terça-feira, 28 de julho de 2009
Apocalipse motorizado
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Cars, Sex and the City
Sou fã do seriado Sex and the City. Impossível não se identificar com a crônica sobre as mulheres atuais, as reflexões sobre relacionamentos, amor e sexo, e não rir de nossas próprias angústias. Não fosse tudo isso há outro motivo para eu adorar o seriado Sex and the City: a ausência de carros.As personagens centrais – Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte - são inteligentes, independentes, bem sucedidas, pegadoras e .... nenhuma delas tem carro. A maioria dos casinhos das heroínas também não saem de carro. Costumeiramente, eles a levam para jantar e depois seguem até o apartamento das heroínas a pé ou de táxi.
Em São Paulo, vivemos em um apocalipse motorizado irracional. Há um excesso de carros por toda parte, todas as horas e muitas vezes, porque o paulistano sofre de uma dependência burra pelo automóvel que só gera mais e mais transito.
Sei que é difícil viver sem carro em São Paulo. Em Nova Iorque - cenário do seriado- andar de táxi é barato, mas já ouvi renomados economistas brasileiros afirmarem que financeiramente é mais vantajoso gastar R$40 por dia em táxi, a arcar com as despesas como estacionamento, gasolina, IPVA, seguro e manutenção do carro.
Mas carro dá status e principalmente os rapazes tem fixação pelo objeto, como se fosse um item essencial para “pegar” mulher. Que bom que o seriado mostra homens na faixa dos 30/40, bem sucedidos, inteligentes, pegadores, e que não precisam de carro para dormir com mulheres interessantes.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Minha cidade - ó pedaço de mim




A Mãe Preta do Paissandu; (não é linda essa estátua?)
Sanduíche de mortadela, saco de cereal, os vitrais e as barracas de frutas do Mercadão
O cortiço Itororó - a cara do meu Bixiga
Os ensaios de rua da Vaivai
Restaurantes e bancas de jornais que resistem ao português na Liberdade
O escadão da Gazeta
Os grafites dos Gemeos
O painel do metrô Sé
Os charmosos e gostosos cafés do Jardins na companhia do Ju
Um primeiro beijo no Vão Livre do Masp
Cabular colégio na Pinacoteca (não devia nem se chamar cabular)
A escapada do trabalho no Municipal
A Silent Disco no pé do Mosteiro São Bento
Brincar de outra dimensão na passarela do Memorial da América Latina
Os teatros da Praça Roosevelt
Comer sanduíche de pernil do Estadão no viaduto
Meus namoricos adolescente no vão do Sesc Vila Mariana
O pátio da Fatec
Os chopps em botecos underground da Augusta com a Francini
As fofocas no Posto6, no Prainha, na Casa do Espeto, no Rancho da Empada com as Cabeças jornalistas
Meu tio chegando com pão italiano do Bixiga debaixo do braço no domingo
Os jardins japoneses do Solo Sagrado de Guarapiranga
As melhores salas de cinema e até a "blacelandia" do Reserva e do Cinesesc
A bicicleta de dois lugares do Maizena no Ibirapuera
Fazer do MAM o ponto de encontro
Assistir show dos Mutantes e Doces Barbaros de graça
Fazer piquenique perto do lago do Ibirapuera
Caminhar com meu pai e assistir jogos de varzea no Parque da Aclimação
A varanda da Casa das Rosas
Estudar no jardim do Centro Cultural
A feira do Embu das Artes
A banca de camisetas e piratarias cool do Franco no Espaço Unibanco e na Calixto
Os forrós universitários do Canto da Ema e do Danado de Bom
BlackDog de madrugada
Os botecos Bohemias - bolinho de arroz do Assembleia,
casquinha de siri do Santa Madalena, o pastel de feijoada do Barbirô, a coxinha do Veloso
Bandeira - garçom amigo do Gato que Ri que me conhece desde criança
As festas na casa da Nath e Jana com café da manhã
Da pizza e pão de linguiça do Bixiga
O bauru do Ponto Chic
O "r" puxado do interiorrr
Comidinha e colinho de mamãe
O arroz doce do dia de São José da Dona Iracema
As conversas e bagunça no quarto com minha irmã
Jogo decisivo do Corinthians no Morumbi
Festa no bosque da Pinheiros
Festa junina da Catedral Ortodoxa com dança árabe
O vendedor de bonequinho de massinha nos bares
Azaléias e Ipês Roxos
Uma surpresa romântica nas rampas da FFLCH
A calçada com palavras escondidas do Sesc Paulista
Brincar com meus afilhados lindos e aprender a pular corda aos 23 anos
Assistir os jogos surpresa de tenis noturno na quadra da São Francisco do Ju, Vini e Thiago
Todos meus amigos queridos
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Minha nova janela
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Lugares comuns
Já os cariocas podem até desejar, mas não conseguem se livrar de lugares comuns. A praia é comum a todos. Criam a Barra, o piscinão de Ramos, fazem festa de reveillon na Zona Norte, mas não tem jeito. A galera do Vidigal tem vista pro mar e desce até o Leblon ou São Conrado. Se algum personagem do Manoel Carlos, a Ana Maria Braga ou o Chico Buarque quiserem dar um mergulho vai ter a companhia da galera de cima. Reveillon em Copa, você pode até comprar por R$300 o jantar na área VIP e isolada dos novos quiosques enjoados da orla, mas a bala perdida disparada lá no meio pode atingir você.
