domingo, 30 de novembro de 2008

Insatisfação crônica


Vicky (Rebeca Hall) e Cristina (Scarlet Johasson) são amigas, tem gostos comuns, mas personalidades bem distintas. Elas são americanas e estão de férias em Barcelona, e como todo bom turista, com certa disposição a se encantarem com as novidades que encontram, incluindo o sedutor pintor espanhol, Juan Antonio (Javier Badien).

Vicky é mais metódica e gosta de fazer planos em longo prazo para evitar decepções. É mais determinada e assertiva uma vez que sabe definir melhor a vida que quer levar. Ela pretende casar-se com Doug, um executivo americano, previsível e apaixonado por ela. Após conhecer Juan Antonio, repensa suas escolhas, sente vontade de arriscar mais. Suas certezas tiram férias ao descobrir o novo, torna-se insatisfeita com o noivo e sua futura "vidinha", mas ao perceber que não tem estômago para as oscilações de uma vida passional (à moda latina), pondera e volta a optar por uma escolha sem riscos.

Cristina por não saber o que quer, é mais aberta a novas possibilidades e tem mais estômago para encarar riscos e decepções. Oferece-se a tudo. Cristina só sabe o que não quer: homens pré-fabricados, família pequeno-burguesa, universo nove-às-seis-com-happy-hour. Quer algo novo, mas não sabe exatamente o quê, quer expressar-se mas não sabe como e é isso que, diferentemente de Vicky, faz sua insatisfação ser crônica e não passageira como suas férias. Afinal, “Quem procura o que não perdeu quando encontra não conhece” (Wilson das Neves). E como grita a passional Maria Elena (interpretada pela cada vez mais linda Penélope Cruz) – "Insatisfação Crônica: é isso o que tem. Nunca encontrará o que quer".

Assim como Cristina costumo estar sempre aberta a novas formas de ver o mundo, por não ter aprendido a minha forma ainda. Como não sei onde quero chegar, qualquer caminho faz sentido (já diria o gato listrado de Alice no País das Maravilhas Não descobri a forma de me expressar, tampouco a paixão que faz minha vida pulsar. E caminhar sem saber o que procura deixa sempre essa sensação estranha de insatisfação crônica. Puede ser una enfermidad.

PS: descobri que quero muito conhecer urgetemente Barcelona.

4 comentários:

Fábio disse...

Assisti ao filme ontem!!! Você também?

Bom demais, né? Adorei, apesar das críticas negativas dos patrulheiros de sempre de Woody Allen. Scarlett está espetacular (redundância...), mas não achei a Penélope Cruz tão maravilhosa assim. Sou mais a Rebeca Hall.

PS: Eu conheço Barcelona, lá lá lá lá lá! ;) Mas eu tinha 14 anos, nem lembro direito. Humpf.

Por Inteiro disse...

E não é que o lobby do governo espanhol deu certo? rs
Eu também sofro desta "enfermidad", e já descobri, amiga, que não tem cura!
bjoos

Francine Barbosa disse...

Eu acho um Woody Allen melhor, mas gostei muito. Sempre tive um ranço da Penélope Cruz, perdi nesse filme. Mas acho a Rebecca Hall mais bonita de todas. E o Javier Barden de óculos sujo de tinta, meu deus...
Gostei que o Allen manteve o olhar de turista sobre a cidade e aquela narração de documentário é um puta sacada. Tive um desconforto porque tive a impressão que todas as mulheres giram em torno do pintor, mas preciso ver de novo pra analisar.

bjo!

Milena disse...

Fran, em torno de um pintor daqueles, vc nao giraria? Como vc diz, eu faria até panquecas no café-da-manha.