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sábado, 13 de junho de 2009

Silencioso desespero

Só agora assisti a Revolutionary Road (Foi Apenas um Sonho), de Sam Mendes, com o brilhante, afinado e agora maduro casal Leo Di Caprio e Kate Winslet. O filme tem uma produção impecável e um roteiro de diálogos riquíssimos que conta uma história universal sobre a fragilidade humana e o delta entre o que somos e o que queremos ser.

April e Frank formam um casal dos anos 50, apaixonado, moderno, bonito e talentoso – ela quer ser atriz, ele escritor, mas na realidade, não têm tanto talento assim. Frustram-se com isso e justificam “desperdiçarem seus talentos” devido ao alto preço da construção de um lar após a gravidez de April.

Eles mudam-se do centro de Nova York para uma bela casa no subúrbio, aquela em que os vizinhos se dão por contentes e ele arruma um emprego mediano na Knox Business Machine. Após sete anos de casamento, estão entediados, frustrados, e não aceitam serem iguais aos vizinhos.

Ela, a heroína trágica do filme, traz o turn point, ao propor mudarem para Paris. Mais do que entediada, April está desesperada e tem coragem de abrir mão de sua vida medíocre e confortável e tentar de alguma forma (que não sabe ao certo qual) ser aquilo que esperava ser. Ele fica seduzido com a proposta de April, mas está dividido entre a aventura considerada imatura por todos, e a segurança que tem. April e Frank são quase um só – aquela metade da gente inquieta e corajosa, que quer fugir (april), e a parte que prefere não arriscar (frank).

A grande felicidade do casal não está no conforto do subúrbio, tampouco na aventura em Paris, mas no verão em que planejam a viagem com esperança de terem uma nova chance de ser aquilo que desejavam ser. Minha frase favorita é de John – o vizinho louco que fala as verdades – ao falar que Frank não tem coragem de tocar adiante um projeto porque tem medo de descobrir que não serve para nada. Confesso esse medo.

Adoro quando Di Caprio propõe à esposa procurar um terapeuta para curar sua insatisfação. Talvez ele esteja certo, a felicidade está em nós e não em um lugar. Mas talvez ela esteja certa e o melhor é seguir mesmo que às escuras seu sonho, e não pagar um psicólogo para se conformar com a vida que leva.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Para o bando de loucos - os acertos

Apesar de sentir falta de algumas coisas, isso é detalhe. O filme é muito bom. Não raro muita gente irá às lágrimas. Um depoimento mais precioso que o outro. Difícil escolher o favorito. O principal mérito do filme é não usar locução em off em momento algum e usar apenas uma legenda. O filme é integralmente narrado pelos torcedores.

A documentarista também tem o mérito de diversificar bem os torcedores que narram a história. Mostra que no bando de loucos tinha pobres e ricos, homens, mulheres, jovens, velhos, casada com Palmeirense, neto de italiano, integrante da Gaviões.

Várias vezes, os personagens relacionam seu amor pelo time a família, lembrando do pai, dos filhos, quando assistem aos jogos. Isso dá mais força e emoção a narração. Adoro a menina de camisa roxa que narra o jogo contra o Grêmio, contando as reações do pai.

A equipe também teve a felicidade de encontrar Danubia, uma torcedora que passava pelo momento mais dificil da sua vida – a luta contra o cancer – enquanto seu time também estava em luta. E um dava força para o outro se reerguer. A documentarista merece aplausos por não deixar a história da garota apelativa, e costurá-la com esmero à história maior que está sendo contada. (Ah, também é um achado o casalzinho que se conhece através do fanatismo pelo Corinthians).

Saí da sessão com vontade de comprar logo o DVD e assistir de novo e de novo e de novo. O filme me deixou com ainda mais orgulho de ser Corinthiana.

E depois do jogo de ontem então sou só orgulho. Eita time que me faz sofrer (aos 48 minutos, é brincadeira?) e que me dá alegrias.

Para o bando de loucos - os erros

Apesar de não ter como errar, erraram um pouco. Não há um depoimento do Nelsinho, técnico do Corinthians durante a queda. Se ouviram o Mano Menezes, porque não ouvir o Nelsinho?

