quarta-feira, 16 de maio de 2007

Hoje tem filmão na TV


Lost in Translation O filme de Sofia Coppola virou "Encontros e Desencontros" no Brasil. Uma das mais infelizes traduções de títulos para o cinema.

Mas pouco importa - ele é belíssimo do mesmo jeito. Daqueles filmes que enquanto estamos na sala somos embreagados pelos sentimentos dos personagens e que quando saímos do cinema o filme cresce dentro da gente. Vire e mexe alguma cena me vem a mente anos depois e me arrepia inteira.

Vi algumas críticas do público que disseram que o filme não tem história. Na verdade, tem sim, mas é uma história tão banal, dessas que acontecem sempre com todo mundo, que a gente nem se dá conta que daria um filme. Deu. E só foi possível porque essa jovem diretora teve sensibilidade de sobra e contou com os talentosos Bill Murray e a então novata Scarlett Johansson (que boa aposta da diretora, no cartaz para o cinema nem aparecia o nome da atriz que virou a queridinha do cinema).

Ouvi dizer de outros que o filme é monotono. Sim, é. E esse não é um defeito, mas um mérito. O filme fala justamente de monotonia, os personagens estão extremamente entediados de suas vidas e isso é tão forte e a flor da pele que quem está na sala sente tédio também (aliás, o Bill Muray é o ator que melhor encarna um entediado - depois desse, ainda fez Flores Partidas - tédio que escorre pelos poros).

É um filme de gestos e olhares, onde pequenas atitudes representam muito dentro da história. Um filme que me arrepia de tão parecido com vários momentos da minha vida. A sensação de tédio, de perda de rumo, de melancolia, de se sentir minuscula em uma cidade, de sentir que não faz parte de nada que está a sua volta, de vazio, de dificuldade de comunicar-se, de amparo, de amizade, de paixão crescente. Altares para Sofia Coppola - Como alguém consegue colocar tantos sentimentos comuns em imagem?

E as cenas em silêncio? Noooossa - aquele silêncio diz tanto sobre eles e sobre mim. É tão precioso quando alguém entende o seu silêncio, não pede palavras, e o olhar basta. Esses momentos as vezes são tão raros e tão valiosos. (Já pensei em comprar várias cópias desse DVD e presentear como prêmios as pessoas raras que respeitam o meu silêncio).

Capítulo a parte

Bem a Scarlett merecia um post a parte. Ela devia ter uns 18 anos quando gravou o filme, mas já tinha uma maturidade incrível (afinal não é fácil dizer tanto de seu personagem quando se há muito silêncio em cena). Além disso, ela está lindíssima e natural. Nada contra o gênero femme fatale que ela incorporou hoje, mas acho que nesse filme ela está no ápice de sua beleza, de forma delicada.

Tem coisas que me deixam extrememante feliz. Assistir um romance sem esteriótipos, açúcar, rosas, músicas piegas, e príncipe encantado (o Bill Muray me parece bem longe disso). E conseguir me identificar com a Scarlett Johansson. Adoro imaginar que uma mulher linda como ela também é fragil e melancolica como a Charlote (do Lost in Translation) ou desengonçada como a Sondra (do Scoop).

Serviço: Encontros e Desencontros (Lost in Translation) - hoje, 11/06 - às 23h - na Record

Sinopse: Bob Harris (Bill Murray) é uma estrela de cinema, que está em Tóquio para fazer um comercial. Charlotte (Scarlett Johansson)está na cidade acompanhando seu marido, um fotógrafo workaholic que a deixa sozinha o tempo todo. Sofrendo com o horário, Bob e Charlotte não conseguem dormir. Eles se encontram, por acaso, no bar de um hotel de luxo, e em pouco tempo tornam-se grandes amigos. Resolvem então partir pela cidade juntos.

2 comentários:

Fábio disse...

Não acreditei quando vi que a Record ia passar. Viva a Record!

E viva a Scarlet também, é claro.

Imperdível, sempre.

Francini Barbosa disse...

Um dos dias mais felizes da minha vida foi quando estava de bobeira em casa, coloquei na record e estava começando "Amores Brutos".
Filmões desses na TV? Me sinto quase vingada pelas porcarias exibidas pela Rede Globo.
Eu estava ontem em casa... triste... e por acaso quando entrei na cozinha passou a minha cena favorita: aquela qu a Scarlet está no carro depois do karaokê, olhando as luzes da cidade...
E principalmente: Viva a Sofia Coppola!!!!

bjos