Não sei se ter esses lugares comuns é bom ou ruim. Mas acho interessante que redomas sejam quebradas, os lugares compartilhados, que todos saibam "eles existem".
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
À margem do concreto

"Que tristeza que nóis sentia
Cada taubua que caía
Doía no coração" - Adorinan Barbosa
As principais chamadas dos jornais online de hoje acompanhavam o trânsito ainda mais caótico da cidade de São Paulo. A Marginal Pinheiros teve o mais alto índice de lentidão do ano, com 23km hoje pela manhã. Quatro parágrafos depois, no pé da matéria, a folha online explicava com apenas uma frase o motivo do caos.
"A reintegração de posse na Favela Real Parque, no Morumbi, começou durante a madrugada e pretende retirar de um terreno 1.250 barracos".
Eu e você, certamente, vamos chegar mais tarde em casa. Mas à margem do concreto do skyline da Marginal e à margem da notícia, 1.250 famílias não podem voltar pra casa, pois como disse o estadão.com "os barracos seriam desmontados". Desmontados? Mas, não são feitos de Lego, né. Eles vão ser destruidos, demolidos tabua por tabua, sem chance de montar de novo. E quando é a casa da gente, o nosso canto, o nosso lar, feito com o nosso suor, dá vontade de gritar.
Eu queria que além do trânsito a imprensa contasse onde os manifestantes vão dormir hoje, se há crianças, idosos, grávidas, entre os moradores, que merda vão construir no lugar desses barracos. Será mais um shopping, um condomínio? Na época do lançamento, o endereço vai voltar a ser notícia, bem provavel na Veja São Paulo, mas "Se o sinhö não tá lembrado/ Dá licença de contá/Que aqui onde agora está/Este ardifício arto/Era uma casa véia (...)Dim dim donde nóis passemo dias feliz de nossas vida".
domingo, 2 de setembro de 2007
Cidade colorida
Depois, o dia estava lindamente ensolarado e deixava mais vivo o verde das árvores tão diferentes das que ela costuma ver na Polônia. E ainda enfeitavam o parque muitas crianças, cachorros e pessoas atléticas que corriam de roupas coloridas, ou andavam em bicicletas românticas de dois lugares. Tudo muito vivo e com museus ao redor.
Mas o melhor foi almoçar no Mercado Municipal, um dos lugares que mais gosto na minha cidade. E não dá pra dizer que aquilo é cinza, com seus lindos vitrais e a exuberância de cada barraca de frutas, doces, queijos, peixes gigantes, sacos de cereais de encher os olhos. Além da variedade, suculência e da frescura dos produtos, ainda a gente tem um atendimento único, mais pessoal, dando uma provadinha nas frutas e com aquela gritaria pra chamar cliente. Ai, como gosto desse lugar pulsante. Modeletes sem carne e sal nem sabem como é bom beliscar os queijos e goiabadas do Mercadão. Além é claro, do tão famoso e gox-to-so (como a Polonesa aprendeu a falar) sanduíche de mortadela com um choppinho gelado. A combinação de cores e sabores perfeita.
