Mostrando postagens com marcador coração bobo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coração bobo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

E foi então que eu descobri


Uma colega bateu o carro. Coisa à toa, sem danos a ela, e apenas uns arranhões de leve na lataria. Mas é sempre aquela situação desagradável. Essa situação simples e cotidiana simbolizou o fim de seu casamento. Justo naquela hora, quando se tem vontade de ligar para alguém, que te oriente, que te socorra, ou ao menos que te escute e deixe você despejar sua irritação, pois justo naquela hora ela não ligou para o marido. Ligou para o amante. Pimba. Deu-se conta que o amante já era muito mais que seu parceiro de cama, era seu amparo, o primeiro grito que lhe vem à boca, tal qual uma criança pediria a mãe de imediato quando tropeça.

Dias atrás fui assaltada na porta de casa. Mal se configura um assalto já que os pivetes não estavam armados e eu não tinha dinheiro. Nada grave, além do susto. E pimba, liguei para ele. Contei para ele o acontecido e ao desligar, lembrei da história dessa colega e conclui que bem, ele já era muito para mim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não percamos o romantismo

“Não percamos o romantismo” foi o comentário da Bel no último post em que eu falava sobre o casamento muito feliz da minha irmã. De fato, isso é animador. A Drica me escreveu contando que estava feliz porque o marido está contente por ter visitado um estádio de futebol em Milão na lua de mel. A paixão é dele, mas ela fica feliz ao vê-lo alegre e isso é amor puro. E se o amor existe, um dia há de chegar. Vale repetir como mantra para não amargar.

Mas sabe, Bel, está difícil não amargar. Eu supero, não sem tristeza, o fim de um amor, paixão, namoro, ou algo do gênero. Consigo manter a sensatez e principalmente a esperança no futuro. De fato, eu acredito que os bons momentos chegam a compensar os maus. E que viver um amor é algo tão sublime que vale o risco e até mesmos as dores causadas por isso. A gente chora, pode até perder a crença no amor eterno, mas ainda assim acredita que há amor, ao menos, que houve. Acredito que as tristezas têm fim e que depois de um tempo, a dor perde força e passamos a nos lembrar daquele momento sem pesar.

Mas o que me amarga não é o fim de um amor, mas a falta do amor. São os anos passando, indo a bares charmosos ou restaurantes gostosos com um par interessante e interessado, que te envaidece em elogios. Eu ali olhando para ele e pensando em silencio “seja sincero e goste de mim, por favor” e sem mesmo estar apaixonada, mas apontando mentalmente “eu seria capaz de amar esse homem” – ao enumerar qualidades do moço que eu teimo em buscar.

E assim sigo em situações repetitivas, sentando a mesa com esperança, ouvindo conversa mole, já sabendo como a história tende a terminar, com um último beijo frio após poucas semanas, ele nem parecendo notar meu bom papo, a sensação de que ele não vai mais aparecer, e sem ao menos saber se de fato quero que ele apareça trazendo consigo aquela incomoda secura, a falta das palavras que quero ouvir, e gestos pensados para agradar, mas só por pouco tempo. O que me amarga não são os fins dos amores. Esses fazem tocar na mente músicas romanticas, esboçar poesias depressivas, me fazem sentir uma leva de emoções. Mas as promessas que não acontecem, os rapazes frios que não parecem querer que aconteçam, e que por eles mesmos, nem merecem acontecer, esses parecem que aos poucos me secam e me deixam melancolica. Esses não amores é que me matam. 

domingo, 12 de junho de 2011

Eu, ele e um elefante

Estávamos eu, ele e um elefante sentados a mesa de um bar. Todos calados. Nenhum dos três sob efeito de alucinógenos, nem mesmo álcool. Mas nós podiamos notar claramente que havia um elefante sentado à mesa conosco.
Podiamos falar sobre tudo – aliás, ele fala sobre tudo o que eu gosto, tudo o que eu entendo. Só não poderíamos falar sobre uma coisa: o elefante sentado conosco a mesa – regra velada. E passamos uma hora ali – eu, ele, a mesa quadrada entre nós sob uma jarra de suco de laranja azedo e a desconfortável e gigantesca companhia do elefante calado.
Fomos embora cada um para seu lado. Não vi para onde o elefante foi, mas acho que ele estará sempre conosco.

sábado, 14 de maio de 2011

A melhor lição de amor

Meu pai veio para se sentar a mesa conosco no domingo. Não é mais a primeira vez, mas é sempre especial. Nem tanto por estar perto, já que poderia estar comigo qualquer outro dia, mas por ver minha mãe, minha generosa guerreira, dando a maior lição de amor que poderia, de forma silenciosa.

