalescas como ninguém.

O maior espetáculo da Terra

Ninguém é obrigado a gostar de Carnaval, mas a admiração é inevitável. Carnaval alia festa, música, e arte. O Carnavalesco é um artista que tem a missão de contar uma história de forma criativa e ampla, através da música, assim como uma ópera.

Porém, ao contrário da ópera, além da perfeição em cada detalhe, alegorias, adereços, ritmo, coreografia, faz-se necessário emocionar e empolgar a platéia. Mais do que isso, não basta que sua escola seja boa, ela tem de ser a melhor, para levar o título. Meio ponto perdido é muito para uma escola. Nota 8 que na avaliação de um crítico de ópera seria uma nota boa, mas representa quase a desclassificação de uma escola.

O espetáculo é inegavelmente rico e bonito, e a grande maioria dos artistas não recebem nada por isso. A festa é democrática, feita por pessoas simples, com artistas da periferia. Eles dedicam-se quase um ano por pura devoção a arte do samba e do Carnaval. Em qualquer quadra se vê uma devoção religiosa, mesmo em uma festa completamente pagã.

A delicadeza e precisão dos movimentos da porta-bandeira e mestre-sala são similares a de bailarinos. Ensaiam para esse momento desde criança. Cada apresentação de uma escola de samba conta com cerca de 3 mil bailarinos e ao menos 200 músicos. A Broadway não consegue tal façanha. Tampouco, que a platéia levante, cante junto e sinta seu coração sair pela boca.

Por isso que eu acho que a música está correta quando diz que quem não gosta de samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Contagem regressiva - faltam 8 dias

"Quem me vê sempre parado, distante
garante que eu não sei sambar
tou me guardando pra quando o carnaval chegar"
Chico Buarque

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vai passar na avenida um samba popular

"SOU LEANDRO, SOU GUERREIRO DA PERÍFERIA
TENHO GARRA, VOU A LUTA... SOU LEÃO
MEU PAVILHÃO É A LUZ QUE IRRADIA
A VERMELHO E BRANCO NO MEU CORAÇÃO"


Falta muito pra chegar o Carnaval? Nem vejo a hora. Essa será a primeira vez que irei desfilar numa escola de samba, item a riscar da lista de coisas a fazer antes de morrer.

Vou desfilar na Leandro de Itaquera, a mais simpática de São Paulo. (Ih, simpática é algo como feinha, mas graciosa, né?) A Leandro é uma das poucas escolas que teve uma puxadora - a Elina de Lima (umdererê, lembra?). E também uma das poucas escolas da cidade que fica na periferia. E isso faz toda a diferença. Lá dá pra ver aquilo que se fala nas letras de samba: povo valente e sofrido, que vive pela escola. Como a escola é distante do centro, ela agrega os moradores do bairro e só - nada de turista em janeiro e fevereiro que pagam R$20 pra ver ensaio.

Aliás, enredo muito bem escolhido. A Leandro vai para a avenida cantar a periferia - como conhecedora de causa.

Chega logo carnaval!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Paternalismo

Há um mês fui a quadra da escola de samba Império da Casa Verde, em São Paulo. O local parece um templo de devoção ao bicheiro. Ao lado do palco um parede inteira era pintada com fotos e dedicatória a Chico Ronda, bicheiro e fundador da escola, assassinado em 2003. A escola é a mais rica de São Paulo, já sendo bicampeã em apenas 14 anos de história.

Não bastasse a parede, no centro da quadra, bem no topo, há uma estrela em neon azul com a foto do mesmo ex-presidente no meio. Lembrava até uma cupula de igreja. Pois é, o bicheiro é praticamente um santo.

É impressionante como há a necessidade de criar entidades protetoras e superiores sejam lá quem forem. Vide o "Nosso Paizão Romulo Costa" como é citado a todo momento no baile funk. Esse então nem no céu está e se enche de dinheiro organizando bailes funk. Ele recebe prece por levar o circo ao morro. E salve Romulo Costa.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Todo carnaval tem seu fim

Se é verdade que depois da tempestade sempre vem a calmaria, depois do Carnaval sempre vem uma ressaquinha. Só me resta dançar um tango argentino.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Deu no New York Times

O Carnaval de São Luiz do Paraitinga é um sucesso! E eu fui!


São Luiz do Paraitinga


This small town in São Paulo state’s interior is about 115 miles from the capital and only 30 miles down the road from the popular beach resort of Ubatuba. Carnaval went on a 60-year hiatus here starting in the 1920s, when an Italian priest did away with it on moral grounds. But things started up again in 1981, and now the town is known for having one of the best old-fashioned street carnivals around.


An official decree actually prohibits more modern rhythms like samba and axé; the official music genre of the blocos here is the traditional marchinha, or carnival march, which dates back to the 1920s and was a staple of Carnaval through the mid-20th century. Over 1,500 local marchinhas have been composed locally since Carnaval started again, and you’ll hear many of them.


The costumes worn by the blocos are similar to carnivals across the country, with bloco-specific themes, which this year include everything from babies to bus drivers.


Leia a matéria na íntegra. Clique aqui

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Carnaval

Se você piscar, eu talvez sorria...

As vezes são necessários confetes e pequenas mentiras.



Roubado desse blog