Mostrando postagens com marcador racismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador racismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Demorô


Tiana e Naveen são o primeiro casal inter-racial da Disney. Irão protagonizar o filme "A princesa e o sapo" que estreia em dezembro.

Mais aqui

terça-feira, 14 de abril de 2009

Black is beatiful



Na Folha de S. Paulo deste domingo, saiu uma matéria sobre a proposta do Ministério Público de obrigar grifes que participam do São Paulo Fashion Week a cumprir cotas raciais em seus desfiles.

Em janeiro de 2008, apenas 8 dos 344 modelos que desfilaram no evento eram negros – 2,3% do total. No Brasil, 49,7 % da população é composta por negros e pardos, segundo o último censo do IBGE (de 2007).

Talvez as cotas em desfiles de moda sejam muito bem-vindas para criarmos uma cultura de valorização da beleza negra. E o q não falta são negros e negras lindos, altos e de corpos esculturais.

Por outro lado é de se pensar... Afinal, vem a velha pergunta "E por que não cota para japoneses, judeus, e árabes, etc?". E no caso das passarelas, diferente do que ocorre nas universidades, não teria mesmo porque ter cota apenas para um etnia, se o proposito é diversificar os padrões de beleza e dar igualdade de oportunidade a modelos que não se enquadrariam no padrão buscado hoje pelos estilistas.

No caso das universidades é bem diferente, uma vez que o propósito é minimizar a desigualdade socio-economica entre negros e brancos no país, causada pela escravidão (que pode não parecer, mas é historicamente recente). Ou seja, a cota nas universidades não visa beneficiar uma etnia, mas os descendentes de escravos. E por isso que não se discute uma cota niponica.

Modelo da foto: Ednei dos Santos - ô, na minha humilde residência...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O teu cabelo não nega

(E por que negar?)

O documentário, Good Hair (Cabelo Bom), recebeu nessa semana o prêmio de melhor documentário no Festival de Sundance. O filme de Jeff Stilson acompanha o comediante Chris Rock em uma investigação importantíssima. A filha de Chris, perguntou a ele chorando: "Pai, por que eu não tenho cabelo bom?". E o comediante se comprometeu a procurar quem enfiou isso na cabeça da sua pequena.

(A propósito, sou fã de Chris desde que ele produziu o "Everybody hates Chris" - o cara usa um sarcasmo inteligente sobre um problema tão pesado e que conhece tão bem como o racismo).

Voltando ao assunto...É impressionante que mesmo após todo movimento black nos Estados Unidos, toda valorização da cultura afro no Brasil, ainda se fale cabelo bom e ruim. Ruim por quê?

Remete até a década de 50, quando nos Estados Unidos, havia escola para brancos, e escola para negros. Até que conduziu-se um teste, provando que essa atitude só contribua para baixar (ou melhor, anular) a auto-estima das crianças. O teste pedia que algumas crianças escolhessem entre uma boneca branca e uma negra, na maioria dos casos as crianças preferiram a boneca branca, pois disseram que a boneca negra era feia. Pior, a grande maioria considerava-se parecida com a boneca branca, mesmo sendo negra e estudando em uma escola para negros.



Não sei se Obama vai resolver os problemas do mundo, sequer dos Estados Unidos, mas talvez esse ele resolva. Ele é o "Black Power" e será muito sádio para brancos e negros ver Obama's family na capa da People e de todas as revistas do mundo, com suas lindas filhas com trancinhas. Nenhum branco precisa querer fazer permanente, ou escurecer a pele, só pra contrariar Michael Jackson e ficar parecido com o Obama. Não quero que a cor negra seja a cor do poder, mas que o poder e a beleza não tenham cor. Afinal, o importante é não se negar, é ter orgulho de ser negro, branco, oriental, indiano, baixinha, altao, nariguda.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O fim da raça

Eu não sou tão esperançosa assim a ponto de achar que os Estados Unidos elegeram no último dia 4 de novembro o “salvador” do mundo, e até desconfio que Obama seja mesmo o agente da mudança. Haverá mudança, sim, mas não sei se a que irá suprir toda a expectativa criada. George W. Bush foi o presidente mais impopular dos Estados Unidos, que além da Guerra do Iraque ainda deixa como legado uma crise econômica pavorosa. A mudança, mesmo que menor que a aclama, chega tarde até.

A crise econômica fez os norte-americanos clamarem por mudanças. Quando as coisas não vão bem, principalmente em nossos bolsos, a gente deseja novas apostas. Acredito que os Democratas elegeriam outro nome (como Hilary) não fosse Obama, pois ficaria muito dificil para os Republicanos terem outro presidente pós-Bush. Porém, Obama tinha mais cara de mudança do que Hillary, além de ter um marketing e carisma absurdos.

Mas 4 de novembro de 2008 ficará para história não por ser o dia em que um novo presidente que promete mudanças chega a Casa Branca, mas por esse homem ser negro. O afro-descendente mais poderoso do mundo e prova a frase de seu belo discurso, que a democracia pode tudo. Quarenta anos após a segregação negra nos Estados Unidos, os eleitores mostraram que a mudança é tão bem-vinda que a raça não importa.

E esse é o mais importante, a raça não ser relevante. Acredito que Obama não foi eleito por ser negro. Embora, uma multidão negra saiu de casa para dar seu voto a Obama, acredito que boa parte desses não votaria se a candidata negra fosse a Sra Rice, mulher e negra, porém Republicana e a Sra da Guerra.