A dona Bete é falante, expressa seu carinho com gestos largos, comidas caprichadas e palavras açucaradas em bom tom. Tem pitacos, lições e conselhos para tudo. Mas não se dá conta que a maior lição que me deu foi o perdão ao meu pai, foi aceitá-lo em nossa mesa, toda vez que prepara bolo de carne ou feijoada, os favoritos dele (alias, ele só come feijoada se ela fizer).

Eles se separaram há mais de 10 anos com feridas enormes nela. Achei que nunca cicatrizariam. Mas o tempo foi passando e a raiva diluiu. O que sobrou foi o que sempre existiu: o amor entre eles. Com uma separação em casa, eu deixei de sonhar com amores eternos de filmes e contos de fadas. Só que ao lado deles, passei a acreditar num outro tipo de amor para toda vida, de pessoas que não sabem viver sem o outro, mas não precisam dividir a mesma cama.

Perdoar é a maior prova de amor que alguém pode dar, pelo menos, é a mais dificil. E o perdão dela foi generoso com ele, com ela, e comigo. Eu não lembro ao certo quando foi isso, porque foi aos poucos, mas nos tornamos uma família feliz e harmoniosa. Talvez a mais feliz e harmoniosa que possa existir.

As portas foram se abrindo, e hoje, meu pai voltou a abrir a geladeira de casa sem cerimônia. Sua presença já virou tão rotineira que ele traz até o jornal aos domingos pra ler comigo, enquanto minha mãe cozinha. Anda pela casa reclamando da bagunça, roubando uma fruta, mexendo no controle da TV. Não é mais preciso palavras pra dizer que ele é bem-vindo. O silêncio, os resmungos, a bagunça confessa nossa intimidade. E nossa intimidade evidência que ali vive uma família feliz, sem mágoas, com todas as feridas já expostas e cicatrizadas.

Meu pai e minha mãe vivem hoje (cada um em uma casa) como vivem os casais que passaram dos 60 - como dois amigos resmungões, mas que não vivem longe um do outro. Ele leva ela para fazer um exame, ela marca médico para ele, se preocupam um com outro. Acho mesmo que se amam. Salvaram o que funcionava - a amizade, o carinho, o cuidado.

Parece coisa de religioso, mas acho que a salvação está no perdão. Não no de Deus - que eu não quero esperar pelo dele - mas no nosso - no coração limpo, que não tem lugar para amarguras.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dor de cotovelo

Arte: Saulo Mota

Já perdi as contas de quantas vezes senti dor-de-cotovelo. E quem nunca sentiu? Mas por que 'dor-de-cotovelo'?

O termo surgiu por causa das longas esperas dos amantes nos bares, com cotovelos amparados nas mesas e balcões. Ou das Carolinas (aquelas dos olhos tristes) que espera o acaso amoroso passar na janela. Eita, angústia.

Explicação dada por Xico Sá

domingo, 12 de julho de 2009

Amor maduro

O próximo livro de Talese será sobre seu casamento de 50 anos com Nan Talese, respeitável editora americana. A ideia de escrever sobre o assunto deu-se após as críticas recebidas quando publicou “A mulher do próximo” – em que retrata a revolução sexual na década de 70. Para uma densa apuração, mais do que entrevistas, Talese mergulhou no tema, participou de orgias e swings, frequentou e até gerenciou prostíbulos. Ossos do ofício de um escritor de não ficção.

Questionado sobre ter humilhado publicamente a esposa ao revelar publicamente sua infidelidade, ele concordou cabisbaixo e com sinceridade, porém justificou com a sabedoria de seus 77 anos. Para ele, casamento não é sexo, ou com quem você dorme. O mais importante em um casamento é o respeito. Para O Globo, ele disse ainda que deve-se estar casado com a pessoa com quem quer tomar café da manhã e não com quem quer ir pra cama. Qualquer imbecil pode dizer “vamos para cama”, mas tomar café...
Acho que em todos esses anos, Talese só tomou café com Nan.

Em entrevista ao Globo, Nan disse que nunca se sentiu humilhada, pois Talese sempre foi sincero e ela sempre respeitou sua individualidade e seu ofício de escritor.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Carta aberta aos covardes

Dia desses, uma amiga disse “Já notou como suas histórias estão repetitivas?”. A história recorente a que se refere é conhecer um rapaz interessante numa balada, bar, ou amigo de amigo, sair com ele algumas vezes, ir a cinema, restaurante, tomar uns chopps, e depois, ao menor sinal de interesse meu, um sumiço ou afastamento repentino dele.

