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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A sanidade venceu o medo

A frase acima não é minha. Foi publicada pelo jornal inglês The Guardian sobre a vitória de Dilma Rousseff como presidente do Brasil. Neste artigo, apelidam o candidato tucano de “Serra Palin”, comparando-o a conservadora republicada Sarah Palin dos Estados Unidos, uma vez que a discussão no segundo turno da campanha ficou bastante centrada em temas religiosos. E diz o seguinte:

“But in the end, sanity triumphed over fear, as voters proved to have been more convinced by the substantial improvements in their well-being during the Lula years than anything Serra had to offer”.

O artigo é um elogio ao governo petista, mas também aos eleitores brasileiros por sua escolha coerente. Diz que a campanha de Serra foi uma cópia ao modelo dos republicanos. Algo que tem funcionado nos últimos 40 anos nos Estados Unidos, porém no Brasil, os eleitores querem mais que discursos, querem saber quais melhoras práticas o candidato oferece para suas vidas.

O articulista procura englobar aspectos negativos do atual governo na política interna e externa e também questões importantes que a nova presidente terá de resolver. Vale a leitura sobre o que um dos jornais mais importante da Europa está falando sobre a gente.
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Ouvi gente bastante preocupada com a falta de experiência de Dilma. Declarando medo do que está por vir nas redes sociais. Não custa lembrar que durante a campanha de 2002, Regina Duarte também tinha muito medo do governo que viria com Lula. Certamente não foi um governo exemplar, mas foi um governo em que tivemos tantos avanços sociais e manutenção sensata da estabilidade econômica que na última campanha seus adversários mantiveram a figura de Lula quase que intacta. Atacavam a falta de experiência de Dilma, mas diziam que Lula tinha história. Antes da presidência, Lula não exerceu nenhum cargo político relevante, era especializado em campanhas, não em governos. E convenhamos, nesses 8 anos pior não ficamos, muito pelo contrário. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Presidente ou presidenta

Tanto faz. Ambos estão corretos. Temos prefeitas, governadoras, senadoras, deputadas, vereadoras, mas quanto se refere ao maior cargo político a gente fica na dúvida se é "presidente" ou "presidenta". Só temos dúvida, porque infelizmente nunca tivemos uma. Até agora.

Eu prefiro "presidente", porque esse cargo não foi inventado no domingo. Dilma só está mostrando que a cadeira estava disponível para o melhor candidato na visão do eleitorado e esse candidato finalmente e felizmente é uma mulher. Não ganhou meu voto por causa disso, não é exatamente a mulher que eu sonhava ver no planalto, mas quando a músiquinha do Plantão da Globo surgiu e Bonner anunciou com aquele sorriso e voz forte, que pela primeira vez na história ,o Brasil elegia uma mulher para a presidência do país, confesso que arrepiei.


Daí vem o discurso dela (um belo discurso por sinal), com esse palanque de dar arrepios. Credo cruz. Sabedoria e saúde para Dilma, porque eu temo o Temer.

domingo, 6 de setembro de 2009

Minha candidata


Serei orgulhosa por ter como presidente Marina Silva, uma mulher negra e grande guerreira na defesa do Amazônia e de seu povo. Herdeira do que eu considero o maior herói nacional, Chico Mendes, Marina eh exemplo de mulher forte, politica lucida, de biografia exemplar e sem máculas políticas.

Ainda tem o mérito de ter tido peito para deixar, não sem dor, o cargo de Ministra do Meio Ambiente, ao qual sempre honrou e deveria ter sido mais ouvida. Teve coragem para deixar o PT, partido que ajudou a fundar, quando este estava em um momento bastante indefensável, de braço dado com a imoralidade política, e tem um discurso progressista demais para a visão muito mais ampla de Marina.

Quando alguém é são e convicto o suficiente sobre o que defende, como Marina e, consegue virar a mesa e tornar-se uma candidata que vai saculejar as eleições presidências de 2010 (como até o NYT está anunciando). Prova de sua força mais uma vez.

