quinta-feira, 6 de março de 2008

O ano que não acabou



Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol


A nova minissérie Global - Querido Amigos - retrata 1989. O ano é emblemático. Na Alemanha, caí o Muro de Berlim. No Brasil, ocorre as primeiras eleições presidenciais depois da ditadura e Cazuza aparece doente na capa da Veja.

Uma eleição inesquecível, com cerca de 20 candidatos. Segundo turno com disputa suja e voraz entre Lula e Collor. Propostas completamente distintas. Era o início do marketing político no Brasil. E venceu quem melhor soube utilizar a TV. O mundo vê a vitória do capitalismo, o Brasil do neoliberalismo. Nada mais foi como antes. Os grupos que lutaram unidos durante a ditadura, cresceram e tanto eles quando seus filhos vivem dramas pessoais, individuais, íntimos. O sofrimento não tem mais cara coletiva. Os exilados voltam, os amigos se reencontram no meio do caos, sem mais ideologias, perdidos na nova liberdade.

A minissérie conta a história de uns 13 amigos, cada um com seu drama pessoal. Eu só tinha cinco anos, mas ainda hoje sinto o amargo de cada drama do folhetim na minha garganta. Acho que 1989 ainda não acabou.

Hoje, não acredito em nada. Casamento, politica, amor ou dor. Meus Queridos Amigos colocaram o pé na estrada. Estão a sua forma tentando Conquistar a América. E continuamos "resistindo na boca da noite um gosto de sol".

4 comentários:

Fábio disse...

Que post bonito... Fiquei até meio emocionadinho aqui (é sério). :)

A eleição de 1989 deve ter sido a mais legal de todos os tempos. Além do mais, tinha uma porrada de candidatos totalmente "votáveis": Roberto Freire, Mário Covas, Leonel Brizola, Lula nos bons tempos, Fernando Gabeira... E fomos eleger justamente o Collor. Lamentável!

Não estou conseguindo ver Queridos Amigos tanto quanto gostaria, mas parece bem legal, né? Ou não?

Fábio disse...

Ah, esqueci do Ulysses Guimarães. Lembro que o meu pai votou nele, e a minha mãe, no Brizola.

Diego disse...

Sinceramente, seu post foi foda'stico. A alusao 'a cancao da Elis e do Milton foi perfeita!!

Da vontade de ver o seriado!

Eu so' acho que o niilismo nao cai bem com a Milena que eu conheci.

Francini Barbosa disse...

Faço coro com o comentário acima. Aliás, acho que vc está blefando. Dia desses brigou comigo quando eu disse que achava que não ia viver um grande amor de juventude.

E não é que aconteceu? Vc estava certa, no fim das contas.

Quinta vamos ver a peça da Carla?

bjos