Notei que toda vez que estou em um grupo com mais de uma mulher solteira a minha história recorrente repete-se com elas também. Então li a “Carta aberta aos covardes” que Xico Sá escreveu. E ora, o problema não é meu, nem dessas mulheres com quem convivo, mas sim desses rascunhos de homens – uns FROUXOS e INDELICADOS. Abaixo está a carta que Xico pede a ajuda das amigas para divulgar aos homens.

“Amigos, chega dessa pasmaceira, chega dessa eterna covardia amorosa. Amigos, se vocês soubessem o que elas andam falando por aí. Horrores ao nosso respeito. O pior é que elas estão cobertas de razão. Caros, estamos sendo tachados simplesmente de frouxos, medrosos, ensaios de macho, rascunhos de homens, além de tolos, como quase sempre somos.

Prestem atenção, amigos, faz sentido o que elas dizem. A maioria de nós anda correndo delas diante do menor sinal de vínculo, diante da menor intimidade, logo após a primeira ou segunda manhã de sexo. O que é isso companheiros? Fugir à melhor das lutas?

Nem vou falar na clássica falta de educação do dia seguinte. Ora, mandem nem que seja uma mensagem de texto delicada, seus preguiçosos, seus ordinários. O que custa um telefonema gentil, queiramos ou não dar sequência à historia?!

Ora, depois daquela intimidade toda! Tudo bem que não mandemos flores, mas um mimo em palavra, nem que seja um lacônico: “Foi ótimo, noite linda!”.

Amigos, estamos errados quando pensamos que elas querem urgentemente nos levar ao altar ou juntar os trapos. Em muitas vezes, elas querem apenas o que nós também queremos: uma bela noitada! E, claro, delicadeza. (
disse tudo: DELICADEZA!!)

Sim, muitas querem um bom relacionamento, uma história com firmes laços afetivos. Primeiro que esse desejo é legítimo, lindo, está longe de ser um crime, e além do mais pode ser ótimo para todos nós.

Enquanto permanecermos com esse medinho de homem, nesse eterno e repetido “estou confuso” –“eu tô cafuso”, como dizia Didi Mocó!-, a vida passa e perdemos mil oportunidades de viver, no mínimo, bons momentos do gozo e felicidade possível. Afinal de contas para que estamos sobre a terra, apenas para morrer de trabalhar e enfartar com a final do campeonato?

Não há decepção maior no mundo do que a nossa covardia em fugir do que poderia representar os bons momentos da felicidade possível, repito, não a felicidade utópica, que é bem polêmica, mas a felicidade que escapa covardemente entre nossos dedos sujos de caneta Bic a toda hora. Acordemos, para Jesus, amigos homens, levanta-te e anda condenado!

Rapazes, o amor acaba, o amor acaba em qualquer esquina, de qualquer estação, depois do teatro, a qualquer momento, como dizia Paulo Mendes Campos, mas ter medo de enfrentá-lo é ir desta para a outra mascando o jiló do desprazer e da falta de apetite na vida. Falta de vergonha na cara e de se permitir ser chamado de homem para valer e de verdade”.

sábado, 13 de junho de 2009

Pequenos amores

Alaor é o escultor da cidade de Paraíso (não é a novela, ta). Ele faz as mais perfeitas esculturas e toda boa casa da cidade tem uma de suas mulheres no jardim (sua especialidades são as imitações de Vênus de Milo).

Supreendentemente, Alaor é casado com Gioconda, uma senhora de corpo desforme e rosto feíssimo. Seu nariz é enorme, seus olhos estrábicos, a boca torta, as orelhas de abano e o queixo quase inexistente.

Muitos perguntam como Alaor que faz esculturas tão belas, conhece tão bem as leis da harmonia e das formas, pode amar Gioconda.

Alaor não entende o porquê dessas dúvidas e a todos responde que Gioconda tem as formas mais inéditas e originais que já viu.

Do livro “Pequenos Amores” de José Roberto Torrero.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A fórmula do amor

Eu tenho um bom papo e sei até dançar
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão

Eu jogo um charme, alguém me vê
Nada acontece, não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei

Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor

(Fórmula do Amor - Leoni)

Quem tem mais de 15 anos já deve cantarolado essa música do Kid Abelha em algum momento. Seguida pelo "Por que não eu?". Mas agora, seus problemas acabaram. Encontraram a fórmula do amor.