No filme, o jogo mais narrado é a fatídica partida contra o Grêmio em 2 de dezembro de 2007 – o dia da queda. Quatro personagens que acompanhamos desde o início do filme contam que foram até o Olimpico, em Porto Alegre, para dar força ao seu time. Ouvimos seus depoimentos intercalados a cenas do jogo, mas onde estão as cenas deles naquele dia, sofrendo no estádio? Por que a camera não os acompanhou no jogo tão importante? Acho que deixaria a história ainda mais bem contada.

Também senti falta de ouvir a música do Roberto Carlos “Eu voltei...”. Um dos personagens conta que a música tocou ao final do jogo contra o Ceará, mas nada da música tocar. Preferiu-se tocar o hino do Corinthians em violino (que ficou lindo!), mas a música ambiente em documentário é fundamental, ainda mais essa que foi tão significativa para a história.

Não se comenta nada também sobre as camisas especiais feitas para o momento que o filme narra – a camisa roxa (que os personagens usam durante o filme) e a camisa com o retrato dos torcedores. Poxa, eu queria ouvir quem pagou e se emocionou de ter sua foto na camisa dos jogadores.

Para o bando de loucos - o filme




O filme já nasce com torcida. Até os corinthianos que não viram já gostaram. Mas deixando o fanatismo de lado, se o filme fosse sobre a torcida do Gremio, Flamengo, até do Palmeiras, eu teria gostado muito. (a torcida do São Paulo é “boring” demais para render um filme)

Os roteiristas e a diretora tinham em mãos uma boa história para contar, daquelas de roteiro pronto. Uma história de amor sobre uma torcida fiel, como ela mesmo se intitula, e fanática. Para ter uma história, precisa ter um problema. E bota problema. Uma das maiores torcidas do país vê seu time ser rebaixado. Mas não o abandonam nem em seu pior momento, até ele se recuperar. Não tem como errar.

Desculpem, não sei colocar o trailler para rodar aqui, mas clicando neste link é possível assistir.

Para o bando de loucos - a sessão

Fui assistir FIEL no sábado e pensei "como sou feliz de ser Corintiana".

A plateia uniformizada, como se fosse ver um jogo. Alguém gritou “Tem mais gente aqui que na Vila” (referindo-se a Vila Belmiro onde aconteceria dali 2 horas o jogo Santos x Palmeiras). Outro berrava “Amanhã vamos dar uma surra nelas” (referindo a partida contra o São Paulo no dia seguinte). Outro começava a gritar “Aqui tem um bando de loucos” e todos seguiam.

Não é qualquer filme (ainda mais documentário) que tem torcida. E respeito suficiente, pois durante o filme o silêncio era religioso.

Ah, o Cinemark se recusou a passar o filme em todas as suas salas. Pra mim, a desculpa não colou, acho que eles são bambis mesmo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

FIEL



Dia 10 de abril (feriado) estreia FIEL - documentário de Andrea Pasquim, com roteiro de Serginho Groisman e Marcelo Rubens Paiva.

O filme narrado pelo "bando de loucos" conta a queda e ressurreição do Corinthians no Brasileirão.

Certamente, será campeão de bilheteria e eu estarei na primeira sessão.

domingo, 1 de março de 2009

Quem quer ser um milionário? (eu quero!)


Não achei o premiadíssimo da noite do Oscar nenhuma obra-prima. O filme tem um ritmo ágil e encontrou uma saída criativa para contar a história, intercalando três tempos (Jamal contando a história ao delegado, Jamal durante o programa, o flash back de sua infância). A trilha é ótima e a história envolvente. E tem méritos de por não contar com um orçamento alto, efeitos especiais, e apostar num elenco novato e anônimo.

No filme, Jamal é um jovem que nasceu numa favela de Mumbai, Índia, e participa de um programa chamado “Quem quer ser um milionário?”, um Show do Milhão. O protagonista acerta as perguntas e tem de explicar a um delegado torturador como sabia as respostas. Para a sorte de Jamal, cada resposta está relacionada a um fato de sua vida pobre e sofrida, ao lado do irmão Salim, antagonista da trama, e de seu amor de infância, Latika.