Mais que trazer uma importante pauta para debate, o desenvolvimento sustentável, Marina tem tudo para remexer os números e assustar fortes candidatos. Afinal, ela é uma política com bagagem e sem discursos ufanistas.

Lhe falta tempo na TV? Mas quem decide voto por horário eleitoral? Ela tem carisma e doçura de sobra pra conquistar eleitores (coisa que falta a Serra e Dilma), e ainda pode ganhar um marketing viral da juventude e dos internautas. É evangélica, o que também é uma força para conquistar eleitores no Brasil. Fora que votar em Marina simboliza um voto de protesto para a quem busca uma política mais ética. Atualmente, há tanta gente sedenta por uma política mais ética e esperançosa que o voto de protesto pode ganhar dimensões inimagináveis.

Lhe falta apoio político? A lucidez de suas propostas podem ganhar a sociedade e consequentemente, tornar o apoio legislativo muito mais provável.

Seu ponto fraco é ter um discurso monotemático? Acredito que ela seja inteligente o suficiente para se aliar a outros políticos fortes e respeitáveis, como Cristóvão Buarque, Fernando Gabeira, mas também, a importantes economistas e empresários. Aí, o cenário muda. Quando alguém que representa a força econômica mostrar que também confia em Marina, que ela não é uma lunática, ou comunista, nem irá retroceder nos avanços econômicos que o Brasil teve nos últimos 4 mandatos, aí sim o bicho vai pegar. E eu quero muito estar aqui pra ver e fazer campanha.

Marina já é minha candidata. Mais que isso, é a candidata que eu sempre sonhei ter.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Salvador da pátria. De quem?

Obama é o político que eu votaria sem titubear se fosse norte-americana. É o político que eu votaria com orgulho se fosse candidato a presidência da republica do tupiniquim. Só que não é. E se ele for o tão aclamado salvador da pátria que os americanos esperam que ele seja, com certeza não será o salvador da minha pátria. Aliás, ele pode até vir a complicar um tanto minha vida e de outros brasileiros.

É que para salvar a pátria dele, ele é a favor do protecionismo. Não só nos Estados Unidos, mas a onda de desemprego também na Europa tem gerado uma onda nacionalista. E isso prejudica o Brasil.

Temos um mercado interno bastante aquecido atualmente e isso poderá não nos afetar. Além disso, já é mais do que hora do Brasil se modernizar, investir em educação e deixar de exportar apenas matéria-prima bruta. A produção agricola é bastante mecanizada e o agrobusiness gera poucos empregos, e quando gera algo são em sua maioria subempregos, ou até trabalho escravo.

Pronto, ótima oportunidade para o país acordar e passar a exportar serviços e conhecimento. Só que já fazemos isso. Boa parte dos softwares utilizados lá, são produzidos por técnicos daqui, e principalmente, da India. Monitoramento de datacenter de lá, é feito por aqui. Processamento de dados, help desk e tudo que possa utilizar uma mão de obra qualificada para trabalhos operacionais foi largamente transferida para os países emergentes.

O liberalismo criou o outsourcing global (terceirização de serviços internacionalmente) para ampliar seus lucros. Esse tal lucro que parece terrível trouxe oportunidades de emprego, crescimento e até investimentos em qualificação para cá. Fez cidades do interior de São Paulo se expandirem e criarem uma rede de serviços para abastecer os milhares de técnicos de informática que empresas como IBM, EDS, Accenture contratavam.

Exportamos serviços tecnológicos e temos espaço para fazer mais. Ou teríamos. Essa boquinha também pode minguar. É que técnico aqui, tira emprego de técnico de lá. Obama já se diz contrário ao outsourcing. Talvez ele até salve a pátria, mas não a minha.

Mais aqui

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A grande notícia

Não há como negar que dia 4 de novembro de 2008 era histórico e as revistas do mundo todo iriam quebrar a cabeça para dar a melhor capa de suas vidas. Além das eleições dos Estados Unidos já renderem pauta por si só, ainda tinha o personagem mais interessante dos últimos tempos.

