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terça-feira, 12 de abril de 2011
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
terça-feira, 14 de julho de 2009
Pérolas
Acabo de encontrar esse site Desencannes (sacou os dois enês?). O site coloca as peças publicitárias engraçadicíssimas, mas que jamais seriam aprovadas pelo cliente, sequer pelo Atendimento sensato da agência. Mas são ótimas! Lá tem pérolas como essas aqui:

segunda-feira, 2 de março de 2009
A fórmula do amor
Eu tenho um bom papo e sei até dançar
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Eu jogo um charme, alguém me vê
Nada acontece, não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei
Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor
(Fórmula do Amor - Leoni)
Quem tem mais de 15 anos já deve cantarolado essa música do Kid Abelha em algum momento. Seguida pelo "Por que não eu?". Mas agora, seus problemas acabaram. Encontraram a fórmula do amor.
O revolucionário doutor Larry Young, da Universidade de Emory (Georgia/USA), está comandando uma pesquisa justamente para chegar a Pílula do Amor. É um punhado de oxitocina aqui, uma pitada
de vasopressina dali e pronto...apaixonou! Genial, né? Melhor, a paixão está diminuindo, tá rolando aquele tédio, toma a pilula do amor e pronto, paixão renovada. E mais, apaixonou pela pessoa errada? Vá até a farmácia, toma um anti-oxitocina e já era.
Ai, ai, a ciência me surpreende! A reportagem saiu no Fantástico de ontem. Dá pra ver aqui. Mr. Young vou injetar seus remédios na veia, porque o tal do cúpido anda tão sem mira ultimamente.
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Eu jogo um charme, alguém me vê
Nada acontece, não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei
Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor
(Fórmula do Amor - Leoni)
Quem tem mais de 15 anos já deve cantarolado essa música do Kid Abelha em algum momento. Seguida pelo "Por que não eu?". Mas agora, seus problemas acabaram. Encontraram a fórmula do amor.
O revolucionário doutor Larry Young, da Universidade de Emory (Georgia/USA), está comandando uma pesquisa justamente para chegar a Pílula do Amor. É um punhado de oxitocina aqui, uma pitada
de vasopressina dali e pronto...apaixonou! Genial, né? Melhor, a paixão está diminuindo, tá rolando aquele tédio, toma a pilula do amor e pronto, paixão renovada. E mais, apaixonou pela pessoa errada? Vá até a farmácia, toma um anti-oxitocina e já era.
Ai, ai, a ciência me surpreende! A reportagem saiu no Fantástico de ontem. Dá pra ver aqui. Mr. Young vou injetar seus remédios na veia, porque o tal do cúpido anda tão sem mira ultimamente.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Eu amo publicidade!
Propaganda do creme depilatório Veet...mais apropriada impossível.

Adoro trocadilho! Descobri há pouco que "bush" tem esse outro sentido.
Descoberto no 100 milimetros

Adoro trocadilho! Descobri há pouco que "bush" tem esse outro sentido.
Descoberto no 100 milimetros
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Uma eleição mais interessante
Não fosse o “quase lá” surpreendente do Gabeira, as eleições municipais de 2008 teriam sido bem chatinhas. Nas capitais, o PT elegeu 6 prefeitos, ante os 9 em 2004 (mas deixou sucessor em BH). Por outro lado, o partido ganhou 146 prefeituras a mais que em 2004.
Houve reeleição em São Paulo, Fortaleza, Salvador, Vitória, Cuibá, Campo Grande, Goiania, e nas três capitais sulistas. Os apadrinhados pelos governadores no Rio de Janeiro e Belo Horizonte venceram. Conclusão, independente de partidos, o eleitor optou por deixar tudo como está. Acho que os últimos anos de economia nos eixos e crescente deixou todo mundo com sensação de barriga cheia e satisfeitos com a situação.
Já que as eleições municipais acabaram e as dos Estados Unidos eu não posso votar mesmo, meu foco é uma eleição bem mais interessante e gostosa: a escolha do melhor petisco de São Paulo no Boteco Bohemia. Já adquiri meu livreto de candidatos e estou procurando provar todos para ser bem justa em minha escolha. Ainda mais nesse caso, sou contra voto nulo e acho importantíssimo pesquisar bem os candidatos. Por enquanto, eu estou fazendo boca de urna para o Portadella, um pastel de massa folhada com recheio de mortadela, catupiry e pistache do Portella. Huuummm!

