quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Mãe Terra

Em Maiandeua, conhecemos Sylvia, uma dentista alemã que mora em Belém há um ano. Seu marido paraense fez doutorado em Berlim, depois de um tempo namorando à distancia, ela corajosamente largou tudo e veio viver com ele no Brasil. Contou que apesar de admirar o otimismo brasileiro, para ela isso as vezes soa como conformismo, o que gera discussão entre o modo de vida que ela conhece e o de seu paraense. Ela acha curioso que pessoas com tão menos sejam felizes, enquanto um conterraneo dela reclamam e agem por motivos até menores.

Já pensei como Sylvia e cheguei a me irritar com o povo do meu país. Mas John, outro Filho de Maiandeua, nos deu a resposta que precisavamos. Ele tem 22 anos e ganha alguma coisa sendo guia turistico, ou conduzindo charrete, ou pescando. John não gosta de Belém. É que em Algodoal, ele é um garoto popular, atacante do time, bom dançarino de carimbó, praticamente, o amigo do rei. Agora, em Belém, notam que John não tem sapatos e o diferenciam. Ele nunca precisou de sapatos em Algodoal, afinal as duas únicas ruas da cidade são de areia que pede como máximo luxo um chinelo de dedo. Além do mais, ninguém usa sapatos (nem mesmo o dono da única casa com piscina) e então, John é tão bom quanto todos ali.

John disse que não quer sair de Algodoal, porque ali ele tem tudo o que se precisa para viver: tranqüilidade e comida farta. "Eu pesco camarão, peixe, pego caranguejo no mangue, cato fruta do pé. Comida tem todo dia pra mim e pra minha família".

Em Algodoal todos são filhos de Deus e de Maiandeua.

Um comentário:

Diego disse...

Ta de parabens o seu diario de viagem. Bem detalhado e reflexivo.