segunda-feira, 3 de julho de 2006

Será eterno

Na dor a gente fica sensível a qualquer toque, a qualquer beijo de novela, qualquer mudança de tom na voz, uma demora no MSN. É na dor que a gente conhece melhor sobre a gente e sobre o outro. Descobre que na hora que o calcanhar dói a gente desaprende a pensar e até saboreia ficar tirando a casquinha da ferida, ver o sangue escorrer e ficar com pena da gente mesmo. Depois, brinca de esconder a dor e dizer bem alto para você: "Ela vai passar". A boa notícia, é que ela passa, mas deixam uma cicatriz amarga para sempre. À minha maneira errada, será eterno, não tem escapatória:

"Um casal separado descobre que, de uma maneira errada, será eterno. Eterno no fracasso, mas eterno. E tudo aquilo que um dia foi a sua vida se dissolverá no passado e você nem lembrará direito como foi, só lembrará na cabeça, não no peito. O peito vai estar ocupado com outras coisas. Isso se você tiver a sorte de ainda ter um coração. Porque às vezes a dor é tão grande que o coração pára e a gente fica amarga pra sempre e deixa de acreditar em tudo. Nada passa, diria uma amiga minha. Nada passa e a gente vira um amontoado de todas essas coisas. Nada passa. Ainda bem. Senão não valeria a pena".
(Clarah Averbuck)

Um comentário:

Thá disse...

Oi, Mi!
É o segundo post seguido que vc fala sobre dor. Tu ta bem, né!?