No Brasil, as escolhas:

(a foto mais bonita na minha opinião)

(a mais moderada)

(pra que dizer algo? O discurso é lindo mesmo)

Agora, para se esbaldar, vai aqui uma série das melhores capas de revista durante toda a campanha Obama X McCain (e até x Hillary).

O fim da raça

Eu não sou tão esperançosa assim a ponto de achar que os Estados Unidos elegeram no último dia 4 de novembro o “salvador” do mundo, e até desconfio que Obama seja mesmo o agente da mudança. Haverá mudança, sim, mas não sei se a que irá suprir toda a expectativa criada. George W. Bush foi o presidente mais impopular dos Estados Unidos, que além da Guerra do Iraque ainda deixa como legado uma crise econômica pavorosa. A mudança, mesmo que menor que a aclama, chega tarde até.

A crise econômica fez os norte-americanos clamarem por mudanças. Quando as coisas não vão bem, principalmente em nossos bolsos, a gente deseja novas apostas. Acredito que os Democratas elegeriam outro nome (como Hilary) não fosse Obama, pois ficaria muito dificil para os Republicanos terem outro presidente pós-Bush. Porém, Obama tinha mais cara de mudança do que Hillary, além de ter um marketing e carisma absurdos.

Mas 4 de novembro de 2008 ficará para história não por ser o dia em que um novo presidente que promete mudanças chega a Casa Branca, mas por esse homem ser negro. O afro-descendente mais poderoso do mundo e prova a frase de seu belo discurso, que a democracia pode tudo. Quarenta anos após a segregação negra nos Estados Unidos, os eleitores mostraram que a mudança é tão bem-vinda que a raça não importa.

E esse é o mais importante, a raça não ser relevante. Acredito que Obama não foi eleito por ser negro. Embora, uma multidão negra saiu de casa para dar seu voto a Obama, acredito que boa parte desses não votaria se a candidata negra fosse a Sra Rice, mulher e negra, porém Republicana e a Sra da Guerra.

A raça acabou no dia 4/11/2008.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Burrice

Eu queria entender o que passou pela cabeça de toda a equipe de campanha da candidata e da própria ex-prefeita. Será que ninguém levantou a mão e disse "Tem certeza que vão seguir com isso?" ou "Para que vão seguir com isso?". E se alguém disse, por que não o ouviram essa sensata pessoa?

Não é só questão de ética. Acho que isso eles desconhecem mesmo, mas é questão de ter estratégia eficiente para ganhar votos. Alguém achou que o eleitorado do Kassab ou os indecisos deixariam de votar no candidato por ele ser gay? Alguns conservadores, sim, mas isso se ele tivesse numa disputa contra o Alckmin, um homem que é casado há anos e tem filhos.

Mas algum conservador deixaria de votar em um gay (ou suposto gay) para votar na madrinha dos gays? Não, né. Pior, ela perdeu justamente o apoio de quem sempre esteve com ela. Ou ela acha que ainda será madrinha de algo depois disso? Corrompeu sua biografia por desespero em uma campanha importante, porém passageira.

Ela vai perder as eleições e eu vou achar bonito. Vou achar bonito os eleitores acharem que a orientação sexual de um político nada interfere em sua capacidade. Mas já estou com o coração apertado por não ter mais esperança numa política um pouco mais limpa e uma gestão menos medíocre que a atual.

Perdendo as esperanças

Eu queria muito que a próxima gestão da cidade de São Paulo fosse encabeçada pela Marta Suplicy. Em nenhum momento considerei que ela fosse a política dos meus sonhos, pelo contrário, me irrito cada vez que ela aparece no vídeo. Mas torcia para seu retorno à prefeitura, porque considero que ela foi responsável pela melhor gestão da cidade.

