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domingo, 16 de janeiro de 2011

Por que amo Amy

Amy é a rainha dos escandalos. Seus porres chegam antes de seu talento e algumas vezes quando declaro minha admiração pela musa junk, anorexica, cheia de vicios, tenho que me explicar.

Claro que amo Amy porque ela tem a melhor voz de uma geração. Mesmo outras lindas vozes que recuperaram o jazz, tem um tom mais suave, mais baixo – o qual eu também amo – mas só ela tem a voz forte e poderosa, como herdada de grandes divas tão loucas e sofredoras como ela – algo como Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holliday e outras damas black.

E só pela fato dela reviver e até apresentar a minha geração e aos mais novos o melhor do genuíno black – em seu aclamado álbum Back to Black – ela já merecia minha devoção. Não é pouca coisa – há anos produtores devem ter esperado encontrar uma mulher com voz de diva e composições carregadas de emoção. 

Acima de tudo, amo Amy porque ela é forte e corajosa o suficiente para expor suas dores, mágoas e defeitos em suas musicas, em cima do palco e em primeiras páginas de tablóides. Ela é genial – sabe disso – e poderia andar firme e poderosa, arrastando todo seu talento, mas a pobre é frágil como uma menina que mal se mantém em pé.

Em shows, Amy confessa que morreu cem vezes – na linda Back to Black -, depois conta que se deprime ao cantar em sequencia músicas que compôs em momentos tão tristes; bebe e cai no palco. Cada vez que isso acontece, eu tenho vontade dar a mão a ela, ajuda-la, ampara-la, como se fosse uma amiga que me faz sentir tanta compaixão. Vamos Amy, levante, precisamos de você. Tão dúbio ter a voz tão poderosa, forte e grave, ao mesmo tempo ser alguém tão frágil, que parece não resistir a nada. Amo Amy justamente porque também sou dúbia. 

Eu amo Amy porque ela tem toda a intensidade, tristeza, descompasso, exageros e explosões. Eu amo Amy porque não vou ao fundo do poço como ela em minhas fossas, não piro, nem alucino, mas dentro de minha sensatez, sanidade e boa postura, reside uma parte que explode, grita, geme, caí, levanta, morre várias vezes, não tem lucidez alguma, mas dores, amores, magoas e loucura. Amo Amy porque sou uma medíocre que só pode guardar esse lado obscuro, porque existem gênios como o de Amy, que gritam e morrem por mim, para que eu não vá ao fundo do poço e para viver um pouco dessa intensidade basta ouvi-la.

Ah, Amy, eu também go back to black, eu também já morri mil vezes, eu também sou má. Obrigada por existir em meio a tanta mediocridade que sobem aos palcos com sons mecanizados, efeitos pirotécnicos,  roupas esquisitas e tão pouco a dizer.

Minha geração não tem mais Nina Simone, Nirvana, Rolling Stones, Cazuza, Mutantes ou Raul, mas temos você. E ainda bem. Porque é lógico que precisamos de ídolos com personalidades exemplares como Bono Vox, mas tenho medo de uma geração que só tenha a chatice do U2, tão certinho e com mensagens positivas. Também precisamos de  ídolos de carne e osso, como Amy, para podermos escoar nossas loucuras, sem ser tão louca assim.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Porque rei é rei

Foto: Thais Polimeni

“Eu tenho tanto pra lhe falar...” – o Ginásio do Ibirapuera lotado cantava antes do esperado Rei entrar. Era de arrepiar. No show do dia 3 de setembro, um dos 9 em São Paulo em comemoração aos 50 anos de carreira de Roberto Carlos, a plateia era o que mais emocionava. Gritavam ao menor gesto dele – uma virada de pescoço, uma piscadela, ou quando ele escorregava a mão pelo microfone. Roberto pisa no palco e todos se levantam e aplaudem. Cheguei então a tardia conclusão que RC faz jus ao título de Rei.

Sempre o achei supervalorizado e considerava Chico, Tom Jobim e Caetano os ícones da música brasileira. Só que ícone é uma coisa, e leva em conta a criação artstica, mas ser Rei transcede a obra, tem a ver com a figura, solidez, carisma, e com uma relação quase maquiavélica com seus súditos.

Para ser Rei é preciso ser popular e Roberto é. As melodias convidam todos a cantar junto. As letras são simples, a ponto de qualquer um entender, se identificar e enviar a sua amada. Mas a simplicidade das letras não diminuem a profundidade dos sentimentos. Se ser brega é ser emotivo demais, ignorar a sobriedade, Roberto se assumiu assim e ganhou autenticidade, e de quebra carinho do seu público.