Houve reeleição em São Paulo, Fortaleza, Salvador, Vitória, Cuibá, Campo Grande, Goiania, e nas três capitais sulistas. Os apadrinhados pelos governadores no Rio de Janeiro e Belo Horizonte venceram. Conclusão, independente de partidos, o eleitor optou por deixar tudo como está. Acho que os últimos anos de economia nos eixos e crescente deixou todo mundo com sensação de barriga cheia e satisfeitos com a situação.
Já que as eleições municipais acabaram e as dos Estados Unidos eu não posso votar mesmo, meu foco é uma eleição bem mais interessante e gostosa: a escolha do melhor petisco de São Paulo no Boteco Bohemia. Já adquiri meu livreto de candidatos e estou procurando provar todos para ser bem justa em minha escolha. Ainda mais nesse caso, sou contra voto nulo e acho importantíssimo pesquisar bem os candidatos. Por enquanto, eu estou fazendo boca de urna para o Portadella, um pastel de massa folhada com recheio de mortadela, catupiry e pistache do Portella. Huuummm!

Serviço: Portella – Rua Sebastião Soares de Farias, 61, Bela Vista.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Quais candidatos pensam como você?
Para nos ajudar a decidir em quem votar nesse domingo, a Veja colocou em seu portal um questionário. Você responde quais seriam suas prioridades se fosse prefeito, qual solução daria para o trânsito, educação, saúde, meio-ambiente, etc. Ao final, ele aponta qual o candidato tem mais idéias em comum com as suas. Acesse aqui.
Sei que você pode desconfiar da Veja. Mas, o bom desse teste é que ele aponta questão a questão o candidato que pensa como você e não traz o resultado apenas no final. Assim, dá pra ver que você concorda com a solução para saúde do candidato A, mas discorda da proposta dele para o trânsito, e prefere a solução do candidato B.
O teste parece bem lógico e o meu resultado não me surpreendeu. Eu que estou com um resquicio de dúvida, continuei com ela. O que significa que o teste não me induziu tanto. Ele pode ajudar a comprovar se você realmente não está deixando de votar na Marta porque ela é uma perua, na Soninha porque é maconheira, no Alckmin porque é sem graça ou no Kassab porque é gay. Se for para justificar o voto, que seja nas idéias e não pelas figuras. Afinal com bom marketeiro, o Kassab vira simpático, bonito, macho (minha mãe vai votar nele porque acha ele muito macho, ui!).
*O teste também é válido para o Rio de Janeiro.
Sei que você pode desconfiar da Veja. Mas, o bom desse teste é que ele aponta questão a questão o candidato que pensa como você e não traz o resultado apenas no final. Assim, dá pra ver que você concorda com a solução para saúde do candidato A, mas discorda da proposta dele para o trânsito, e prefere a solução do candidato B.
O teste parece bem lógico e o meu resultado não me surpreendeu. Eu que estou com um resquicio de dúvida, continuei com ela. O que significa que o teste não me induziu tanto. Ele pode ajudar a comprovar se você realmente não está deixando de votar na Marta porque ela é uma perua, na Soninha porque é maconheira, no Alckmin porque é sem graça ou no Kassab porque é gay. Se for para justificar o voto, que seja nas idéias e não pelas figuras. Afinal com bom marketeiro, o Kassab vira simpático, bonito, macho (minha mãe vai votar nele porque acha ele muito macho, ui!).
*O teste também é válido para o Rio de Janeiro.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
Vícios divertidos
Tenho manias estranhas. Uma delas é que não resisto a um formulário de perguntas. Sabe aquelas pessoas na porta de supermercado com pranchetas que querem fazer pesquisa de opinião? Quando vejo um, eu diminuo o passo, só pra poder participar. Não resisto a um desses formulários sobre atendimento ou qualidade do serviço. Fico concentradíssima respondendo. Adoro enquentes em sites que querem saber se eu compraria um carro novo ou se passei a comer macarrão depois da alta do arroz. Aliás, desde a adolescência tinha um caderninho só pra enquentes, ficava atrás das pessoas do colégio pra saber qual o filme, cor, música elas preferiam.
