domingo, 1 de março de 2009

Quem quer ser um milionário? (eu quero!)


Não achei o premiadíssimo da noite do Oscar nenhuma obra-prima. O filme tem um ritmo ágil e encontrou uma saída criativa para contar a história, intercalando três tempos (Jamal contando a história ao delegado, Jamal durante o programa, o flash back de sua infância). A trilha é ótima e a história envolvente. E tem méritos de por não contar com um orçamento alto, efeitos especiais, e apostar num elenco novato e anônimo.

No filme, Jamal é um jovem que nasceu numa favela de Mumbai, Índia, e participa de um programa chamado “Quem quer ser um milionário?”, um Show do Milhão. O protagonista acerta as perguntas e tem de explicar a um delegado torturador como sabia as respostas. Para a sorte de Jamal, cada resposta está relacionada a um fato de sua vida pobre e sofrida, ao lado do irmão Salim, antagonista da trama, e de seu amor de infância, Latika.

Assim, como Cidade de Deus o filme usa a estética da pobreza, só que com uma narrativa mais "colorida", afinal o próprio título remete a possibilidade de fulga da pobreza e sofrimento. Pra mim, o problema de pobreza cosmetizada e ficcional é errar na mão, ficar piegas e apelativa. E em alguns momentos isso acontece. Achei forçado demais usar criancinhas órfãs, ceguinhas e mendigas. Fora os vilões caricatos demais. Seria infantil até, se a cena de uma criança tendo seu olho queimado não fosse forte o suficiente, o que impossibilita de passar na sessão da tarde.

E por falar em falta de construção de personagem, o que é a Latika, a mocinha do filme? Eu não suporto histórias com virgens lindas frágeis e aprisionadas. Apesar dela ser a motivadora da história, não construíram personalidade, falas, nada pra menina. Até Maya (Juliana Paes) do Caminho das Índias dá de 10 na Latika.

É só ficção, mas ninguém precisa esquecer da verossimilhança na hora de contar uma história. Vamos admitir que Jamal tenha muita sorte e as perguntas tinham tudo a ver com a sua vida. Mesmo dando essa colher de chá, há vários momentos que a história perde o sentido. Por exemplo, nenhum bandido que anda armado, sabe responder quem inventou o revolver, muito menos saí gritando isso por aí, né? Mas, Salim sabe, grita, e ninguém sabe ao menos como a arma foi parar na mão do menino que não tinha o que comer. Assim como ninguém sabe onde Jamal encontrou a nota de cem dólares que deu ao ceguinho. Ele não tinha dinheiro pra comer e dá cem dólares de esmola?

Críticos que dizem que é uma analogia a Bollywood (hã, hã, pegou?), tem gente que diz que é ficção, fantasia, e por isso pode tudo. Pode ser que eu seja conservadora demais, mas as coisas tem que ter lógica, mesmo que uma lógica própria, válida apenas para sua fantasia.

3 comentários:

Hugo disse...

Acho que a lógica não precisa existir na fábula.

Quanto à nota de cem, foi a turista americana que deu depois que ele apanhou, não foi?

Hugo disse...

ops, o comentário acima é da Fran, esqueci de deslogar meu mano

dricadib disse...

Eu gostei do filme.
Comentários lógicos e certos, mas esqueça um pouquinho do real.
A melhor parte: no final a dançanzinha dos indianos, bem estilo Bollywood.