A raça acabou no dia 4/11/2008.

domingo, 2 de setembro de 2007

No Brasil não tem negros?

Há duas semanas, conheci Bryan, diretor de Relações Públicas para as Americas da multinacional americana que trabalho. Bryan é negro e gay. Ao olhar os corredores de baias e conhecer os executivos brasileiros, ele pergunta "Por que vocês não tem negros trabalhando aqui?" - "No Brasil, não tem negros como nos Estados Unidos?"


Desconcertante responder a ele que temos menos de 1% de funcionários negros na sede do Brasil, um país em que quase metade da população é negra.


Depois não adianta dizer que é o país do Bryan que é racista e que exclui negros. Por serem declaradamente excluídos, os negros norte-americanos conseguem se agrupar, se fortalecer, e criar políticas para ascender socialmente.


Aqui a gente aplaude os negros no Carnaval e finge que é normal que os descendentes de escravos mantenham o mesmo delta de desigualdade em relação aos brancos durante vinte anos. É incrível, mas os Estados Unidos poderão ter um presidente negro antes de nós.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Democracia Racial Brasileira

- Uma empregada doméstica é espancada no Rio por jovens da classe média enquanto esperava um ônibus às 5 da manhã.
Como defesa, os garotos disseram que "pensavam ser apenas uma prostituta". (Remete ao caso do índio Galdino em Brasilia, em que os agressores também playboys pensaram ser "apenas" um mendigo")

- A UFRGS amanheceu com pichações - "Negro só se for na Cozinha, cotas não!" e "Voltem para senzala".
As manifestações fazem parte do tumultuado processo de implantação do sistema de cotas na universidade. O Conselho Universitário, que iria votar a adoção do sistema na semana passada, foi impedido de discutir o assunto por grupos de manifestantes que tomaram a reitoria para fazer pressão.

- Na UNB, incendiaram quartos de estudantes africanos.

- Dois sobrinhos do embaixador do Uruguai foram com o carro do tio (um Corola) até o shopping Iguatemi. Dois policiais os pararam, revistaram, chutaram, nada encontraram, mas os levaram para delegacia.

- A primeira protagonista negra em uma novela brasileira foi em 2004. Taís Araujo em "Da cor do Pecado".

Que é isso? "O racismo não existe no Brasil, a convivência entre brancos e negros é harmoniosa no Brasil".

É sim, desde que os negros fiquem da porta pra fora, façam uma festa bonita no Carnaval e vivam alegremente para servir aos brancos. Agora, ser protagonista, universitário, ter bom carro e passear pelo shopping de bairro nobre já extrapola a tolerância, né.

Essa é a democracia Racial Brasileira. Esse é o nosso homem cortês.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Apoio Matilde Ribeiro

Na última quarta-feira, acordei com a CBN repetindo inúmeras vezes e debatendo, ou melhor criticando, a declaração de Matilde Ribeiro, Ministra da Secretaria de Política da Promoção da Igualdade Racial.

BBC pergunta: E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?

Matilde responde: Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

A resposta da ministra gerou polêmica ao dizer que o negro que se insurge contra um branco tem uma atitude natural, e não racista. A afirmação foi criticada por alguns como Cony e Xexeu que acreditam que a ministra incentivou o racismo de negros contra brancos. E ainda diziam: "Logo ela que deve promover a igualdade, fala sobre a desigualdade".

A assessoria da ministra tentou se retratar e tudo mais, mas eu estou com ela. Vale dizer, que enquanto ela fez a declaração, deixou bem claro, que não incentivava o preconceito e discriminação de forma alguma.

Para se promover a igualdade é preciso enxergar onde há desigualdade. Por isso, não vale dizer que não temos racismo. Matilde enxerga que há de ambos os lados. Porém um lado tem a ação, o outro a reação. A reação é natural, não é racismo, e ela está certa. Por que afinal, não é o negro que tem o poder e com isso exclui o branco, mas o contrário. Além disso, os negros não açoitariam brancos se não tivessem sido açoitados. Afinal, eles não escolheram viver no Brasil, foram trazidos a força.

Aí os comentaristas disseram: "Mas não vivemos mais na escravidão, a realidade é outra".
É claro que os tempos mudaram, mas uma frase dessa só serve para fingir que tentativas de homicidios de africanos como aconteceu com os estudantes da UNB recentemente não existem, que os negros não apanham mais de policiais do que os brancos, e que são excluídos de boa parte dos lugares de brancos. Conte quantos negros tem em sua sala de aula, ou na gerencia de sua empresa, ou mesmo morando em seu prédio.

Lembro que quando eu era criança e tinha só uma ou duas coleguinhas negras, tinha certeza que vivia em um país de maioria branca. Mas eu estava errada.

Pra mim, dizer que a ministra incentivou o racismo, é o mesmo que criticar o feminismo ou movimentos GLBT por serem contra o "macho", como se fossem contra a "maioria". Não são contra a maioria, são contra a maioria econômica e política (assim como disse a Matilde). São contra quem está no comando, os açoitando e na contramão de seus direitos.

Fico contente que alguém que não feche os olhos para as desigualdades que existem hoje, seja nossa ministra para promover a igualdade em um futuro próximo.