Meu vício tende a piorar. Acabo de descobrir que o site da Veja tem uma série de testes interessantíssimos com muitas lacunas pra preencher. Não consigo mais parar de fazer. Já descobri que sou "centro-esquerda-liberal" (esse teste é excelente, tem base cientifíca e eu recomendo), que penso como a maioria de pessoas de nível superior (não entendi se isso é bom ou ruim), que não sou nerd, mas não estou tão longe disso, que meu cerébro é feminino (sempre pensei o contrário), que pertenço a classe economica B1 (eles ainda perguntam sobre aspirador de pó e videocassete e nem citam computadores). Bem, ainda tem dezenas de testes para eu terminar...estou esfregando as mãos e procurando o telefone de um terapeuta.
Ah, não resisto tem ainda um joguinho (sem vencedor) sobre roteiros de cinemas extremamente viciante no site da Bravo!
Meu vício tende a piorar. Acabo de descobrir que o site da Veja tem uma série de testes interessantíssimos com muitas lacunas pra preencher. Não consigo mais parar de fazer. Já descobri que sou "centro-esquerda-liberal" (esse teste é excelente, tem base cientifíca e eu recomendo), que penso como a maioria de pessoas de nível superior (não entendi se isso é bom ou ruim), que não sou nerd, mas não estou tão longe disso, que meu cerébro é feminino (sempre pensei o contrário), que pertenço a classe economica B1 (eles ainda perguntam sobre aspirador de pó e videocassete e nem citam computadores). Bem, ainda tem dezenas de testes para eu terminar...estou esfregando as mãos e procurando o telefone de um terapeuta.
Ah, não resisto tem ainda um joguinho (sem vencedor) sobre roteiros de cinemas extremamente viciante no site da Bravo!
terça-feira, 27 de maio de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Desculpa esfarrapada
A revista "IstoÉ" adulterou uma fotografia adquirida da Folha, apagando no photoshop "Fora Serra", expressão pichada pelo MST na placa durante ato contra a privatização da Cesp. A imagem foi publicada pela revista há duas semanas, ao lado da reportagem "O MST contra o desenvolvimento".Em e-mail enviado à agência de notícias da Folha, o editor-executivo da agência IstoÉ, César Itiberê, confirmou a adulteração e pediu desculpas. "Houve realmente manipulação por photoshop da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética." Ele afirmou, por telefone, que "não houve nenhuma ordem superior, nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido".
Estética, nesse caso? Conta outra, né.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Frase genial
"Todas as famílias felizes se parecem; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira."
Leon Tolstoi
Leon Tolstoi
Quero um amor bem cachorro
"No mesmo horário, todo dia, um labrador caramelo vem até o portão. E pára diante da cerca, quieto, o olhar fixo em mim, abanando o rabo. Ele já esteve aqui. Pela sua intimidade em aparecer. Não vem farejando, tateando. Não tropeça ou cheira os lixos, árvores e a grama. Não caminha por enganos e pistas. Chega direto e senta. Aguarda uma resposta. Não falo, não o chamo para perto, não ofereço comida e ele volta. Sua pausa é obcecada. Não esmola, não é um vira-lata perdido. Percebo que tampouco é faminto: atento e curioso com a minha reação. Uma chuva seca. Ele chove sua lã diante de mim.
Talvez esteja procurando a inquilino anterior da residência, mas não cansa de vir, sempre com mais tristeza em sua expressão. Tristeza altiva. Não precisa de mim, precisa daquele momento, daquela postura comovida, daquela excêntrica pontualidade.
É fiel a uma promessa. Sou sua promessa mesmo que não tenha sido eu a fazê-la. Ele me observa disposto a me entregar uma carta. Ou me levar até ela. Lambe as patas, a roer sua docilidade. Tem a melancolia de circo. A melancolia que apenas o circo conhece. A melancolia de um circo durante o dia, longe de suas apresentações e das ansiosas crianças.
O labrador demora dez minutos de oração e vigília, antes de sumir. O homem deveria ter metade de sua lealdade. E metade de seu silêncio, para ser completo.
Bater à casa quando o amor foi embora, não somente quando ele está dentro. Formar a casa diante da casa. Formar esperas".
Fabricio Carpinejar
Talvez esteja procurando a inquilino anterior da residência, mas não cansa de vir, sempre com mais tristeza em sua expressão. Tristeza altiva. Não precisa de mim, precisa daquele momento, daquela postura comovida, daquela excêntrica pontualidade.
É fiel a uma promessa. Sou sua promessa mesmo que não tenha sido eu a fazê-la. Ele me observa disposto a me entregar uma carta. Ou me levar até ela. Lambe as patas, a roer sua docilidade. Tem a melancolia de circo. A melancolia que apenas o circo conhece. A melancolia de um circo durante o dia, longe de suas apresentações e das ansiosas crianças.
