terça-feira, 23 de junho de 2009
Não criemos pânico
O que acabou foi obrigatoriedade do diploma, isto é, a reserva de mercado, não acabou a necessidade de formação do jornalista. Os cursos de graduação e pós-graduação continuam a existir nos Estados Unidos, Alemanha e outros países que não exigem diploma. O mesmo deve ocorrer no Brasil.
Nenhum curso será fechado ou perderá sua validade, porque o que sempre valeu foi o conhecimento que a academia oferece, tal qual numa faculdade de administração. Qualquer um pode ser empresário sem a exigência de diploma, mas é claro que a faculdade ajuda muito a conhecer técnicas e caminhos para ser um melhor administrador.
Quem estudar mais, praticar mais, se aprofundar mais se sairá melhor sempre. E aposto que as empresas jornalistícas irão preferir os mais bem preparados - só que agora com a vantagem de poder encontrá-los em diversos cursos.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Dinossauros

Essa tira nunca fez tanto sentido pra mim como agora que conheci (e me viciei) no Twitter. Eu sigo a BBC, o Noblat, revistas, o Ancelmo Goes, executivos, jornalistas q adoro, num ritmo alucinante e viciante. Não dá pra acreditar que depois dessa velocidade toda, a minha geração e os mais jovens que eu ainda lerão jornal impresso, será coisa apenas de dinossauros mesmo.
E por falar em Twitter, sigam-me os bons: www.twitter.com/dibzinha
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A obrigatoriedade do diploma limita o direito a livre expressão
Hoje, felizmente, a informação está muito mais disseminada e não precisa ser mais direito de apenas uma parcela bem pequena da população que saiu das faculdades de jornalismo. Com as tecnologias atuais, mais do que ser contra a obrigatoriedade do diploma, eu acho essa discussão obsoleta. Qualquer um tem poder de formar a opinião pública, com seu vídeo no YouTube, a foto tirada pelo celular, o blog, o twitter, redes sociais, etc. E aí, vão obrigar que se tenha diploma para eu escrever um blog?
O direito de informação é de todos e isso sim, é reforço de democracia. Diferente do que pensa a Fenaj, democracia é garantir que todos possam ter voz, e não garantir a voz para poucos.
Diploma de jornalismo e reserva de mercado
Ao contrário do que o Sindicato argumenta, acredito que sem o diploma obrigatório, a qualidade dos profissionais das redações aumenta. Isso porque se a competição pela vaga de jornalista for maior, meu empenho deverá ser ainda maior, o que acarretará numa melhora da qualidade do profissional. Sem a reserva de mercado, a faculdade de jornalismo terá de oferecer um curso ainda melhor para garantir que apenas os diplomados conquistem os trabalhos.
Jornalismo é um ofício, não é uma ciência como medicina, nem uma técnica precisa como a engenharia. Como toda a profissão tem suas técnicas e artimanhas, que podem ser adquiridas na faculdade, mas principalmente, durante o exercício da profissão. Obrigar que um jornalista tenha diploma cairia para mim no mesmo absurdo de não se permitir que um dono de pastelaria possa gerir seu negócio por falta de diploma em Administração de Empresas. Ambas as profissões são ofícios, que estão em transformação contínua, para melhor atender ao seu público, seja ele o consumidor de pastel ou de informação.
Diploma de jornalismo e os anos de chumbo
Quem precisa de diploma?
A Fenaj e estudantes de jornalismos se manisfestam a favor da obrigatoriedade do diploma, afirmando que os 4 anos de faculdade garantem uma imprensa mais ética e um jornalismo de mais qualidade. Nessa ótica, eles afirmam que o jornalismo de qualidade só vem a reforçar a democracia. Quanto a isso, não tenho o que questionar. Porém, sou contra a obrigatoriedade do diploma e exponho meus argumentos nos posts acima.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
O óbvio é genial

Desde o primeiro programa, eu sou fã do CQC. E quando parece que ele vai perder o ritmo, ficar cansativo, os homens de preto retornam das férias ainda melhores.
Danilo Gentili, meu favorito dentre os repórteres, teve dois momentos felicíssimos nas últimas semanas. Em uma matéria, perguntou a deputados nos corredores do Congresso questões óbvias tiradas das manchetes da semana, como “Onde fica Guantanamo?” ou “O que significa FARC?” Muitos não sabiam e era hilariante e, ao mesmo tempo assustador, o embrolho que nossos representantes respondiam para não assumir sua ignorancia.