O revolucionário doutor Larry Young, da Universidade de Emory (Georgia/USA), está comandando uma pesquisa justamente para chegar a Pílula do Amor. É um punhado de oxitocina aqui, uma pitada
de vasopressina dali e pronto...apaixonou! Genial, né? Melhor, a paixão está diminuindo, tá rolando aquele tédio, toma a pilula do amor e pronto, paixão renovada. E mais, apaixonou pela pessoa errada? Vá até a farmácia, toma um anti-oxitocina e já era.

Ai, ai, a ciência me surpreende! A reportagem saiu no Fantástico de ontem. Dá pra ver aqui. Mr. Young vou injetar seus remédios na veia, porque o tal do cúpido anda tão sem mira ultimamente.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

My Blueberry nights

"There's nothing wrong with the blueberry pie. Just... People make other choices. You can't blame the blueberry pie, just... No one wants it"
(Jeremy - no filme My Blueberry Nights ou "Um beijo roubado")

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sintomas

Um amigo pediu uma menina em namoro. Ciumenta que sou, fui contra, argumentando que antes é preciso tempo para ter certeza absoluta dos sentimentos. Isso me deixou uns dias pensando, afinal como se tem certeza do sentimento? Qual sintoma denuncia que se está apaixonado?

Conclui que ter vontade de comentar a notícia de jornal com ele (ou ela) é um sintoma forte. Porque vontade de beijar, andar de mãos dadas, levar pra cama, basta que a pessoa seja interessante, que role a tal "química" e pronto (o que por sinal já é bastante coisa). Mas a pessoa especial mesmo não é aquela que eu quero convidar para aquele jantar romântico, que eu ensaiei o comentário sobre a diferença do vinho Merlot e Carbenet Sauvignon, mas a aquela pessoa que eu tenho vontade de convidá-la para dividir um ato tão banal quanto ler jornal pela manhã. Quando dá vontande de que ele esteja comigo ao espalhar os cadernos pelo tapete, tomar uma caneca de café sem nenhum glamour, e comentar futilidades da coluna de fofocas, o otimismo com o caderno de economia, e o pessimismo com o de política, eu sei que estou apaixonada pelo conquistado e não pelo ato de conquistar.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Canto de Ossanha II

Meses atrás minha casa sofreu uma reforma. Foi terrível. Odeio reformas. Tive que ficar morando na casa do meu tio por mais de uma semana. E quando voltei, a casa parecia destruída por um terremoto. Tivemos de tirar tudo dos quartos e da sala. E era hora de colocar todas as gavetas no lugar. Todas.

Encontrei algumas cartas antigas espalhadas por elas. Uma delas datava de 2 de janeiro de 2004 (alguns nostalgicos ainda escrevem cartas e colecionam vinil). Tinha duas páginas. Reli e ao final, tinha a transcrição da letra Canto de Ossanha, a tal que diz que "Amor só é bom se doer".

Nunca acreditei nessa música. Acho que não tenho que sofrer. Acho que amor tinha que ser feito pra gente ser feliz. Mas na realidade, Baden Powell (ou Vinicius) tem razão quando diz que o amor pressume um certo sofrimento. Mas como alguns comentários em uns posts abaixo, eu não combino em nada com uma pessoa niilista, então acima de tudo, creio firmemente nesta parte:

"Não vou que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer a tristeza de um amor que passou/Não, eu só vou se vou pra ver uma estrela aparecer na manhã de um novo amor".

As estrelas sempre aparecem.

domingo, 18 de maio de 2008

"Pra que mentir, fingir que perdoou"

Eu pensei em chegar no salto agulha, queixo erguido, me fazendo de bonita. Olhando de cima, sem culpa, e com toda a pose que uma vítima pode ter. Vítima, não. Olharia como acusadora.
Pois é, mas resolvi não olhar mais. Resolvi mudar de calçada. De uma calçada que gosto até. Não é por sua causa. É por minha. É pra manter a lealdade comigo. Eu não tenho que estar sempre no salto. Não estou, oras. E só meus pés sabem os calos que lhe custam andar somente com a ponta do pé. Eu não tenho que ser sempre madura ebem resolvida. Eu também não sou perfeita, perdoe-me. Então, se o teatro nada resolve na minha vida (e não resolve na de ninguém), eu vou dar um tempo. Não um tempo pra você. Um tempo pra mim. Para que eu possa descansar os meus pés.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Eu não quero jogar II



A Fran, uma amiga assídua leitora desse blog, costuma dizer que não se deve confiar em alguém que joga poquer. Tem sua lógica. Para vencer o jogo é preciso saber blefar.