Na última semana, também “ciceronei” um rapaz de Nova Odessa, cidade da região de Campinas, que nunca tinha vindo a São Paulo. Thiago tem 20 anos e ficou boquiaberto, até chacoalhava o amigo ao ver a cidade a noite: o metrô, a Av. Paulista, a Av. 23 de Maio, o Parque Ibirapuera, o Masp. Ele só tinha visto essas coisas da TV. E pedia pra ir até a janela do alto do prédio espiar mais um pouquinho. “Maié linda demais essa cidade! É outro mundo que tô conhecendo hoje”.
Eu posso até discordar, mas o fato é que a grandiosidade dessas avenidas impressionam mesmo. Eu que me acostumo e esqueço de ser estrangeira na minha cidade de vez em quando.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Lugares em São Paulo que merecem cena de novela
Walcyr Carrasco está dirigindo uma novela da Globo com filmagens em São Paulo, e a revista da Folha de ontem convidou-o para listar os lugares na cidade que merecem uma cena de novela. Gostei das sugestões que fugiram do lugar comum Paulista/MASP , e incluiu a Vila Itororó, um dos lugares que todo paulistano deveria conhecer e que eu tenho a sorte de morar no mesmo quarteirão.Desde criança ouvia que era o casarão da Princesa Isabel, mas é só lenda, pelo que conta os arquivos do Museu do Bixiga. É um casarão de três andares que pertenceu a um ex-prefeito na década de 20. Chegava a ser cafona de tantos adereços: vitrais, colunas gregas, anjos de gesso no interior da casa, dois leões guardadando o portão e uma estatua de bronze na porta de entrada. Fantástico!
Há mais de 30 anos, habita uma família em cada cômodo do casarão, que dividem banheiro, cozinha e tanque, como nos tantos cortiços do bairro. Ao redor tem uma vila com umas 30 casas, algumas com estátuas, e tem até uma piscina desativada(também diz a lenda que foi a primeira piscina da cidade). Hoje, a Vila Itororó está toda deteriorada, dos leões que eu conheci na infância, ficaram só os pés. Os moradores ajudam a casa a não cair, mas se não tem vitral, vai qualquer papelão mesmo. Deve haver dezenas de projetos de restauração do casarão na Câmara, que nunca foram pra frente. Uma pena!
Na lista do Walcyr também estão a praça da Cerro Corá (simpática e bem alta, com uma bela vista da cidade), o skyline da Marginal Pinheiros (é que TV não tem cheiro), e os graffitis sob o Viaduto Cidade Ozaka, próximo a 23 de maio, uma obra cultura feita com a parceria entre as prefeituras de São Paulo e Paris (chique, né).
Falando em graffiti...

Na mesma edição da revista mostra que o projeto Cidade Limpa, apesar de bom em certos aspectos é burro em outros. A Prefeitura simplesmente tem pintado de cinza óu branco murais feitos por artistas renomados do graffiti, como Osgemeos (Otavio e Gustavo Pandolfo). Os grafiteiros são reconhecidos internacionalmente com exposições de suas telas, instalações e murais em Nova Iorque, Paris, Milão, Londres e Toquio. Pois não é que acabaram de dar sumiço nos seus personagens amarelos grafitados no Viaduto Antartica.
Graffiti é bem diferente de Monet e não precisa de galerias para ser admirado, basta(va) passar de carros pelas ruas de São Paulo e ter a arte te invadido. Graffiti não é sujeira, e é bem mais que uma solução para a pichação. É identidade da minha cidade, é comunicação, é criatividade, é arte. Pop, moderna, urbana, inteligente, sensível e gratuita - é uma pena que sempre há quem não queria admitir que o novo sempre vem.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Idéia de esssperto
Aí o taxista me diz: Não, mas isso é bom, porque quem já sabia onde tinha radar não era multado, mas quem é certinho era.