Assim, como Cidade de Deus o filme usa a estética da pobreza, só que com uma narrativa mais "colorida", afinal o próprio título remete a possibilidade de fulga da pobreza e sofrimento. Pra mim, o problema de pobreza cosmetizada e ficcional é errar na mão, ficar piegas e apelativa. E em alguns momentos isso acontece. Achei forçado demais usar criancinhas órfãs, ceguinhas e mendigas. Fora os vilões caricatos demais. Seria infantil até, se a cena de uma criança tendo seu olho queimado não fosse forte o suficiente, o que impossibilita de passar na sessão da tarde.

E por falar em falta de construção de personagem, o que é a Latika, a mocinha do filme? Eu não suporto histórias com virgens lindas frágeis e aprisionadas. Apesar dela ser a motivadora da história, não construíram personalidade, falas, nada pra menina. Até Maya (Juliana Paes) do Caminho das Índias dá de 10 na Latika.

É só ficção, mas ninguém precisa esquecer da verossimilhança na hora de contar uma história. Vamos admitir que Jamal tenha muita sorte e as perguntas tinham tudo a ver com a sua vida. Mesmo dando essa colher de chá, há vários momentos que a história perde o sentido. Por exemplo, nenhum bandido que anda armado, sabe responder quem inventou o revolver, muito menos saí gritando isso por aí, né? Mas, Salim sabe, grita, e ninguém sabe ao menos como a arma foi parar na mão do menino que não tinha o que comer. Assim como ninguém sabe onde Jamal encontrou a nota de cem dólares que deu ao ceguinho. Ele não tinha dinheiro pra comer e dá cem dólares de esmola?

Críticos que dizem que é uma analogia a Bollywood (hã, hã, pegou?), tem gente que diz que é ficção, fantasia, e por isso pode tudo. Pode ser que eu seja conservadora demais, mas as coisas tem que ter lógica, mesmo que uma lógica própria, válida apenas para sua fantasia.

domingo, 30 de novembro de 2008

Insatisfação crônica


Vicky (Rebeca Hall) e Cristina (Scarlet Johasson) são amigas, tem gostos comuns, mas personalidades bem distintas. Elas são americanas e estão de férias em Barcelona, e como todo bom turista, com certa disposição a se encantarem com as novidades que encontram, incluindo o sedutor pintor espanhol, Juan Antonio (Javier Badien).

Vicky é mais metódica e gosta de fazer planos em longo prazo para evitar decepções. É mais determinada e assertiva uma vez que sabe definir melhor a vida que quer levar. Ela pretende casar-se com Doug, um executivo americano, previsível e apaixonado por ela. Após conhecer Juan Antonio, repensa suas escolhas, sente vontade de arriscar mais. Suas certezas tiram férias ao descobrir o novo, torna-se insatisfeita com o noivo e sua futura "vidinha", mas ao perceber que não tem estômago para as oscilações de uma vida passional (à moda latina), pondera e volta a optar por uma escolha sem riscos.

Cristina por não saber o que quer, é mais aberta a novas possibilidades e tem mais estômago para encarar riscos e decepções. Oferece-se a tudo. Cristina só sabe o que não quer: homens pré-fabricados, família pequeno-burguesa, universo nove-às-seis-com-happy-hour. Quer algo novo, mas não sabe exatamente o quê, quer expressar-se mas não sabe como e é isso que, diferentemente de Vicky, faz sua insatisfação ser crônica e não passageira como suas férias. Afinal, “Quem procura o que não perdeu quando encontra não conhece” (Wilson das Neves). E como grita a passional Maria Elena (interpretada pela cada vez mais linda Penélope Cruz) – "Insatisfação Crônica: é isso o que tem. Nunca encontrará o que quer".

Assim como Cristina costumo estar sempre aberta a novas formas de ver o mundo, por não ter aprendido a minha forma ainda. Como não sei onde quero chegar, qualquer caminho faz sentido (já diria o gato listrado de Alice no País das Maravilhas Não descobri a forma de me expressar, tampouco a paixão que faz minha vida pulsar. E caminhar sem saber o que procura deixa sempre essa sensação estranha de insatisfação crônica. Puede ser una enfermidad.

PS: descobri que quero muito conhecer urgetemente Barcelona.

domingo, 7 de setembro de 2008

A vida como ela é II


Para mim, o personagem mais interessante do filme "Linha de Passe"é Reginaldo. É esperto e engraçado, mas briguento e cheio de raiva por ser o "neguinho", caçula, e não conhecer o pai. Diferente dos outros personagens, ele não nasceu de estatísticas, mas de uma notícia de jornal.