As perguntas são tão óbvias que só o “humor” poderia fazer. Mas não é só engraçado. Ele tirou a credibilidade de ao menos meia dúzia de políticos em uma matéria de um minuto. Poucos jornalistas conseguiram feitos como esse e os que conseguiram, não o fizeram de forma tão simples.
Na última segunda-feira, mesmo com intenção de cair no humor, a pergunta de Gentili no Congresso não era engraçada, apenas óbvia demais. Gentili perguntou a José Sarney: “Você já pensou em ser de oposição?” Simples e constrangedor - sem ser ofensivo. É aquilo que a gente sempre quis perguntar e nunca teve coragem...ou achou óbvio demais. Sarney não respondeu. Mas a “não resposta” pode ser uma das melhores respostas, principalmente na televisão, em que a imagem para fala por si.
O Telejornalismo sempre me pareceu o mais “pobre” dos formatos jornalísticos, pois demanda agilidade de produção, edição, e mais simplicidade nas mensagens, uma vez que seu espectador não estará com atenção total. Só que o CQC aproveita isso a seu favor. O humor é extraído da agilidade de suas matérias (afinal, timing é tudo para piadas) e das perguntas simples e óbvias em exagero. Gentili parece mais um estudante bobo do que um jornalista e por isso tem a liberdade para perguntar o óbvio.
Além disso, a TV favorece o que não tem graça em ser contado, como a cara de tacho do Sarney, a grosseria do Genuino, ou a fuga de uma risada do Collor após a piada do Gentili.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Rasgando o diploma II
Além de ter escolhido uma profissão do mal, como falo no post anterior, ser jornalista significa ser fudida e mal paga. Se é pra vender a alma ao diabo, que seja por muito, mas não é. E aí me pergunto, como jornalista consegue ser tão arrogante, mesmo vivendo na maior pindaiba? Não conheço um colega que esteja realizado em redações. (hehehe, agora conheço o Fabio Matos recém-contratado da ESPN). E os colegas que escolheram outras profissão já compraram seus carros, viajaram para o exterior, vestem-se bem, etc.
Por que somos fudidos e mal pagos:
1 -Os chefes de redação e editores podem dar medo no Diabo. Eles xingam reporteres sem cerimônia e até lançam objetos, como já aconteceu comigo. Hoje, que trabalho em uma empresa multinacional, os chefes podem não ser anjos, mas se preocupam com as leis, ao menos.
2 - Os colegas são tão mal pagos como você, mas acreditam que tem o rei na barriga e que um dia vão fazer a reportagem que vai mudar o mundo. Se possível pisam em você de cuturno e criam o ambiente mais hóstil do mundo. (Fatos reais que ouvi de uma amiga)
3 - O piso salarial como o nome diz é pouco, e nem assim é cumprido. (Fato real de amigos)
4 - Não há diferença entre estagiário e repórter praticamente. Um é substituido pelo outro sem pestanejar. O resultado você lê e ri por aí. (fato real também de amigos)
5 - Até mesmo em assessoria de imprensa, jornalista é PJ, pessoa juridica. Isso é tem que pagar imposto e ainda não tem direito a férias, assistência médica, etc. Até aí tudo bem, um médico que tem seu consultório é um profissional liberal também. O problema é que na assessoria tem uma agência lucrando em cima de você. O cliente paga x para a agência te contratar (mas ela não contrata, vc é pj) e a única coisa que ele oferece é o seu serviço que é x - a parte da agencia. Engraçado, né? (fato real de amigos meus)
6- Fim de semana, feriado, Natal, Carnaval, madrugada, família, namorado? Luxo. Você sempre soube que isso não te pertenceria antes de escolher essa profissão e se orgulhava de ter um trabalho dinâmico. Mas em algum momento você sente que a vida é mais do que uma redação e fica louco para prestar um concurso público para a Caixa Econômica Federal.
Depois de ouvir essa semana reclamação de todos os meus amigos, tenho certeza que vou rasgar o meu diploma.
Obs: Elio Gaspari falou no treinamento da Folha que a melhor fonte do repórter novo são seus colegas de geração. "É uma aplicação de longo prazo. Seus colegas de hoje serão diretores de empresa, embaixadores, dirigentes esportivos, especialistas, médicos, cientistas proeminentes nas próximas duas décadas. Mantenha contatos"
Se eu for seguir o conselho do Gaspari, no futuro, ao pegar minha agenda e ligar para os meus amigos do colégio vou chorar, porque eles viraram coisas tão importantes e eu tô lá trabalhando no fim de semana por um salário pifio, sendo chicoteada pelo editor e sem perspectiva breves de me dar bem como a minha geração.
