segunda-feira, 2 de abril de 2007

Eu quero ser essa nega!


Tem duas semanas que fui ao show da minha musa: Elza Soares. Este ano, ela completa 70 anos, com 63cm de cintura e um rebolado de dar inveja nas meninas de 20 anos. (Vale dizer, que esperei um mês pelo show, pois ele havia sido cancelado porque ela teve um derrame). E ela se recupera quebrando as cadeiras do palco, com uma energia dificil de acompanhar. Encapetada, ela consegue ser sexy, com caras e bocas (mesmo repuxadas), e fazendo charme com a cintura e quadris. Se sambar for pecado, essa nega tem camarote pro inferno.
A voz é impecável. Acho que Deus inventou as vogais, e pensou: “Não é bem isso que eu queria”. Aí, inventou a Elza e tudo ficou perfeito, todos os Is, encontraram seus pingos certos na voz dela. A minha Fitzgerald à brasileira. A negra do nosso samba, que dá vida a mulher do malandro (Ai, como é de arrepiar ele cantando “Meu Guri” – parece que foi ela que fez, mas não foi).
Ela ainda consegue ser atual e tem muita coragem pra isso. No show, canta dois raps, um dos Marcelo Yucca “A carne mais barata do mercado é a minha carne negra” e faz uma versão maravilhosa do “Eu só quero é ser feliz” – misturado a canção infantil “Se essa rua fosse minha” – difícil de descrever como ficou perfeito. E Noite Ilustrada aplaudiria de pé ao ver seu samba virar tango “Ali onde eu chorei qualquer um chorava, dar a volta por cima como eu dei quero ver quem dava” – é um samba lindo, famossísimo, mas tem a dramaticidade de um tango, muita sensibilidade para notar isso. E para o Gran Finale, nada melhor – Salve a Mocidade, Salve a Mocidade!!! – nossa escola Verde e Branco.

Pra conferir o novo CD - Do Cóccix até o pescoço (música homônima linda por sinal)

Um comentário:

Fábio disse...

Linda!, linda!, linda! Essa mulher é um fenômeno.