quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Laerte - sem barreiras


No post abaixo eu sugeri a leitura da entrevista do cartunista Laerte para revista Bravo. Eu tive o imenso prazer de passar uma tarde entrevistando ele anos atrás. Caí de amores por quem eu já admirava. Laerte é genial (afinal é o homem que criou Deus), tem histórias incríveis, é bem-humorado, humilde e extremamente simpático. Mas além de tudo, Laerte é profundo e corajoso.

Nos últimos anos, suas tirinhas mudaram de tom, assim como sua vida, após o fim de seu terceiro casamento, a morte acidental e precoce de um de seus filhos, e mais recentemente a tragédia de seu amigo, o cartunista Glauco. Considerado como nonsense e obscuro, perdeu contratos com os dois jornais com os quais colaborava. E entrou em uma crise criativa. Em meio a essa crise descobriu o crossdressing – grupo de homens que se vestem de mulher parcial ou totalmente. Ele passou a usar brincos, pintar unhas de vermelho, usar maquiagem, cortar cabelo chanel. As vezes usa salto alto, vestidos e até lingerie rendada. À Bravo disse:

O crossdressing, no meu caso, se refere menos à atividade sexual e mais à transposição de limites. É uma necessidade imperiosa de perscrutar e vivenciar os códigos femininos. Há ocidentais que se deleitam em investigar o Oriente. Experimentam comidas exóticas, fazem ioga, visitam a China. Da mesma maneira, por que um homem não pode empreender uma viagem radical pelo planeta insondável das mulheres?”

É lógico que ao ver suas fotos, a primeira coisa que vem a cabeça é Bizarro. Sua namorada também achou a princípio, mas hoje já o ajuda a compor seu novo guarda-roupa. Sua identidade de gênero nada tem a ver com sua orientação sexual. Laerte está rompendo abismos de gênero ao se travestir. Está sabendo o quão feliz nós, mulheres, ficamos ao descobrir aquela cor de esmalte ou de batom, e nossa loucura por sapatos. E está expressando através de seu comportamento aquilo que Simone de Beavoir já afirmava “ninguém nasce mulher. aprende a ser”.

Assim como Laerte quero muito que um dia eu tenha menos obrigação de me portar assim ou assado por ser mulher, ou que um homem deva ser machão para mostrar-se homem. Eu espero que doçura, delicadeza e prazeres – sejam eles quais forem – sejam compartilhados por todos os gêneros e que a gente possa apenas ser o que quiser - sem limites, sem barreiras, sem negociar com nossos desejos.

2 comentários:

thais disse...

Oi, Lena. Aqui é Thais, amiga da Isa. Cheguei aí por causa dos 100 ml e olha o que tenho pra vc: http://moda.ig.com.br/modanomundo/ser+mulher+e+muito+caro/n1237812404702.html#1

Bjs.

Lena disse...

Famosa Tharuga, mto bom ver sua foto por aqui. Descobri q temos mais amigos em comum pelo Estadao.

Q maximo o assunto ter parado até em editoria de moda!