Um garoto de 14 anos vivia procurando o pai nos coletivos, até que aprendeu a dirigir. Um dia ele entrou na garagem e saiu com o ônibus por três horas, até ser preso. Passou 24 horas na Febem, e depois que foi solto, roubou mais 30 ônibus até fazer 18 anos. Hoje ele é mecânico.

Linha de Passe - A vida como ela é

Linha de Passe, novo filme do Walter Salles, fala da periferia de São Paulo (Cidade Líder-ZL). A história não trata de tragédias ou bang-bang, não tornam os pobres heróis, nem vítimas, nem bandidos. Não tem romantismo, nem acidez, não faz crítica social ou apela para emoções. Retrata o drama inerte que é o cotidiano de gente que tem poucas opções. Haja maestria para se falar do que é estático. Haja maestria para se falar do hoje e da maioria, aquela que não mata, nem morre, mas que “se salva”.

É um filme de bons personagens e ótimas interpretações para gente se ver na tela. A verossimilhança fica ainda melhor por ser interpretada por atores desconhecidos. Cleuza (intepretada pela atriz premiada em Cannes – Sandra Corveloni) é empregada doméstica, corintiana, grávida e mãe de quatro filhos que cria sozinha. O mais velho, Denis, é um motoboy (como não podia deixar de ser ao falar de SP), pouco ajuizado. Dinho é evangélico e luta para a não sair da linha. Dario (lembra do Josué de Central do Brasil? É ele) acaba de completar 18 anos e parece o fim da esperança para quem sonha em ser jogador de futebol. O caçula, Reginaldo, é negro, esperto e sonha em conhecer o pai: um motorista de ônibus. Todos, apresentados com equilíbrio, lutam para se salvar a sua maneira.

Os personagens dão vida às estatísticas – mãe solteira, evangélicos, motoboys e jovens que querem ser jogadores de futebol – mas não caem em clichês. Cleusa poderia cair fácil no heroísmo, mas é uma guerreira cheia de defeitos. Apesar de carinhosa e batalhadora, dá surra no filho, é por vezes desatenta, bebe e fuma, fala coisas pesadas como “Deus vai me dar uma menina bem boazinha pra me salvar de vocês”, e é questionada pelos meninos por não ter lhes dado pai.

A vida dessa família (solidária e com pequenos confrontos) é dura e cinza como São Paulo. Feliz escolha pela cidade. As favelas do Rio já foram apresentadas ao mundo em filmes severos de bang bang – bastante preto/branco. Salles decidiu retratar a periferia que conheço com meu olhar estrangeiro: a que joga bola na rua, que toma Tubaína, que passa muitas horas no ônibus, que gasta o domingo na bodega ou igreja, que vive em um jogo coletivo.

O filme é sútil e prima pelos detalhes ao invés de apoiar-se em narrações (como Cidade de Deus e Tropa de Elite) ou excesso de diálogos. Gosto muito da cena em que Cleusa vê a nova empregada usando o rodinho de limpar vidros que ela não tinha. Pra que dizer que está revoltada, que está sendo injustiçada? Está tudo ali dito diante de nossos olhos.

Nos minutos finais, o filme vai crescendo e ganhando tensão com cenas memoráveis, que não vale contar. E não tem um desfecho, afinal, o cotidiano é contínuo. E já que é ficção mesmo, posso imaginar o golaço de Darío, ou uma defesa espetacular do goleiro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Não é uma equação



Filme com boa montagem, trilha, e elenco. E claro, a história em si é muito boa e te causa conflito moral.


A mim, causou ao menos a parte final - o julgamento de João. A juíza se pergunta se o Direito é uma equação: flagrante + confissão - atenuantes = pena. Ela chega a conclusão que não, e é bastante branda. Fiquei um tanto revoltada de ver que o rapaz pegou pena de apenas dois anos de reclusão.