Durante sua gestão, a candidata lidou com um orçamento menor que o atual, apresentou mais projetos inovadores, renovou o transporte, oxigenou a educação, falhou um tanto, e executou muito. A gestão atual para mim não chega a ser ruim, mas medíocre, pois, exceto a Secretaria de Meio Ambiente, as demais apenas deram continuidade ao que já estava pronto para executar.

"Queria" significa que não quero mais. Marta e sua equipe de idiotas conseguiram me fazer perder a esperança com o comercial veículado desde domingo a noite, após o debate na Rede Bandeirantes em que questiona a biografia e encerra questionando a vida pessoal do adversário Kassab. Eu justamente admirava o fato dela ter se separado do Suplicy e casado novamente, sem pensar nas críticas a sua vida pessoal. Afinal, isso não mudaria nada na vida dos munícipes. Assim como o fato do Kassab não ser casado, não ter filhos ou até mesmo ser gay, não o desabilita em nada.

Nessa campanha, ela já tinha o melhor projeto, o melhor histórico de gestão, não precisava apelar e cutucar na vida pessoal. Isso é baixaria, falta de ética e moral política. Justificada pelo desespero na campanha? Pode ser. Mas não se pode assinar embaixo de baixarias ou outros políticos podem considerar que esse seja o caminho da vitória. Penso em puni-la com meu voto nulo.

Disse há pouco que o voto nulo só se aplicava a casos extremos. Pois este é o caso. Sei que votando nulo, estou praticamente reforçando a vitória de Kassab. Mas acho melhor tolerar uma gestão apenas medíocre do que tolerar baixarias políticas.

PS: Me sinto um pouco traída por ter torcido publicamente por algo que só me envergonha.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Santo do pau oco

Aliás, eu não entendo essa do Covas ser herói. O cara morreu todo tadinho. Se mostrou guerreiro na luta contra sua doença (até, aí, Alencar tá no mesmo caminho). Aí morre e ninguém vai ficar cutucando nos podres do defunto. Se ninguém cutuca, o homem vira santo. Santo do pau oco!

Esse homem tão admirável por todos os políticos brasileiros, de PSOL a PRONA, pra mim é o responsável (junto ao seu pupilo Alckmin) pelo sucateamento das escolas públicas de São Paulo. Faça um teste e entre na escola estadual mais próxima, ela tem o legado de 14 anos de PSDB, depois entre em uma escola municipal mais próxima e compare. Aí duvido que me diga alguma coisa útil que o Covas tenha feito. Eu não lembro de nada.

Segundo turno em São Paulo sem Alckmin

Alckmin, amigo, todo mundo te avisou para ficar fora dessa, mas não, você quis quebrar a cara sozinho, sem amigos e pior, brigando agressivamente com eles. Pronto, quebrou a cara. Satisfeito? Agora, fica nesse papel ridiculo de rejeitado e coitadinho. Logo você que saiu bem avaliado da longa gestão como governador, que enche a boca para dizer que é "afilhado" do quase santo Covas, quer ficar nessa disputa boba com seu próprio partido. Achou que o Covas ia te abençoar do além? Se liga, brow.

Segundo turno no Rio

Em junho/julho eu estava arrumando as malas para ir morar no Rio de Janeiro e me deu um desânimo pensar que a cidade onde eu moraria seria governada pelo bispo Crivella, que na época liderava as pesquisas. Pensava que não importava se daria Marta, Kassab ou Alckmin em São Paulo, qualquer um desses era melhor que o Crivella. E não é que os cariocas me surpreenderam positivamente? Gabeira não apenas tirou o Crivella do páreo como já está tecnicamente empatado com o Paes, que eu achei que fosse tomar as eleições de colherada com apoio do Sérgio Cabral. Ai, ai, vou repensar minha mudança de cidade.

Voto nulo

Há uns 3 anos, fiz uma matéria para a rádio da faculdade que explicava a diferença entre o voto nulo e o voto branco. Na verdade, existe uma lenda de que o voto branco vai para o partido ou candidato que estiver na dianteira e o Nulo não. Isso é apenas uma lenda. Nenhum dos dois vão para lugar nenhum.