Querido taxista, se você fosse certinho como motorista não seria multado. Afinal, as multas só chegam para quem cometeu alguma infração. Os certinhos é que se deram mal, porque vão ter que tolerar a farra dos infratores.
terça-feira, 8 de maio de 2007
Vivendo a cidade
O Centro lotado, a lua linda, o clima gostoso. Jovens conversando sentados na grama, filas imensas para entrar no Municipal (que fica impressionantemente lindo a noite), a Pça da Republica revitalizada e com teatro e circo, pick-ups de eletrônicos, assaltos de poesia, acrobacia na fachada do Shopping Light, pintura, e fanfarras com zambumba pelos caminhos, palcos para todos os gostos: de rock a bolero - e tudo sem paredes e sem ingresso, livre e aberto a todos. Gente que mal conhecia sua própria cidade, estava vivendo ela, fervendo nela, curtindo ela. E gente que passa pelo Centro todo dia, passou a ver mais do que trabalho e correria e medo, passou a ver museus, teatros, dança, música.
Foi dificil escolher o que fazer com o guia na mão. Num momento entre um show e outro, fui ao palco da Vieira de Carvalho - o mais encantador do evento. Batizado como palco da nostalgia, havia uma pista de dança, iguais as de salão, quadriculada em preto e braco e com globo prateado e cadeiras ao redor para os mais idosos. Uma banda maravilhosa tocava músicas da época em que "o Pacaembu lotava de homens vestidos de terno para ver as finais de campeonatos" - como disse o apresentador do baile. Fofo! Ele é magrinho, elegante, com gravata, negro de cabelos brancos, dublava as músicas entre os shows e reverensiando as senhoras damas que passavam. E não eram só as damas que passam na Vieira. Os travesti estavam em seu habitat e se misturaram ao público bem diferente do habitual. (Como a Vieira é uma rua curiosa. Ainda guarda o luxo de uma época, com lojas de chapeus, hoteis com estrelas, docerias finas, restaurantes tradicionais e ao mesmo tempo a passarela mais efervencente da cidade, com calçadas intrasitáveis aos sábados, muitos neons e bandeiras de arco-íris)
Depois de tentar dançar bolero e gafieira (e já tinha ido ao show do Alceu - o q é um palco iluminado com a Catedral lindíssima atrás - IRADO), tomei sopinha e café na Holandesa fui pra Praça da Republica ver uma peça. Lotada. Não conseguia enxergar nada. Triste, mas muito contente de saber que a população continua sedenta por cultura e teatro. Então, do outro lado da praça (que agora tem lagos e ponte) um grupo informal de engraxates e ambulantes tocavam "Desconsidero - do Fundo de Quintal". Caí no samba também, e o meu parceirão Judson até tocou pandeiro. O CCBB ficou aberto direto, com exposições e promoção de 50% na livraria, e o melhor de tudo, era um oasis, com banheiro limpo, bebedouro, papel higienico, sabonete. Nossa, que luxo, em uma cidade onde os homens não sabem a diferença entre banheiros e calçadas. E na frente do CCBB tinha a terceira pick-up, mas essa mais calma. Pirando no eletrônico com clubbers, estudantes, mendigos, um amalgama da sociedade.
Chegando 0h, não tava a fim da multidão do Nação Zumbi, nem da fila de horas e horas pro João Bosco, nem tinha como atravessar a cidade para ver o Paulinho da Viola, então fui pro Clube do Balanço + Erasmo na São João. Uma graça! Agora, dava até pra dançar, porque a rua era estreita para shows de multidões, como o do Teatro Mágico em que fui arremessada. (aliás, eles não levaram 1/3 daqueles fãs fanaticos na Virada do ano passado. Fenômenos).
Depois, vi um espetáculo de tango, que nem em Buenos Aires deve haver tão lindo. Misturando um pouco com balé contemporraneo, cheio de intepretações. De arrepiar!! -Arrepiei um pouco passando num vucuvuco na Rua Direta - pick-up de psy (só sei pq me informam q é psy). Mas se em rave de R$1000 rola muita bala e confusão, porque nessa não haveria de haver alguma também, considerando a concentração de pessoas perto do DJ.