Sabia que os jornalistas pertencem a classe com maior índices de alcolismo? Não se engane, não é porque rola muita festa, é muito sofrimento mesmo.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Rasgando o diploma
Pedi o diploma jornalista na faculdade e não fui buscar. E nesses dias pós-acidente da TAM deu vontade de nunca mais pegá-lo.
- Primeiro, porque apesar de saber que o Marco Aurélio Garcia e toda sua corja são repulsivos, é importante deixar claro, que se você está na sua sala e faz um gesto obceno, você não é um criminoso. Agora, se você é cinegrafista e utiliza um super zoom para gravar um assessor da presidência, ou um operário, dentro de um lugar privado, você está cometendo um crime. E se você é editor de um telejornal publicou essa imagem ilicita, também é crimoso.
Jornalistas criminosos adoram justificar seus atos em nome do direito de informação do público, do interesse do cidadão. Oras, mas como justificar um crime contra um ato vexatório, porém não criminoso?
- Em segundo lugar: Eu até concordo que o relato de uma tragédia, ou uma guerra, não pode ser limitada a números. Afinal, quem morre é um garoto que gostava de macarronada, uma senhora aposentada que fazia doces para seus netos, etc. Agora, se para fazer esse relato for preciso adentrar velórios e o IML para colher imagens de desespero de familiares que acabam de receber a notícia de uma morte trágica, eu prefiro rasgar o diploma.
- Eu sinto vontade de rasgar o diploma quando vejo diariamente ao longo de 10 meses a cobertura do caos aéreo. Um tema sem dúvida importante, afinal impacta a economia, mostra o grande relapso em investimentos em infra-estrutura, é desrespeitoso com cidadãos e consumidores e ainda por cima pode ter sido uma das causas da queda de um ou dois aviões de grande porte.
O que me revolta é a disparidade entre essa cobertura e as raras notícias sobre as mortes por neglicencia e falta de investimento em hospitais públicos. Das duas uma, ou já estamos tão acostumado com o caos da saúde pública a ponto disso não virar mais notícia, ou damos mais atenção ao cidadão que além de impostos, também paga passagem aérea e convênios médicos?
Obs: Importante lembrar que orçamento público é um cobertor. Se passarmos a investir mais em aeroportos, teremos de deixar de investir em algo. Eu espero que seja a campanha para a Copa que fique sem verba, e não a saúde pública.
- Eu quero rasgar meu diploma quando a imprensa desrespeita familiares de vítimas (em nome do respeito pelas vítimas) e mostra imagens de uma funcionária da TAM Express se jogando do parapeito do prédio. Uma imagem de filme de terror, que não agrega nada a conclusão do desastre. A última coisa que eu gostaria de ver na TV era a minha filha, ou mãe, ou irmã, morrendo.
- Eu vou rasgar meu diploma, porque as mortes do Complexo do Alemão e as chacinas da Zona Norte (tão próxima da comovente de João Helio) foram noticiadas com frieza e renderam apenas notas. Eu também quero saber se os garotos que morrem nas periferias gostavam de macarronada, queriam ser bombeiros, ou tinham namoradas apaixonadas. Mas nesse caso ninguém foi ao IML ou velório. Nem vi o rosto das mães deles.
O que a imprensa tem feito nos últimos dias e meses é um sensacionalismo barato, criminoso, covarde e lobista. Embuida em romantismo juvenil, escolhi a profissão errada.
terça-feira, 10 de abril de 2007
Eu sou mais Cásper
Além de ser comemorado todo fim merecia um balanço. Ainda estava na ressaca da festa de formatura, quando uma espécie de prima distante, aos 17 anos disse que prestaria vestibular para jornalismo, perguntou se valia a pena o curso e a faculdade. Tempo para pensar. Ô perguntinha difícil. Eu odiei aquela faculdade. Salas quentes, corredores esfumaçados, pessoas muuuito mal-humoradas arrogantes, laboratórios insuficientes para o número de alunos e muitas vezes obsoletos, filas quilometricas para impressão e xerox, mensalidade galopante e vários professores que deixaram a desejar.