Para ser Rei é preciso ter sucesso perene e o Rei só é Rei porque não parou na Jovem Guarda. Ele soube envelhecer junto com seu público e chegou aos 50 anos de carreira com fôlego para arrastar multidões, lotar Maracanã e exigir a melhor equipe, e tocar com a OSESP. Mais que isso, ao menor comando, ele consegue fazer todo mundo cantar junto em shows disputadíssimos.

A perenidade só é possível quando se tem um vasto repertório. E como esse homem compôs! e como tem sucessos! Ele já foi gravado e regravado por artistas como: Gal, Elis, Betania, Nana Caymi, Chico, Nara Leão, Chiclete Banana, Ivete, Claudia Leite, Skank, Titãs, Barão Vermelho, e mais uma montanha. Todos súditos da Vossa Majestade.

Rei tem uma imagem a zelar e zela. Roberto se blinda, é recluso, dá raras entrevistas, não aparece em festas, e até foi ditatorial ao proibir uma biografia sua. Construiu uma imagem de homem perfeito, sem vícios, que vai à missa, é viuvo resignado, bom pai, não atrela sua imagem à política, e pouco aparece em campanhas publicitárias.

Mas apesar de construir características quase sobrehumanas, o Rei procura se identificar com seus súditos. No show, foi possível ver o carisma inquestionável que RC tem. Ele corteja sua plateia o tempo todo. Faz piadas ingênuas, conta um pouco de sua história, mostra simplicidade, toca sozinho voz e violão, apresenta seus músicos com intimidade, joga charme.

Rei tem de estar perto do seu povo e ele vai lá, mima, joga rosas, manda beijos, se coloca como igual. Fala de suas dores, como se fosse a dor de cotovelo de seu vizinho, pede que o público o ajude a cantar, diz que adora estar no palco, fala sobre a cidadezinha em que nasceu, os amigos de adolescncia que estão com ele até hoje. Dá uma de gente como a gente para viver uma história eterna de amor com seu público.

É por isso que Rei é Rei.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Viveu e morreu do coração

Ontem, assisti ao Por Toda Minha Vida - tele biografia da Globo, apresentado por Fernanda Lima. A homenageada foi Dolores Duran, por quem já tinha paixão pelo repertório e voz. Descobri que a história dela é um encanto também. Se ela vivesse hoje, já seria considerada moderna. Nos anos 50, ela era no mínimo a frente de seu tempo. Além da voz fascinante, ela ainda foi letrista de músicas doTom Jobim e João Donato (com o qual namorou). Tom até dispensou uma letra do Vinicius, depois que tocou no piano uma música e ela com o lápis de olho escreveu instantaneamente a "Por causa de você".

Dolores era mulata, suburbana, não terminou o ginásio, e sofria do coração desde a infância. Por conta da doença, viveu intensamente, pois sempre sabia que a morte chegaria cedo, como chegou. Era considerada namoradeira e dizia que sem amar, ela nem respirava. Fumava, bebia e só voltava pra casa pela manhã. Ficou grávida sem casar e só aceitou o pedido de casamento após um aborto espontaneo. Disse adeus ao marido, ao não retornar de uma turnê, decidindo conhecer a Europa sozinha (e compôs Fim de Caso pra ele se tocar). Quase no fim da vida, adotou uma criança negra, que decidiu criar sozinha. Talvez tenha sido a mais moderna e a mais romântica das mulheres, se pensarmos em suas canções e na intensidade que as cantava.

O programa mostrou recortes de jornais da época da sua morte. "Viveu e morreu do coração", dizia um deles. Taí um obituário bonito de se ter.

A noite do meu bem (umas das minhas músicas favoritas)

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
Quero a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
Quero o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Mas como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda ternura que eu quero lhe dar

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Pensão alimentícia

Taí a moderna, atual e revolucionária música do Calcinha Preta que o Judson e a Francini citaram dois posts abaixo:

"Que foi que eu fiz pra você
Mandar os "homi" aqui vir me prender

Tudo era tão lindo um conto de fadas
Tão maravilhoso a gente se amava
Foi nessa brincadeira que aconteceu
Nasceu um lindo filho que é seu e meu

No final de semana agente ia à praia
Saia pro forró, caía na gandaia
Um amor assim eu só ví na tv
Mas ja que a gente terminou nao tem mais nada a ver

Sou cachaçeiro sou cabra raparigueiro
Mas eu nao sou vagabundo
Eu sou do mundo
Sou de responsa eu sou mais um brasileiro
Com pensão para pagar e vou pagar
Mas nao é justo que pensão alimenticia
Vire caso de policia
Isso complica
Tá atrasada mas você não precisava me denunciar

Que foi que eu fiz pra você
Mandar os "homi" aqui vir me prender (4X)"
Calcinha Preta

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ele voltou

Ah solidão
Foge que eu te encontro
Que eu já tenho asa
Isso lá é bom?

