terça-feira, 28 de julho de 2009

Apocalipse motorizado

Não consigo me lembrar de medida pior para os paulistanos do que a limitação dos fretados na cidade de São Paulo.
Todo mundo sabe que utilizar transporte público na hora do rush é algo comparado a uma tortura do capeta em longas e superlotadas viagens de ônibus, trens e metrô. E que não raro um trabalhador paulistano tem de enfrentar 30 Km até chegar ao seu local de trabalho, sobretudo se o local de destino for na Grande São Paulo.

Os fretados eram uma solução a 40 mil trabalhores que preferiram enfrentar o transito de São Paulo, e os 30Km de distancia de forma mais segura e confortável, uma vez o veículo jamais fica superlotado. Além disso, a corrida de obstaculos: onibus, trem, metro, baldiação, onibus, podia ser reduzida a 1 onibus fretado.

Com o fim dos fretados, 40 mil paulistanos terão de abrir mão desse conforto pelo qual pagavam, sem ter uma contrapartida. Pior, além desses 40 mil paulistanos, as centenas de milhares que frequentam onibus, metro, trens diariamente verão seu transporte usual superlotar ainda mais com os antigos passageiros dos fretados. A Prefeitura retruca dizendo que aumentou as linhas de ônibus. Nada mais que a obrigação. Mas todos sabem que a qualidade não é equivalente e até mesmo o Metrô que é um transporte rápido e seguro, na hora do rush é infernal, independente da linha.

O argumento da prefeitura é que os fretados atrapalhavam o trânsito, uma vez que faziam paradas em ponto irregulares. Mais fácil seria regulizar esse pontos então, não? O argumento da prefeitura é imediatista e atende as reclamações dos motoristas de carro, que se irritavam ao ficar atrás dos grandes buzungas. Porém, cada fretado retirava ao menos 20 carros de circulação. Bom para o ambiente e para o trânsito fluir.

Os passageiros de fretado normalmente eram empregados de grandes companhias que preferiam o conforto do coletivo ao transtorno de dirigir em um trânsito caótico. Mas esses motoristas que deixavam seus carros em casa tendem a preferir dirigir no caos a sobreviver a superlotação dos onibus urbanos. Ao menos a armadura do carro protege sua integridade física.

Conclusão: em uma só medida, os engenheiros de tráfego (é necessário diploma pra isso?) prejudicaram o motorista de carro, que logo se verá em um transito ainda pior; o usuário de onibus urbano, metro e trem, que terá seu transporte usual ainda mais superlotado; o passageiro do fretado, sobretudo os moradores da Grande São Paulo e cidades próximas como Santos e Campinas; os motoristas de fretado, que perderam seu ganha pão, e todos os paulistanos, que terão de respirar um ar mais poluído com o aumento da circulação de carros.

4 comentários:

Fábio disse...

Pode começar a me xingar, mas apoio plenamente a decisão do Kassab. Pena que ele é um bundão e já está recuando, medroso que é - como todo político - do impacto eleitoral (negativo, é claro) da medida.

A verdade é que todo administrador público precisa ter coragem de tomar certas decisões, mesmo que impopulares. E já passava da hora de os fretados terem algum tipo de fiscalização, né?

Dá trabalho, mas é necessário.

Fábio disse...

A Soninha, pra variar, escreveu um texto muito legal sobre o assunto. Ela está no meio do caminho entre nós dois. Ó:

http://gabinetesoninha.blogspot.com/2009/07/os-tais-dos-fretados.html

Lena disse...

Fabio, gostei do texto da Soninha.

O Sergio Malbergier na Folha também fez comentou mto bem o assunto.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/sergiomalbergier/ult10011u602432.shtml

Nádia disse...

Como eu to chegando de um lugar que mal tem estradas, estou por fora do assunto. Mas depois de tantas indicações de textos não haverá mais desculpa.