Alguns amigos que se formaram comigo recebem salários piores do que estagiários, outros desconhecem o que significa vida (aquilo que a maioria das pessoas aproveita aos fins de semana, feriados, dias santos). Dificil indicar um curso e uma faculdade assim. Mas, jamais me arrependerei, aos 17 anos eu não tinha nem dúvida do que queria. E apesar de todas as minhas reclamações, o saldo foi bom. Mesmo com todos os problemas, acredito que fiz uma das melhores faculdades do país. Recomendei, sem tanta convicção, mas recomendei a vestibulanda, desejando boa sorte.
Dois dias depois, um colega do trabalho, que não fez o mesmo curso e faculdade, tentou me provocar dizendo que a Metodista (aquela que fica lá na roça) é melhor do que a minha. Conseguiu me provocar. Pela primeira vez, tive a sensação de orgulho de minha origem (teve ter sido a proximidade com a formatura).
Lembrei que no fim do primeiro ano, eu e a Cabis odiavamos a Cásper, aquele lugar tão hóstil. Prometemos que já que não tinha jeito, a gente ia se esforçar pra amar aquela faculdade. Amar é forçar a barra, mas passamos a tolerar bem mais. E ela com certeza foi uma das melhores coisas da faculdade, e hoje uma das pessoas que mais torço e que mais me identifico.
Além dela e de mais meia duzia de pessoas que valem a pena, a minha faculdade merece ser uma das melhores porque:
1) Tive aula com o Clovis Barros Filho, o melhor professor de comunicação do Brasil. E somos a única faculdade de jornalismo com aulas do mestre;
2) Temos jornais laboratórios de dar orgulho - programa em TV aberta, rádio universitária AM, uma revista riquissíma e muito premiada, e um bom portal. (ok, a faculdade lá da roça e a que não quero nem de graça também têm bons laboratórios, mas não tem TV aberta, tá)
3) Meu TCC foi muito prazeroso e um grande aprendizado prático. Não fui obrigada a fazer monografia, que algumas faculdades exigem.
4) Último e mais importante - temos 40 alunos por sala x 80 da Metô e 50 da USP.
Tem gente que não acha que isso é lá grande vantagem, mas faz uma diferença incrivel. Isto porque eu fui mais do que um RA. Os professores sabem o nome de cada aluno, e pelo menos o Luis Mauro, Wellington, Igor Fuser, Rosangela Petta, sabem qual meu estilo, trechos da minha vida, qual meu ponto forte e o que preciso melhorar. E eles só conseguem fazer isso porque tinham tempo de olhar pacientemente todos os detalhes do meu texto, rabiscá-los e criticá-los, e até mesmo, sentar comigo e conversar o que estava bom e o que estava ruim.
E faz tanta diferença ter poucos alunos por sala, porque educação e conhecimento não se constroem passivamente, sentado ouvindo um bom professor. Com excessão de aulas mal preparadas, todas eram feitas em forma de debate e com participação da maioria dos alunos. Aprendi muito na minha sala de aula, ouvindo os meus colegas, que como a Toquinho falou - Vão sujar os sapatos e ser grandes escritores, reporteres, poetas, documentaristas, profissionais, pessoas.
Acho que valeu a pena.
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Por que ser jornalista?
Alguma dessas capas poderiam ter sido escritas por mim, uma estudante, quase jornalista. Mas eu não saberia responder a nenhuma dessas questões. Não sei quando a vida começa, muito menos quem tem culpa pela guerra, menos ainda em quem votar para presidente. Como leitora e como jornalista, eu quero todas as respostas, mas tenho todas as dúvidas, todos os conflitos, todas as dificuldades para entender a complexidade do mundo em que vivo.
E justamente por não ter certezas, mas sim sede de entender, aprender e achar as respostas, procurei o jornalismo como minha cura. Com o jornalismo posso conhecer os diferentes mundos, desde as razões dos sem-terra que se unem ao movimento para não morrer de cansaço após cortar cana por horas para receber dois reais por cada tonelada cortada; até os motivos do canavieiro que com o álcool que produz pode tornar o Brasil uma potência energética e que para investir precisa da segurança de não ter suas terras ocupadas ou destruídas. Quero ouvir quem venceu e quem foi vencido. Quero mostrar o outro lado para quem não quer ver (comer carne pode sim ser saudável) e dar voz a quem não tem horário gratuito em rede nacional (alguém que parou de comer carne, porque ela é cara).
Assim, busco entender o homem em suas diferentes facetas e expor as dúvidas que me afligem. Quem sabe alguém encontre a sua resposta, quem sabe alguém também passe a duvidar.