O labrador demora dez minutos de oração e vigília, antes de sumir. O homem deveria ter metade de sua lealdade. E metade de seu silêncio, para ser completo.
Bater à casa quando o amor foi embora, não somente quando ele está dentro. Formar a casa diante da casa. Formar esperas".
Fabricio Carpinejar
terça-feira, 8 de maio de 2007
Tato
Na única vez em que nos separamos, esqueci - como sempre - de pegar a tolha na hora do banho. Ameacei gritar, porém não adiantaria, não havia ninguém em casa. Ela havia deixado sua toalha molhada no banheiro. Não reclamei de seu triste hábito. Eu me sequei exaustivamente com ela. Com o seu cheiro.
Fabricio Carpinejar
Fabricio Carpinejar
Audição
Eu não poderia ter cometido maior traição: roubei a manicure de minha mulher.
A manicure já era ocupada e tratei de me antecipar. O horário que restava era o do almoço. A esposa ficou inconsolável, mas deve ter pensado "melhor trocar de manicure do que de marido".
Ao fazer as unhas, eu me coloquei no lugar de minha esposa. Por que ela deixava tão radiosa o salão? Por que sua alegria era leveza ao visitar o carrinho de esmaltes, acetonas e algodão? O que eu me esforçava para fazer e a manicure resolvia sem sofrer? Não estou me referindo à beleza, mas à verdade.
Minha mulher chegava em nossa casa confiante, disposta, num estado semelhante ao meu quando voltava do estádio em vitória do time ou de um jogo triunfante com os amigos. O que passava lá?
Meses sucessivos observando as mesinhas com ardor indiscreto, levantando conversas absurdas, descobri a resposta: a manicure sabia ouvir. Ouvir com atenção. Ouvir com delicadeza. Ouvir frente a frente, ouvir com os olhos postos na boca. Não ouvir com os ouvidos, e sim com todo o corpo. Não ouvir correndo como eu, do quarto à sala, como quem já está pensando em outra urgência. Ouvir parado, com os pés mergulhados nos olhos. Não ouvir como eu, mudando de assunto como quem cumpre um inventário rápido do dia para se ver livre da preocupação.
Ouvia com disposição. Como se estivesse dentro de uma igreja ou de uma sinagoga. Ouvia baixinho, com a atenção cúmplice, como um pássaro diante de um miolo de pão, provando devagar e virando a migalha para o lado mais seco.
Como podemos compreender nossa mulher sem ouvir? Sem ouvir o que não interessa, justamente para criar novos interesses?
Ao invés de ficar pensando o que ele deseja, deveria desejar junto.
Apesar da intimidade, necessitei aprender de sua manicure o mais importante: o quanto ela quer ouvir de mim que simplesmente estou ouvindo. Não pede uma declaração de amor, pede meu silêncio compreensivo. Um silêncio alegre da identificação. Um silêncio seresteiro, de musicar o convívio pelas janelas.
Fabricio Carpinejar
A manicure já era ocupada e tratei de me antecipar. O horário que restava era o do almoço. A esposa ficou inconsolável, mas deve ter pensado "melhor trocar de manicure do que de marido".
Ao fazer as unhas, eu me coloquei no lugar de minha esposa. Por que ela deixava tão radiosa o salão? Por que sua alegria era leveza ao visitar o carrinho de esmaltes, acetonas e algodão? O que eu me esforçava para fazer e a manicure resolvia sem sofrer? Não estou me referindo à beleza, mas à verdade.
Minha mulher chegava em nossa casa confiante, disposta, num estado semelhante ao meu quando voltava do estádio em vitória do time ou de um jogo triunfante com os amigos. O que passava lá?
Meses sucessivos observando as mesinhas com ardor indiscreto, levantando conversas absurdas, descobri a resposta: a manicure sabia ouvir. Ouvir com atenção. Ouvir com delicadeza. Ouvir frente a frente, ouvir com os olhos postos na boca. Não ouvir com os ouvidos, e sim com todo o corpo. Não ouvir correndo como eu, do quarto à sala, como quem já está pensando em outra urgência. Ouvir parado, com os pés mergulhados nos olhos. Não ouvir como eu, mudando de assunto como quem cumpre um inventário rápido do dia para se ver livre da preocupação.