Doce Solidão, nova música de Marcelo Camelo
Ele tá de volta em agosto com o disco solo.

PS: letra linda e apropriada pra quem está criando asas com um tanto de medo.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Coração Sertanejo

Depois de defender o funk, vou em defesa do sertanejo. Não que seja meu estilo favorito, mas o fato é que Zezé di Camargo e cia merecem respeito e admiração. Zezé é um dos artistas que mais compõem no Brasil. Qualidade questionável? Pode ser, mas eu sinceramente me arrepiei quando ouvi a Maria Bethania cantando "É o amor". E acho lindo "Você é a paz que eu preciso pra sobreviver". E atrevo-me a dizer que canções interpretadas por Xororó conseguem ter riqueza de imagens em suas letras, como "Fio de Cabelo" e "Nuvem de Lágrima".

E olha, não dá pra qualquer um sair cantando essas músicas, não. Tem que ter força no gogó e colocar muita emoção. Por isso que se diz até que eles cantam chorando. Ué, quem não choraria ao encontrar o tal fio de cabelo? Se não cantar chorando é porque não é interprete, mas um cantorzinho qualquer. E mesmo que esse estilo de cantoria não lhe agrade, não se pode dizer que Xororó e Zezé sejam cantorzinhos, o que eles tem chama-se talento. Eles não ganharam o que ganharam por serem filhos de alguém ou somente por um bom marketing (o que acho que ocorreu com o Leonardo no início de 90). Eles são extremamente afinados e tem uma voz potente como poucos.

Em um artigo ao Estadao, Zezé dizia que as mesmas pessoas que o criticando como "sertanojo", enchem a boca pra dizer que admiram Pena Branca e Xavantinho, por ser um regional puro. Ele retruca - qual o problema em não ser puro? Chico Science não é, e é genial. E desafia: quem conhece alguma música deles? Eu não conheço. Agora, qual brasileiro nunca ouviu "É o amor". E por que Zezé não pode dizer "Eu não vou negar" se Nelson Gonçalves podia dizer "Negue o seu amor"? Pode e deve dizer, sem medo de ser brega. Afinal, o amor é brega.

Zezé di Camargo deve ser o cantor mais tocado no Brasil. Seu último lançamento pode até não ser o mais vendido do ano, mas dificilmente um artista tem uma carreira tão sólida como a dele. Afinal, "É o amor", música que o lançou, já tem 20 anos e seus shows continuam disputadíssimos, seu carisma inabalável, e seus álbuns são certeza de boas vendas e são pedidos nas rádios mais ouvidas país afora. Não é possível que seus milhões de fãs fiéis há tantos anos estejam enganados. O que só reafirma, que o que essas duas duplas têm chama-se TALENTO.

Mais que talento, a música sertaneja tem poesia. Pode ser poesia de corno, mas não deixa de ser poesia, afinal os cornos são bons poetas. Chico Buarque, Marcelo Camelo, e tem diversas músicas lindas de corno e são cool. Ou "Atrás da Porta" não é suficientemente direta e corna pra você? E inquestionavelmente linda, não?

Mais do que a dor do chifre, o sertanejo (agora sim o mais tradicional, tal qual o forró) fala da saudade. Sim, porque o caipira ou o sertanejo migraram pra cidade ou viram muita gente migrar. Sofreram horrores, com a falta da sua terra, de suas amadas e do "luar do sertão". Só que isso já faz tanto tempo, que hoje eles já tiveram filhos e netos na cidade grande, que já não tem porque usar chapéu de palha, então usam um fivelão e ainda querem cantar suas dores. Não era óbvio que o sertanejo deveria mudar com o passar dos anos?

E aqui está uma sequencia de bons motivos para eu tirar a poeira dos CDs de Chitãozinho e Xororó do meu pai, tão renegados na minha estante.

"Dá um vazio no peito, uma coisa ruim
O meu corpo querendo seu corpo em mim
Vou sobrevivendo num mundo sem paz"

Nuvem de lágrima - precisa tomar chifre pra gostar

"E no final do dia
O fogo faz companhia
E um violeiro toca pra gente sonhar
Aqui não se vê tristeza
Em meio a natureza
No coração sertanejo é que é o meu lugar "
Coração Sertanejo é recente e tão simpática quanto Vilarejo da Marisa Monte, mas mais apropriada para o violeiro.

"Quando a gente ama
E não vive junto da mulher amada
Uma coisa à toa
É um bom motivo pra gente chorar
Apagam-se as luzes ao chegar a hora
De ir para a cama
A gente começa a esperar por quem ama
Na impressão que ela venha se deitar"
Fio de cabelo é rica de imagem e de emoção - se não gosta é porque não tem coragem de confessar que já sofreu dor de cotovelo.

"Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule da café em cima do fogão
Fogão de lenha, e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar"

Fogão de Lenha é do Xororó mesmo e até eu fico com saudade, né?

"No lugar da tristeza o aconchego
Invés da despedida a chegada
A profunda alegria no estradeiro
Que descobriu enfim sua pousada
Assim sou eu
Sou eu assim pensando em minha amada "
Pensando em minha amada

"Tô indo agora prá um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa prá deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade , o sabiá"
Roberta Miranda manda bem (não é a Sula, tá)

Outras composições do CD que devem ser as músicas mais bonitas do mundo. E fala de saudade com uma poesia absurda:

"Quando vermelha no sertão desponta a lua
Dentro da alma flutua, tambem rubra nasce a dor
E a lua sobe e o sangue muda em claridade
E a nossa dor muda em saudade
Branca assim da mesma cor"
Luar do sertão

"No rancho fundo
Bem prá lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as máguas
Tendo os olhos rasos d'água...
Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo um cigarro
Por companheiro..."

Ninguém menos que Ary Barroso escreveu essa linda letra, que estorou com o Chitãozinho e Xororó

"Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora,
Se ela vai embora,porque gosta de mim "

Eita ombro bão de deitar

"Já ouço sonhando o galo cantando
O nhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer"
Adeus paulistinha do meu coração

terça-feira, 6 de maio de 2008

Paternalismo

Há um mês fui a quadra da escola de samba Império da Casa Verde, em São Paulo. O local parece um templo de devoção ao bicheiro. Ao lado do palco um parede inteira era pintada com fotos e dedicatória a Chico Ronda, bicheiro e fundador da escola, assassinado em 2003. A escola é a mais rica de São Paulo, já sendo bicampeã em apenas 14 anos de história.

Não bastasse a parede, no centro da quadra, bem no topo, há uma estrela em neon azul com a foto do mesmo ex-presidente no meio. Lembrava até uma cupula de igreja. Pois é, o bicheiro é praticamente um santo.

É impressionante como há a necessidade de criar entidades protetoras e superiores sejam lá quem forem. Vide o "Nosso Paizão Romulo Costa" como é citado a todo momento no baile funk. Esse então nem no céu está e se enche de dinheiro organizando bailes funk. Ele recebe prece por levar o circo ao morro. E salve Romulo Costa.

Vem que vem quero denovo

"Eu vou pro baile, eu vou pro baile, de sainha
Agora eu sou solteira e ninguém vai me segurar
Daquele jeito
De, de sainha
Daquele jeito"

Gaiola das popozudas

Os mais puros e de gosto mais refinados que perdoem a canção acima, mas foi o trecho mais descente que consegui coletar dentre os sons que ouvi no fim de semana. O restante da letra desse funk não é muito apropriado.

Nesse feriado, matei minha curiosidade e fui ao baile funk. Agora, eu gostei e quero de novo. Como já suspeitava, dançar funk é instintivo, não há coreografias, regras, e o mais desengonçados e sem ritmo como eu, dan;cam automaticamente de forma instintiva.

Procurei o mais tranquilo dos bailes, então fui ao funk da Salgueiro na Tijuca. Realmente o baile era bem tranquilo, bem cheio mas não vi brigas, pessoas mal encaradas, nem a mulherada muito
louca, ou casais na descompostura.

Apesar de não ser no morro, o funk era original Furacão Twister, a maior equipe de funk do Brasil, aquela do Romulo Costa. O engraçado é que o Romulo Costa não é MC (aquele que canta o funk), nem DJ, ele é o dono da aparelhagem e organizador dos bailes. Como se fosse o dono do Trio Eletrico, e por isso fica mais famoso que a própria Ivete Sangalo. A cada fim de música diziam o nome de Romulo, que nem estava presente, seguido de "Nosso Paizão".
Como assim? Paizão?

sábado, 5 de abril de 2008

Meu partido é um coração partido

Volto do bar com ombros caídos e pouca bebida ingerida. É sexta-feira a noite e ninguém no msn. Eu em casa, sozinha, carente, me sentindo um tanto fracassada e um tanto mesquinha por estar com pena de mim e sem nada mais nobre pra pensar.

Ontem, foi aniversário dele. Ele que era o mais bonito, desejado em todas as boates. O mais genial da turma, o mais querido. Ele que era rei, sem precisar governar. Pois logo ele é que me entende tão bem.