A única diferença é que se mais da metade da população anular seu voto, as eleições são anuladas. Isso é, convoca-se novos candidatos, e inicia-se uma nova eleição.

Como já disse anteriormente, sou contra o voto nulo ou branco. Até entendo que a gente fique muito na dúvida, mas não dá pra se abster de política. Alguém tem que escolher e que sejamos nós. A maré vai continuar, se você nadar ou não. Então, nade. Escolha seu rumo, nem que seja o menos pior...a não ser que prefira outros candidatos e algo aponte que a maioria também.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quais candidatos pensam como você?

Para nos ajudar a decidir em quem votar nesse domingo, a Veja colocou em seu portal um questionário. Você responde quais seriam suas prioridades se fosse prefeito, qual solução daria para o trânsito, educação, saúde, meio-ambiente, etc. Ao final, ele aponta qual o candidato tem mais idéias em comum com as suas. Acesse aqui.

Sei que você pode desconfiar da Veja. Mas, o bom desse teste é que ele aponta questão a questão o candidato que pensa como você e não traz o resultado apenas no final. Assim, dá pra ver que você concorda com a solução para saúde do candidato A, mas discorda da proposta dele para o trânsito, e prefere a solução do candidato B.

O teste parece bem lógico e o meu resultado não me surpreendeu. Eu que estou com um resquicio de dúvida, continuei com ela. O que significa que o teste não me induziu tanto. Ele pode ajudar a comprovar se você realmente não está deixando de votar na Marta porque ela é uma perua, na Soninha porque é maconheira, no Alckmin porque é sem graça ou no Kassab porque é gay. Se for para justificar o voto, que seja nas idéias e não pelas figuras. Afinal com bom marketeiro, o Kassab vira simpático, bonito, macho (minha mãe vai votar nele porque acha ele muito macho, ui!).

*O teste também é válido para o Rio de Janeiro.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Cabresto

A atriz gravidíssima Lavinia Vlazak aparece todas as noites na TV explicando para os eleitores não venderem seus votos. Nunca conheci alguém que recebeu ou que teve ofertado R$ 100 (ou um par de sapato ou um saco de farinha) para votar em algum candidato, seja do executivo ou legislativo. É que o tal voto de cabresto não funciona exatamente assim. Há formas mais sútis, sedutoras e certeiras para comprar votos dos eleitores.

Uma delas e a mais eficiente é o chamado "trem da alegria" e funciona para a manutenção de poder. O governo em vigor contrata um bom número de funcionários sem concursos públicos ou os legisladores contratam para seus gabinetes inchados. Eles não tem a estabilidade de um estatutário, e sua função por ser criada como um "cargo de confiança" está ligada ao mandato daquele político. Pronto, está ganho os votos dos funcionários, seus amigos e familiares. Se o contratado à perigo for alguém popular em sua comunidade, por exemplo ligado a uma escola de samba ou entidade religiosa, ganha votos de forma exponencial. Já ouvi esses contratados dizerem que votariam por gratidão por quem lhe deu emprego (emprego é trabalho remunerado, logo, não é um favor). Mas é mais do que gratidão, os contratados votam por medo, quase uma ameaça, uma espécie de coronelismo.

O pior que conheço algumas pessoas (bem instruídas) que vendem seu voto dessa forma. O medo é mais forte que qualquer racional ou ideologia.

OBS: é claro que não se pode julgar quem vende seu voto por medo. Afinal, o pão de cada dia é que está em risco. É bem provavel que eu também venderia numa condição dessa.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pensamentos soltos (e clichés) sobre as eleições municipais

1) Esperava mais da Soninha. Achei que ela traria para o debate idéias mais oxigenadas e propostas mais inovadoras, mesmo que dificéis de serem aplicadas.

2) Alckmin é o personagem ridículo dessas eleições (mesmo que eu não descarte a chance dele dar uma arrancada e ganhar). Se rebelar contra parte do partido a troco de uma prefeitura, sendo que podia tentar coisa melhor em 2010 como o governo ou um ministério caso o Serra suba o Planato.

