segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um diploma na mão e uma quarterlife crisis na cabeça


Não cheguei aos 30 e aquela fatídica crise do "não dei certo". Não ter "dado certo" aos 25 não é motivo de crise, já que ainda temos alguns anos para isso. Mas vivemos a crise dos 25 - que a "Eye Weekly" descreve nessa matéria e explica minha angústia depois de finalmente decidir buscar meu diploma.

No cinema, a Scartlett Johassonn personifica o "Quarterlife Crisis", em pelo menos 3 filmes: Vicky Cristina Barcelona, Lost in Translation, e Diário de uma babá (excelentes!). Em todos, ela é graduada, vive em cidade grande (Barcelona, Tóquio e NY), e está perdida, sem saber como irá "dar certo", qual seu talento, o que irá fazer com aquele diploma que não significa certeza alguma para ela.

As protagonistas dos filmes, assim como eu, estão entediadas, solitárias, confusas e ansiosas sobre suas carreiras, relacionamentos e direção. Por outro lado, temos a beleza invejável da juventude e uma liberdade sem paralelos. E por isso mesmo somos incapazes de fazer decisões, porque não sabemos o que queremos, o que somos, e isso porque podemos ser qualquer coisa que quisermos - diferente dos nossos pais, que nessa idade estavam construindo casas e famílias.

Já me passou pela cabeça: cursar Direito, pós em Sociologia, colocar silicone e malhar loucamente, fazer curso de teatro, cinema, barista, cavaquinho, fotografia, ser voluntária na Tailândia, escrever um livro sobre Cuba, morar Londres, ou virar pescadora em Canoa Quebrada. Eu posso ser tanta coisa, que fica difícil escolher qual desses caminhos me trará a tal satisfação que busco.

Essa crise é custosa, faz a gente gastar em cursos inúteis, manter a pose no sábado a noite, e não ficar em casa jamais, afinal, estamos na contagem regressiva para os 30/40 (eu tenho a lista de coisas a fazer antes dos 30) e não seremos jovens novamente. Logo, é preciso "have fun a lot". Isso explica os sucessivos "datings" vazios, sem expectativas e compromissos. Em um momento único de igualdade sexual, os rapazes não enxergam vantagem em se prender a uma garota. Eles conseguem sexo sem muito esforço com garotas interessantes, porque elas também querem aproveitar o momento. Além disso, vivemos um momento mais individualista, em que valoriza-se a liberdade, e fomos criados assistindo a casamentos frustrados e divórcios.

A crise dos vinte e poucos anos seria uma crise antecipada. Não há fracassos nessa idade, o tempo está a nosso favor, mas já não há aquela certeza de que "daremos certo", e pior, não há mapas - mesmo que eu leia livros de auto ajuda, a Você S/A, ou a Gloss.

9 comentários:

Fábio disse...

Ah, Scarlett...

Fábio disse...

Agora que já me recuperei da foto da Scarlett, vamos ao seu texto, que realmente é muito bom e faz pensar. :)

Na verdade, deixo aqui um pitaco provocativo: afinal, o que é o tal do "dar certo" aos 25? Para mim, dar certo - aos 25, 35 ou 75 - é ser feliz, fazer o que gosta e ficar próximo às pessoas que amamos e que nos amam. Então, posso dizer que, sim, sou um cara que "deu certo" aos 25. E espero continuar dando muito certo aos 35, 45, 55, 65, 75, e por aí vai!

Ademais, somos mesmo muito jovens para ter tantas certezas assim sobre a vida, sobre o que queremos ou sobre ou o que somos. Os anos que virão servem justamente para nos ensinar um bocado, né? E, apesar do aprendizado garantido com o passar do tempo, eu tenho plena certeza de que vou chegar aos 70 ainda tendo de sofrer muito antes de tomar decisões e diante de muitas dúvidas, aflições e inseguranças.

Que bom que é - e será - assim!

É isso!
;)

Diego disse...

Bom texto ;)
Penso que essa "crise" é bem elucidativa do que se passa na sociedade (pós)moderna. A tal "liberdade" é composta de uma fluidez e fugacidade das relações pessoais, sendo que somos estruturados a consumir e a pensar de maneira bem padronizada; a "síndrome de não dar certo" não é nada mais do que um reflexo da estrutura pós-industrial, em que carreiras vitalícias e certezas profissionais (e pessoais se extinguiram) com a crise estrutural do trabalho. O próprio sistema se reproduz através da crise, o que é uma contradição. Portanto, não é de espantar que no plano da vida cotidiana, uma certa angústia se instale de maneira patológica.
A coisa está tão feia, que parece haver até a "crise da auto-ajuda".

Lena disse...

Fabio, como sempre com comentarios fofos. Vc nao tem angustia e crise, pq vc é o cara que "deu certo" e tem um caminho lindo pela frente. Familia de comercial de margarina, um bem provavel casamento com o amor da faculdade, e o emprego que imaginava ter aos 15 anos. Mas o mais dificil de tudo, e principalmente, o critico para conseguir tudo isso é saber o q gosta/o q te satisfaz. E se a gente nao sabe, angustia pacas.

Nádia disse...

fantástico texto.

e aqueeeela angústia.

Fábio disse...

Ei, você escreve essas coisas e depois o comentário fofo é o meu, né? ;)

marinaspirandelli disse...

Bom, peraí, vários comentários rsrs:

1 - O tédio, a solidão, a confusão, a ansiedade são patologias comuns no século XXI. Estamos tentando entender o sentido desse mundo que estamos destruindo pouco a pouco. Mas está difícil pra qualquer um que resolve parar pra pensar um pouquinho nisso.
2 - Não escolha o caminho que te trará uma satisfação. Pense menos no futuro, porque ele nunca chega. Faça do seu presente a sua vida. É o que o Fábio disse, ser feliz, fazer o que gosta e ficar próximo às pessoas que amamos e que nos amam. "Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira." (Goethe)
3 - Com saber o que gostamos? É o que te faz levantar da cama sorrindo. Simples assim :) Não pense muito nas opções! Senão você vai ficar eternamente ensaiando para o grande ato, que nunca chegará. A vida é simples, viva simplesmente.
4 - Eu fiz 30 anos agora e não entrei em nenhum colapso existencial rs A idade é relativa, assim como nossas experiências. Uma pessoa de 35 anos pode ser muito mais feliz ou infeliz que uma de 25 e vice-versa. Isso vai depender exclusivamente da forma como cada uma vê a vida.
5 - O que significa "dar certo"?!
6 - Milenitaaaa, saudades.

Bjo, Má

Lena disse...

Cachos, mta mta mta saudade. Seu blog tá lindo! Bonita frase do Goethe, hein. E certissimas suas colocações, preciso me inspirar mais em vc. Até pq acho q vc teve alguns grandes atos (ao menos um ato bem corajoso) aos 30.

Rs. eu nao sei responder sua pergunta 7. O q me aflige é justamente nao saber o q significa "dar certo". Antes isso fazia sentido e eu achava que seria o tipo q "vai dar certo". Agora, q nem sei o q é isso fica mto mais dificil atingir isso. Não há atalhos para quem não tem destino, né.

Jéssica Santos disse...

Ahhhhh to com essa crise mesmo trabalhando, acho que nunca saimos dela, e isso é bom que nos estimula a ir atrás de coisas prazeirosas. Menina saudade de vc viu!!!
bjocas