Ele disse desavergonhadamente que é fracassado, carente, meio puto, que amar é brega, e que nem sabe amar. Ele não cantou um amor nobre, cantou o amor meio sujinho, que esfrega a perna por debaixo da mesa pra depois ganhar cafuné. Adoro tudo isso que ele disse com voz rouca e tom sarcástico. Adoro as coisas que ele contava que só se conta pra si, não se assume em roda de bar.

“Meus amigos estão dormindo
Ninguém me telefona
Porque domingo é o
Dia mais triste de
Todos os tempos
Porque não tem sol” (domingo)


“Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada
ou beijo de namorada” (O tempo não pára)


“Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito” (ideologia)


“Mas eu tenho a impressão
Que todos nós somos fracassados
Eu, por exemplo: não amo...” (fracasso)


“Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down” (eu ando tao down)


“Estou tão só
Meus pais não me conhecem
Meus amigos são chatos
Meu cachorro não me lambe
Mas eu quero alguém
Quero alguém” (eu quero alguém)


“O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer” (O nosso amor a gente inventa)


“O amor é brega
Eu quero um” (o amor é brega)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Chão, chão, chão

Quando confesso a alguém que gosto de funk, a pessoa se benze três vezes, dizendo Cruz Credo - Q horror!Concordo, não são os melhores letristas ou interpretes, mas o ritmo tem seus méritos.


Primeiro, há de concordar, a batida da música não é apenas sensual, como também sedutora. Não há muitas regras para dançar, o corpo lançasse naturalmente. Tente não reparar nas letras, apenas no som, que seu corpo se joga fácil.


Uma prova do poder e qualidade da batida carioca é a rapper pop MIA. Nascida no Sri Lanka, mas morando há tempos em Londres, ela mescla o funk carioca com outros ritmos como pop e hip hop e faz músicas com letras bem mais interessantes (fala até de gripe aviária), sem perder a sedução do funk carioca. Ah, dá pra misturar funk com samba também e o Monobloco saí arrebentando.


Quanto as letras, não sejamos hipocritas. O que você gosta de ouvir, Bossa Nova? Pois é, um ritmo gostoso, bem comportado, com letras quase parnasianas e bem cariocas. Mas "A coisa mais linda e cheia de graça" e "Rio você foi feito pra mim" é no minimo ingênuo, com letras feitas por quem se sentavam no Leblon, admirava o mar e nem notara que tinha um Vidigal ao lado. Pois é, já era hora de alguém olhar para o Vidigal.


As letras são exageradamente vulgares, eu concordo. Chega a dar vergonha de ouvir perto de crianças, pais ou avós. Mas mesmo com a mulherada se requebrando sem calcinha nos bailes, não dá pra dizer que o funk carioca coloca as mulheres em posição de objetos. Muito pelo contrário. Enquanto no axé, mas propriamente no espero extinto bunda music, as mulheres eram as dançarinas para músicas do tipo "Desce, desce, danada", "Olha o kibe", "Venha nega, vá", no funk elas tem voz ativa. Aliás, nem Rita Lee conseguiu fazer música que represente a mulher tão dona de si, quanto Tati Quebra Barraco e Deise Tigrona. Afinal é audaciosa e cheia de opinião uma mulher que vem a público cantar "A porra da buceta é minha" uma total quebra de tabu, uma mulher cantar "Daku é bom".

Pode faltar requinte em suas letras, objetivas demais, mas que são originais, são.

domingo, 28 de outubro de 2007

Ele que não era bobo...

Zé Ketti cantava:

"Pode me prender
Pode me bater
Pode até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro eu não saio não"

Pois é, Zé Ketti não era bobo. Descobri que depois que conseguiu fazer um pé de meia (modesto, porque samba não dava dinheiro naquela época) foi morar em Botafogo.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Eu queria tanto encontrar uma pessoa como eu!

Ontem, eu liguei a TV e estava o Mano Brown no Roda Viva. Isso é muito bom e raro. Ele é alguém que parece ter tanto a dizer, que todos querem ouvir, mas que nunca dá entrevistas ou aparece em frente a uma câmera. Tem seus motivos, afinal a mídia pode deturpar tudo o que bem entender, mas acho um pouco esnobe também da parte dele, como se dissesse Sou Mano e não me misturo com a playboyzada.

Enfim, naquele momento banal da vida me dei conta que estou me sentindo sozinha. Senti vontade de dividir com alguém minha alegria boba de ver o Mano Brown na TV. Não tinha ninguém ali e depois de algum tempo comecei a sentir essa saudade estranha de alguém indefinido.