Apesar do filme mostrar o tempo todo que ele é só um menino grande, amoral, não um bandido sanguinário (taí a frase - Meu nome não é Johnny, é João!), poxa, é bandido, é traficante, sim. O advogado de defesa dele pareceu sagaz e mostrou que o réu festeiro não adquiriu bens, não tinha armas, enfim, não fazia parte do crime organizado. Tudo verdade. Mas qual a diferença se ele comprasse uma Ferrari ou se ele gastasse tudo em festa? O crime é como ele conseguiu o dinheiro e não como gastou.


Até que tomo um tapa na cara com a frase final do filme - na legenda - assinada pela juíza do caso. "João Guilherme Estrela é a prova real de que é possível recuperar alguém".


Poxa, então o que eu quero? Uma pena matemática? Por que trafica é trafica e merece mais pena, seja na cadeia ou sanatório? (tô parecendo o capitão nascimento, cruz credo). Ou eu queria que ele se recuperasse da amoralidade dele e de seus vícios? Acho que ele é um caso isolado. Talvez outro não se recuperasse ao encontrar o inferno. Mas por isso mesmo a juíza tem razão: o Direito não é ciência exata.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O mérito do filme


Ao assistir um filme a gente se identifica com o narrador ou com o herói. No caso do aclamado Tropa de Elite - apesar de acabar torcendo por Neto e Matias, os heróis do filme – pessoas como eu só deveriam conseguir se identificar com a turma da universidade, afinal eu só vi fuzil no cinema mesmo.

Os coadjuvantes do filme: Maria (Fernanda Machado), Roberta (Fernanda Freitas), Edu e Rodrigues têm muita coisa em comum comigo e com pessoas do meu convívio. São bonitos, jovens, fazem faculdade, tem alguma consciência social, trabalham em ong na favela, lêem Foucalt e por isso, acreditam conhecer a verdade do mundo. Entre uma aula e outra eles dançam, namoram, ajudam crianças pobres, fazem passeata pela paz, e puxam um baseado.

Eles são apenas coadjuvantes, mas são mostrados como a causa de uma cadeia de acontecimentos no filme, e claro, na vida da gente. Ouvi pelo menos três vezes personagens sendo categóricos: “Quantas crianças a gente vai ter que perder para o trafico, só pra playboy poder curtir um baseado?” ou ainda “Pra mim quem fecha com bandido é bandido também”. Tapa na cara de quem está sentado na poltrona para parar de achar normal puxar um, vez ou outra.

O uso moderado realmente não parece danificar ninguém. Acontece que ninguém plantou a sua folhinha na jardineira de casa, ela veio de algum lugar – e o filme mostra que esse lugar é bem parecido com o inferno. E muitas vezes a mão que ajuda a comunidade e pede paz, é a mão que financia a manutenção desse inferno.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A personalidade do século


Felicidade é entrar na sessão de estréia do filme mais aguardado da década sem fila. E o melhor: legendado.


Segue a entrevista publicada no USA Today com a personalidade do século: Homer Simpson


Pergunta: Você ainda parece manter um ótimo relacionamento com Marge após 20 anos. Qual o segredo de um casamento saudável?


Homer: Tentar encontrar interesses comuns. Minha mulher e eu descobrimos que temos filhos da mesma idade, então isso nos dá algo sobre o que conversar durante os comerciais na TV.



Pergunta: Você conseguiu manter seu visual ao longo dos anos. Como faz?


Homer: É um procedimento raro: lipo-injeção. Ei, eles têm que fazer alguma coisa com toda aquela gordura que tiram das pessoas.


Pergunta: Há alguma coisa que você não comeria?



Homer: Minha cabeça. Preciso dela para comer.


Pergunta: Sua ficha na usina nuclear de Springfield é totalmente manchada. Como você nunca foi demitido?
Homer: Ainda trabalho na usina porque o chimpanzé que treinaram para fazer meu trabalho foi promovido. Eu agora me reporto a ele. E todo ano tenho que ir à estúpida festa de natal dele.


Pergunta: Quais são suas posições políticas?


Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Não por acaso


O filme é bom demais. Eu recomendo muitíssimo. Sensível, comovente, inteligente, mas não faz você sair do cinema deprê, porque trata de renovação. E saí mesmo renovada.

