segunda-feira, 27 de julho de 2009

Minha primeira amiga

No verão de 84/85, o Edificio Bahia tinha dois bebês berrando. Eu no 102, e a Juju no 301.

Juntas, nós já fomos PowerRangers, tartarugas ninjas, fadas, bailarinas, sereias, escoteiras da cabana na sala, princesas, professoras, paquitas, Top models, cantoras e astronautas. Tomamos mil litros de sorvete de Flocos, devoramos centenas de bolinhos de chuva da minha mãe e rabanadas da vó dela, e ouvimos Creed um milhão de vezes. Eu era a Diana e ela a Nathalia do Confissões de Adolescente, e torcemos por uns 4 ou 5 casais da Malhação.

A Juju se esqueceu, mas ela sempre foi a mais corajosa de nós três ( 3 pq no fim do verão de 86 chegou a minha irmã). Quando éramos crianças, demorei mais pra tirar as rodinhas da bicicleta, sem contar que os irmãos da Juju adoravam me assustar com máscaras de monstro. Morro de pavor de trânsito, coisa que ela nunca teve, e sempre tive medo do Bob, o cachorro dela que era maior que a gente. A minha irmã não chegava nem perto do Bob. Mas eu, que era mais velha, tinha de mostrar que era forte o suficiente para protege-la, arriscava-me a passar a mão nos pêlos longos dele, procurando a maior distância possível. A Juju ria dos meus medos.

Depois, a Juju foi ficando insegura: com medo de avião, de doença, de ladrão. Eu continuei assim medrosa como quando éramos crianças, só que com o passar dos anos, eu aprendi a fazer cara de valente. E ela passou a acreditar. Acho que a gente ficou tão longe da rotina da outra, que ela desaprendeu como é a minha cara quando blefo, e não descobriu que essa coragem que eu estampo é só uma máscara tão barata quanto a que os irmãos dela usavam.

Agora, a Juju cresceu. Vai se casar, ter a casa e a família dela. Aprendeu a amar e confiar antes de mim. Não teve medo mais uma vez. Eu vou estar no altar emocionada, achando ela a noiva mais linda que já vi. A noiva a quem vou desejar tanta felicidade como se fosse pra mim mesma.

Depois de 24 anos, a gente deixou alguns momentos bons se perderem por aí. Mas a confiança entre a gente nunca se perdeu. É que fizemos um pacto silencioso de não deixar pra trás nosso elo com a infância. Uma vai sempre lembrar a outra que um tempo muito bom existiu, um tempo em que podíamos ser qualquer coisa, e a Juju era a pessoa mais corajosa do mundo - ao menos para mim.

4 comentários:

Fábio disse...

Eis um post lindo. E uma história linda também. Felicidades à Juju.

Por Inteiro disse...

Que lindo, Mi!
beijos, Bel

Nádia disse...

Lindo demais. To com lágrimas nos olhos lembrando das minhas Jujus...

Vanessa Garcia disse...

Eu lembrei da nossa conversa de sexta e várias coisas que eu vivi com a "minha primeira amiga" começaram a passar pela minha cabeça. Hj ela tá tão perto e tão longe ao mesmo tempo... a gente perde o contato, mas nunca as lembranças.