Um amigo ficou de me ensinar a jogar, mas até agora, nada (né Judson). Acho que é porque ele me conhece tão bem que sabe que eu não vou conseguir aprender. É que ele se diverte porque eu caio nos seus pequenos blefes e o pior, eu sempre mostro as cartas. Um amigo em comum diz que eu me comunico mais com os olhos do que com as palavras. Ele está certo. Meus olhos denunciariam as cartas que eu teria nas mãos. Perderia o jogo no ato.

Ontem, assisti o belíssimo "Um beijo roubado" (terrível tradução de My Blueberry Nights) que faz algumas anologias ao poquer. A protagonista Lizzie (Norah Jones), com a qual me identifiquei muito, conhece uma jogadora de poquer (Nathalie Portman). As diferenças entre a jogadora e Lizzie são evidentes e adorei as anologias ao jogo. Portman tem habilidades únicas de ler as intenções das pessoas, e sabe que não pode confiar em ninguém. Nem em si mesma. Erra as vezes na dose alta de desconfiança. Mas mesmo assim acredita nessas regras do jogo e tenta ensinar Lizzie a blefar na hora de comprar um carro. Lizzie rejeita suas lições e fica feliz por não ter aprendido a jogar com Portman. Ela continua a confiar.

As vezes acho que já é hora de parar de confiar nos outros. Mas não sei se quero aprender a desconfiar. Acho que o Judson está certo em não me ensinar a jogar.

sábado, 12 de abril de 2008

Não quero jogar

Na capa da revista Nova, tem uma chamada que varia pouco a cada edição: “Transei no primeiro encontro. E agora?" Ou "Quando é a hora de ir para a cama com ele?"

Num bar, numa mesa de amigos e amigas, uma das garotas lança a discussão sobre o assunto para participação deles. Os rapazes optaram por responder com "poréns", enquanto as garotas deviam pensar no que já tinham feito.

Mais tarde conversando com um amigo, ele me sugeriu que não é preciso se preocupar com jogos se você só estiver interessada em “dar uns beijos” descompromissadamente. Mas se tiver o objetivo de encontrar o homem da sua vida, ou um namorado, é preciso fazer jogo, não mostrar as cartas.

Eu não sei jogar e não tenho paciência para jogo, foi o que respondi. Mas a verdade é que eu não quero jogar, porque o homem da minha vida é justamente aquele que gostar de mim do jeito que sou, inclusive respeitando o fato de ter vontade própria ou mesmo de desejá-lo (não há nada de moralmente indefensável nisso).

As sete garotas da mesa compartilhavam a mesma opinião. Por que as mulheres se preocupam com isso? Por acaso alguma garota acha o cara menos interessante por ele sentir desejo por você ou querer te levar pra cama? Acredito que não. As mulheres acham natural que os homens gostem de sexo, a desejem e exponham suas vontades. Por que então uma mulher deveria não sentir desejo ou pior, reprimi-lo? Ela deixaria de ser inteligente, bonita, simpática ou que mais a torna interessante, porque ela quer o mesmo que o homem? Há alguma desigualdade aí, né, e que me incomoda muito como qualquer desigualdade.

Há inúmeros motivos para não ir pra cama com um homem, seja no primeiro ou vigésimo encontro, um deles é ele ser machista e não o que ele pensa de você. Porque só uma mulher que não respeita as próprias vontades, que é omissa e submissa pode querer um homem que não está preparado para uma relação igualitária e que não queira ter ao lado uma companheira autentica.

sábado, 5 de abril de 2008

Meu partido é um coração partido

Volto do bar com ombros caídos e pouca bebida ingerida. É sexta-feira a noite e ninguém no msn. Eu em casa, sozinha, carente, me sentindo um tanto fracassada e um tanto mesquinha por estar com pena de mim e sem nada mais nobre pra pensar.

Ontem, foi aniversário dele. Ele que era o mais bonito, desejado em todas as boates. O mais genial da turma, o mais querido. Ele que era rei, sem precisar governar. Pois logo ele é que me entende tão bem.