Além disso, adorei ver um filme filmado na minha cidade. Não que isso deixe o cenário bonito, muito pelo contrário, mas me causou uma identificação e isso é muito bom. Quando filmam a 23 de maio de cima e mostram os carros como formiguinhas, ou quando filmam as janelas do prédios de frente ao Minhocão, dá aquela sensação paulistana de "Eu sou uma formiguinha esmagada e minuscula no meio desse lugar enorme e caótico". Esse cenário ajuda a montar e enteder os personagens, principalmente o Enio, vivido por Leonardo Medeiros com perfeição.

Poderia falar muitas coisas incriveis do filme mas tenho um problema, ao assistir filmes com Rodrigo Santoro (o homem mais lindo do mundo) eu perco o senso crítico. Fico hipnotizada e pronto. Bem, o personagem do Rodrigo é Pedro Matos, simplesmente tudo o que eu sonhei pra mim. Não bastasse o visual que dispensa comentários, tem um estilo meio parrudo, tipo jogador de sinuca/camisa estampada/barba por fazer, (ah, e jogadores de sinuca são inteligentes, afinal é um jogo de estratégia e não de sorte ou força da tacada) e ainda por cima, tem os gestos mais delicados.

Em uma cena, a namorada briga com ele porque o apartamento é muito pequeno e não tem lugar para colocar seus livros, que estão encaixotados. No dia seguinte, ela chega e estão todos na estante. Ai, tudo o que eu queria era um Pedro Matos arrumando minha estante e fazendo pequenas surpresas grandiosas.

Em outra cena, ele diz para uma moça com quem toma um café. - Tem duas horas? (eu tenho, viu Pedro?) e a leva a um lugar alto (acho que é a Serra da Cantareira) para ver a paisagem. Ela até chora, eu não faria diferente.

Aí, ele acorda pela manhã e fala "Vou fazer um omelete. Quer?" (meu deus, ele até cozinha) Mas ela não quer omelete, quer café. Ele não a ouve. Ela vai embora. Ele corre (tipo herói mesmo) e leva a garrafa térmica com café até o apartamento dela. (uau, ele até a ouve e faz seus pequenos desejos de forma surpreendente).

ai, ai!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Pelas cotas

Hoje, estréia Piratas do Caribe 3. Assisti o primeiro da série e achei bom e só. Semanas atrás, a sensação foi o Homem Aranha 3. Assisti o primeiro e não gostei tanto. Mas, fiquei curiosa para ver o último. Shreek 3 estreia semana que vem e não perco por nada. Já assisti os dois anteriores e adooooro rever várias vezes com meus afilhados.

Os 3 Blockbusters têm em comum um marketing milionário. Resultado: números estrondosos de bilheteria.

Não sou contra filmes que são sucesso de bilheteria. Muito pelo contrário. Acho que agradar ao público tem que ser uma obrigação do cinema. Até me pergunto do que adianta o governo investir no cinema nacional se ele não consegue ser visto. É como gastar verba para construir escolas que não tenha alunos para estudar.

Porém, é muito difícil que o cinema nacional seja visto, e muitas vezes não é por falta de qualidade. Eu já perdi as contas de quantas vezes morro de vontade de assistir um filme nacional, mas perco a oportunidade. Isso porque eles ficam em cartaz em uma ou outra sala, por apenas um ou dois fins de semana.

Enquanto isso, esse fim de semana Piratas + Aranha dominam 68% das salas de São Paulo. No shopping Penha, os dois filmes estão em 100% das salas. No Shopping Santa Cruz, apenas uma as 11 salas não passa um dos dois filmes. De acordo com os guias de programação na internet, São Paulo tem 61 filmes em cartaz. Coitados dos outros 59 que disputam as poucas salas que sobram.

Não seria ideal se houvesse um equilibrio? Nada contra o sucessos de bilheteria. Aliás, acho que quanto mais sucesso fizer, mais tempo deve ficar em cartaz. Mas essa hegemonia das salas é covardia. Se você não escolheu seu filme desse fim de semana, e for ao acaso ao cinema, será praticamente coagido a assistir a piratas ou aranhas na telona.

Nas salas da Paulistas, as ditas como "cult" - Piratas e Aranhas dividem 20% das salas. Poxa, se temos outros 50 para ver, já é um sucesso um único filme ter 10% das salas. Imagine nas cidades que não são recheadas de cine-clubes como São Paulo, os Piratas devem ter tomado as salas de assalto.