Se não chegar nem ao segundo turno vai ficar vexatório para quem já foi governador. Se chegar lá, vai ganhar a birra do DEM e prejudicar o apoio poderoso para 2010. Aliás, a perda do marketeiro no meio da campanha já mostra que ele sozinho não apita nada, precisa de partido e o partido precisa de um outro partido.

Daí fica com um discurso bobo e perdido sem saber se é oposição ou situação.

3) Bom o marketeiro do Kassab, hein? No programa, o prefeito parece simpático e até fala bem no debate, superando a língua presa. Fora que está com um discurso cheio de apelo emocional. Quando assisto o programa ou o vejo no debate até titubeio por ele. (depois a razão retorna)

4) Dificil ser marketeiro desses 3 candidatos tão “carismaticos”, né? Coitados, um pior que o outro no quesito simpatia - um picolé de chuchu, uma perua arrogante e irritadinha e um mal-humorado de lingua plesa.

5) Ah, e a sigla DEM pegou né? Ninguém mais lembra que era o PFL – aquele do ACM e coroneis.

6) Eu não ligava tanto para o Cidade Limpa até chegar as eleições. As últimas eram um nojo.

7) Alguém sabe por que as eleições não são concomitantes? Assim, ninguém precisaria perguntar se os candidatos irão largar a prefeitura para serem governadores, como aconteceu nas últimas eleições. Se é tarde para consertar isso, poderia ao menos proibir essa pulada de galho.

8) 45% de aprovação não é aprovação, né? É a desaprovação de 55% da população. Logo, o governo atual está reprovado pela maioria.

9) Aqueles doentinhos e médicos dos postos de saúde que choram agradecendo os candidatos são pagos, né? Isso não devia ser considerado compra de voto também?

10) Não conheço um candidato a vereador.

11) Odeio pensar que tenho vivido como uma “dondoca” a ponto de não conseguir escolher o candidato. Afinal, uso muito pouco os serviços públicos, nunca vi um CEU ou AMA, e faz tempo que não ando pela periferia.

12) Acho bem interessante eleições municipais porque os mais pobres tornam-se os mais engajados, conscientes e com melhores justificativas para seus votos. Eu estou inapta a votar como disse acima.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Não anulo

Já que as eleições estão aí e as opções vão de mal a muito mal, sempre tem alguém defedendo o voto nulo. Eu sou veementemente contra. Não anulo. Já que tenho o poder de decisão, quero exercer (aliás se eu corro atrás de pesquisa de opinião, imagina uma eleição, então, meu extase). Mas o Marcelo Tas argumenta muito melhor que eu, então vou deixar com ele.

"Acho uma burrice. Serve para nada, é exatamente o que diz: é nulo. Não tem esse papo, “agora não vou mais assistir a TV”. Eu nunca saio da água! O treinador de natação diz que para aprender a nadar você nunca deve sair da água. É muito cômodo dizer “agora irei ficar uma semana sem treinar”. Não adianta sair da água na hora em que você não está bem. Não aprende a nadar, entendeu? E o Brasil é um país que exige da gente dedicação, tolerância, afetividade. Não se pode tratar com displicência o bairro, o país, a sociedade. Sou um cara patriota, sabe? Sinto que dou uma contribuição para o país. Da minha maneira".

Marcelo Tas numa entrevista deliciosa para a Trip. Ela tá completa aqui.

domingo, 18 de maio de 2008

Já não vale o que valia

A família que recebe o Bolsa Família tem notado que o tamanho da sacola do mercado diminuiu, mesmo sem alteração do valor recebido. É que aumentou significativamente o preço do arroz, do feijão, da carne, do leite e do trigo, alimentos essenciais.
Uma alternativa a escassez que pode pairar na mesa dessas famílias é a troca do cartão por uma cesta básica doada pelo governo. Dessa forma, é possível determinar os alimentos que serão consumidos, trocando o trigo pelo milho, por exemplo. Não tendo prejuízo nutricional e tendo saldo positivo nas contas.
É fato que a liberdade de escolha seria menor e talvez também cause muito mais dificuldade logística. Mas é uma alternativa a se pensar para que o Programa Fome Zero continue a cumprir sua função.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Quem ama, deixa-o