Ele disse desavergonhadamente que é fracassado, carente, meio puto, que amar é brega, e que nem sabe amar. Ele não cantou um amor nobre, cantou o amor meio sujinho, que esfrega a perna por debaixo da mesa pra depois ganhar cafuné. Adoro tudo isso que ele disse com voz rouca e tom sarcástico. Adoro as coisas que ele contava que só se conta pra si, não se assume em roda de bar.

“Meus amigos estão dormindo
Ninguém me telefona
Porque domingo é o
Dia mais triste de
Todos os tempos
Porque não tem sol” (domingo)


“Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada
ou beijo de namorada” (O tempo não pára)


“Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito” (ideologia)


“Mas eu tenho a impressão
Que todos nós somos fracassados
Eu, por exemplo: não amo...” (fracasso)


“Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down” (eu ando tao down)


“Estou tão só
Meus pais não me conhecem
Meus amigos são chatos
Meu cachorro não me lambe
Mas eu quero alguém
Quero alguém” (eu quero alguém)


“O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer” (O nosso amor a gente inventa)


“O amor é brega
Eu quero um” (o amor é brega)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Quero um amor bem cachorro

"No mesmo horário, todo dia, um labrador caramelo vem até o portão. E pára diante da cerca, quieto, o olhar fixo em mim, abanando o rabo. Ele já esteve aqui. Pela sua intimidade em aparecer. Não vem farejando, tateando. Não tropeça ou cheira os lixos, árvores e a grama. Não caminha por enganos e pistas. Chega direto e senta. Aguarda uma resposta. Não falo, não o chamo para perto, não ofereço comida e ele volta. Sua pausa é obcecada. Não esmola, não é um vira-lata perdido. Percebo que tampouco é faminto: atento e curioso com a minha reação. Uma chuva seca. Ele chove sua lã diante de mim.

Talvez esteja procurando a inquilino anterior da residência, mas não cansa de vir, sempre com mais tristeza em sua expressão. Tristeza altiva. Não precisa de mim, precisa daquele momento, daquela postura comovida, daquela excêntrica pontualidade.

É fiel a uma promessa. Sou sua promessa mesmo que não tenha sido eu a fazê-la. Ele me observa disposto a me entregar uma carta. Ou me levar até ela. Lambe as patas, a roer sua docilidade. Tem a melancolia de circo. A melancolia que apenas o circo conhece. A melancolia de um circo durante o dia, longe de suas apresentações e das ansiosas crianças.

O labrador demora dez minutos de oração e vigília, antes de sumir. O homem deveria ter metade de sua lealdade. E metade de seu silêncio, para ser completo.

Bater à casa quando o amor foi embora, não somente quando ele está dentro. Formar a casa diante da casa. Formar esperas".

Fabricio Carpinejar

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Manhã de domingo chuvosa

A paixão bate a porta/
Não convém deixá-la entrar/
Convém não deixá-la ir embora.


Para passar manhãs chuvosas de domingo com você, eu faria até panquecas para o café-da-manhã.
Pena que você não toma café.


Manhã de segunda-feira chuvosa

Há uma série de músicas sobre chuva. Nenhuma delas deve ter sido feita na segunda-feira chuvosa. Humpf

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Sedução

Pensei seduzir você, mudando-me qual mutante
De alguma estrela trazer um raciocínio brilhante
Bater no peito e dizer, num brado bem retumbante
Só penso em você, por que que eu não pensei nisso antes?"
(Itamar Assumpção)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Eu queria tanto encontrar uma pessoa como eu!

Ontem, eu liguei a TV e estava o Mano Brown no Roda Viva. Isso é muito bom e raro. Ele é alguém que parece ter tanto a dizer, que todos querem ouvir, mas que nunca dá entrevistas ou aparece em frente a uma câmera. Tem seus motivos, afinal a mídia pode deturpar tudo o que bem entender, mas acho um pouco esnobe também da parte dele, como se dissesse Sou Mano e não me misturo com a playboyzada.

Enfim, naquele momento banal da vida me dei conta que estou me sentindo sozinha. Senti vontade de dividir com alguém minha alegria boba de ver o Mano Brown na TV. Não tinha ninguém ali e depois de algum tempo comecei a sentir essa saudade estranha de alguém indefinido.

Obs:Essa sensação deve ser decorrencia do show que assisti esse fim de semana. O novo CD do Pato Fu está mais do que pra baixo e sou altamente influenciavel. O show anterior da minha banda emo favorita era tão mais divertido. (o que não significa que o Album Daqui pro Futuro seja pior, muito pelo contrário, está lindo!!!)