Obs:Essa sensação deve ser decorrencia do show que assisti esse fim de semana. O novo CD do Pato Fu está mais do que pra baixo e sou altamente influenciavel. O show anterior da minha banda emo favorita era tão mais divertido. (o que não significa que o Album Daqui pro Futuro seja pior, muito pelo contrário, está lindo!!!)

terça-feira, 17 de julho de 2007

O fim dos CDs

Comprei um CD original do Bezerra da Silva por menos de R$10. Chego em casa animadíssima com a minha aquisição e minha irmã diz - Você é a última pessoa do mundo que ainda compra CD.


Sempre senti pouca culpa por comprar um CD pirata, afinal me sentia roubada pelas gravadoras também. Se um album original e inédito do Calypso é vendido por R$10, porque os nomes menos populares custam R$30, 40, 50? Em contrapartida, o piratão saí por R$5. As gravadoras jogaram a toalha e perceberam que não conseguem concorrer com o comércio ilegal, muito menos com os sites de downloads não permitidos de músicas. E na estratégia de guerra, se o inimigo é mais forte que você, alie-se a ele.


É isso que as gravadoras estão fazendo. Descobriram tardiamente, que a música em si, tocada no CD, na rádio, ou no MP3, é só um meio de divulgação, que o que enriquece e sempre enriqueceu os artistas são os shows (até porque os cantores eram roubados pelas gravadoras, com direitos autorais ridiculos e vendas de CDs mal contabilizadas).


Agora, as gravadoras também agenciam seus contratados nessa nova área, e aproveitam a pirataria como divulgação. O próximo álbum de Prince será entregue gratuitamente junto com um jornal inglês, dando fim a pirataria. O cantor é um dos mais bem pagos por seus shows, e sem gastar com seus CDs, os fãs poderão pagar mais caro pelo ingresso para assisti-lo ao vivo. Lucro. Shows lotados e cachê mais alto, graças aos álbuns gratuitos. (Britney Spears e Cia vão ter que aprender a cantar ao vivo agora)


O Teatro Mágico, fenômeno de público no cenário indepedente, se deu muito bem, pensando assim, sem precisar de uma gravadora para abocanhar seus lucros. O seu CD – Só para Raros - custa R$5 e o DVD saí por R$10, tudo feito de forma caseira. Resultado: shows lotados e cachê de R$40.000, equivalente ao superpop Charlie Brown Jr.


Novas bandas já lançam singles em pen drives e o Shank já ganhou até celular de ouro, por ser a banda que mais vende músicas pelo celular. Eles lucram e a gente ganha.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Eu sou do samba...

Semanas atrás assisti a "Música para os olhos", o documentário sobre Cartola. Ele mostra que um dos maiores gênios da música brasileira, na minha opinião até mundial, nasceu, viveu, e morreu pobre. Mas pobre de marré-de-si.

Ontem Zé Ketti foi merecidamente homenageado no Prêmio TIM. Cada samba mais lindo que o outro, cheio de poesia e como crônicas dos morros cariocas. Além de divinos, seus sambas são conhecidíssimos, como o "Eu sou do samba, sou natural aqui do Rio de Janeiro...". Nem precisa ser especialista em samba para já ter ouvido mesmo que por acidente algumas de suas músicas. Ou seja, mesmo tendo suas composições amplamente tocadas, gravadas, e regravadas, Zé Ketti também nasceu, viveu e morreu Pobre.

E aí a gente pensa. Poxa naquela época, a música não dava dinheiro, mas principalmente o samba não dava futuro, era coisa de vagabundo, de malandro. Mas, eles sempre tinham algum ganha pão (o Cartola era famoso, ia a TV, mas foi contínuo até o fim da vida).

Sábado assisti ao documentário "Onde a Coruja dorme" que tem como figura central Bezerra da Silva, a melhor caricatura de malandro carioca que Deus já inventou. (mto bom filme por sinal, divertido, com foco, fluído, passou rasteira no pretencioso Musica para os olhos - essa é pra te provocar Fran).

Assim como Zé Ketti, Bezerra é produto e cronista do morro, mas o filme não trata de sua biografia. Ele olha para o que está por trás do sucesso de Bezerra: seus grandes compositores. O filme é de 2001, e mostra alguns dos compositores jovens, entre seus 30 e 40 anos. Apesar de terem sambas conhecídissimos, ganham o pão de cada dia trabalhando como pedreiros, camelôs, comerciantes. São gênios, não tão poéticos como Cartola, mas cronistas como poucos. Deveriam ter ganhado uma grana enorme por suas composições, mas nasceram, vivem e vão morrer no morro. Eles fazem os sambas de malandros, mas trabalham de sol a sol. Ou seja, o samba continua a não dar sucesso, fama e nem dinheiro.

Alguém pode me explicar então como o Belo e afins conseguiram carrão, mulherão? Ou mesmo como enriqueceram os nomes que respeito e gosto muito como Dudu Nobre e Zeca Pagodinho?