Aí pego o metrô - isso já são 3h da manhã e pego o metrô - que beleza ele aberto na madrugada -devia ser assim todo fim de semana. E vou até a Casas das Rosas. Praticamente, uma festa particular. Era como se um amigo milionário abrisse a mansão pra uma festinha. E das boas. Forró de Trio, na madrugada. Na antesala sofás e a galera esparramada. Banheiros limpos e cor de rosa, com banheira e tudo. E móveis do Haroldo de Campos. Chique, né. Arrumei um bom dançarino e me acabei na sala. E então começa o espetáculo "Muitas mulheres e um Chico" - uma voz linda e doce recita poemas e canta músicas com nomes de mulheres - Cecilia, Beatriz, Ana, Barbara. Quase um sarau em que todos cantam em coro - Joga pedra na Geni.... - isso começa às 5h e eu já não me agüento em pé (pé machucado por sinal). Arrumo um puf abençoado para me encostar. Acordo com a doce voz, passarinhos cantando. Vou até a varanda e já amanheceu. Fantástico amanhecer na Paulista com jardim de rosas e passarinhos cantando. O espetáculo acaba e alguém toca violino na varanda, um grupo violão e voz no quarto. E tomo café caprichado e gratuito na edicula. Depois de 13 horas de Virada, virei um trapo.
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Espero que a confusão no show dos Racionais não faça a Prefeitura desistir de eventos como esse, mas melhora-los. A cidade precisa enfrentar o medo, precisa sair as ruas, respirar e matar a sede de cultura, ser democratica, ser livre. A civilidade só virá com tentativas. E convenhamos, respeito muitíssimo Racionais e gosto de suas músicas, mas juntar polícia e o público revoltado do rap é como juntar palha seca e fósforo. A confusão era esperada. E a polícia precisa rever seus conceitos - uma coisa é gás de "efeito moral", outra coisa é atirar fogo, mesmo que seja pra cima.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
São São Paulo Meu Amor (e meu horror)

Dia 25/01 - Aniversário de São Paulo. Show dos Mutantes de graça no Parque da Independência. A melhor banda de rock nacional, uma das poucas que souberam ser original e fazer rock n'roll, estavam de volta, sem Rita Lee, mas de volta.
Sabotagem, Panis et Circense, Balada do Louco, Meio Desligado e outras não tão famosas, foram feitas na década de 70, mas eram cantadas por todos, emocionados, como hinos que valem para qualquer geração.
Foi muito bom ver gente que pagaria R$500 para vê-los novamente, e a galera que só foi porque era de graça mesmo. Era muito legal, ver meus amigos de vinte anos curtindo a valer e casais de 60 anos que levaram banquinhos para acompanhar a banda. Ninguém queria perder. O monumento da independencia atrás e um Dom Pedro I no palco. IRADO! Presentão para SP. Lembrei que tem coisas que só essa cidade faz por você. Show dos Mutantes é uma delas.
Fim do show. A chuva que ameaçou não resolveu cair. Tava fresquinho, nem quente, nem frio, agradável. E falei pra Mariana: "Que noite linda!". Ela, depois de 4 anos no interior, olhou pra cima e notou "Mas não tem estrelas". É verdade, sou acostumada a não ver estrelas, até esqueço que elas existem em algum lugar.
É tem coisas que só São Paulo faz por você, não ver estrelas é uma delas. Lembrei porque odeio São Paulo.
Quando cheguei por aqui
“Cresce logo, menino, pra ir pra São Paulo “, era só o que eu ouvia desde pirralho. “Toma o remédio para crescer e ir pra São Paulo “. Chantagem materna infalível –só assim eu tomava aquela Emulsão de Scott, à base de óleo de fígado de bacalhau, argh!
Meus tios e primos, que já moravam por aqui, chegavam de férias cheios de histórias de grandezas paulistanas. O “tatuzão”, cavando para fazer o metrô, era a coisa que mais me impressionava. Eu sonhava com aquele bicho gigante. “Estou trabalhando debaixo da terra”, dizia um parente. “Lá é tão frio que chove até pedra de gelo”, assombrava outro.
Aquelas narrativas nos deixavam, matutos do Sítio das Cobras (Santana do Cariri) e Aratamas (Assaré), maravilhados. Será que um dia vamos conhecer essa terra? Será? Aquelas histórias, fábulas fantásticas, acabaram funcionando como um hormônio e tanto para o crescimento.