Ouvia com disposição. Como se estivesse dentro de uma igreja ou de uma sinagoga. Ouvia baixinho, com a atenção cúmplice, como um pássaro diante de um miolo de pão, provando devagar e virando a migalha para o lado mais seco.
Como podemos compreender nossa mulher sem ouvir? Sem ouvir o que não interessa, justamente para criar novos interesses?
Ao invés de ficar pensando o que ele deseja, deveria desejar junto.
Apesar da intimidade, necessitei aprender de sua manicure o mais importante: o quanto ela quer ouvir de mim que simplesmente estou ouvindo. Não pede uma declaração de amor, pede meu silêncio compreensivo. Um silêncio alegre da identificação. Um silêncio seresteiro, de musicar o convívio pelas janelas.
Fabricio Carpinejar
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Minha filha
No orkut, entrei em uma comunidade: "Saudade de um tempo não vivido". Para pessoas de 20 anos que gostariam de ter ido aos Festivais da Canção da Record, assistido a Elis ao vivo, ter uma juventude engajada, uma economia crescente, poder andar a noite no centro de SP, usar vestidos rodados de bolinhas, ter sido hippie e viver na comunidade da Baby Consuelo/do Brasil, ou namorar rapazes de topetes e lambretas, essas coisas de 50, 60, 70.
Bem, mas a real é que me entristeço, porque eu queria cantores, compositores, escritores, poetas que representassem a minha geração. Queria muito me sentir representadas com as aflições que tenho hoje.
Por isso me encantei com Fabricio Carpinejar, que conheci através do blog do Marcelo Coelho da Folha. O poeta acaba de lançar o livro Meu filho, minha filha. Só vi uns trechinhos no site, mas já fiquei com apetite de descobrir mais sobre ele.
Ele fala sobre um amor paterno muito atual. De um homem sensível e fragilizado, que vive distante dos filhos devido a separação da esposa, com saudade, remorço, e com um pires na mão pedindo migalhas de carinho e atenção dos filhos adolescentes.
Tem uma riqueza de imagens de tirar o fôlego. Emocionante e me faz lembrar com um tanto de dó do meu pai. Vem umas imagens dele tão pequeno, um dia em que ele chorou na minha frente (achava que pais não chorassem), pedindo colo, proteção, perdão. Depois, ele ontem em casa andando atrás da gente, contando do ex-marido de uma amiga que estava doente e que os filhos não iam ver. Parecia ter medo de ser abandonado, por não ser bem aquilo que eu queria que fosse, ou que eu precisasse que fosse.
Ah, sim, uns versos paternais do Carpinejar:
"Nem todos os pais podem dormir com seus filhos na mesma casa em que vivem. Como eu, alguns pais são separados, que dispõem apenas de um sábado e domingo para confirmar a paternidade e reencontrar o significado da família. Pai separado sempre está sob a ameaça de despejo. De ser trocado. Ou de ser esquecido".
Corto tuas unhas e reclamas/ que aparo muito rente da pele./Desculpa, tudo que vivi foi rente à pele.//...Eu te alfabetizei e foste/me tirando o espaço entre as linhas./Guarda-me apenas uma fresta.//Não importa o que os adultos falam,/serei o pai da insistência./Até onde posso ir para te resgatar?//Reclamas do teu pai, como se ele tivesse/ condições de se inventar de novo./Desculpa, corto as palavras/ muito rente da pele,/assim como descascava maçã e levava com a faca/ uma lasca por vez em sua boca.//Tudo o que vivi foi rente à pele./Deixei de ser pai e virei a pensão da tua mãe./Não esqueço o dia em que o oficial de justiça/bateu à minha porta a cobrar/ o que já concedia naturalmente./No papel timbrado, teu nome contra o meu.//O nome que escolhi contra o meu./O nome que sonhei contra o meu./Fui teu primeiro réu, sem que tu soubesses.
Quando brinco com as crianças// e faço palhaçada, elas se divertem,/menos tu//Tantas vezes ouvi tua vergonha/ explicando aos colegas,/com os olhos virados para cima:// 'Meu pai é louco'./Louco por quem? Já perguntaste?
Bem, mas a real é que me entristeço, porque eu queria cantores, compositores, escritores, poetas que representassem a minha geração. Queria muito me sentir representadas com as aflições que tenho hoje.
Por isso me encantei com Fabricio Carpinejar, que conheci através do blog do Marcelo Coelho da Folha. O poeta acaba de lançar o livro Meu filho, minha filha. Só vi uns trechinhos no site, mas já fiquei com apetite de descobrir mais sobre ele.