Acaba de pedir demissão, uma das últimas pessoas respeitadas que compõem o governo federal. Marina Silva é a política que tenho orgulho de ter como representante. Corajosa, convicta, articulada, respeitada internacionalmente e por intelectuais, com uma trajetória heróica, e tem o ambientalismo correndo na veia e conhecimento prático sobre o tema. Acho que o governo nem se deu conta do que perdeu, na verdade, eles perderam um impecilho ao PAC. Mas quem perdeu na verdade é o país e a Amazônia.

Mulher de fibra que é, Marina criticou ainda essa semana os investimentos em biocombustíveis com lucidez admirável. "O Brasil não quer ser a Opep dos biocombustiveis. Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental"(...)"Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruíria sua galinha dos ovos de ouro?"

Marina nasceu no Seringal Bagaço, no Acre. Trabalhou como empregada doméstica, alfabetizou-se em supletivo, formou-se em História pela Universidade Federal do Acre (diferentemente do Lula, ela tem orgulho da origem simples, mas nem por isso deixou de estudar). Em 85, filiou-se ao PT e participou do movimento dos seringueiros. Fundou a CUT no Acre junto com Chico Mendes (pra mim, o herói brasileiro que merecia feriado e ser ensinado na escola). Já foi vereadora, deputada estadual, senadora, sempre como a mais votada. A ministra agora volta ao Senado.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Machismo na política II

Por outro lado, nas eleições de São Paulo, aposto que vão chamar Marta de perua, por conta de suas roupas e sapatos de luxo, seu cabelereiro caríssimo, seu botox, etc. Já o Kassab vai ser considerado um homem vaidoso e que se cuida ao ir a academia e ter melhorado sua aparencia durante sua gestão. Aliás, acho que foi uma das poucas coisas que ele fez nesses anos.

Machismo na política I

No dia 9 de março, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria com as três candidatas a Prefeitura de Porto Alegre: Luciana Genro (PSOL), Manuela Davila (PC do B) e Maria do Rosario (PT). A reportagem tratava dos preconceitos que elas já sofreram na vida política por serem mulheres. Fiquei feliz porque descordo que tenham sofrido preconceito, e matéria me pareceu até um pouco forçada para se encaixar na pauta proposta.

Maria do Rosario reclama por ser chamada de Mariazinha. Para ela o diminutivo tem duas vias, pode parecer carinhoso, mas soa pejorativo e como diminuição. Ela até tem razão. Porém vários outros colegas de partido dela utilizam diminutivo em seus nomes masculinos, como Professor Luizinho, Zezinho do PT, e outros. Logo, pode até ser uma ofensa ou preconceito ser chamada de Mariazinha, mas não é exclusivo para mulheres.

Luciana Genro reclama por ser comparada ao pai, por acharem que suas conquistas não foram por suas capacidades, mas por seu sobrenome abre caminho. Preconceito, sem dúvida. Mas não diferente do que outros filhos de políticos já passaram, como o ACM Neto. Ele até pode querer a comparação, que Luciana se ofende. Mas mais uma vez essa comparacão não é exclusiva para mulheres, logo não é machismo.

Manuela Davila reclama por ser considerada a musa do Congresso. Bem, Manuela é jovem e bonita. Acharem uma mulher bonita não é machismo, mas sem dúvida é preconceito ser reconhecida por isso e não por seus feitos. Porém, Lindberg que tem uma trajetória parecida com a dela (ambos vieram da UNE) também é jovem e bonito e durante sua campanha para a Prefeitura de Nova Iguaçu, foi apelidado de Lindoberg. Preconceito, pode ser, mas não é machismo, né. Que bom!