Eis o mistério do samba.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Para aumentar o Ibope

Causar polêmica, aumenta o Ibope. Listas causam polêmicas, ninguém concorda com todos os itens, seja lá o que for. E usurpei a idéia da Francini e vou publicar aqui uma seleção de músicas, com categorias sugeridas por ela.

As melhores músicas para cortar os pulsos (na minha opinião, cada um que corte seus pulsos, ouvindo o que quiser)

1 - Atrás da porta - Chico Buarque
2 - O mundo é um moinho - Cartola
3 - Resposta ao Tempo - Nana Caymi
4 - Saudosa Maloca - Adoniran Barbosa
5 - Tatuagem - Chico Buarque
6 - Eu te amo - Chico Buarque
7 - Quase um segundo - Herbert Vianna
8 - Cidadão - Zé Geraldo
9 - Mentiras - da Adriana Calcanhoto
10 - Metade - Adriana Calcanhoto

Músicas pedagógicas sobre a vida (ou o que aprendi com as músicas, ou vida: modo de usar)

1- Perdendo os dentes - Pato Fu
"As brigas que ganhei nenhum trofeu como lembrança pra casa eu levei/
As brigas que perdi, essas sim, eu nunca esqueci"

2 - Vencedor - Los Hermanos
"Faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz"

3 - Tocando em frente - Maria Bethania (não sei quem compôs)
"Ando devagar pq já tive pressa..."

4 - All you need is love - Beatles
já diz tudo, né

5 - Redescobrir - Gonzaguinha
"Somos a semente, ato, mente e voz, magia"

6 - Andança - Danilo Caymi
"E jamais termina meu caminhar/
Só o amor me ensina onde vou chegar"

7 - Samba da benção - Vinicius de Moraes
"É melhor ser alegre que ser triste..."

8 - O que é o que é? - Gonzaguinha
"A beleza de ser um eterno aprendiz"

9 - Balada do Louco - Mutantes
"Eu juro que é melhor não ser um normal, se eu posso pensar que Deus sou eu"

10 - Vida louca vida - Lobão
"Vida louca, vida. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve"

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Eu quero ser essa nega!


Tem duas semanas que fui ao show da minha musa: Elza Soares. Este ano, ela completa 70 anos, com 63cm de cintura e um rebolado de dar inveja nas meninas de 20 anos. (Vale dizer, que esperei um mês pelo show, pois ele havia sido cancelado porque ela teve um derrame). E ela se recupera quebrando as cadeiras do palco, com uma energia dificil de acompanhar. Encapetada, ela consegue ser sexy, com caras e bocas (mesmo repuxadas), e fazendo charme com a cintura e quadris. Se sambar for pecado, essa nega tem camarote pro inferno.
A voz é impecável. Acho que Deus inventou as vogais, e pensou: “Não é bem isso que eu queria”. Aí, inventou a Elza e tudo ficou perfeito, todos os Is, encontraram seus pingos certos na voz dela. A minha Fitzgerald à brasileira. A negra do nosso samba, que dá vida a mulher do malandro (Ai, como é de arrepiar ele cantando “Meu Guri” – parece que foi ela que fez, mas não foi).
Ela ainda consegue ser atual e tem muita coragem pra isso. No show, canta dois raps, um dos Marcelo Yucca “A carne mais barata do mercado é a minha carne negra” e faz uma versão maravilhosa do “Eu só quero é ser feliz” – misturado a canção infantil “Se essa rua fosse minha” – difícil de descrever como ficou perfeito. E Noite Ilustrada aplaudiria de pé ao ver seu samba virar tango “Ali onde eu chorei qualquer um chorava, dar a volta por cima como eu dei quero ver quem dava” – é um samba lindo, famossísimo, mas tem a dramaticidade de um tango, muita sensibilidade para notar isso. E para o Gran Finale, nada melhor – Salve a Mocidade, Salve a Mocidade!!! – nossa escola Verde e Branco.

Pra conferir o novo CD - Do Cóccix até o pescoço (música homônima linda por sinal)

quarta-feira, 21 de março de 2007

Diz tudo!

Incrível o poder de síntese dessa música. Incrível como muitas pessoas podem se sentir como você. Incrível como a Elis interpreta isso brilhantemente.
Sem mais.

Vinte Anos Blues

hoje de manhã quando acordei
olhei pra vida e me espantei
eu tenho mais de vinte anos
eu tenho mais de mil perguntas
sem respostas

estou ligada num futuro blue
os meus pais nas minhas costas
as raízes na marquise
eu tenho mais de vinte muros

o sangue jorra pelos furos
pelas veias de um jornal
eu não te quero, eu te quero mal

essa calma que inventei, bem sei
custou as contas que contei
eu tenho mais de vinte anos
eu quero as cores e os colírios

meus delírios
estou ligada num futuro blue

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

É mágico mesmo!!