Por isso, sou a favor das cotas nacionais no cinema. Caso contrário, investimentos que vem do nossos impostos para preservação da cultura estão indo ralo abaixo. Com reservas de salas é possível cobrar qualidade dos filmes nacionais antes de patrocina-los, bons filmes poderão conquistar o circuito comercial, ter retorno em bilheterias e chamar a atenção de outros patrocinadores. Além é claro, do espectador ter poder de escolha e valorizar a nossa cultura.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Hoje tem filmão na TV


Lost in Translation O filme de Sofia Coppola virou "Encontros e Desencontros" no Brasil. Uma das mais infelizes traduções de títulos para o cinema.

Mas pouco importa - ele é belíssimo do mesmo jeito. Daqueles filmes que enquanto estamos na sala somos embreagados pelos sentimentos dos personagens e que quando saímos do cinema o filme cresce dentro da gente. Vire e mexe alguma cena me vem a mente anos depois e me arrepia inteira.

Vi algumas críticas do público que disseram que o filme não tem história. Na verdade, tem sim, mas é uma história tão banal, dessas que acontecem sempre com todo mundo, que a gente nem se dá conta que daria um filme. Deu. E só foi possível porque essa jovem diretora teve sensibilidade de sobra e contou com os talentosos Bill Murray e a então novata Scarlett Johansson (que boa aposta da diretora, no cartaz para o cinema nem aparecia o nome da atriz que virou a queridinha do cinema).

Ouvi dizer de outros que o filme é monotono. Sim, é. E esse não é um defeito, mas um mérito. O filme fala justamente de monotonia, os personagens estão extremamente entediados de suas vidas e isso é tão forte e a flor da pele que quem está na sala sente tédio também (aliás, o Bill Muray é o ator que melhor encarna um entediado - depois desse, ainda fez Flores Partidas - tédio que escorre pelos poros).

É um filme de gestos e olhares, onde pequenas atitudes representam muito dentro da história. Um filme que me arrepia de tão parecido com vários momentos da minha vida. A sensação de tédio, de perda de rumo, de melancolia, de se sentir minuscula em uma cidade, de sentir que não faz parte de nada que está a sua volta, de vazio, de dificuldade de comunicar-se, de amparo, de amizade, de paixão crescente. Altares para Sofia Coppola - Como alguém consegue colocar tantos sentimentos comuns em imagem?

E as cenas em silêncio? Noooossa - aquele silêncio diz tanto sobre eles e sobre mim. É tão precioso quando alguém entende o seu silêncio, não pede palavras, e o olhar basta. Esses momentos as vezes são tão raros e tão valiosos. (Já pensei em comprar várias cópias desse DVD e presentear como prêmios as pessoas raras que respeitam o meu silêncio).

Capítulo a parte

Bem a Scarlett merecia um post a parte. Ela devia ter uns 18 anos quando gravou o filme, mas já tinha uma maturidade incrível (afinal não é fácil dizer tanto de seu personagem quando se há muito silêncio em cena). Além disso, ela está lindíssima e natural. Nada contra o gênero femme fatale que ela incorporou hoje, mas acho que nesse filme ela está no ápice de sua beleza, de forma delicada.

Tem coisas que me deixam extrememante feliz. Assistir um romance sem esteriótipos, açúcar, rosas, músicas piegas, e príncipe encantado (o Bill Muray me parece bem longe disso). E conseguir me identificar com a Scarlett Johansson. Adoro imaginar que uma mulher linda como ela também é fragil e melancolica como a Charlote (do Lost in Translation) ou desengonçada como a Sondra (do Scoop).

Serviço: Encontros e Desencontros (Lost in Translation) - hoje, 11/06 - às 23h - na Record

Sinopse: Bob Harris (Bill Murray) é uma estrela de cinema, que está em Tóquio para fazer um comercial. Charlotte (Scarlett Johansson)está na cidade acompanhando seu marido, um fotógrafo workaholic que a deixa sozinha o tempo todo. Sofrendo com o horário, Bob e Charlotte não conseguem dormir. Eles se encontram, por acaso, no bar de um hotel de luxo, e em pouco tempo tornam-se grandes amigos. Resolvem então partir pela cidade juntos.