quarta-feira, 26 de julho de 2006

Samba

Continuo dançando e achando que a dança é uma boa forma de comunicar. O passo de cada ritmo diz muito sobre os sentimentos. Depois da elegancia e melancolia do bolero, estou na fase do Samba. Quero todo o molejo, balanço, saltos, rodopios. Que o choro seja só do cavaco, e deixar o samba cicatrizar as feridas com paixão e peito aberto.

"Nem sempre se entende as loucuras de uma paixão
Tem jeito não
Olha pra mim
Faz tempo que meu coração não bate assim
Não faz assim, me diz seu nome
Não me negue a vontade de sonhar
De sonhar os meus sonhos com você
Despertando pro seu adormecer
Seria bom demais
Que bem me faz, você".
Jorge Aragão

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Boleros

A noite de ontem foi perfeita para o tema Drama. Começa com aula de bolero, com direito a "Sob Medida" do Chico. A dança, a música, a letra, a batida, e até os passos de dança são dramáticos e passionais no bolero. Depois, eu e dois amigos que curtem as palavras e expressões dramáticas (daqueles que até choram com músicas e poesia) decidimos ir ao Roda Viva, um bar na Vila Madalena que toca exclusivamente Chico Buarque. Impossível crer que alguém não goste desse homem. Ele sim é a minha primeira e grande paixão. Em sua poesia, prosa e acordes. E mais, eu gosto é quando ele canta, com sua interpretação triste, dramática e apaixonada. Um dos melhores trechos da noite:

Sob Medida (a Rodriguiniana)
(...)"Eu sou sua alma gêmea
Sou sua fêmea
Seu par, sua irmã
Eu sou seu incesto (seu jeito, seu gesto)
Sou perfeita porque
Igualzinha a você
Eu não presto
Eu não presto

Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome e sem lar
Sou aquela
Eu sou filha da rua
Eu sou cria da sua
Costela
Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pros carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus"

Tatuagem (a sadíca)
(...)"Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina, salta e te ilumina
Quando a noite vem" (...)
"Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas mas no fundo gostas
Quando a noite vem"(...)
"Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, ferro e fogo
Em carne viva"

Olhos nos Olhos (a amarga e cínica)
(...)Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
(...)Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

Eu te amo (a mais dolorida)
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Do jeito que você queria

Vontade de ficar sozinha
só pra saber
se você ia
ou vinha
quando deixou
esse bagaço
no meu peito
pedaço estreito
defeito na mercadoria do jeito
que você queria

Alice Ruiz

sábado, 8 de julho de 2006

Ela queria que ele chegasse agora

Ela queria que ele chegasse agora, sem que nada lhe dissesse.(As palavras não aquecem as noites).
Ela queria que ele a olhasse e só. Daquele jeito, com aquele brilho e tremor. Como se ela fosse a mulher mais mulher desse mundo.
Ela queria um beijo com força e paixão. Que calasse seu grito, seu choro, seu corpo. Ela queria que ele a segurasse forte as mãos, os braços, a cintura. E apertasse até doer.
Ela queria que ele chegasse agora! E enrolasse os dedos finos em seus cabelos, até acalmar sua alma, descansando sua cabeça em seu peito.
Ela queria que ele chegasse agora na beira da sua cama. Sussurasse para acorda-la, despertando sua paixão matinal. E fizesse uma festa quando seus olhos se abrissem, esfregando a ponta do nariz na sua bochecha.
Ele tinha que chegar agora! Ele tinha o beijo carnudo, olhar doce e mãos finas. Ela não tem mais. Só um par de olhos acizentados, ameaçando chuva.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Será eterno

Na dor a gente fica sensível a qualquer toque, a qualquer beijo de novela, qualquer mudança de tom na voz, uma demora no MSN. É na dor que a gente conhece melhor sobre a gente e sobre o outro. Descobre que na hora que o calcanhar dói a gente desaprende a pensar e até saboreia ficar tirando a casquinha da ferida, ver o sangue escorrer e ficar com pena da gente mesmo. Depois, brinca de esconder a dor e dizer bem alto para você: "Ela vai passar". A boa notícia, é que ela passa, mas deixam uma cicatriz amarga para sempre. À minha maneira errada, será eterno, não tem escapatória:

"Um casal separado descobre que, de uma maneira errada, será eterno. Eterno no fracasso, mas eterno. E tudo aquilo que um dia foi a sua vida se dissolverá no passado e você nem lembrará direito como foi, só lembrará na cabeça, não no peito. O peito vai estar ocupado com outras coisas. Isso se você tiver a sorte de ainda ter um coração. Porque às vezes a dor é tão grande que o coração pára e a gente fica amarga pra sempre e deixa de acreditar em tudo. Nada passa, diria uma amiga minha. Nada passa e a gente vira um amontoado de todas essas coisas. Nada passa. Ainda bem. Senão não valeria a pena".
(Clarah Averbuck)