Quando o ônibus chegou à rodoviária, em janeiro de 1980, eu enxugava, com a manga da camisa, algumas rápidas lágrimas que escaparam pelas brechas da macheza semi-árida. Um alumbramento que me fazia enxergar um Sena onde havia apenas um acabrunhado Tietê. Eu já era um mal-diagramado rapagote, sim, feio mesmo, mais feio que arte moderna.
Peguei o metrô e sofri para achar a casa do meu tio Alberto, no Parque São Rafael, zona leste, ainda um descampado. Só a avenida Sapopemba era uma eternidade. “Ô Sãopaulão grande da peste!”, eu matutava. Dias depois, gastava o meu espanto de “novo baiano” na praça da Sé, no viaduto do Chá, na República, nos cines e teatros pornôs do Centrão; na rua Augusta esperava anoitecer e subia e descia só recolhendo imagens que seriam devidamente “escaneadas” na cama antes de pegar no sono.
Passeava sozinho por SP, exercendo a bela arte de chutar tampinhas –exercício assimilado dos vagabundos dos contos de João Antônio– e a leseira de abestalhar-me com as mulheres da cidade. Lindas, elegantes, estilosas… mas na delas. “Quase nenhuma te encara na rua, são econômicas do olhar”, refletia. “Só devem dar bola pra gente nas repartições, nas firmas… jamais nas ruas!”
Durante a temporada de um mês, só as generosas moças da Augusta, as “secretárias das calçadas” como dizia um sucesso brega da época, sorriram para mim. Coitado daquele rapaz, voltou para o Nordeste mais seco e necessitado do que retirante de quadro de Portinari.
No dia 1º de abril de 1990, depois de ter morado em Juazeiro (95 anos), Recife (469 anos) e Brasília (46), estava eu de volta, agora para ficar. Continuei achando as moças lindas. Agora já me sorriam nos corredores da firma. Mas foram necessários uns seis meses para que Maria Ligia, meu primeiro alumbramento da volta a SP, acreditasse na minha conversa de homem arriado de paixão. Que beleza! O Tietê voltou rapidinho à sua condição de Sena.
Para completar a euforia, descobri os sabiás da megalópole. Em pleno largo de Santa Cecília, acordava ouvindo esses danados. Ainda hoje me impressiona como tem sabiá nesta cidade. Tem mais sabiá aqui do que na mata atlântica inteira. Minha terra tem Palmeiras, São Paulo , Corinthians… onde canta o sabiá -como eu adorava recitar essa parodiazinha ridícula, meu prezado Gonçalves Dias.
Muitas Augustas, Angélicas e Consolações depois… Muitas bistecas e muitos engradados do Sujinho depois, vez por outra me pego ranzinza, reclamando e mal-dizendo a cidade. Como o mais autêntico dos paulistanos. Mas aí basta lembrar do que diz a minha mãe, aquela que me empurrava a Emulsão de Scott, para que o mau humor com a cidade de todos os povos se dissolva num segundo. Quando dona Maria do Socorro me ouve xingando essa terra, fala duro, com firmeza, num corretivo, como na infância: “Meu filho, fecha essa boca, você num sabe que São Paulo foi quem deu tudo que a nossa família tem?”. Sabedoria de mãe. Parabéns SP, e desculpa ai por qualquer coisa.
Xico Sá
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Eu quero ter vista pra cachoeira
A gente tava tomando o cafezim aguadim na cozinha, quando uma das meninas fala para a amiga: "Sabe aquela cachoeira que dá pra ver lá da janela de casa, então ...." E falou normalmente, como se todo mundo tivesse vista para cachoeira. Eu e a Lili (paulistana como eu) nos olhamos imediatamente de boca aberta. Como alguém pode falar isso sem se gabar, ou com a certeza de que é a pessoa mais feliz do mundo? Não, a menina falou com naturalidade, o assunto nem era a tal cachoeira. Ai, ai, quando eu crescer quero ter a janela da minerim. Baum demais.
E por falar em Minas, eu queria ser a Fernanda Takai.
"Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia (...)
Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia"
(Quem não foi, vá ver um show do Pato Fu, a performance dessa música Simplicidade já vale o ingresso)
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Não conheço Cabo Verde, mas tô achando que deve ser o tal Vilarejo da Marisa Monte
"Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for"