Ele fala sobre um amor paterno muito atual. De um homem sensível e fragilizado, que vive distante dos filhos devido a separação da esposa, com saudade, remorço, e com um pires na mão pedindo migalhas de carinho e atenção dos filhos adolescentes.
Tem uma riqueza de imagens de tirar o fôlego. Emocionante e me faz lembrar com um tanto de dó do meu pai. Vem umas imagens dele tão pequeno, um dia em que ele chorou na minha frente (achava que pais não chorassem), pedindo colo, proteção, perdão. Depois, ele ontem em casa andando atrás da gente, contando do ex-marido de uma amiga que estava doente e que os filhos não iam ver. Parecia ter medo de ser abandonado, por não ser bem aquilo que eu queria que fosse, ou que eu precisasse que fosse.
Ah, sim, uns versos paternais do Carpinejar:
"Nem todos os pais podem dormir com seus filhos na mesma casa em que vivem. Como eu, alguns pais são separados, que dispõem apenas de um sábado e domingo para confirmar a paternidade e reencontrar o significado da família. Pai separado sempre está sob a ameaça de despejo. De ser trocado. Ou de ser esquecido".
Corto tuas unhas e reclamas/ que aparo muito rente da pele./Desculpa, tudo que vivi foi rente à pele.//...Eu te alfabetizei e foste/me tirando o espaço entre as linhas./Guarda-me apenas uma fresta.//Não importa o que os adultos falam,/serei o pai da insistência./Até onde posso ir para te resgatar?//Reclamas do teu pai, como se ele tivesse/ condições de se inventar de novo./Desculpa, corto as palavras/ muito rente da pele,/assim como descascava maçã e levava com a faca/ uma lasca por vez em sua boca.//Tudo o que vivi foi rente à pele./Deixei de ser pai e virei a pensão da tua mãe./Não esqueço o dia em que o oficial de justiça/bateu à minha porta a cobrar/ o que já concedia naturalmente./No papel timbrado, teu nome contra o meu.//O nome que escolhi contra o meu./O nome que sonhei contra o meu./Fui teu primeiro réu, sem que tu soubesses.
Quando brinco com as crianças// e faço palhaçada, elas se divertem,/menos tu//Tantas vezes ouvi tua vergonha/ explicando aos colegas,/com os olhos virados para cima:// 'Meu pai é louco'./Louco por quem? Já perguntaste?
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
Angela e Duque
Faz quase 6 anos que ouvi esse texto no show da Ana Carolina no Sesc Belenzinho. Ela tava começando a carreira, lançando o segundo CD, não tinha sido capa da Veja (embora sua orientação era evidente), nem tinha recebido CD de Ouro. O texto é da Elisa Lucinda, a dra Selma da novela Páginas da Vida, aquela negra linda de olhos verdes. Na época, apesar da minha pouca idade, eu me identifiquei, e acho muito difícil, em algum momento da nossa vida isso não acontecer. Todo mundo quer ter esse animalzinho, essa intimidade, essa cumplicidade.
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Eu a vejo quase todas as manhãs. Não é exatamente bonita. Aliás ela é de uma feiúra estranha como se carregasse uma beleza espalhada em si, nos gestos e não nos traços exatamente. Não importa. Importa é que a vejo acompanhada perenemente pelo seu cão.
Um pastor alemão com cara de bom companheiro. E o é. Olha-a muito, encaixa seu focinho entre os joelhos dela, brinca com ela, gane querendo dengo. Ela também, essa minha vizinha de uns quarenta e vividos anos, brinca de não-solidão com esse cachorro específico; gosta dele, ri: Não Duque, assim não, deixa o moço, Duque, me espere. Não vá na minha frente assim, cuidado com o carro, menino. Ele a olha como quem agradece. E vão os dois, não em vão, pelas ruas de Copacabana sob o sol, felizes que só vendo.
