segunda-feira, 25 de junho de 2007

Lugares em São Paulo que merecem cena de novela

Walcyr Carrasco está dirigindo uma novela da Globo com filmagens em São Paulo, e a revista da Folha de ontem convidou-o para listar os lugares na cidade que merecem uma cena de novela. Gostei das sugestões que fugiram do lugar comum Paulista/MASP , e incluiu a Vila Itororó, um dos lugares que todo paulistano deveria conhecer e que eu tenho a sorte de morar no mesmo quarteirão.

Desde criança ouvia que era o casarão da Princesa Isabel, mas é só lenda, pelo que conta os arquivos do Museu do Bixiga. É um casarão de três andares que pertenceu a um ex-prefeito na década de 20. Chegava a ser cafona de tantos adereços: vitrais, colunas gregas, anjos de gesso no interior da casa, dois leões guardadando o portão e uma estatua de bronze na porta de entrada. Fantástico!

Há mais de 30 anos, habita uma família em cada cômodo do casarão, que dividem banheiro, cozinha e tanque, como nos tantos cortiços do bairro. Ao redor tem uma vila com umas 30 casas, algumas com estátuas, e tem até uma piscina desativada(também diz a lenda que foi a primeira piscina da cidade). Hoje, a Vila Itororó está toda deteriorada, dos leões que eu conheci na infância, ficaram só os pés. Os moradores ajudam a casa a não cair, mas se não tem vitral, vai qualquer papelão mesmo. Deve haver dezenas de projetos de restauração do casarão na Câmara, que nunca foram pra frente. Uma pena!

Na lista do Walcyr também estão a praça da Cerro Corá (simpática e bem alta, com uma bela vista da cidade), o skyline da Marginal Pinheiros (é que TV não tem cheiro), e os graffitis sob o Viaduto Cidade Ozaka, próximo a 23 de maio, uma obra cultura feita com a parceria entre as prefeituras de São Paulo e Paris (chique, né).

Falando em graffiti...


Na mesma edição da revista mostra que o projeto Cidade Limpa, apesar de bom em certos aspectos é burro em outros. A Prefeitura simplesmente tem pintado de cinza óu branco murais feitos por artistas renomados do graffiti, como Osgemeos (Otavio e Gustavo Pandolfo). Os grafiteiros são reconhecidos internacionalmente com exposições de suas telas, instalações e murais em Nova Iorque, Paris, Milão, Londres e Toquio. Pois não é que acabaram de dar sumiço nos seus personagens amarelos grafitados no Viaduto Antartica.

Graffiti é bem diferente de Monet e não precisa de galerias para ser admirado, basta(va) passar de carros pelas ruas de São Paulo e ter a arte te invadido. Graffiti não é sujeira, e é bem mais que uma solução para a pichação. É identidade da minha cidade, é comunicação, é criatividade, é arte. Pop, moderna, urbana, inteligente, sensível e gratuita - é uma pena que sempre há quem não queria admitir que o novo sempre vem.

4 comentários:

Tainá disse...

Cidade linda que a gente mora e nem vê direito...
gostei!

Fábio disse...

Bah. Eu acho que todas as novelas deviam ser sobre (e no) Rio de Janeiro, hehehe.

:P

Francini Barbosa disse...

Lá vem a chata, rs...

Eu acho que até tem umas coisas legais de Graffiti, mas tem outras que vou te falar. Só em algumas pouquíssimas vezes é arte. Na maioria das vezes é algo que os proprietários engolem porque só assim evitam pichações. Um vizinho de uma colega de trabalho mandou grafitar desenhos imitando um muro de pedra (horrível) porque era a única maneira de não ter que pintar o muro toda semana.

bjosbjos

P.S: é piCHação mesmo? ou piXação?

Samuel disse...

muito legal esse post
to começando no graffite agora
e realmente a muito preconceito