Uma boneca de pano que toca flauta. Outra que faz equilibrismo em um tecido. E um palhaço que toca violão e faz mágica ao transformar sentimentos em mais belas palavras e músicas. A imagem de meus sonhos de criança estava a um palmo de mim. Meus olhos brilhavam, o queixo caído e eu aplaudia cada movimento. Estava na arena do CCSP a trumpe independente do Teatro Mágico.

"Senhoras e sem dores/
Respeitável público pagão/
Bem vindo ao teatro mágico!/
sintaxe a vontade..."

Segundo show da noite com ingressos esgostados, com uns 4 ou 5 mil do lado de fora. Um fenômeno para uma banda que não toca em rádio ou TV, não tem gravadora, e seus CDs não vendem em loja. Ficaram famosos pelo antigo e eficaz método de marketing boca a boca. (Ah, o Cd deles é vendido pelo pai do líder do grupo por R$5,antes e depois do show começar e as músicas podem ser baixadas pela internet sem custo).

Foi show para meus ouvidos e olhos. Eles conseguem dizer em suas músicas coisas alegres, delicadas, fazer as pessoas dançarem e rirem, sem ter letras tolas ou conformadas.


Não tem sol, nem solução/
não tem tempero no meu dia/
Não faz mal se a situação não traduz nossa alegria/
Não ter festa dá a impressão de que o mundo ficou sério/
não tem bala, belo, bola ou balão/
não tem bula meu remédio.
Depois do público aplaudir e bater os pés, entra a trumpe e todos repetem juntos em coro:


"Tem horas que a gente se pergunta/
Por que é que não se junta tudo numa coisa só(...)
Poeta, ouvidor, desenhista, musico, malabarista...
comediante o que for
Todo mundo procura um lugar, pra poder compartilhar...
da dor e da alegria
Sarau em Arcoverde só de sexta venho aqui reivindicar
eu quero isso todo dia
Sarau na Arcoverde só de sexta venho aqui reivindicar
eu quero isso todo dia."

Eles ainda convidaram um palhaço do cavaco e mandaram ver no samba da Mocidade Alegre desse ano. Liiindo!!! O enredo é "O Riso".


A emoção transborda da veia
Meu pavilhão o samba festeja
Vamos sorrir... Amar enfim
Vem Mocidade Alegre ser feliz.

Com um enredo lindo e mágico desse, meu coração deixa temporariamente de ser Vai-vai. Esse Carnaval é da Mocidade, pela qual já tinha alguma simpatia. Que pena que todo Carnaval tem seu fim. Mas, hoje é só o começo e amanhã é o desfile da Mocidade.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Graaaande Adoniran

no site “Samba & Choro” publicaram outro dia um especial em homenagem a Adoniran Barbosa, graaaande gênio. O produtor Pelão (José Carlos Bottezelli), conta uma história sobre a letra da música "Iracema".

"Ele tinha o seu charmezinho. Gostava das suas conquistas. Tem uma história que ele me contou, sobre a composição de uma música, que eu dou muita risada.
Havia um mulherão, que freqüentava o "Papai", ali na São João, à noite, e não dava a mínima bola pro Adoniran. Ele já era um grande nome de rádio, e ela uma das “mariposas”, e não dava pelota para ele. O Adoniran era louco por ela. Isso lá pela década de 50. Um dia ela saía do lugar, ele levantou e, de pé, falou bem alto: "Vou te matar. Vou te matar!" Sentou e ficou quieto.
No dia seguinte chegou com a letra da "Iracema":
"Iracema, você atravessou contra-mão, veio o carro e te pincha no chão...". A mulher entrava no lugar e ele berrou: "Te matei!! Tá aqui". E nunca mais olhou pra ela..."

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Samba

Continuo dançando e achando que a dança é uma boa forma de comunicar. O passo de cada ritmo diz muito sobre os sentimentos. Depois da elegancia e melancolia do bolero, estou na fase do Samba. Quero todo o molejo, balanço, saltos, rodopios. Que o choro seja só do cavaco, e deixar o samba cicatrizar as feridas com paixão e peito aberto.

"Nem sempre se entende as loucuras de uma paixão
Tem jeito não
Olha pra mim
Faz tempo que meu coração não bate assim
Não faz assim, me diz seu nome
Não me negue a vontade de sonhar
De sonhar os meus sonhos com você
Despertando pro seu adormecer
Seria bom demais
Que bem me faz, você".
Jorge Aragão