Nos encontramos no elevador e eu: - Vocês se divertem tanto, é tão bonito. - É, nos conhecemos na rua. Ele olhou pra mim bem nos meus olhos. Eu estava trabalhando. Vi logo que era um cão bem cuidado fisicamente mas faltava-lhe carinho. Fiquei agachada na calçada só namorando ele. Decidimos que ele viveria comigo. Tudo aconteceu “naturalmente”, ela frisou, como se quisesse dissipar de mim qualquer sombra de suspeita de um possível roubo. Noutro dia no mesmo elevador, ela, eu e Duque. O elevador apertado e ela continuou femininamente a conversa do último elevador nosso: - Tenho certeza que ele é de câncer. É muito sensível. Só falta falar. Né Duque? ... ele não é lindo? Eu disse: Lindíssimo. E você que signo é? - Ah, sou capricórnio mas com ascendente em câncer, combina sim. Eu vejo Duque lambendo as mãos dela, as magras mãos cujos dedos ela oferecia de propósito e distraidamente a imordida dele. Eu olho admirando receosa por conta dos afiados dentes dele.
Quase não entendo de cães. Você tem medo... ô não ofenda ele; Duque entende pensamentos e não gostou do que você pensou. Jamais me morderia, jamais me trairia. Né Duque? Senti o pensamento de Duque latindo que jamais a trairia. Achei bonito. Fui para a rua pensando longamente nos dois. Ao final da tarde, avistei pela janela Duque e Angela indo ver o crepúsculo na praia. Depois vi os dois voltando sorridentes e caninos, sob a noite estrelada; ela com fitas de vídeo penduradas ao braço; sempre conversando com ele. Tenho inveja de Angela.
O animal que eu quero não mora comigo, não almoça mais comigo, não brinca mais, não me telefona, não me advinha os pensamentos, não me acompanha ao crepúsculo, não gane querendo dengo, nossos signos parecem não mais combinar. O animal que quero, pensa demais e por isso não passeia mais comigo. E o pior: Não me lambe mais.
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Eu a vejo quase todas as manhãs. Não é exatamente bonita. Aliás ela é de uma feiúra estranha como se carregasse uma beleza espalhada em si, nos gestos e não nos traços exatamente. Não importa. Importa é que a vejo acompanhada perenemente pelo seu cão.
Um pastor alemão com cara de bom companheiro. E o é. Olha-a muito, encaixa seu focinho entre os joelhos dela, brinca com ela, gane querendo dengo. Ela também, essa minha vizinha de uns quarenta e vividos anos, brinca de não-solidão com esse cachorro específico; gosta dele, ri: Não Duque, assim não, deixa o moço, Duque, me espere. Não vá na minha frente assim, cuidado com o carro, menino. Ele a olha como quem agradece. E vão os dois, não em vão, pelas ruas de Copacabana sob o sol, felizes que só vendo.
Nos encontramos no elevador e eu: - Vocês se divertem tanto, é tão bonito. - É, nos conhecemos na rua. Ele olhou pra mim bem nos meus olhos. Eu estava trabalhando. Vi logo que era um cão bem cuidado fisicamente mas faltava-lhe carinho. Fiquei agachada na calçada só namorando ele. Decidimos que ele viveria comigo. Tudo aconteceu “naturalmente”, ela frisou, como se quisesse dissipar de mim qualquer sombra de suspeita de um possível roubo. Noutro dia no mesmo elevador, ela, eu e Duque. O elevador apertado e ela continuou femininamente a conversa do último elevador nosso: - Tenho certeza que ele é de câncer. É muito sensível. Só falta falar. Né Duque? ... ele não é lindo? Eu disse: Lindíssimo. E você que signo é? - Ah, sou capricórnio mas com ascendente em câncer, combina sim. Eu vejo Duque lambendo as mãos dela, as magras mãos cujos dedos ela oferecia de propósito e distraidamente a imordida dele. Eu olho admirando receosa por conta dos afiados dentes dele.
Quase não entendo de cães. Você tem medo... ô não ofenda ele; Duque entende pensamentos e não gostou do que você pensou. Jamais me morderia, jamais me trairia. Né Duque? Senti o pensamento de Duque latindo que jamais a trairia. Achei bonito. Fui para a rua pensando longamente nos dois. Ao final da tarde, avistei pela janela Duque e Angela indo ver o crepúsculo na praia. Depois vi os dois voltando sorridentes e caninos, sob a noite estrelada; ela com fitas de vídeo penduradas ao braço; sempre conversando com ele. Tenho inveja de Angela.
O animal que eu quero não mora comigo, não almoça mais comigo, não brinca mais, não me telefona, não me advinha os pensamentos, não me acompanha ao crepúsculo, não gane querendo dengo, nossos signos parecem não mais combinar. O animal que quero, pensa demais e por isso não passeia mais comigo. E o pior: Não me lambe mais.
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